arcozellos.uniblog.com.br - Por Roberto Mesquita.
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domingo, 16 dezembro, 2007
Atendendo a vários pedidos (via email) estamos reerguendo o Blog Arcozellos


Informamos, que em virtude de vários pedidos de conterrâneos vamos reerguer o Blog Arcozellos, vou correr atrás de matérias e textos. Informamos ainda que vamos postar as fotos que já passaram pelo Site Alenqueremos, visto que, no Blog a postagem ficam afixados no Arquivo e não precisa de renovações ou substituiçõe. Este Blog vai firmar  Parceria com o Site Alenqueremos (www. alenqueremos.com.br).

Local da foto: Serra do Cruzeiro (Alenquer-Pará-Brasil).

Fonte: Roberto Mesquita.

Um abraço,

Roberto Mesquita.


postado por 69655 as 10:30:19 # 6 comentários
segunda, 27 agosto, 2007
IMORTAL DAS TERRAS XIMANGAS. - 1ª PARTE.


A colônia alenquerense chora a morte de Antônio Aldo Arrais, poeta, jornalista, historiador, escritor, advogado e político que deixou o solo xiamango para, em São Paulo e Brasília, curar-se de uma terrível doença que o levou a demonstrar mais ainda a sua força interior de homem que amava a vida e por ela lutava com a pujança de um destemido. Aldo Arrais amava a sua terra natal ximanga como a própria vida. Alenquer perdeu um filho ilustre, de ímpar coragem e infulgar inteligência. Cedo, ainda garoto, deixou Alenquer para seguir estudos ginasiais em Belém e, no Colégio Nossa Senhora do Carmo, demonstrou, imediantamente, que aquele ximango possuía uma energia inconfundível, destacando-se de maneira fugaz entre os melhores alunos. A cuíra que lhe consumia a mente para voltar ao torrão natal não permitiu que continuasse os estudos. E aí se reconhece de um modo puro e pleno que Aldo Arrais, repetimos, o poeta, jornalista, historiador, escritor, advogado e político, era todo Alenquer. O amor que dedicou à terra ximanga com nada, nada mesmo, confunde-se e compara. Supomos, supomos não, temos certeza e convicção de que Aldo Arrais, no seu leito de dor, jamais, em um minuto sequer, divagou sem ter Alenquer presente em seu pensamento. Dificil é descrever o sentimento e as ações de uma pessoa como Aldo Arrais para com sua terra natal. No entanto, podemos refletir e avaliar o que fez durante décadas. Ele teve a primazia de elevar Alenquer na poesia, nas canções, nos artigos jornalísticos - ele era colaborador de O Ximango, - nos folguedos, no folclore, nos contos, nas crônicas, enfim, nas suas tão comoventes orações. É dificil também retroagir no tempo para lembrar tudo o que Aldo Arrais fez por Alenquer. A sua mania era Alenquer. O seu cotidiano era Alenquer. A sua alegria era Alenquer. A sua tristeza também era Alenquer. Tudo para o Aldo Arrais era Alenquer. Portanto, Aldo Arrais, tu não morreste para Alenquer. Tu continuas e continuarás vivo no solo alenquerense e no coração ximango. Não chegaste a ser imortal da Academia Paraense de Letras. Merecias. Mas serás lembrado como imortal das terras ximangas,  pois as letras do teu nome ANTONIO ALDO ARRAIS representam ALENQUER, ALENQUER, ALENQUER. E assim serás sempre lembrado como um paladino das terras ximangas.

Fonte: Livro: "Transamazônicos - Topgrafia lírica de Alenquer - poemas Aldo Arrais".

             Editorial de O Ximango, publicado em julho de 1997, mês da morte do poeta.


postado por 69655 as 11:04:41 # 1 comentários
quarta, 22 agosto, 2007
Inventário cultural e turístico de Alenquer- Foto: Marambiré ximango em sua apresentação no Centur, Belém.


