2ª CONTINUAÇÃO DO LIVRO DE RENESMEE OU LUA CHEIA
2ª CONTINUAÇÃO DO LIVRO DE RENESMEE OU LUA CHEIA

domingo, 18 julho, 2010
Capítulo 22

RENESMEE...

22. CERTEZAS

-Mãe! Temos que ligar para Renée e Phill!-abri a porta e gritei. Meu coração estava desesperado, aos pulos. Depois que voltei da Itália, bloqueei muitas coisas ruins de lá, uma delas o perigo em que Renée e Phill estavam submetidos.

Mas enquanto falava com os garotos na reserva, a minha família humana veio como um flash, e Renée estava lá, e eu tinha que ajudá-la.

-Por quê?-ela me encarou com seus olhos dourados.

-Eles estão em perigo. Digamos que a próxima refeição dos Volturi terá turistas de Phoenix no cardápio.-falei sério, e os olhos de Bella vasculharam a sala a procura do celular. Com passos vampíricos, minha mãe saiu e voltou a nossa sala com o celular já no ouvido.

-Mãe?-ela sibilou, mas o celular parecia estar desligado. A mensagem de voz foi ativada- Mãe, não sei se ainda está com esse celular, ou perdeu ele, mas assim que escutar essa mensagem, por favor, me liga! É muito importante! Te amo.

Os olhos de Bella estavam em mim, concentrados. Eu não tinha certeza de que Renée ouviria a mensagem, então vi minha mãe discar novamente, era para o Phill.

-Alô? Phill? Graças a Deus!-eu me sentei, minha mãe virou-se para me encarar.

-Bella? Mas qual o problema? Você está bem?-do outro lado da linha, Phill se preocupou. Mesmo com a voz melódica e suave da minha mãe, ele percebeu no “graças a Deus!” algo errado.

-Você e a minha mãe não vão para a Itália, vão?-ela modelou o tom para curiosidade, ouvi Phill sorrir do outro lado da linha.

-É uma surpresa para sua mãe. Resolvi levar ela em um passeio pela Europa, aniversário de casamento. O primeiro lugar que vamos é uma pequena cidadezinha na Itália. Ei! Como você sabe que vamos viajar?-ele ainda estava alegre.

-Digamos que a companhia de viagens deixou escapar.-Bella sorriu para mim- Mas, então... a mamãe está aí?

-Não.

-Quero pedir um favor, quer dizer, quero alertar vocês. Está havendo uma investigação policial nessa cidade da Itália, e era melhor que vocês não fossem a Volterra.-minha mãe falava como quem apenas dá um conselho.

-É essa cidade mesmo. Investigação é? E o que houve por lá?-Phill soou preocupado. Bom sinal.

-Parece que estão ocorrendo assassinatos e os turistas são as principais vítimas. Então, para que não seja o último aniversário de casamento de vocês, não a leve para Volterra. Se possível, não vá a Itália. Eu não quero perder minha mãe...e nem você, é claro.-agora o tom de Bella havia ficado melancólico. Mas só o tom, sua expressão de ansiedade era a mesma desde o início da ligação.

-Eu posso cancelar. É apenas uma pequena cidade do roteiro, podemos deixar de passar por lá. Ainda mais se os turistas são as principais vítimas. Obrigado por avisar, Bella. E como vão as coisas?

-Não foi nada. Tudo bem, aqui. E minha mãe? Como está?

-Bem, agora ela está no hotel, eu estou no estádio. Intervalo do treino. Creio que você tentou ligar para o celular dela e não conseguiu...-a voz dele era irônica.

-Acertou. O que houve dessa vez?

-Ela esqueceu o celular em algum lugar de Nova Jersey. Vamos cancelar a linha em alguns dias e fiz Renée prometer que não perderia o novo celular, assim que comprarmos.

-Quando comprarem, por favor, me ligue para dizer o número. A Renée, sempre Renée!-minha mãe riu, balançando a cabeça.

-Fim do intervalo. Obrigado de novo por avisar Bella. Estranho a companhia não ter mencionado. Mas é assim “ganhar dinheiro, mesmo que o cliente morra!”-ele gargalhou e minha mãe sorriu também.

-Então tchau! Bom treino!

-Obrigado, Bells!

Minha mãe suspirou assim que colocou o celular no bolso da calça jeans.

-Não quero nem pensar no que teria acontecido caso você não tivesse ido passear na Itália, Nessie, não quero nem pensar...-minha mãe me abraçou.

-Bem, pelo que vejo minha viagem não foi um fiasco tão grande o quanto imaginávamos. Vou começar a planejar a próxima.-pisquei para Bella que respondeu a minha piada com um olhar frio.

-Edward deve estar voltando. Está se demitindo da faculdade. A loja está quase vendida para a senhora Clooney, e seu casamento está chegando...-Bella sentou e olhou pela janela da sala.

-Mãe, me explica apenas uma coisa... o que deu errado lá na Itália, pensei que o plano dos Cullen era me esperar.-seu olhar voltou até mim e ela olhou para o chão na sua frente.

-Acho que eu não sou uma boa mãe...-ela sorriu, enchendo seus pulmões de ar, mesmo sem ter necessidade.

-Não diga isso nem de brincadeira. Você é a melhor mãe do mundo! E mesmo parecendo uma adolescente, eu sinto um imenso respeito e admiração por você, maior até que por Edward ou qualquer um.-eu peguei em sua mãe gelada e ela olhou para mim e sorriu.

-Não exagere. A culpa do plano ter falhado na Itália foi minha. Estava tudo indo bem, Edward monitorava os pensamentos lá em baixo antes de você acordar. Mas a guarda se dispersou pela cidade, então tivemos que sair de lá... menos eu. Pedi a Esme que fosse na frente que eu alcançaria, mas não fui. Achei que...-Bella, sorriu, apertou os olhos e balançou a cabeça, parecia desacreditada do que fez- Se eu conseguisse falar com Aro ele deixaria você ir. Eu sei, eu sei! Muita estupidez da minha parte, mas eu estava desesperada! De repente a família que eu fazia parte estava prestes a desmoronar! Minha filha estava nas mãos de perversos vampiros que poderiam sugar o sangue dela... Eu fiquei cega.

Bella pausou, recuperando as palavras certas ou as lembranças coerentes. Logo seus olhos brilhantes estavam em mim, mais expressivos do que de costume.

-Demetri me viu, quando eu estava entrando em uma das galerias, ele estava indo para algum lugar, ele e mais alguns vampiros. Tentei escapar, mas não fui rápida o suficiente. Edward me alcançou, lutou com eles, mas logo mais estavam nos cercando, e depois Alice e os outros chegaram, e vendo a força de tantos vampiros, nos rendemos. Eu estava esperando por Jane ou Alec, mas nenhum veio, então, não coloquei o escudo. Fomos levados para aquela mini arena, e depois de relutar, de pedir a Jake que se mantivesse calmo, a névoa de Alec veio rápida e antes que eu pudesse esticar meu escudo, tudo parou. Fiquei confusa. Percebi que nem nossa família nem os vampiros se moviam, estava tentando envolver apenas os nossos no escudo, mas estava sendo difícil.-Bella estava vendo o momento agora, ela olhou suas mãos, como se o elástico protetor brotasse delas.

-E quando eu ia colocar o escudo em Edward, para que ele me guiasse, a porta se abriu, você e Alec apareceram. Seu pai tinha me dito que ele estava apaixonado por você, um sentimento quase igual ao que ele sentia por mim, mas não podia se ligar a você, ele não pretendia abandonar Volterra... eu não entendi. Mas quando vi os dois, quer dizer, os três, pois até Jane estava envolvida, eu percebi que realmente era capaz de um Volturi ter sentimentos. Fico feliz por você e Alec terem acabado bem. Edward disse que ele não sofreria tanto, não mais do que Jake. Foi nesse momento, onde eu vi você e Alec ali, decidindo uma história que recordei de algumas coisas do meu passado humano e me dei conta do seu amadurecimento. Em seis curtos anos você se tornou o que qualquer humano demoraria a vida inteira para ser... você foi justa. Foi sábia e eu me orgulho de você.

