

Dia desses lemos num jornal de grande circulação o artigo de um
professor de economia, que nos chamou atenção pela lógica e beleza da
argumentação.
Em seu texto o economista traça algumas objeções à intenção de
parlamentares que defendem o aumento de impostos sobre produtos ditos
supérfluos.
E o professor inicia seu texto da seguinte forma:
"A felicidade está nas emoções e nos relacionamentos, e não nas
coisas.
As coisas não têm valor em si mesmas; elas só valem pela
capacidade de satisfazer alguma necessidade vital ou para permitir a
expressão de algum sentimento ou emoção.
O alimento vale porque mata a fome; a roupa, porque abriga o
corpo; a cama, porque propicia o repouso.
Essas são, todas, necessidades vitais, sem as quais o corpo
físico perece.
Já uma música vale pela sensação de êxtase; um romance, pelo
prazer da leitura; uma comédia, pela alegria do riso. Essas são emoções da
mente, do espírito ou da alma.
Sem elas, o corpo não fenece, mas o ser humano se entristece.
Há produtos que atendem às duas necessidades: a vital e a
emocional.
Quando alguém compra uma roupa bonita, ela abriga o corpo, mas
também permite o exercício da vaidade, cumprindo, assim, as duas funções.
Volta e meia retornam as propostas de tributar, com altas taxas,
os chamados "bens supérfluos", entendendo como tais aqueles de que o ser
humano não precisa para manter-se vivo e que, portanto, deveriam sofrer
pesada tributação."
Entre outros argumentos, muito lógicos e coerentes, o economista
acrescenta:
"Esse seria um imposto da raiva, ou seja, ao verem as pessoas
comprando bens e serviços que, a juízo de alguns, são chamados supérfluos,
porque não são destinados à manutenção da vida do corpo físico, resolvem que
eles devem ter pesada carga tributária."
Outro "equívoco é que tal visão do que seja um bem supérfluo é
pequena, mesquinha e reducionista do que seja a vida na terra.
O ser humano não é um animal sem consciência, sem desejos, sem
vontades, sem emoções, sem um código de ética, sem sentimentos, sem espírito
e sem alma.
Para os ateus, pode até ser sem espírito e sem alma, mas as
demais características estão presentes na personalidade desse ser único.
Os bens necessários à manutenção da vida, como alimento, roupa e
abrigo, não são os únicos para a realização da condição humana.
A beleza desse animal racional está precisamente na grande
variedade de aspectos, na complexidade desse ser e nas diferentes formas de
viver e de ver a vida.
É uma atitude de arrogância e prepotência querer atribuir, a
quem quer que seja, a condição de julgar e concluir o que é e o que não é
produto supérfluo.
Ninguém tem condição de ser árbitro das necessidades e dos
produtos que fazem outrem feliz."
A respeito do necessário e do supérfluo, Allan Kardec fez o
seguinte comentário, em O Livro dos Espíritos:
"Nada tem de absoluto o limite entre o necessário e o supérfluo.
A civilização criou necessidades que o selvagem desconhece." E
não se pretende "que o homem civilizado deva viver como o selvagem. Tudo é
relativo, cabendo à razão regrar as coisas.
A civilização desenvolve o senso moral e, ao mesmo tempo, o
sentimento de caridade, que leva os homens a se prestarem mútuo apoio.
Os que vivem à custa das privações dos outros exploram, em seu
proveito, os benefícios da civilização.
Desta têm apenas o verniz, como muitos há que da religião só têm
a máscara."
Equipe de Redação do Momento Espírita com base em artigo homônimo, do prof.
José Pio Martins, publicado no jornal Gazeta do Povo, no dia 03/11/2005, e
no item 717 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.

Eu, mais do que nunca, acredito em você!
Paz e Luz!


