ALENQUER - Este município situa-se á margem esquerda do rio Amazonas, principal acidente geográfico não só do município, mas de toda região amazônica. Limita-se com os municípios de Óbidos, Almerim, Monte Alegre e Santarém. A cidade de Alenquer situa-se à margem do Igarapé de Alenquer (antigo Surubiú) e dista 701 km (em linha reta) da capital do Estado. O shabitantes do lugar denominam-se "alenquerenses", mas dá-se o cognome de "ximangos" aos naturais do município. A economia repousa principalmente na extração da castanha-do-Pará e da seringa, na produção de juta e na pecuária. A pesca atende apenas ao consumo interno sendo pescados principalmente o acarí e o tucunaré. A população municipal alcançava em 1980 um total de 44.539 habitantes, sendo que a população urbana somava 17.755. A cidade somava 16.427 habitantes. Pontos a visitar: Na cidade os pontos mais destacados são prédios antigos a seguir relacionados: Igreja de Santo Antonio de Alenquer, padroeiro da cidade, a Prefeitura Municipal e o Grupo Escolar Fulgêncio Simões. Fora da cidade a amaior atração está concentrada nos lagos e nas praias neles situadas. O lago Curuá mede aproximadamente 4.000 metros de comprimento por 1.500 de largura. É ligado a outros três menores: o dos Botos, Poção e Tostão. O mais famoso, entretanto, é o lago do Curumu, que dista apenas 6 km da cidade, sendo o percurso realizado de carro em 15 minutos. Sua extensão é calculada em 3.000 metros de comprimento e 1.500 metros de largura, sendo muito piscoso e pouco profundo, principalmente no verão. Nele situam-se duas praias que oferecem excelentes possibilidades de lazer. O visitante pode chegar ao local através de estrada de terra ou por via fluvial, fretando embarcação. A viagem para ambas as praias, quando é feita de barco, apresenta um caráter bastante pitoresco, pois ao longo da viagem, tem-se a oportunidade de encontrar verdadeiros jardins de vitórias-régias e outras paisagens típicas da região. Em ambas as praias funcionam barracas com serviços de bar e restaurante, nos fim-de-semana ou quando o proprietário é solicitado previamente.. Um aspecto curioso sobre o lago do Curumu é que até a década de 50 constituía uma atividade economica relativamente importante do município, a extração de conchas no fundo do lago por mergulhadores, sem qualquer equipamento especial, vinham principalmente de Cametá nos meses de outubro a dezembro, época da vazante, especialmente com esta finalidade. Atualmente, não há mais interesse na extração de conchas para comercialização, mas apenas para artesões que trabalham com ela, enfeitando objetos.

Calendário de festividades: Janeiro: São Benedito, festejado no dia 6 de janeiro, que é o dia da festividade iniciada no fim de dezembro, com novenário. É padroeiro do bairro da Luanda. Após as noites de arraial, encerra-se a festa com procissão. Fevereiro: Quadra carnavalescas e carnaval de rua. Março e Abril não há festividades. Maio: Mês da festividades Marianas, com celebrações Litúrgicas diárias, na Matriz de Santo Antonio. Junho: De 1º a 13 do mês decorre a Festividade de Santo Antonio. O início é com o Círio, com numerosa participação de fiéis provenientes da cidade e de todo as localidades vizinhas. O "Dia da Festa", é a maior concentração confraternizadora, e representa o encerramento das festividades litúrgicas e do arraial. Neste, além do parque de diversões e do leilão, há exibição de espetáculos populares, em um teatrinho armado no palanque no meio do arraial. Exibem-se tanto grupos folclóricos, como mágicos e cantores. A festa é encerrada à noite do dia 13, com fogos de artifícios. Julho e Agosto: não há festividades.  Setembro: Semana da Pátria. Comemora-se com grande participação da comunidade estudantil, entre atrações cívicas, artística e esportivas. Um dos destaque, no dia 7, no desfile oficial, é a apresentação de carros alegóricos, representando simbologias cívicas. Outubro e Novembro: não hà festividaes a destacar. Dezembro: Durante o Natal, além das festividades religiosas, não hà atualmente, na sede, manifestações regular de caráter folclórico. Todavia, nas localidades vizinhas, exibem-se grupos pastorais, como no lago do Curumu de Alenquer, Colônia Paes de Carvalho, no Cucuí, etc...

