aperitiva
aperitiva
16/02/2011
Como viver gastando pouco.


Uma das piores prisões que temos é o dinheiro. Ele é a dor e a delícia de todos nós. É ruim com ele e é pior sem ele.

Há uns 4 anos comecei a economizar dinheiro pra casar. Eu tinha uns 23 anos e nunca tinha feito poupança. Na minha casa isso era um costume antigo, mas ninguém nunca me falou nada sobre educação financeira. O único conceito que eu tinha recebido era “pobre só tem o nome, então não seja uma má pagadora”. Mas até esse conselho é muito relativo, já que pra ser um bom pagador basta pagar em dia, o que não significa que você é uma pessoa controlada.

Pois bem, comecei juntando cerca de R$50,00 por mês. Parece uma quantia ridícula, mas é preciso começar com pouco, pra que o seu bolso não sinta o impacto e desista de colaborar contigo. No mês seguinte consegui aumentar a reserva pra R$70,00. Me sentia  fodona com  isso.  Percebí que R$70,00 não me fazia tanta falta assim, era só o preço de uma calça jeans ou 2 saídas num boteco.

Com o tempo fui me empolgando com a coisa. Parecia um jogo de apostas ao contrário, onde eu ganhava em perder. Aquela sensação de autocontrole fazia eu me sentir poderosa. Eu tinha bala na agulha e poderia usar quando quisesse. Foi aí que eu percebi que é possível viver bem gastando pouco. Até então, eu acreditava que uma vida monástica era desculpa de quem não tem dinheiro e vive economizando a janta pra comprar o almoço.

Aos poucos você vai percebendo que o dinheiro desaparece nas pequenas coisas. Foi então que eu comprei um livro-caixa e comecei a anotar cada gasto que eu tinha; do chocolate ao salão. E o rombo se revelou logo no primeiro mês: chocolate, chiclete, brincos, esmalte, almoço fora, lembrancinhas ... No fim das contas você percebe que gastou muito e não fez nada. É claro que o livro-caixa só durou tempo suficiente pra que eu aprendesse a me controlar. Eu me eduquei pra comprar coisas que realmente importam.

A partir daí o próximo passo ficou menos doloroso. Eu já tinha aprendido duas coisas: economizar e deixar de gastar. Agora eu precisava aprender a comprar. Essa parte é difícil porque a tentação do comprar agora e pagar depois é grande. Mas eu tinha uma vantagem: eu não tinha cheque nem cartão de crédito. Se você tem, elimine isso da sua vida.

Aprender a comprar envolve um certo talento. Porque é preciso ter paciência pra pesquisar e cara-de-pau pra pechinchar. Se você compra um produto à vista é seu direito pedir desconto. Mas aqui no Brasil isso parece coisa de gente muquirana. Os vendedores não estão acostumados com isso. Eles gaguejam, eles te olham com cara feia, eles pensam que é uma afronta. Levam mesmo pro lado pessoal. Não se deixe enganar e peça MAIS desconto. Além disso, negociar se torna divertido com o tempo. Você acaba criando um vínculo com aquela loja que te deu um bom desconto e volta outras vezes pra comprar. Eles acham que “fidelizaram” você. Passam a te dar vantagens nas próximas compras.

Já tinha aprendido 3 coisas:

1º Poupar

2º Deixar de gastar

3º Aprender a comprar

Depois de tudo isso eu vi que ainda não era o suficiente, era preciso CORTAR. O que eu poderia cortar de verdade e não sentiria a menor falta? Livros e revistas. Passei a ler revistas e livros da biblioteca pública. Passei a me inscrever em sites que dão descontos e prêmios. Você pode ir num show de graça, com ingresso ganhado. Você pode até comer todo dia no mesmo restaurante e receber cupons de desconto. Você pode entrar de graça numa boate, se for o mês do seu aniversário. Você pode comprar material de construção junto com seu parente e receber um super desconto. Você pode cortar a TV à cabo, se passa apenas 3 ou 4 horas em casa. Você deve cortar o telefone fixo se não está lá pra usar.

Enfim... você pode ( e deve) viver com pouco. No começo é difícil porque você incorporou o hábito de consumir. Mas depois que passa você percebe que tudo é uma questão de desapego. No fundo você foi domesticado pra acreditar que precisa de tudo aquilo, quando na verdade nada disso faz sentido.


postado por Aperitiva as 11:13 # 0 comentários
15/02/2011
Quando o amor acontece.