-Mãe! Eu te amo! E também me orgulho de você!-falei, me lembrando de como havia sido imensamente difícil deixar Alec lá.

-Vejo que não há mais a minha garotinha que crescia depressa e que fazia Jacob rolar nas folhas cheias de musgo... eu demorei muito para amadurecer, acho que ainda não estou nem perto de ser o que qualquer humano maduro seria! Mas eu tenho a eternidade! E que bom que você também terá! Espero que você e Jacob sejam mais felizes do que eu e seu pai somos. E que tenham filhos igualmente especiais como temos!-ela me abraçou, extremamente melancólica. Seu abraço estava mais quente do que de costume, mesmo sem um coração, Bella era uma mãe melhor do que qualquer outro animal na face da terra.

Deveriam existir poucas mães vampiras, se é que minha mãe não era a única, e não só por isso, mas por tudo, ela conseguia ser a melhor entre todas.

-Me lembro que quando era humana era muito emotiva, chorava muito. Uma pena que não tenha mais nenhuma lágrima daquelas...-Bella me soltou e eu suspirei.

 Segunda pela manhã, dei um abraço muito apertado em Andie. Eu realmente senti muita falta disso tudo em apenas uma semana longe. Passei uma vida inteira para descobrir a sensação de estudar com os humanos, me apeguei a uma humana e uma semana longe e tudo isso parece que foi uma eternidade.

-Eu senti muito sua falta...-Andie confessou na hora do almoço.

-Também, mas minha família, fazer o quê.-dramatizei.

-É, sei como é. O Seth já deve ter te contado as novidades...-ela entrou no assunto um pouco envergonhada.

-Ah é! Parabéns! Está namorando!-eu abracei ela.

-É. O Seth é meio maluco. Tipo, meu pai me esperou sábado a noite na porta e ele entrou em minha casa e falou pra meu pai que gostava de mim e que queria um compromisso. Isso definitivamente pegou meu pai de calças baixas. Ele gaguejou um pouco, mas no fim, tossiu um sim e ainda por cima perguntou se Seth tinha um emprego. Seth sorriu sem graça e falou pra ele que onde ele trabalhava não dava pra chamar de emprego. Então meu pai perguntou onde ele costumava trabalhar e ele disse que estava em uma oficina mecânica. Na hora meu pai sorriu e disse que apartir daquele momento ele era o novo assistente de revisão de motores. Eu não entrei no assunto. Fiquei meio perdida. Não sabia mais se eu era o motivo da visita ou eram os negócios.-ela riu, balançando a cabeça.

-Que bom. E seu pai falou se gostou de Seth?-perguntei, enquanto ela tomava um gole de Coca Cola para recuperar o fôlego.

-Se gostou? Disse que eu não poderia ter arrumado um namorado em hora melhor. Ele estava desesperado por um assistente de qualidade e Seth parecia integrado nisso. Juntou o útil ao agradável, como ele disse. Seth pareceu um objeto. Mas meu pai é assim, tem que ter utilidade pra alguma coisa.

-E sua mãe, achou o quê?-perguntei para ter mais assunto e ela não perguntar da minha viagem.

-Ela disse que sou muito nova e tal. Que não devia namorar tão cedo. E também falou...-ela sorriu, e parou.

-O quê?

-Disse que não queria saber de sexo. Que era pra eu ser bem cuidadosa, porque virgindade é como lacre de copo de água mineral, arrancado, tem que permanecer com o copo, porque não tem como devolver para lacrar de novo.

Eu e ela gargalhamos juntas. A mãe de Andie não era tão conservadora como eu pensei.

-Sua mãe é legal.-eu disse, ainda rindo.

-E sua viagem? Como foi?-ela perguntou mais o sinal tocou.

-Depois nos falamos.-coloquei minha mochila nas costas a fim de terminar logo meu dia e ver Jacob.

Enquanto acelerava a moto em direção a minha casa, ia pensando no que a mãe de Andie falou, não a parte do copo de água mineral, mas sim de ela estar sendo precipitada, de ela ser muito nova. Aquilo pra mim não parecia nada demais. Afinal eu teria a eternidade com essa mesma cara. Esse mesmo corpo.

Qual era o problema de casar e morar com Jacob agora? Ele precisa de alguém com ele. Rachel não pode mais cuidar dele e Jake é como uma criança grande, embora tenha muitas outras responsabilidades de gente grande.

É, eu tinha certeza, eu iria me casar com Jake, até porque seria bem mais prático para minha família eu cursar o colegial sem que eles me observem ou me ajudem. Assim, meu pai e minha mãe poderiam sair da cidade e viajar, como eles planejaram após meu ensino médio,  meus avós poderiam sair de vez de Forks, meus tios também poderiam seguir o ciclo que a décadas eles vinham fazendo, como nômades, sempre mudando de um local para o outro.

Mas nenhum desses era meu motivo real. Jacob era a grande parte do meu motivo real. Eu queria ficar perto dele, sentir seus olhos nos meus quando acordássemos , queria fazer seu café, mesmo não comendo com ele. Queria ver o sol se pôr na praia de La Push com ele a eternidade. Não aprecia uma vida tão animada ou divertida, mas era uma vida a ser preenchida. E ao longo dos anos, poderíamos viajar, conhecer lugares, como minha mãe e meu pai fizeram.

E lá estava a casa de Carlisle, escondida, no meio da floresta, uma casa invisível para a maioria dos olhos, mas uma linda casa. Muito grande e confortável.

-E então, como vai ser?-tia Alice, assim que pôs os olhos em mim, começou a interrogar.

-Como vai ser o quê?-perguntei, guardando as chaves e o capacete.

-Ah! Não se faça de boba. Seu casamento é daqui a alguns meses e você me pergunta “o quê?”. Faça me um favor!-ela disse, me arrastando delicadamente para dentro de casa. Estava vazia.

-Digamos que a festa será no estilo quileute...-eu brinquei, querendo dar a notícia da melhor maneira possível.

-Oh, resumindo “Tia Alice, será sem a sua participação.” Eu já sabia disso. Mas não esquente com isso, meu presente vai ser ótimo pode apostar. Jasper e Emmett já estão trabalhando nele há algum tempo.-ela disse, balançando minhas mãos presas as suas.

-Que bom que não ficou chateada. Eu sei que sou sua única sobrinha, mas fazer o que? A maioria de lá venceu. E outro ponto importante: os lobisomens gostam de comer e comer muito.-eu disse e ela suspirou aliviada.

-Certo. Mas prometa que vai ficar feliz mesmo se sua festa for um desastre?-ela olhou fundo nos meus olhos.

-Sim. O importante é ficar ao lado de Jacob...-sussurrei, fugindo dos olhos dourados dela.

-Ótimo. Tenho que sair rapidinho.-ela sorriu e com seus passos que mais pareciam de uma bailarina saiu porta a fora.

-Hey, então você vai mesmo deixar a mim e a seu pai? Quer ficar aqui definitivamente?-Bella apareceu na porta da cozinha.

-Pensei que vocês sabiam disso desde o começo...-falei, indo pro sofá.

-É, mas tudo aconteceu muito rápido... é espantoso que você esteja oficialmente casada daqui a uns meses. Eu esperei meu colegial inteiro...

-Nem todo, mãe. E também quero abreviar a viagem de vocês. Não vai dar pra fantasiar por muito tempo a idade de vocês aqui. Essa foi sua escolha. Então, você e o papai tem que ir e esperar que boa parte do povo daqui ou envelheça ou morra... incluindo o vovô Charlie e vovó Renée. Eles sentiram muito sua falta, mas será inevitável.-falei, vendo os olhos dela indo longe.