Manisfestações folclóricas: Boi bumbá, Boi Veludinho (é o mais antigo ainda em atividade). Foi fundada em 1957, organizado por Antonio Onésimo de Araújo, onde liderou o grupo por vários anos. Apresentava-se com 62 brincantes. Principais personagens: 2 amos, o diretor dos índio, o pai Francisco, a Ctarina e o Cazumbá. Realizando-se as apresentações em um quintal que é decorado para se transformar na "Aldeia dos Ximangos". O ingresso é pago. O espetáculo tem duração de 4 horas, aproximadamente. Sua originalidade, como estrutura é apresentar-se o ato dividido em três partes. Boi Malhadinho. Pássaros: Pavão Misterioso. Batuque: Caboclo Urubatan e o grande Marambiré: é o mais expressiva manifestação folclórica do município de Alenquer, é descrita por um grupo de professôes do município, com um texto que se segue: "Apesar do município de Alenquer não ter grande influência negra na sua formação étnica, com os movimentos dos quilombos, um grande grupo de negros fugidos das fazendas de Santarém, localizou-se as margens do rio Curuá, onde os constitui um Mocambo, a que deram o nome de Pacoval". Instalada na beira desse rio, por muitos anos esses negros repeliram qualquer influência estranha à sua raça, dos seus costumes e crenças religiosas. Chegaram ao comportamento inédito de repudiar a miscigenação, como esforço de manter a integridade racial. O Marambiré, único remanescente dessa manifestação folclórica, tem a sua coreografia em parte baseada no Lundu ou Lundum cujo o ritmo é de origem africana e bastante parecido com o carimbó e o marabaixo. Está comprovado que o Marambirré foi introduzido em Alenquer pelos escravos negros africanos originário do Mocambo do Pacoval, que durante muito tempo conservou várias tradições orais de crenças e costumes da África. O Marambiré é uma e´spécie de dança dramática, com ritmo bem marcado por instrumentos como: caixas, chocalhos, pandeiros, violões, viola, rebeca, reco-reco, caracacha, etc... A dança constitui, um cortejo real, ao qual se liga uma parte que representa a Embaixada. Presume-se que o Marambiré é uma dança inspirada nos festejos da coroação dos Reis Negros que os escravos elegiam em determinadas datas. O Marambiré apresenta-se magestoso e solene por grupos de individuos que dançam produzindo riqueza de movimentos na execução dos "passos". As cantigas são simples e belas, numa mistura de linguagem africana, portuguesa e indígena.

Fonte: Violeta Refkalefsky Loureiro e João de Jesus Paes Loureiro.

Pesquisado por Roberto Mesquita.


postado por 69655 as 08:22:27 # 0 comentários
terça, 21 agosto, 2007
Alenquer do passado - Foto histórica - nº 02.


Esta foto mostra com nitidez a imagem das duas estátuas que ficava na parte frontal da Prefeitura Municipal de Alenquer-Pa.

Não sabemos com exatidão em que época esta foto foi tirada. Mas calculamos que foi nos meados da década de 40.

Fonte: Esta fotografia nos foi gentilmente cedida pelo professôra Carícia Valinotto. 


postado por 69655 as 08:19:34 # 0 comentários
segunda, 20 agosto, 2007
Comércio, Indústria e Administrativo de Alenquer- Por Pinto Barbosa, em 1890.


Conselho Municipal: Presidente, Fulgêncio Firmino Simões. Vogais: Luiz Rabello Duarte, João Antonio Barroso, tenente José Mota Siqueira Júnior, Theodosio Nunes Pereira, Senhorinho Rafhaél dos Santos, Thiago Serão de Castro e Manuel I. Lopes Marinho. Funcionários: Juiz de direito: Dr. Luiz Duarte da Silva; Juiz Municipal: Dr. Francisco Correa Lima Sobrinho; Suplentes: 1º tenente Jesuíno Marreiros C. Barbosa; 2º vago; Promotor Público: Dr. José João de Mattos Júnior; Delegado de polícia: Firmo Lopes de Araújo; Suplentes: 2º Angelo da Silva e Melo; Subdelegado: Pedro R. de Souza Bentes; Suplentes: vago;

Comércio e indústria (negociantes): Antonio José de Pinho Gonçalves, Albino José da Costa, Francisco Correa, Firmo Lopes de Araújo, Joaquim Bentes Rabello, João Thomaz de Castro, João Lopes L. Júnior, Joaquim C. V. Gentil, Josino Cardoso Monteiro, José da Motta Siqueira Júnior, José Benedicto Duarte, José Quaresma da Silva, José Maria Duarte, José Gnçalves Vianna Palha, José Francisco da Silva Duarte, Joaquim Ferreira Coelho, Luiz Coelho de Macedo, Monteiro Nunes & Cia.,Maximiano V. de Senna, Moyses Atlel & Cia., Simão Besnete e Thiago Peres Duarte.

Artistas: Professor de música - Antonio P. Alves Cardoso.

Sapateiros: Antonio Joaquim da Silva, João dos Santos Ferreira e João P. Martins.

Alfaiates: Benjamin Marvão & Cia.

Ouríveis: Alfredo de Souza Correa e Venâncio A. de Souza.

Proprietários: Antonio José de Pinho, André Curcino Duarte, Antonio R. L. Bentes, Bellarmino Bentes de Souza, B. A. Antunes & Cia., Fortunato José Cohen, Francisco Correa, Ivo A. de Oliveira, Joaquim Ferreira Coelho, José Francico da Silva Duarte, João Lopes L. Júnior, Jesuíno José de Lima, José Cândido de Oliveira, José Joaquim Luiz Coelho, Joaquim Ferreira Bentes, Joaquim de Pinho Gonçalves, tenente-coronel José Filiciano de Lima, Manoel Joaquim de Oliveira, Ramiro Caetano Duarte, Theodozio Nunes Pereira, capitão Theodozio Constantino de Lima e Vicente Ferreira Leitão.