Chega um momento na vida em que a gente se questiona “será que o amor acabou?”.  Isso acontece com 9 entre 10 pessoas que estão juntas há tempo suficiente pra dizer umas verdades inconvenientes. Quem nunca duvidou dos próprios sentimentos que atire a primeira pedra. Quem nunca sentiu solidão a dois, que atire a segunda pedra.

É nesse ponto, quando você vê o outro cutucando o nariz pacificamente, que você se questiona: como isso foi acontecer comigo? O que foi feito daquele casalzinho feliz de (coloque aqui o seu tempo de relacionamento) anos atrás?

Eu te digo: a paixão acabou. Ohhhh! Fim dos tempos! Horror! Já não somos mais um casal! Acalme-se, puxe um banquinho, sente-se, respire profundamente e...DEIXE PASSAR. Isso mesmo, deixe passar a ansiedade, a angústia, a verdade esbofeteando a sua cara. Esse é um momento raro na vida de uma pessoa e você deve apreciá-lo a seco, sem Smirnoff Ice nem Diazepam. Aprecie a situação sob todos os ângulos, como quem vê um vírus se dividindo na lâmina de um microscópio. Sinta-se feliz por ter se livrado do complexo de Cinderela (aquela que acredita que basta um sapato pra encontrar um príncipe).

Você agora faz parte da massa, do conjunto, da estatística dos normais. Conforme-se em saber que, daqui pra frente, não mais sentirá borboletas na barriga. Seu coração não vai disparar ao ouvir a voz daquela pessoa ao telefone. Você pensará duas vezes antes de gastar metade do seu salário naquele vestido, só pra encontrar com ele. Sinta-se em paz pois o amor entrou pela porta e a paixão saiu pela janela.

Pôxa, que chato não?! Quer dizer que agora eu vou ter que me conformar em ter uma vidinha mais ou menos, sem grandes emoções? Sim e não. Se a sua necessidade de emoções fortes, for assim, digamos, incontrolável, você pode CANALIZAR essa energia em outras coisas: um hobby, esportes radicais, artes marciais, pichação, assalto a banco... Mas se depois de tudo isso você ainda se sentir entediado é porque você é um romântico incorrigível e teimoso. Tem mais é que sofrer mesmo. Phodas é seu!!!

Mas espere, nem tudo é tão ruim quanto parece. O bom do amor é que você reforça o companheirismo, você passa a contar com aquela pessoa. Ela vira uma espécie de estepe, alguém que você pode ligar quando o pneu do seu carro furar, ou quando você estiver passando muito mal e o Samu não vem. Mas pra isso servem os amigos, certo? Não. Um amigo pode até te ajudar, mas não tem a obrigação moral de segurar sua testa quando você vomita. Um amigo não suportaria seu mau humor no domingo à tarde. Um amigo não esquenta os seus pés no mês de julho. Ou esquenta?

 Um amigo te ouve, te aconselha e te diz “beleza, amanhã a gente se vê pra falar mais disso”. O companheiro de longa data divide esse momento com você. Mesmo que ele não fale nada, mesmo que finja estar te ouvindo, mesmo que ligue o botão do fodas... ele está lá. Não importa o que aconteça, ele está lá. E é essa presença que te faz permanecer no relacionamento. A tal da segurança. A certeza de que, aconteça o que acontecer, fulano está lá pro que der e vier.

Alguns podem até dizer que isso é conformismo, que é a tal da “zona de conforto”. Mas afinal, o que há de errado com a zona de conforto? Será que não podemos nos sentir confortáveis a dois? Será que precisamos sempre interpretar um personagem? Conformismo é muito diferente de comodismo. Anota aí no rodapé do caderno: CONFORMISMO É DIFERENTE DE COMODISMO. Comodismo é quando você (ou ele) vê que tá na merda e não faz nada pra mudar. Comodismo é apenas o acúmulo dos maus hábitos: calcinha no box, palitar os dentes na mesa, coçar o saco na sua frente, usar calcinha bege no sábado à noite. Enfim, comodismo é o excesso de desleixo e a preguiça de agradar. Conformismo é a aceitação plena do que não pode ser mudado. O conformismo é bom quando você deixa de discutir sobre aquele assunto intocável. Aquele assunto que, quando tocado, inicia uma briga interminável e sem consenso. Pra quê, então? Use a sabedoria e cale a boca. Seja conformista e dê um passo à diante rumo a paz matrimonial e patrimonial.