-Eu sei disso tudo. E está sendo mais difícil do que imagina. Mas foi minha escolha, então... por isso que eu não queria que você se casasse agora. Eu poderia ficar mais um pouco aqui, perto de Charlie, e até de Renée. Mas se você decidir se casar agora, eu terei que partir mais cedo...-Bella me encarou, sua boca entreaberta, como se faltasse algo a sair.

-Eu tenho certeza do que eu quero, mãe. Agora, mais do que nunca. E meus pensamentos e certezas são egoístas. Eu tenho certeza que quero me casar com Jacob, mas ao mesmo tempo, tenho certeza de que não quero ficar longe de vocês, da minha família. Mesmo que seja por algumas décadas... o tempo passa devagar demais quando se ama as pessoas.-falei, abraçando Bella.

-Isso é verdade.-ela sussurrou.

A tarde ficou muito monótona. Quando meu pai chegou de Port Angeles, ele foi ao piano, e dedilhou várias canções. Era maravilhoso poder estar em casa, ouvir a doce melodia de um piano, a minha mãe ao meu lado, afagando meus cabelos, aquilo não poderia ser trocado por nada a não ser por uma mão batendo no vidro da janela. Jacob.

-Olá, senhora Black!-ele disse, me puxando pela cintura e me olhando nos olhos.

-Olá, senhor Black! Como foi seu dia?-perguntei recebendo seu beijo de boa noite. Sua pele estava fria por baixo da camisa. Ele estava cheirando a sabonete, isso queria dizer que a ronda noturna foi rápida.

-Acho que em alguns dias nosso grupo vai diminuir ainda mais...   

-Eu tenho certeza. Com nosso... casamento, minha família vai partir. Assim a única vampira que vai sobrar sou eu, e apenas uma parte de mim é sugadora de sangue.-sorri e ele gargalhou.

-Espero que meu sangue não esteja incluído nessa sua dieta. Falando nisso, você já... caçou?-ele  tocou em um assunto delicado. Na semana que passei na Itália eu não tinha caçado, em compensação tinha matado minha sede com sangue humano, o que estava me deixando saciada por dias.

-Digamos que eu não estou com sede. Não a ponto de te atacar. E outra coisa, não vou mais me tornar vampira. Agora eu posso me controlar. Era ela quem fazia aquilo, não eu.-me justifiquei, sentando ao seu lado no degrau da porta da frente da casa de Carlisle.

-Aquilo... hum... Pensando bem, eu vou sentir falta de você transformada em vampira. Ela era mais agressiva...-Jacob ousou rir de mim.

-A é? Mas eu também sei ser agressiva...-segurei com um pouco de força o pescoço pulsante dele e fiz com que ele deitasse nos degraus da escada. Depois passei minha perna ao redor do seu abdômen e fiquei em pé segurando seu pescoço quente e pulsante e delicioso...

-Ok! Tenho que admitir que você também tem seu lado agressiva. Mas...-ele segurou nos meus pulsos e me tirou de cima dele, invertendo a posição. Agora ele estava em pé, sobre meu abdômen.

-Oh! Edward! Eles resolveram fazer na porta de casa!-tio Emmett surgiu na frente da porta, com tio Jasper e tia Alice.

Jacob saiu de cima de mim, balançando a cabeça. Eu sentei novamente, e olhei para as tábuas de madeira do degrau a baixo dos meus pés.

-Não liguem. São praticamente casados agora. Podem muito bem fazer o que quiser.-tia Alice disse, subindo junto com tio Jasper a escada e indo em direção a porta. Tio Emmett resolveu pular do chão até o corrimão em cima de nós. Assim que estava sobre nossas cabeças, pós uma mão em cima do meu ombro direito e outra no ombro esquerdo de Jacob e nos juntou perto de seu roto.

-Se quiserem algumas dicas, crianças, é só perguntarem.

-Tio Emmett!- eu sorri, sabendo que estava vermelha.

-Caindo fora!-ele disse, batendo a porta atrás de nós.

-Então, estávamos onde?-Jake me olhou e eu apenas sorri. Ele estendeu o braço em meus ombros e começou a falar de como seria a vida ao meu lado.

A semana passou e no sábado, uma saudade enorme apertou meu coração. Precisava ver Charlie.

-Sue me disse que ele está uma fera. Bella apareceu por lá e ele perguntou a ela se você tinha ido pra algum colégio interno. Ele acha que você o abandonou.-Jacob me disse, enquanto dirigia a Mercedes Guardiam de minha mãe até Forks.

-E ele já sabe que vou me...-engoli a palavra.

-Casar? Já. Sue falou a ele. Charlie quer que eu faça alguns juramentos. Ou vou estar encrencado. Ah! Ele também quer saber se você realmente quer casar comigo. O velho Charlie... acho que está ficando um pouco caquético! Onde ele acha que você arrumaria um partido melhor que eu nessa cidade?-convencido, e com olhos na estrada, seu olhar se desviou um instante para confirmar minha cara de sarcasmo.

Depois da segunda batida na porta, Charlie abriu-a rapidamente. Estava cochilando no sofá, a luz da tarde o fez esfregar os olhos.

-Hey! Quem está aqui! Se não é minha neta desaparecida! Já ia ligar para o FBI!-ele disse, me abraçando ainda na porta.

-Estava com muita saudades de você também, vovô!-falei, entrando.

-Olá, Charlie! Que bom que já está por dentro das novidades!-Jacob apertou a mão de Charlie.

-Você, ein Jacob! Sempre querendo entrar em minha família!-Charlie deu um tapa nas costas de Jacob e ele alargou o sorriso. Sentei no sofá, vendo a televisão desligada.

-Espero que Sue esteja cuidando bem do senhor...-falei, e ele me olhou frio.

-Não veio aqui pra falar de mim e da minha maldita saúde! Quero falar de vocês, ok? Vão se casar! Já não basta Bella ter feito isso, agora você também, Nessie! Vou acabar morrendo sozinho.

-Não seja dramático Charlie! Você não estaria sozinho se convidasse a Sue para morar com você!-Jacob disse, e ele o olhou rápido.

-Como se fosse fácil assim, Jake. A Sue não é uma adolescente, tem filhos para cuidar...-ele coçou a cabeça enquanto falava.

-Isso não será problema. Em alguns meses Seth vai casar também. Ele já encontrou a alma gêmea dele. E Leah já é carta fora do baralho.-Jacob sorriu e Charlie balançou a cabeça concordando.

-É, eu sei. Por isso estamos nos programando. Assim que Seth resolver se amarrar pra valer, a casa dela fica pra ele e ela vem para cá. Só espero que não demore muito.-Charlie riu olhando para o piso.

-Eu também espero isso. O senhor não está mais na idade de ficar sozinho. Que bom que a Sue está disposta a ficar aqui...-a frase me escapou, sem que eu percebesse o sentido ambíguo da mesma.

-Ow! Quer dizer que ficar com seu velho avô é um sacrifício?-ele brincou e Jake prendeu o riso.

-Não. Eu quis dizer que não é simples largar uma casa para ir viver em outra...-expliquei e ele ergueu as sobrancelhas em um silencioso “Ah!”.

-Mas a Sue praticamente já vive aqui, Nessie.-Jacob falou, e Charlie repetiu o olhar frio.

-Mas chega de falar de mim. Quero saber se você tem certeza de que quer se casar com esse aí...-ele sorriu, e Jacob cruzou os braços.

-Sim, digamos que alguma coisa nele me cativou a ponto de me levar para o altar.-eu brinquei e vi uma piada prepotente nascer nos lábios de Jacob.

-Alguma coisa não, tudo em mim.-ele sorriu, me corrigindo.

