entrar          esqueci minha senha
  Usuário/email:
  Senha:
        

Guerras insanas
1 comentário(s):
Tatá:
No domingo que passou o Papa alemão Benedictus XVI visitou Aushwitz, o brutal acougue nazista que recebia seus prisioneiros com uma epígrafe, pregada no pórtico de entrada, que afirmava como escárnio: só o trabalho liberta. Acompanhei a cerimônia pela CNN como forma de passar as primeiras horas do dia. Na verdade ali havia pouca novidade, a menos pela nota de que antes ela havia sido realizada por um membro da resistência polonesa, Carol Wohtyla, já na condição de Papa João Paulo II, e esta, mais recente, estava sendo testemunhada por um membro da juventude hitlerista, o antigo Cardeal Ratzinguer.
Chamou-me atenção o empertigamento do religioso alemão e a sua decisão de chamar por Shoah o que comumente se diz Holocausto ou o genocídio étnico promovido pelos nazistas alemães durante a II Guerra MUndial. Estaria ali um exemplo de que um homem pode superar erros tão graves como se deixar submeter a ideologias tão abjetas quanto o nazismo?
Estava eu assim diante ao aparelho de TV quando atentei para as informações que cruzavam diante dos meus olhos, na base da tela. Enquanto o Sumo Pontífice da Igreja Apostólica Romana se penitenciava pela omissão de sua igreja quanto aos assassinatos em massa ocorridos durante a última guerra mundial, nombrando todos os povos que ali tiveram o seu calvário, o letreiro embaixo dizia das guerras e violências que atormentam o mundo no Oriente Médio, no Extremo Oriente, na África... hoje.
Não era intencional, tratava-se apenas de chamadas para as próximas notícias que seguiriam àquele segmento.
O que estava ocorrendo era uma advertência de que nada havia mudado, e entre as cercas de Auschwitz continuava suspenso no ar o grito do último torturado e dos que assistiam horrorizados a queda dos corpos envenados de seus companheiros pelo Zyclon B durante o banho, antes do corpo deles próprios serem aparados pelo chão frio, sujo e úmido com os olhos vidrados fitando o nada. Gritos que encontravam outros distantes dali e que também aquí não escutávamos, mas que existiam falavam daquela clara manhã de domingo com o horror da atualidade.
31/05/2006

Neste blog só podem comentar usuários cadastrados.

Clique aqui para fazer login.

Copyright 2005-2017 UniBlog.com.br