Mas o melhor conselho pra quem quer manter um relacionamento (feliz) de longa data é: tenha interesses em comum, mas projetos individuais. O que isso quer dizer afinal? Ora, ocupe seu tempo fazendo coisas que te agradam. Tenha uma vida própria, independente do parceiro. Ouça o seu estilo de música, freqüente lugares que você gosta, saia com os seus amigos, se permita ter um pouco de privacidade e individualidade. Assim, quando vocês estiverem juntos terão mais assunto e parecerá que a outra pessoa é realmente outra pessoa, e não somente uma extensão sua. Afinal, não há nada mais entediante do que conversar com o espelho e encontrar o vazio. E a parte dos interesses em comum, nem precisa falar muito né. Filho é interesse em comum, assim como o financiamento do carro. Básico assim.


postado por Aperitiva as 22:48 # 0 comentários
30/12/2010
Manifesto por uma flor com pétalas.


Uma cirurgia polêmica tem feito muito sucesso no Brasil: a labioplastia. Trata-se um procedimento que tem como objetivo reduzir os pequenos lábios vaginais, às vezes não tão pequenos assim. É também conhecida como design vaginal ou rejuvenescimento vaginal. É isso mesmo amiga, nossas periquitas não podem mais envelhecer em paz. Humpf!

Esse procedimento foi criado, a princípio, para atender às mulheres que REALMENTE tinham problemas com o tamanho da colega. É que quando ela tem as asas muito grandes cisma de querer voar...voar...Brincadeirinha! Algumas mulheres realmente tem uma anatomia espantosamente exuberante a ponto de atrapalhar no rala e rola, ou mesmo ao vestir um jeans apertado. Até aí tudo bem, afinal ninguém quer sua borboleta ande por aí com as asas esfoladas né...rs..rs..rs...Acontece que essa cirurgia tem sido feita em mulheres que, simplesmente,não precisam. A indústria da beleza e da pornografia quer que você acredite que é feia, imperfeita e burra! Lançam revistas e filmes onde mulheres photoshopadas e multi operadas desfilam com suas perecas de plástico. Esfregam essa realidade, literalmente,na sua cara.E você, pobrezinha, que anda com a auto-estima meio derrubada acredita nessa palhaçada toda.

Bulshit! Essa indústria do consumo quer apenas criar um novo mercado, lançando um produto pra uma necessidade que você não tem. Estranho não? Nada demais, só capitalismo mesmo.O mais legal disso tudo é que esse tipo de oferta vem acompanhada de frases como: "Fazemos tudo isso pensando em você". "O importante é você se sentir bem com o seu corpo". "Todos nós temos direito de melhorar nossa estética".Eles fazem conexões totalmente sem sentido:

 1º)acham que sabem o que é melhor pra você.

2º)dizem que você deve se sentir bem, fazendo você se sentir mal.

3º)ligam automaticamente a sua amiguinha com estética.

Percebeu?Como se não bastasse ainda tem mais 02 ítens no kit: clareamento anal/vaginal e lipoaspiração do Monte de Vênus. Como assim? Temos que aceitar nossa perseguida do jeito que ela veio ao mundo, gente! Afinal, esse apelido não foi inventado à toa né. Precisamos entender a poesia da coisa.Se a sua bichinha "se abre como uma flor" é sinal de que você desabrochou pra vida. Significa que você é uma mulher adulta, crescidinha e apta para a cópula. Olha que lindo isso! Já viu o formato da orquídea acima? Hein? Não reparou não? Tem exatamente o formato de uma vagina e isso não faz dela uma flor menos apreciada, pelo contrário, a natureza é perfeita.


postado por Aperitiva as 22:55 # 0 comentários
16/12/2010
Do povo, para o povo, pelo povo...


Aprovado aumento de salário pornográfico para os políticos. Passou fácil, até escorregadio, pela Câmara e Senado. Vão ganhar a bagatela de R$26.700 !!!

Isso significa um aumento de:

- 61,8 % para senadores e deputados

- 133,9% para presidente e vice

Enquanto isso, na sala de justiça...dezenas de projetos aguardam liberação nas duas casas. Todos os partidos aprovaram essa pouca vergonha, exceto o PSOL.

Você (e eu) vamos fazer o quê a respeito?