-E você sabe que isso é uma decisão muito difícil e que vai mudar muito sua vida, não sabe?-meu avô antecipou o sermão que eu tinha certeza que Edward certamente me daria.

-Sim. Eu sei de tudo. E quero isso mais do que qualquer coisa.-falei tão confiante que até respirei com dificuldade assim que vi o peso da seriedade das minhas palavras.

-Agora eu também senti firmeza!-Jacob disse, pegando minha mão.

-Então que Deus abençoe, vocês...-Charlie deu de ombros.

-Era esse seu interrogatório? Pensei que para um ex chefe de polícia talvez você fosse mais durão... aposto que com o Cullen você foi mais duro!-Jacob zombou e eu o olhei alarmada. O que ele queria? Que Charlie fosse contra?

-Que isso! Eu agi mais duro com Bella sim, mas eu não conhecia os Cullen direito. E digamos que você cresceu aqui dentro. Quase um irmão mais novo de Bella... então, se minha neta diz que tem certeza do que quer, o que eu posso fazer?-Charlie piscou pra mim e eu encarei Jacob, com um olhar que sintetizava as palavras “Entendeu?”.

-Ok! Vamos andando Renesmee.-Jacob se levantou e eu não senti que precisava ir. Mas como dizer um não a uma frase tão convincente.

Na saída, Charlie chamou Jacob antes de sair do batente da porta e cochichou no ouvido dele:

-Espero que ela saiba o monstrinho que você se trona na lua cheia...-com minha audição aguçada, pude ouvir claramente as palavras que me fizeram congelar.

-Ei! Não é na lua cheia! E sim, ela sabe, e foi isso que fez ela tomar a decisão final. Ela ama esse meu lado “monstrinho”, ela acha fofo!-Jacob sussurrou de volta, e eu senti minhas bochechas corarem.

-Que bom!-foi o que Charlie disse antes de fechar a porta.



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Capítulo 23

23. COMBINAÇÕES

Depois de alguns dias eu já não conseguia ver mais a Nessie que costumava ser a alguns meses atrás. Não havia mais a meio humana revoltada com sua parte vampira, mas agora, a harmonia de minha rápida infância tinha voltado. Como minha mãe me lembrava sempre, eu amadureci e agradeço muito a Jacob por isso.

Estávamos mais juntos do que nunca. Pensei que ele ficaria mais triste quando outros do seu bando desistissem, mas não, ele age como se amanhã ele fosse ter cabelos brancos, mesmo tendo a mesma cara jovem de sempre. Tudo estava começando a se organizar. Jacob estava passando a maior parte do tempo na casa antiga de Billy, arrumando o que estava deteriorado. Logo seria nossa casa. Seria um pouco estranho para mim viver lá.

Quando eu dizia minha casa uma sensação de vazio me tomava, porque a minha curta vida inteira o que eu conhecia como minha casa estava atrás da casa de Carlisle, rodeada das grandes e musguentas árvores naturais de Forks, e agora, tudo iria mudar.

Seria durante as férias de verão, minha cerimônia. Ao lado da antiga casa de Billy seria montado o altar e a recepção para os convidados. Esperava-se que não chovesse no dia que seria marcado. Hoje, domingo, eu iria para uma reunião na fogueira, e não teriam só lobos, não, hoje não. Celebraríamos de vez um tratado de união, onde todos os descendentes de Cullen e Black guardariam para sempre Forks e a reserva de La Push.

Foi ideia de Sam fazê-lo, já que os dois clãs se misturariam com a nossa união e era o certo a fazer, já que um Cullen nunca mataria nenhum humano. Seth decidiu deixar Andie fora dessas histórias, pois ele não seria mais lobo, assim que minha família  partisse e ela já conhecia as lendas.

-Todos nós temos que ir, Rose. Será uma celebração importante.-Carlisle explicava a minha tia.

-Por favor, tia Rosalie, venha conosco, é muito importante para mim e para todos nós. Faria isso por mim?-falei, vendo seus braços cruzados relaxarem e caírem ao lado dos quadris.

-Por você anjinho, eu mataria qualquer um.-ela sorriu e eu a abracei.

-Obrigada.

A noite, em volta da fogueira, todos estavam conversando, não havia mais uma antipatia entre os clãs, mas uma amizade estava nascendo ali. Carlisle cumprimentou a todos, assim como vó Esme e meu pai. Mesmo eles estando formais de mais, eu sabia que estavam gostando.

Assim que estavam todos acomodados em volta da fogueira, tanto vampiros quanto lobisomens, Sue pediu a palavra.

-Hoje, os grandes espíritos da nossa tribo devem estar muito contentes com o que nossos  clãs irão fazer. A guerra nunca foi uma opção, nunca foi uma escolha saudável para nenhum de nós. Nos foi passado o segredo do lobo para proteger nossa aldeia, no entanto, não há mais o que proteger. Perigos podem surgir sim, mas não devemos mais nos ter como inimigos, não mais. A natureza nos tornou inimigos naturais, mas agora podemos surpreendê-la, mostrando que a convivência pacífica é melhor do que o medo, do que o ódio e a rivalidade. Jacob e Renesmee irão se unir, não só em matrimônio, mas como homem e mulher, e isso nos tornará mais próximos do que nunca. Com a permissão do doutor Carlisle, eu tomo a iniciativa de selar esse acordo. Por favor, venha a frente, Jacob e Nessie.-Sue chamou, Jacob me encarou e eu levantei meio perturbada.

-Antes de se casarem, gostaria que diante do espírito do grande chefe Taha Aki, os dois jurassem as seguintes palavras: -Eu, lobisomem. Repitam os dois...-ela pediu, segurado nossas mãos uma em cima da outra. Meu coração estava com um ritmo acelerado e aumentando cadê vez mais.

-Eu, lobisomem.-eu e Jacob falamos em coro.

-E eu vampiro.

-E eu vampiro.-Jacob disse isso com a boca torta.

-Prometo unir nossa matéria, nossas terras, nossos espíritos...

Repetimos com a mesma seriedade que Sue falava, mantendo os olhos um no outro.

-Em harmonia, para que não haja mais guerra, mais conflito nem disputas. Para que nosso povo se torne forte e um único clã de guerreiros que defenderão sua terra e seu povo a cima de qualquer outro cuidado, seja ele de raça, de coração ou de família.-eu escapei meu olhar enquanto repetia essas palavras para espiar minha família, eles me olhavam atentos.

-Selo aqui a união de dois espíritos rivais que deixaram seus corações prevalecerem e estão se unindo contra a força natural, mas com a benção dos grandes espíritos.

-Eu água... repita apenas você Jacob.-Sue voltou-se para Jake.

-Prometo nunca danar nem censurar seu espírito denso, óleo.-Jake me olhou nos olhos, e enquanto sua voz rouca repetia essas palavras, seus olhos ardiam nos meus.

-Agora você, Nessie. Eu, óleo, prometo nunca sufocar você nem mantê-lo prisioneiro em mim, água.

Jurei aquilo, me encaixando no elemento que Sue designou para mim. E meditei, realmente era o que nós éramos. Água e óleo, algo que nunca se misturava, mas que podia se manter unidos, e mesmo que qualquer coisa tentasse quebrar o elo entre os dois, um nunca entraria no ser do outro, nunca abateria o espaço do outro, uma mistura improvável e impossível, mas que podia conviver juntos... para sempre.

-Selem a o acordo.-Sue pediu, tirando sua mão das nossas. Jake me olhou, seu rosto estava vermelho com a fogueira. Uma de suas mãos tocou minha bochecha, senti um calafrio tomar meu corpo, enquanto o dele se aproximava. Nossos rostos ficaram a centímetros um do outro e antes que selássemos qualquer coisa, senti a respiração dele ofegante, sua boca se abriu e ele sorriu.

-Eu te amo, óleo.

