"A arte fala"
"A arte fala"
domingo, 22 julho, 2007
A arte fala - cultura virtual


A arte fala,

Sejam bem vindos!

Obras de minha autoria:

A Ponta da Palavra (2005) - poesias;

Robotime - conto, Revista Estalo 5 ;

O caso do vôo 306 - conto, Revista Estalo 3

ejfranco@bol

A seguir, um ensaio sobre meu livro A Ponta da Palavra

por Leonardo de Magalhâes, jornalista e crítico de literatura.

SEDIMENTAÇÃO LÍRICA DA PALAVRA

   Muitos leitores percebem na lírica atual uma necessidade de

expressão íntima, de desabafo e auto-afirmação, em detrimento

de uma poética mais épica, mais perceptível nos clássicos.

   No entanto, por distração, não mencionam a tentativa de narrativa

pessoal e coletiva de muitos modernos, desde Mário de Andrade.

Afinal o eu-lírico pode falar de si mesmo ao falar do coletivo,

expressar seus dramas em referência a um meio social.

    Assim é a poética de  J.FRANCO,  em

sua obra  A Ponta da Palavra, divulgada amplamente nos

saraus memoráveis na Café da Travessa Livraria, em Belo Horizonte.

   Preocupado em dizer de si, mas nunca esquecendo os fatos e dramas

que o cercam. Denunciando problemas sociais, apontando fissuras no

tecido social, o Poeta ainda fala de si mesmo, pois trata-se de sua visão

(e sua indignação ) diante de um mundo que surge opressivo, mas que

pode ser mudado, mediante a cooperação.

                   Apresento-me ao imenso labirinto

                   onde mergulho profundamente

                   profunda mente mergulha

                   em mim.

                                                                                (MERGULHO, p.15)

Eis a saudação do Poeta quando expõe o seu Eu ao olhar do(s) Outro(s),

constatando que quando fala de si mesmo, expressa, na verdade, um

sentimento coletivo, todos os gritos em seu ‘grito único’,

                     Bem-vindo ao grito único,

                     o prelúdio de uma libertação.

                                                                 ( A PONTA DA PALAVRA, p. 17)

É a missão que o Poeta vê diante de si, aquela de desmistificar e de

alertar, de apontar as mascaras e derruba-las. Lembra, em seus poemas,

a desumanização do ser humano, em cotidianos insípidos e existências

fracassadas. Eis o cotidiano, em SEGUNDA –FEIRA, p.21,

                      Levanta cedo, agora, já!

                      Sem café, sem mulher, sem José.

                      Apenas de pé em pé,

                      tentando encher a colher...

Onde dialoga com Carlos Drummond de Andrade, “E agora, José?”,

sugerindo que os problemas não cessaram, e o sem-sentido cotidiano

continua a se estender pelas décadas, onde parece que o ser humano

vive atendendo exigências  externas, como escravo de uma “Grande

Máquina” ,

                       A cauda-lixa que assusta

                       e suas mandíbulas temerosas

                       espreitam o quase-homem.

                                                                            (NÁUFRAGO, p.24)

Mas o Poeta não se esquece que homens de coragem ousaram

fazer uma revolução, ainda que traída, abrindo portas paras as

mudanças, que abalando os alicerces do tradicional, deixaram um

sentimento de vazio. No entanto,

                       Ainda vejo nos jornais amarelos

                       corroídos,

                       um tempo de se lutar, razão para viver.

                                                       (ERA DO VAZIO, p.25)

pois, neste poema, dedicado ao também poeta Rogério Salgado, outra

voz altissonante no ‘deserto do real’, é  vertida a proclamação (também

em espanhol) em prol da superação, contra o conformismo hodierno.

E continua, em MADRIGAL UTÓPICO, p.35,

                      Eis o homem que medita

                      e busca a salvação na prece,

                      ou nas imagens do computador.

Onde a solidão é preenchida por crenças, ou onipresenças em rede

global. Assim, vivemos uma época do vazio, um vazio da época ou

um excesso da época ? Não estamos desinformados justamente por

um acúmulo de informações ? Não estamos acostumados com a

insensibilidade que a inundação de dramas e tragédias nos provoca?

Uma criança brinca num playground ( imaginemos então um condomínio

de luxo, ou um  estacionamento de shopping ) e subitamente sua alegria

tem um fim. O problema da violência urbana, uma ‘bala perdida’

gratuitamente interrompendo uma existência ,

                     E a ciranda da vida, girassol

                     despetalado,

                     haste sobra, fincada no peito

                     da sociedade.

                                                                             (CIRANDA, p. 27)

É a poesia retratando os problemas que afetam toda a sociedade – e

inclusive o Poeta, que não vive numa ‘torre de marfim’. No poema

CAMPO DE GUERRA, p. 33, o Poeta torna presente os distúrbios

no meio rural, as disputas por terras produtivas nos imensos latifúndios,

que  lembram guerras feudais,

                 E no campo de guerra Paranapanema,

                 cobrem-se de adubos imagens, poças de sangue,

                 e os sonhos de terras prometidas.

O poeta, enquanto observador e participante em todos os cenários

Sociais, apresenta-se preocupado com a constante devastação

Dos recursos naturais, o desmatamento desordenado, a mercenária

Indústria do extrativismo, nos poemas

        


postado por 30883 as 07:06:28 #
sexta, 06 outubro, 2006
Poesia

Menino da Geórgia

                

                em homenagem a Vladimir Maiakovski

Certa vez

andastes em campos amarelos

de flores premissas;o sol da Geórgia

brilha por todos nós.

E exalta no rosto do menino

Vladimirovich, russo de protesto,

uma máquina voraz por um causa maior;

Eu diria poética, performática?

Na perene verdade

da mágica pena

estava o menino a escrever, testemunhar

o destino

dos homens sem destino.

Alem dos muros farpados do passado,

floriu – girassóis amarelos –

um brado maior

pelo desatino do mundo.

                               

                                    J.Franco - Água de mina (no prelo). 



postado por 30883 as 10:10:16 # 1 comentários
 
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