Pensei em sair por aí com um nariz de palhaço mas, sabe, isso não ia impactar em nada. Então fiquei torcendo pra que algum fugitivo do Morro do Alemão aparecesse por lá com uma bazuca. Mas essa possibilidade é tão improvável quanto uma reação minha ou sua.

Mais notícias no blog do Sakamoto http://blogdosakamoto.uol.com.br/


postado por Aperitiva as 11:19 # 0 comentários
13/12/2010
Aborto! E eu com isso?


Aborto é um tema que gera polêmica mesmo. Geralmente as discussões já começam falaciosas, simplistas e tendenciosas. Pra começar, quem discute já tem opinião formada e fechada, o que dificulta (e muito!) a análise filosófica da coisa. Em geral, por falta de argumentos, as pessoas se bandeiam pro lado da religião. Não que o princípio religioso não seja um “argumento” mas, cá pra nós, ao considerar a SUA religião você exclui a religião daquela mulher que tá fazendo o aborto. Ou seja, usa o seu peso e a sua medida pra medir atos alheios. Sejamos laicos, então.

Todos nós somos CONTRA o aborto, até mesmo quem já fez. Ninguém acha bonitinho sair arrancando fetos da própria barriga, ou da barriga de quem quer que seja. Ninguém acorda de manhã e diz “Que dia lindo! Acho que vou fazer um aborto hoje”.  Se alguém acha legal abortar então temos aí um psicopata, uma pessoa que age totalmente fora de qualquer julgamento moral. Enfim, assunto pra quem entende.

Partindo do princípio de que ninguém gosta de abortar porque é arriscado, dolorido e desagradável, vamos aos motivos e às circunstâncias. As variáveis são inúmeras; desde a modelo que não quer arriscar a carreira internacional até a retirante passa-fome, que já tem 8 filhos e não quer mais um flagelado no mundo. Será que deveríamos julgar pessoas tão diferentes pelo mesmo princípio? Será que elas tiveram as mesmas oportunidades?

O problema dá criminalização do aborto é pôr atrás das grades aquelas mulheres que não tiveram acesso à informação ou a um método contraceptivo. Aí alguns dirão “ah, pílula é barata e camisinha tem em todo lugar”. Será? Aquela mulher que mora lá no norte de Minas, há 30 km de um centro urbano, cujo companheiro nem sabe pra que serve um band-aid (quanto mais uma camisinha), será que tem mesmo acesso a contraceptivos? Ainda que ela tenha acesso à pílula, sendo analfabeta, como tomará regularmente o remédio? Sim, porque a cartela tem uma setinha que deve ser seguida pelos dias da semana. Se ela não sabe ler “segunda-feira” como poderá ler “aborto é crime”? Na periferia das grandes cidades não é muito diferente. Às vezes demora-se meses para conseguir uma consulta especializada – leia-se qualquer consulta que não seja com um clínico geral-. Aí a mulher desiste da espera e começa a tomar a pílula que a amiga toma.  Sem orientação a pílula fatalmente irá falhar. A mulher vai engravidar, muitas vezes de um cara que não quer se comprometer com ela ou com a criança. Talvez esta mulher more numa kitnet alugada e tenha acabado de conseguir um emprego, estando em período de experiência. Ela vai perder o emprego e não terá dinheiro pra moradia ou alimentação. Vamos botá-la então na cadeia assim terá comida de graça, não é mesmo?! Aborto na barriga dos outros é refresco...

E ainda tem outra questão, muito pouco discutida: a responsabilidade do homem na concepção. Porque ninguém fala nisso, hein? Porque a culpa do aborto é sempre da mulher? Em geral, a mulher não aborta sozinha, como também não faz filho sozinha. No auge do desespero ela comunica ao parceiro e pergunta “e agora, o que NÓS fazemos?”.  O cara pula fora (ou não). Mas se o faz, já se dispõe a financiar a solução, que é pra ter certeza de que não vai ter de pagar pensão depois. Mas na hora de ir à clínica é ela quem corre o risco de ter uma infecção generalizada. E se a polícia der uma batida no local é o nome dela que vai constar na ficha de clientes atendidas. Nenhum processo criminal citará o homem como co-autor do delito. Mesmo porque, onde acharão provas?