-Eu te amo, água.-sussurrei em resposta a sua declaração e não senti mais o mundo ao meu redor, apenas a mão de Jacob na minha nuca, sua boca na minha e algumas pessoas batendo palmas. O acordo estava finalmente selado, um união indestrutível e forte, entre vampiros e lobisomens.

-Aposto que em alguns anos, em volta de uma fogueira como essa, nossos filhos e quem sabe, nossos netos não contarão só as lendas de Taha Aki, mas essa história de vocês também vai virar lenda. Preparem-se para ficar famosos por longos anos.-Sam falou, quando estávamos sentados, Jacob comia e meu pai conversava com Sue sobre alguns detalhes de uma união tão improvável.

Duas semanas depois, meu vestido estava pronto. Pedi a minha mãe que não fizesse nada formal, nada para usar em uma igreja, mas um vestido esportivo, se existisse. Ela e tia Rosalie disseram que fariam o melhor. Não quis envolver tia Alice mais do que o necessário.

-E então, o que achou?-minha mãe perguntou, um pouco nervosa eu acho. Eu nunca tinha visto Bella daquela forma, Edward havia mencionado algo como emoções fortes.

-Mãe é... lindo!-eu girava na frente do espelho do meu closet, para admirar o vestido. Não era um branco alvo, era mais pérola. Tinha uma divisória entre o busto e os quadris, sendo justo em cima e em baixo descia rodado, com duas pregas na frente, fazendo um efeito de volume. As alças eram transversais, caídas no ombro. O busto era forrado, trabalhado em pedraria, canutilhos deixavam a frente do vestido deslumbrante. Não era longo o suficiente para arrastar no chão, porém não subia a ponto de ver meu tornozelo. Era perfeito.

-Que bom que gostou. Demorei muito para encontrá-lo.-Bella disse, sua cara evidentemente emocionada com meu vislumbramento.

-Nem acredito que você está vestindo um vestido de noiva! Meu Deus!-tia Rosalie suspirada do outro lado da porta do closet.

Demorei alguns instantes para me ver como uma noiva, até o momento, eu só me enxergava vestida em um lindo vestido, mas não era só isso. Era o vestido do meu casamento com Jacob.

-Já avisaram ao lobo que ele vai ir de terno?-tia Rose pareceu preocupada.

-Edward e Carlisle estão cuidando disso. A propósito, onde estão Emmett e Jasper?-minha mãe tirou seus olhos de mim e encarou tia Rosalie.

-Digamos que eles estão preparando uma surpresa para os noivos.-tia Rosalie suspirou de novo e me deixou ainda mais nervosa. Uma surpresa? De tio Emmett e tio Jasper? Eu nunca imaginaria o que poderia ser.

-Como o tempo passa depressa! Falta menos de um mês para que você esteja em uma casa vivendo sua própria vida. Eu não posso acreditar!-tia Rosalie dobrava meu vestido e eu e minha mãe estávamos sentadas na cama observando suas mãos habilidosas fazerem o serviço.

-Se você não acredita, o que eu digo? Sabe, esse foi o problema de ver Renesmee crescer tão depressa... em um minuto a temos, em outro, não temos mais...-melancólica, Bella suspirou, olhando em volta.

-Lembrem-se! Eu tenho lágrimas e vocês não, então não em façam ter que vê-las caindo!-eu avisei.

As aulas estavam quase no fim, as férias de verão estavam se aproximando e pensei em uma forma criativa de convidar Andie para o meu casamento. Pedi a Seth que não comentasse nada antes que eu falasse com ela e ele concordou.

-Vai viajar nessas férias?-Andie me perguntou, durante o almoço, uma semana antes das férias de verão.

-Na verdade, não. Eu e Jacob vamos...-olhei para a madeira lustrada da mesa, pensando em como explicaria tudo.

-É, eu sei, viajar sem o namorado é muito ruim. Não sei se vou sair da cidade também. Talvez fique na reserva com Seth.-ela me interrompeu, tornando as coisas mais difíceis.

-Andie, tenho algo para te dizer, mas é meio que... um convite.

-Convite? Para...?

Respirei fundo.

-Meu casamento.-despejei de uma vez vendo seus olhos azuis ficarem maior do que o normal.

-Wow! Desde quando você vai se casar?-ela agarrou minhas mãos e eu revirei os olhos.

-Bem, foi decidido de última hora, era para acontecer no ano que vem. Eu e Jake resolvemos não esperar que eu conclua o colegial. Meus pais querem viajar e eu não quero sair de Forks, então vou me casar com Jake e ficar aqui.-procurei nesse motivo uma explicação sucinta. Ela pareceu engolir essa.

-É, me parece uma boa. Bem... vocês se amam certo? É isso que as pessoas que se amam fazem. Mas... sei lá. Me parece um pouco cedo para tomar essa decisão.-finalmente a opinião que eu esperava.

-É o que todos acham, mas eu tenho certeza do que eu quero. E Jacob é tudo para mim.-revelei o motivo mais importante.

-Certo.  Quando será o matrimônio?-ela perguntou menos assustada e eu relaxei na cadeira.

-No começo das férias de verão. Assim que eu tiver uma data, aviso.-lembrei que o dia seria determinado pelos bons dias sem chuva de Forks.

-Pode contar comigo.-ela sorriu e eu desejei saber o que ela estava pensando. Que coisa ruim os dons vampíricos dos pais não serem hereditários.

Já em casa me lembrei que não estava vendo Jake o tempo necessário ou o tempo que eu gostaria de estar com ele a sós. Mas graças aos céus, esta noite ele estaria aqui em casa.

-Legal, o que vamos fazer?-Jacob perguntou, depois que eu disse a ele que não queria mais falar nem do casamento nem da casa, mas apenas ficar com ele.

-Pensei que poderíamos passear um pouco pela floresta agora a noite. É lua cheia e o céu não está com nuvens densas. Quem sabe ela não apreça?-olhei pela janela da sala da minha casa. Edward e Bella estavam na casa de Carlisle.

-Ótima ideia. Ir ver a lua cheia. Que tal um pulinho em um dos penhascos de La Push?-ele sugeriu e eu achei uma oportunidade de recuperar o tempo que fiquei longe dele.

-Acho que esse é o lugar mais lindo de La Push.-eu mencionei, enquanto ele estacionava a moto em baixo de um pinheiro. Tinha uma grama rala perto do precipício onde dava para sentar e olhar as ondas do mar, que estava negro, pois a lua ainda não havia aparecido.

-Esse não é meu local preferido.-ele mencionou, vindo se sentar ao meu lado, me abraçando.

-E qual é?-perguntei, tentando olhar para seu rosto, na escuridão da noite.

-É um precipício mais afastado da reserva. O mais alto. Lá você tem uma visão do oceano bem mais ampla. Aqui só dá pra ver a praia.

-Hum... qualquer dia nós daremos um pulo lá.-eu disse, antes de sentir seus lábios em meu pescoço.

-Não sabe o que eu senti quando você foi embora. Não posso comparar minha estadia de um ano e meio no Texas com a semana que você foi para a Itália. Nem de perto foi tão dolorosa.-ele sussurrou no meu ouvido, colando de volta sua boca em meu pescoço.

-Eu cheguei a te dizer que eu estava planejando ficar umas três décadas lá?-eu coloquei um de meus dedos no meu queixo, simulando lembrar.

-O quê? Você estava planejando me abandonar três décadas? Talvez um tiro me matasse mas rápido e evitasse meu sofrimento.-ele disse, revoltado.

-Eu estava meio que desesperada por uma saída para meu problema de não ter você comigo. Foi a minha única saída. Pensei que estando humana, morreria ao seu lado, não tendo que submeter você a uma eternidade sem seus amigos, seus parentes, sem ninguém que você gosta. Achei que para um grande chefe alfa, você estaria sendo egoísta com sua tribo. Com seu povo.-desabafei, sentindo ele sorrir baixinho no meu ouvido.