Do ponto de vista econômico é aquela coisa “se ficar o bicho pega, se correr o bicho come”. Explico. Se o Brasil descriminalizar o aborto terá de oferecê-lo no SUS. Afinal de contas, se não é crime é meu direito, se eu tenho direito quero exercê-lo. O SUS não dá conta nem da demanda por vasectomia, que é um procedimento super simples, que pode ser feito até no consultório. Como garantir o direito ao aborto a todas as brasileiras que desejarem?  O tempo passa rápido e nesse caso faz toda a diferença sobre o método a ser aplicado. Por outro lado, mantendo a criminalização, como é hoje, gera-se um impasse;  como garantir que todos os envolvidos sejam punidos? A denúncia pode ser feita por um terceiro, mas a mulher pode se recusar a fazer um exame de corpo de delito, já que não é obrigada a produzir prova contra si mesma. No caso das clínicas clandestinas o procedimento pode ser disfarçado sob outras práticas, pois os instrumentos utilizados não se aplicam apenas ao aborto. Até uma agulha de crochê pode ser abortiva!

Por outro lado existe também aquele pensamento pequeno de que  a mulher faz o que quiser com o próprio corpo. Por favor, não vamos nos mercantilizar e nos colocar em situação de propriedade! A sociedade já faz isso por nós, não precisamos usar esse subterfúgio asqueroso para justificar nossas escolhas, sejam elas quais forem. Se o corpo é somente da mulher, o que seria feito dos 50% do DNA masculino que foi implantado em seu útero?

Enfim, um assunto complexo como esse não pode ser definido de maneira cartesiana, pelo sim ou não. Devemos antes de tudo, agir com o máximo de impessoalidade e o mínimo de passionalidade ao tratar desse assunto. É preciso que a Justiça considere também todas as circunstâncias envolvidas: a idade da acusada, sua situação econômica, seu grau de escolaridade, seu estado civil, a presença ou não do parceiro...  Uma coisa eu garanto: as atrizes da Globo jamais vão ter seus abortos anunciados por aí. Vão sim fazer aquela viagenzinha pra Europa, disfarçada de férias, e praticar seu aborto de maneira segura e preservada. Depois vão posar pra Caras, fingindo ter uma vidinha perfeita.

No mais só faço um adendo, vale a máxima “abomine o pecado, mas ame o pecador”.


postado por Aperitiva as 15:24 # 0 comentários
03/12/2010
Maldita inveja.


Freud dizia que toda mulher, no fundo, bem lá no fundinho (sem trocadilhos, por favor!), tem inveja do pênis. Não. Isso é mentira. O cara não devia saber muita coisa de mulher. Ainda mais considerando que tinha o hábito de fumar charuto todos os dias e isso dá bafo, né gente.

Mas é verdade que invejamos o homem. E, talvez, o pênis seja a única coisa que não invejamos. Eu invejo todo o resto. Invejo a liberdade de poder andar sem camisa mas, ( e principalmente) a praticidade do homem. Como podem decidir tão rápido entre coisas tão diferentes? Como conseguem decidir, num átimo de segundo, entre virar à direita ou à esquerda? Muito suspeito.

Outra coisa que me corrói de inveja é a falta de culpa que eles sentem. Minhas amigas dizem que homem não sente culpa porque não sabe o que é isso. Só sente peso na consciência quem tem consciência. Não vou considerar esse detalhe, porque o fato em si já me intriga o suficiente. Homem tem mesmo uma reserva de culpabilidade mínima, apenas aquela que a natureza lhe reservou. Apenas o suficiente para que não seja cruel com animais e criancinhas e, ainda assim, há exceções. Ok. Podem pegar suas tochas e atear fogo no meu corpo. Momento caça às bruxas. Digam o que quiserem, mas há um pouco de verdade no que eu tô falando. Homem, mesmo o mais obeso, é capaz de devorar um pastel ou um acarajé como se não houvesse amanhã. É capaz de escolher suas roupas apenas pelo conforto, sem considerar o grau de belezura implícito que, pode ou não, agradar a parceira. A mulher, mesmo quando não tem ninguém, compra a roupa pensando no olhar dos homens que não tem. Fato.


Daí que eu concluo que a mulher (90% só) tem um espírito de servidão meio nojento. Sinto vergonha de gênero por isso. Desculpa aí mulherada, mas é phoda né. Talvez por conta disso somos a maioria nas centrais de telefonia, setor de reclamações de cartões de créditos e tantos outros ambientes degradantes da condição humana. Resumindo: mulher sente culpa pelos outros, sofre pelos outros e adora arrastar correntes. Não sei se isso é natural ou “ensinado”, mas não nos ajuda em nada. Pelo contrário, apenas nos torna público alvo da indústria dos anti-depressivos.