-Nessie, achou mesmo que eu não ficaria lobisomem para sempre só por causa da minha tribo ou dos meus parentes? Quando você vai entender que não sou apenas eu que gosto de você, mas meu ser inteiro? Com a impressão, a pessoa acaba se unindo a outra eternamente, quer ela viva ou não. Taha Aki viveu por três gerações, e só morreu quando teve a impressão pela primeira vez, isso foi com a terceira esposa. Então, quando ela morreu, o grande chefe desistiu de ser lobo para ficar com ela eternamente,onde quer que ela estivesse, por que para nós lobos, a vida não faz sentido se não podemos ter aquilo que é nosso. É assim com as nossas terras, com o nosso povo e com as nossas almas gêmeas. Por isso, não se preocupe com meu lado Jacob, por que tendo a impressão ou não, ele estará ao seu lado sempre, te amando e te protegendo para o resto da vida.-sua boca quente envolveu a minha e seu abraço ficou mais forte. Um calafrio escapou de meu corpo.

Senti agora, não um desejo mortal pelo seu sangue, mas um desejo humano pelo seu corpo. Deitei na grama sentindo suas mãos me vasculharem, minhas costas, minha nuca. Tudo em mim estava sendo percorrido por Jacob, pelas suas mãos. Nossas bocas sempre unidas desprezavam palavras inúteis. Me senti mais livre para usar seu corpo.

Minha mão direita achou um jeito de entrar dentro da sua camisa de algodão e encostar no seu abdômen. Meu corpo estava tremendo, minhas mãos também, o dele estava ardendo como nunca. Quando eu tirei sua camisa, sua boca saiu da minha.

-Vamos deixar esse passo para depois do casamento... pode ser?-ele me surpreendeu, eu me levantei, confusa e indecisa, meu corpo ainda estava meio que fora do controle.

-Por que?-eu respirei, tentando voltar a mim.

-Edward me pediu. Eu gostaria de pelo menos essa vontade dele, respeitar.-seu tom não era de zombaria, era de respeito.

-Ok. Não acho que demore mais tanto assim até o casamento. Vai dar para aguentar.-eu disse, vendo ele se erguer e me abraçar de novo. Assim que seu beijo suave me controlou, olhei o céu e o clarão da lua cheia fez tudo a nossa volta ficar prata, até o mar tomou vida, senti que aquilo era um sinal de que, o que quer que fizéssemos após o casamento, não seria tão mal.



postado por 121594 as 04:08:19 1 comentários
Capítulo 24

JACOB...

 

24. AMARRADO PARA SEMPRE

 

Era normal estar nervoso como eu estava ou só os lobos ficavam daquele jeito? Sentado, no quarto que era meu na antiga casa de Billy, meu coração bombeava mais sangue que o necessário. Amanhã era o grande dia, o dia do meu casamento. Minha pequena Nessie estava agora uma linda e perigosa garota que estaria trocando alianças comigo amanhã.

-Jake, que tal ir logo ver Conor? Acha que ele vai vir até o seu casamento lhe dar instruções?-Sam me preveniu. Eu levantei depressa e saí em direção a floresta, a caverna de Conor.

Antes de entrar, eu parei um minuto e refleti. Talvez fosse bobagem. O que eu diria a ele? Conor eu quero umas dicas para meu casamento? Isso soava ridículo.

-Entre grande alfa.-uma voz rouca e anciã vinda do interior da caverna me surpreendeu. Ele já me esperava, que legal. Isso significava que eu não poderia fugir.

-Hey, Conor! Quem te avisou que eu viria?-perguntei surpreso.

-Sam Uley me disse que viria. Agora sente-se, tenho muitas instruções a dar-lhe.-sua voz profunda e com um fio de mistério me intrigavam um pouco. Sentei em um pedaço de tronco, onde na frente tinha alguns tições apagados. Me lembrei do dia que trouxe Sarah até ele.

-Então, você vai unir dois clãs. Hum... isso fará da nação quileute um povo muito forte. Isso é bom.

-O que pode me dizer sobre meus descendentes. Como eles serão?-fiz a primeira e mais importante pergunta.

-Você se casará com uma mestiça, mas lembre-se, só parte dela é lhe pertence, só a humana. Essa é a parte que lhe dará filhos, por isso eles serão lobos. O espírito acompanhará toda sua geração, assim como os dos outros, e se preciso, futuramente, eles terão a febre e o lobo ressurgirá.-ele tirou um cachimbo de dentro do bolso e o pôs na boca, picando um pouco de fumo na mão com um canivete de madeira.

-Então eles não serão nenhum tipo de aberração, nem serão vampiros?-eu perguntei aliviado.

-Não, não serão frios. Mas, correrá o risco de terem algumas habilidades que tal raça possuí, sendo a única coisa, além de características físicas, que herdarão da mãe.-ele respondeu como se já tivesse resolvido algum caso desse antes.

-Como você sabe disso? Não que eu esteja duvidando, é claro.-olhei para a fumaça que saía do seu cachimbo enquanto ele a soprava.

-Você não é p primeiro caso de união mestiça que encontro, então não me pergunte como e nem porque eu sei. Apenas me pergunte sobre você e eu responderei.

Isso era um discreto “Cala aboca e não muda de assunto!”. Engoli suas palavras e puxei na memória o que mais eu gostaria de perguntar.

-Eu posso viver para sempre sem alterar minha aparência, ou o gene vai alterando ao longo dos anos?

-O grande espírito do lobo ficará dentro de você para sempre, se não o recusar terá a juventude eterna. E como sua esposa é uma mestiça dos frios, não terá problemas quanto a saída dos outros vampiros, pois o lobo em você vai permanecer vivo enquanto tiver uma parte vampira nela. É o modo da natureza equilibrar as coisas.

É, fazia sentido. Busquei mais algo em minha memória, mais nada mais a ver com Renesmee.

-Conor... é possível um lobo trair seu clã? Quer dizer, se rebelar contra uma ordem de um alfa?-eu perguntei, voltando minha mente para Sarah. Ele era o único que podia me esclarecer o que houve com ela antes de Joham a matar.

-Sim, muitas vezes a impressão age de modo errado, Jacob. Você deve estar interessado no caso da loba do Alaska. Garotas que tenham o espírito do lobo em si, tendem a ter impressões que surpreendem a todos. Isso não ocorre apenas uma ou duas vezes. É raro existir uma menina lobo, mas há a probabilidade que ela sofra a impressão com alguém menos provável ainda. O caso de Sarah era a impressão, ela teve uma impressão por um vampiro, e isso a fez se revoltar contra seu alfa, contra sua tribo, contra sua gente. Não foi assim que você agiu para salvar sua amada? Antes mesmo que ela nascesse? A natureza é algo incrível, meu grande jovem!-Joham esclareceu, e era a coisa mais impressionante do mundo para mim descobrir isso. Obrigada grandes espíritos por não permitirem que Leah se apaixonasse por um vampiro!

-É, realmente, só algo como isso para explicar como ela agiu.-eu comentei, em um sussurro.

-Alguma outra questão?-ele perguntou, seus olhos negros e fundos encontraram os meus.

-Não. Acho que era só isso. Obrigada Conor!-me levantei.

-Espere, tem uma coisa que todos os lobos precisam saber antes de se relacionaram com suas parceiras.-eu abri bem os olhos, erguendo as sobrancelhas.

-E o que seria?-nem passava remotamente por minha cabeça o que poderia ser.

-Terá de controlar seu fogo interior, meu jovem. Quando estiverem juntos, prestes a se unir fisicamente, seu corpo se tornará como uma tocha, terá que controlar isso. Respire, e coloque seu coração para trabalhar mais rápido, assim o sangue será bombeado mais rápido e sua pele não refletirá seu calor de lobo, só o humano. Deve ter cuidado! É um fogo devastador!-ele explicou, e eu não me preocupei muito com isso. A pele de Renesmee era do mesmo material da dos seus pais, assim, era indestrutível. Mesmo assim poderia ser desconfortável.