Ah, e o senso de humor? Homem é muito mais leve nisso. Homem consegue rir da própria desgraça com mais facilidade. Que inveja eu sinto quando passo na frente de um bar, lotado de homens,e escuto aquela ola de gargalhadas! Sobre o que eles falam? O que pode ser tão engraçado assim? Ás vezes não é nada demais: um lance do futebol, uma piada, um causo de cornitude. Eles simplesmente se contaminam com a alegria uns dos outros. Onde as mulheres poderiam rir assim, juntas e no mesmo tom? Só vejo isso quando uma meia dúzia de amigas se reúne e bebe, muito por sinal. Com eles não, é tudo espontâneo. Riem com estranhos e ali, no bar, são como amigos de infância.


Por isso mulherada, sejamos mais masculinas no que nos convém e mais femininas naquilo que for inevitável.


postado por Aperitiva as 11:58 # 0 comentários
01/12/2010
Pedindo licença pra existir.


Acho que mulher, hoje em dia, tem mesmo é que pedir licença pra existir. Vejam só que ironia: na época da minha avó mulher não tinha liberdade, nem direito à opinião. Hoje, a gente não tem o direito de existir. Ah, sim! Podemos existir como objeto, como símbolo, personagem... jamais como mulher.


Explico. Saímos pra trabalhar, ganhamos nosso próprio dinheiro, votamos, pagamos impostos como qualquer homem, mas ainda não somos DONAS do nosso próprio corpo. Quando digo isso não me refiro à liberdade(?) de dar pra quem quiser e quando quiser, por quanto quiser. Isso é assunto pra outro post. Falo da impressão que tenho, de que o corpo da mulher é uma espécie de self-service social.


Já reparou que o nosso corpo sofre, todo dia, várias pequenas violações? São sutis invasões que nos diminuem como pessoa e como mulher. É aquela encoxada no ônibus, que você não sabe bem se foi acidental ou proposital. Depois de muito pensar a respeito você conclui : “ah, se eu reclamar o cara vai dizer que eu to ficando louca e que o ônibus tá cheio”. E o que dizer dos homens que, ao se sentarem ao lado de uma mulher, vão logo abrindo as pernas como se fosse um alicate sem mola?! Ah, já ia me esquecendo da clássica puxada de cabelo na boate. Isso dói caramba! E não é nem de longe uma coisa sexy.


Às vezes, mesmo decentemente vestida - como manda o manual da boa moça -, você é assediada da forma mais grotesca e vulgar que pode existir. Você chega no balcão de um bar e pede uma informação (ou uma água mineral) e o cara te trata como uma peça no açougue,pronta pra ser assada e comida. Vejam, não sou contra o flerte, que é uma forma sofisticada e bonita de mostrar interesse. Sou contra essa mania asquerosa que alguns homens tem, de achar que toda mulher gosta de ser “apreciada” com palavras de baixo calão.


No ambiente de trabalho não é diferente. Você pode vestir o clássico terninho preto, bem cortado e nada insinuante. Isso não vai impedir que algum colega (homem) olhe diretamente e incisivamente pro seu “triângulo” enquanto você apresenta uma palestra. Você começa a ficar paranóica achando que, de repente, a sua menstruação chegou ! Por fim, você se pergunta se, por acaso, sua calça não está muito apertada e enaltecendo o famoso “dedo de camelo”. Não. Não é nada disso. Você está apenas sendo desrespeitada publicamente. E o pior é que você, mulher, foi criada para acreditar primeiro que a culpa é sua. Na sua cabeça vão passar coisas como “ deve ter algo de errado comigo ” ou então “ eu não devia ter vestido isso”.


Essa mesma lógica é usada para justificar a violência doméstica contra a mulher. Na primeira vez que ela apanha acaba perdoando:

- Ai..ai.. o Zé tava nervoso. Eu sabia que não deveria ter comentado sobre a conta de luz atrasada! Eu devia ter esperado até amanhã. Logo hoje que ele bebeu eu invento isso. Bem que minha mãe e minha vó diziam que a gente não deve discutir com tonto. Eu sou uma burra mesmo!

Compreende a lógica da coisa? No fundo, algumas mulheres (muitas!), acabam acreditando que merecem apanhar ou que isso foi apenas uma coisa de momento.


Nem vou falar aqui da exposição do corpo da mulher na mídia. Prefiro me ater a fatos mais tangíveis, coisas do dia-a-dia que ocorrem com qualquer mulher normal. Reparem que não estou falando apenas do vocabulário ou dos olhares dirigidos às mulheres. Muito mais me chama à atenção o toque. O toque, a mão, aquela pegada sem sua permissão.Quem já não levou uma passada de mão na bunda? Não é entre quatro paredes, é na rua mesmo, na frente de todo mundo, que é pra você se sentir pior. E quando você vai entregar um documento e o cara segura, demoradamente, a sua mão? Você nunca sorriu pra ele. Nunca se insinuou. Você nem mesmo o conhece. Mas ele se acha no direito de tocar sua mão por mais de cinco segundos. Talvez também se ache no direito de ficar grudado em você no elevador, mesmo que este esteja completamente vazio.


Eu poderia ficar aqui citando dezenas de outros exemplos, mas não vou perder meu tempo, nem o seu. Vou falar da triste constatação à que cheguei: a sociedade não está interessada em diminuir ou acabar com isso. Pelo contrário, interessa mais à sociedade uma mulher objetificada, manuseada, explorada. Interessa à sociedade que a própria mulher sinta orgulho disso. Afinal de contas é bem mais fácil lidar com a mulher-mercadoria, assim não teremos que protegê-la ( ou será respeitá-la?). Não teremos que educar nossos meninos com o olhar da igualdade.


Interessa à sociedade mercantilizar a mulher e fazer surgir nichos de mercado que terceirizem a sua proteção. Você, mulher, será aconselhada a fazer aulas de defesa pessoal, a comprar máquinas de choque e spray de pimenta. Mandarão que compre um pit bull pra fazer a ronda da sua casa, se mora sozinha. Seus amigos vão te aconselhar a não comprar uma moto, pois todo mundo sabe que mulher sobre duas rodas fica muito mais vulnerável que um homem. E que fique claro, jamais se arrisque a voltar da faculdade, à noite, sozinha. Prefira pagar uma van, mesmo que a distância seja apenas de cinco quarteirões. Se for abordada por um assaltante, não reaja. E se ele quiser te estuprar , nunca grite. Com sorte você poderá sair com vida. O Estado não vai te oferecer ajuda psicológica, mas tudo bem, você é forte e poderá superar isso sozinha...rá!

E depois a gente ainda fala mal do Irã, com suas mulheres de burca. Às vezes, tenho a impressão de que, por baixo de seus véus, elas riem da gente. Afinal de contas, a opressão que sofrem não é tão pior que a nossa , sortudas mulheres do ocidente que pagam suas contas.




postado por Aperitiva as 08:15 # 1 comentários
27/11/2010
É proibido


É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

Pablo Neruda

postado por Aperitiva as 18:02 # 0 comentários
Pra começar...


Uau! Finalmente consegui fazer um blog. Achei que seria um parto complicado mas, voilá!

Decidí fazer esse blog meio torto pra dividir com vocês aquelas coisas que me interessam demais da conta, mas que talvez não tenha a menor importância pra vocês. Já vou logo avisando que aqui não tem sacanagem (isso se faz em casa - ou não-).

Prometo que vocês NÃO vão encontrar aqui nenhum post discriminatório, mesmo porque isso é proibido e dá cadeia...kkkk

Apreciem sem moderação !!!


postado por Aperitiva as 17:40 # 1 comentários
 
Perfil
aperitiva
Meu Perfil

Links
GigaHoteis
DNS Grátis
Criar Blog
Hospedagem
Usuários on-line
Guia SP
Hoteis

Palavras-Chave
blogsacanagem

Favoritos
aperitiva
mais...

adicionar aos meus favoritos


Colaboradores do Blog


Comunidades
Não há comunidades.

Posts Anteriores
Como viver gastando pouco.
Quando o amor acontece.
Manifesto por uma flor com pétalas.
Do povo, para o povo, pelo povo...
Aborto! E eu com isso?
Maldita inveja.
Pedindo licença pra existir.
É proibido
Pra começar...

Arquivos
01/02/2011
01/12/2010
01/11/2010

0 acessos
CRIAR BLOG GRATIS