-Vou fazer o melhor possível!-eu o assegurei.

-Que os grandes espíritos o abençoem!-foi a última coisa que eu ouvi dele.

Era uma longa corrida até em casa, no caso, até a casa de Rachel. Eu teria que fazer a minha mala. Mas uma BMW na porta me disse que Edward me aguardava.

-Veio me dar conselhos, eu imagino.-falei, assim que ele saiu do carro.

-Olá Jacob! Na verdade vim trazer seu terno. Mas já que mencionou, gostaria de lhe pedir alguns favores, se não for pedir demais...-sempre neutro, ele me olhou com olhos apertados.

-Claro, você é o pai da noiva!-eu sorri e ele suspirou.- Vamos entrar!-sugeri e ele me acompanhou.

-Bem, é difícil para mim e você não imagina o quanto, mas que bom que terá filhos para passar por tudo que estou passando.-ele sorriu e eu suspirei, filhos!

-E quais são esses favores? Aposto que é com relação a hora do “enfim, sós!”, não é?-deduzi e a resposta afirmativa dele foi com a cabeça. Legal, aquilo seria uma coisa que não se vê todos os dias.

-Você mencionou o ponto chave da história. Ok, não vamos tornar isso mais constrangedor do que já é. Quando estiver em um quarto, com minha filha, seja romântico, Jacob. Seja paciente e carinhoso, torne o momento único. Não quero vê-la decepcionada com...

-Meu desempenho sexual? Oh! Que isso! Relaxa, será a nossa primeira vez, eu não sei muita coisa, mas quero aprender com ela também. Fique tranqüilo, Nessie estará em boas mãos!-eu sorri, vendo outro sorriso se abrir na cara branca de Edward.

-Eu ia falar comportamento, mas se você quer levar assim... era isso, eu não ia vir aqui, mas quando contei a Bella, ela insistiu bastante para que eu viesse.-ele mentiu.-Hey! Não estou mentindo! Não muito.-Edward se levantou e andou até a porta. Antes de abri-la ele se virou.-Jake... obrigado por me ouvir!-Edward saiu e eu fiquei mais nervoso.

-Oh sim! O terno!-ele voltou com o terno em mãos.

-Obrigado!-eu agradeci e esperei a BMW partir.

A noite passou um pouco devagar para mim, choveu um pouco o que me fez acreditar que o casamento não iria dar certo ao ar livre. Mas pela manhã, não choveu mais, nem o sol tampouco apareceu.

-Rachel, pode me ajudar com a gravata?-eu pedi, olhando da janela tudo ser montado lá fora.

-É claro! Nossa! Nem acredito que você vai mesmo se casar! Tudo foi tão rápido!-ela sorria, enquanto fazia o nó em minha gravata.

-Hey! Adivinhem quem veio para o casamento do irmão mais novo?-Paul disse aparecendo na porta.

-Rebeca? Oh meu Deus!-eu exclamei e Rachel sorriu. Rebeca só esteve aqui no funeral de Billy. E ela entrou no quarto, com um longo vestido violeta, diferente do vestido rosa claro e com mangas de Rachel. Mas a cara era a mesma, o cabelo também estava menor que o de Rachel.

-Vim dar os parabéns ao meu maninho!-ela me abraçou e eu vi Sean, o marido de Rebeca entrar no quarto também.

-Como vai, Jake.-ele apertou minha mão.

-Tudo legal. Só estou um pouco nervoso.-admiti, olhando mais uma vez pela janela.

-Calma, cara! É só seu casamento!-Paul sorriu e Rachel o abraçou.

Eu estava feliz em ver o que restou da minha família ali. Era reconfortante.

-Então, quem vai ir com você até o altar, eu ou a Rachel?-Rebeca quis saber o que eu não fazia ideia.

-Acho que as duas.-eu disse.

-Mas não pode, pode?-Rachel olhou para Rebeca.

-É o meu casamento! Tem como acontecer tudo.-eu expliquei e elas sorriram.

Tinha uma grande turma já do lado de fora, assim, depois das duas da tarde, Charlie estava lá, Andie e Seth, e alguns vampiros amigos de Renesmee também já haviam chegado. Os Cullen também já estavam aqui, menos Renesmee, Bella e Edward. Foi quando a porta abriu e Alice aparece com um celular na mão.

-Está na hora, Jake. Ela está vindo. Vou acomodar os convidados.-ela disse saindo, indo falar com alguns garçons do bufê. Frescuras a parte, era legal ter algo organizado.

Quando finalmente todos estavam sentados nas cadeiras enfileiradas dos dois lados de um tapete vermelho, com um altar branco e alguns flores e um padre no centro, respirei fundo, era a minha hora.

-Com vocês, o noivo!-Paul anunciou, ele era um de meus padrinhos.

Rachel me deu o seu braço esquerdo e Rebeca o direito e começamos a andar sobre o tapete vermelho. Uma chata música clássica tocava ao fundo. Alice estava lá na frente, Jasper, Rosalie e Emmett também, eles eram os padrinhos de Renesmee.

Assim que cheguei lá na frente, recebi um beijo de minhas duas irmãs e olhei para frente, o pânico me tomou. Todos me olhavam ansiosos. Mas nada se comparava a quando a marcha nupcial foi tocada. Eu tinha certeza que ou explodia em um lobo ou enfartava.

Renesmee estava linda!

Nunca sonhei com casamentos, mas se eu já tivesse sonhado com um com certeza seria assim. O terno preto de Edward o deixou mais pálido, mas Renesmee resplandecia dentro do lindo vestido cor de pérola. Seus cabelos bronzeados soltos, com seus cachos macios caindo em seus ombros delicados. Um pequeno véu estava em suas costas, o vento fez questão de soprá-lo. Uma coroa prata estava sobre sua cabeça e suas bochechas vermelhas ficavam mais vermelhas a cada passo.

-Ela é sua agora, lobo.-Edward sussurrou em meu ouvido assim que Renesmee me deu a mão. Não sei onde eu arranjei tanto nervosismo, acho que comecei a derreter dentro do terno e não percebi. Estava tudo tão quente...

-Eu te amo.-Nessie me fez ficar mais calmo com apenas um sussurro.

-Diga isso de novo, para meu coração se acalmar.-eu sussurrei de volta e ela sorriu.

Quando prestamos atenção ao padre, ele começou a fazer o discurso rotineiro de casamentos. Repetimos o juramento, mas nada foi comparado ao que juramos na fogueira, foi muito mais especial, mas não deixei de fazer os votos seriamente também.

-Eu vos declaro marido e mulher. Podem se beijar...-o padre incentivou e ela me olhou, mordendo o lábio inferior. Coloquei a minha mão sobre seu rosto e nossos lábios se tocaram em um curto beijo. Casar era legal.

Renesmee ainda pausou e respirou antes de se virar e sair de braços dados comigo. Eu segurei seu braço e fiz com que ela começasse a caminhar. Todos se levantaram para saudar a novo casal, o senhor e a senhora Black.

-E agora? O que vamos fazer?-ela cochichou em meu ouvido quando o tapete vermelho acabou.

-Era para recebermos os cumprimentos, mas se quiser podemos entrar no carro que Carlisle comprou para nós, e arrastar umas latinhas por aí...-eu sugeri e ela mordeu novamente seu lábio inferior.

-Embora a segunda opção seja a melhor, temos alguns convidados importantes... Olá Zafrina!-ela foi cumprimentando uma sangue suga enorme, quase do meu tamanho, meio parruda.

-Felicidades, minha pequena! Gostaria que passasse a sua lua de mel conosco na América do Sul...-ela sugeriu e Renesmee me olhou.

-Quem sabe depois de alguns dias?

-É, eu não tenho nada contra a America do Sul.-eu falei e a vampira sorriu.

-Obrigada por vir! Espero que mesmo sem poder desfrutar do bufê, você se divirta!-Renesmee recomendou e eu me lembrei que estava com fome e que tinha um bufê.

-Trouxe um presente para você, mas Alice o levou. Espero que goste.

-Com certeza vou gostar!

-Renesmee!-ouvi outra vampira chamar o nome dela, agora essa ela loira e estava com mais alguns vampiros.

-Com licença Zafrina. Vou cumprimentar o clã de Denali.-ela consentiu com a cabeça e Renesmee puxou em meu braço. Eu não nego que estava desconfortável com aquela cerimônia toda, mas eu e Renesmee teríamos que cumprimentar os convidados. É, não parecia realmente eu naquele terno recebendo felicitações de convidados que eu mal conhecia, e o pior, os convidados da minha esposa eram todos vampiros.

-Andie!-as duas se abraçaram, após um constrangimento passageiro entre os cumprimentos do clã de Denali.

-Muitas felicidades! Jacob, cuide bem dela!-Andie sorriu, Seth estava do seu lado e pegou em minha mão com força.

-Amarrado, ein? Finalmente!-ele gracejou.

-Prepare-se, você é o próximo!-meu comentário fez Andie corar. Renesmee sorriu.

De tudo o que estava acontecendo, o que eu mais temia aconteceu. A festa era para ser quileute, mas os frios  dominaram e eu não escapei de uma valsa com a senhora Black.

-Não vejo a hora disso tudo terminar...-falei, com ela em meus braços, improvisando alguns passos que eu achava serem de valsa, num enorme tapete. Ainda bem que não estava só nós dois dançando.

Desde quando Bella Swan veio parar em Forks e se tornou minha amiga, minha melhor amiga, eu não podia imaginar que terminaria casado com a filha dela e de um vampiro. Não poderia imaginar como seria minha vida sem Renesmee, ou como seria se Bella não tivesse vindo morar em Forks. Talvez nada disso teria acontecido, eu estaria normal, velho e casado com alguma garota do meu colegial na reserva.

Mas tudo tem seu destino e com os quileute não é diferente. Se Taha Aki estava vivo em espírito, certamente ele estaria manipulando alguns corações e alguns destinos. O melhor disso tudo é a impressão, o lixo inescrupuloso da impressão. Sem ela, seria constrangedor olhar para Bella e Edward juntos, aceitar Bella como vampira, mas a impressão deixou tudo mais fácil, menos embaraçoso e mais animado.

Eu estava feliz agora. Eu estava completo. Satisfeito por agora ser um homem, ter uma família e seguir adiante. Trabalhar na oficina de Sam não era um futuro, mas eu arranjaria alguma coisa para fazer assim que minha lua de mel passasse, com sorte demoraria um pouco, sem, uma semana e eu estaria empregado em alguma coisa na cidade.

Renesmee não come, mas eu como por dois, quem sabe três, e com filhos sendo lobos, terei que trabalhar dobrado para sustentar uma família dessas.

-E então, quer comer alguma coisa antes que eu leve vocês até o local da lua de mel?-Alice perguntou, enquanto eu respirava um pouco sentado em uma das mesas vazias.

-Quero sim.-eu respondi e procurei Renesmee que já tinha sumido de novo. Estava escurecendo e pouca gente tinha ficado. Os vampiros já tinham quase todos partido para a casa de Carlisle.

-Olha só a bandeja que mandaram para você...-Nessie apareceu carregando uma bandeja de toda sorte de confeitos do bufê.

-Eu já te falei que você é a melhor esposa do mundo?-puxei em sua cintura, fazendo-a cair em meu colo.

-Não.-ela sorriu e eu a beijei antes de começar a comer.

-Prontos ou não, está na hora de ir para a sua casa de verão.-Alice novamente apareceu. A bandeja estava ficando vazia já.

-Vamos, senhor Black?-Renesmee se levantou e eu apenas afirmei com a cabeça, estava com a boca ocupada.

-Boa noite aos pombinhos! Próxima parada casa nupcial. É lá onde vou ser titio de segundo grau.-Emmett era o motorista de um Classic Honda prata. O carro era o presente de Carlisle.

E a casa era exatamente no penhasco que eu tinha confessado a Renesmee que achava o mais bonito de La Push. Tinha uma simples cabana, com uma cerca em volta e uma visão linda do oceano. O lugar perfeito para uma noite tão importante.

-Se divirtam e não façam a casa cair, deu muito trabalho para deixar tão bonitinha assim.-Emmett deixou o carro e voltou correndo para casa ou qualquer outro lugar que fosse. A essa altura eu já estava sem o palitó e sem a gravata.

-Eu digo ou você diz?-ela perguntou e eu entendi do que se tratava.

-Tá, acho que é o marido que diz... Enfim...-fiz uma cara de tarado para ela que sorriu -...Sós.-entramos na aconchegante cabana e eu fechei a porta.

Nessie olhou em volta. Parecia surreal como aquela cabana tinha sido construída tão rápido e tão legal. Era um cubículo bem organizado, um banheiro enorme com uma banheira que eu pensei ser para dois, com algumas velas acesas perto da cama de casal e uma janela enorme de vidro com vista para o oceano.

A montanha de presentes estavam ao redor de todo o quarto. Mas havia uma caixa preta em cima da cama. Nessie se sentou no fim da cama para tirar os sapatos e eu fui direto abrir o presente preto, parecia sugestivo.

-Será que Alice preparou algo mais?-eu perguntei, procurando um bilhete e achei.

Estava assinado Alec Volturi. Meu sangue ferveu.

-O que é?-ela tirou a tiara prateada e o véu e se aproximou. Respirei fundo e me controlei para não despedaçar a caixa.

-Seu admirador da Itália te mandou um presente de casamento.-a ironia saiu mais amarga do que eu queria.

-Se não quiser abrir ou não quiser aceitar...-ela sentou ao meu lado. Abri o envelope e encontrei o bilhete.

“Felicidades, me lady! Adoraria vê-la vestida com essa camisola, espero que seu marido apreciei. De seu eterno admirador...”

-Wow! Parece que ele não perde uma chance!-eu exclamei irritado, tentando procurar algum motivo para não colocar a caixa na chama da vela e vê-la queimar inteira.

-Quer que eu jogue fora?-Renesmee pegou a caixa das minhas mãos, eu respirava fundo. Foi então que vê-la retirar uma camisola preta, semi transparente de dentro da caixa. Admito que era bem provocativa.

-Vou jogar fora.-Renesmee se levantou e eu segurei em seu braço.

-Vista ela. pelo menos sou eu quem terei o prazer de te ver vestida. Faça isso por mim.-pedi vendo seus olhos ficaram surpresos.

-Ok... me dê um minuto.-ela ia saindo, mas antes parou na porta do banheiro.-Pode puxar o zíper?-com sutileza e sem colocar maldade no momento, me aproximei devagar e retirei seus cachos longos de cima do vestido e o zíper me pareceu um pouco grande.

Beijei seus ombros antes de puxar o zíper e senti sua pele se arrepiar. Abri lentamente, deixando minha mão escorregar por sua cintura.

-Obrigada...-ela agradeceu por cima do ombro, piscando para mim. Entrou dentro do banheiro. Aproveitei para tirar meus sapatos e as meias. Sentei na cama, jogando a caixa do presente longe. Aquele seria um momento único, eu queria torná-lo inesquecível. Procurei não pensar nela como a garotinha que me torturava com suas brincadeiras perversas na floresta, mas na mulher que eu sabia que existia em baixo daquele vestido de noiva.

Nós seríamos um do outro, para sempre.  



postado por 121594 as 04:03:44 14 comentários
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