Typographias: "Equador Periódico" - Propriedade do tenente-coronel, José de Lima & Cia; Redactores - Jesuíno Marreiros e Joaquim Pinho  - "Gazeta de Alenquer" - Redactor, Fulgêncio Firmino Simões.

Fonte: Biblioteca do Centur - "Almanak do Pará".

Pesquisado por Roberto Mesquita.


postado por 69655 as 07:49:29 # 0 comentários
domingo, 19 agosto, 2007
O trapiche dos velhos tempos..., belos dias.


O trapiche municipal de Alenquer em sua plenitude. No fundo o navio "A Juricaba" partindo da terrinha, que por várias e várias vezes portou-se em Alenquer. Nesta época, nossa cidade atingia o seu apogeu comercial. Nos tempos bom de autrora (Aldo Arrais), era rotina os navios de grande porte atracarem na cidade, onde deixavam e levavam cargas e passageiros.

Esta foto foi gentilmente cedida pela professôra Carícia Valinotto.


postado por 69655 as 08:14:35 # 1 comentários
sábado, 18 agosto, 2007
Alenquer do passado - Foto histórica- nº 01.


Este prédio, ainda em construção foi erguido pelo comerciante Francisco (Chico) Viana, que depois de muitos anos foi vendido para o sr. Waldomiro Yared (casa O Remanso).

Nesta época (conforme a placa afixada no prédio), a praça chamava-se "Praça da Revolução",  e hoje chama-se "Praça de São Sebastião".

Fonte: Esta foto nos foi gentilmente cedida pela professôra Carícia Valinotto.

Pesquisado por Roberto Mesquita.


postado por 69655 as 10:13:52 # 0 comentários
Hino à Bandeira de Alenquer - Letra e música: Benedito Mota.


Salve insígnia bendita / Pendão altivo e varonil / És dos teus filhos o povir / Deste fértil rincão Brasil / Estrela da Fé e da Paz / Simbolizas teu povo audaz / Orgulho na nossa história / Soberania da Glória.

Salve Pavilhão municipal / Símbolo sagrado e triunfal / Vejo em ti um fulgor sem igual / Que inflama o amor filial / Magestoso manto a tremular / Com garbo e singeleza a evocar: / Nas tuas cores se encerra / Toda a grandeza desta terra.

Fonte: Relatos do Pe. Waldomiro Vasconcelos.


postado por 69655 as 05:46:15 # 0 comentários
Cronologia e trajetória do Pe. Waldomiro - 2ª e última parte.


O juiz de futebol (Picareta) passou por dentro do velho Cemitério, caso tivesse um buraco aberto, seu desejo era ser enterrado vivo, sumi do mapa. Seguiu rasgando capoeira, deixando pedaços de roupas e couros nas cercas de arames; tentou se esconder mo Grupo Escolar Maria Luíza de Araújo, mas achou inseguro e pulou a janela da bela Capela dedicada a Virgem de Nazaré, adentrando a sacristia e o campanário nunca terminado. Fez uma promessa a Jesus e a sua mãe, que livre da morte por linchamento, durante um ano rezar todos os dias de joelhoa: Sete Pai Nosso, Ave Maria e Glória ao Pai, além de viver e praticar a justiça, o direito e a paz. Jurou pela akma de sua mãe Apolinária Ziroca e pelo amor de seus filhos de apelidos: Murum e Jacamim, nunca mais nem se quer passar ao lado de um campo de futebol, mesmo em pelada de criança de dente de leite e foi mais radical: "não vou mais ouvir jogo no rádio". O alvoroço sussurava em seu ouvido: ladrão, covarde, ateu, tu não engana Nossa Senhora, falso, etc. Este momento é para amanhã, na celebração de teu corpo presente, pensou dentro do caixão preto ou roxo. Com fé vou a luta! Viu ele que as portas e janelas, eram encostadas e debandou correndo na Estrada Lauro Sodré com gritos de socorro!!! Semelhantes ao "jurupary da balata", o furdunço entre o povo generalizou-se, que brigavan entre si com paus, galhos, ouriços, pedras, tições, axas de lenha, estacas de tatajuba para cercas; desespero total, o caos instalado; situação de apocalípse,  - o fim do mundo. O meu pai, determinado pegou o trabuco e a cartucheira e correu para a extrema com o terreiro do seu compadre Oscar Araújo (pecuarísta e ex-prefeito de Alenquer), ficou ele em cima da grande pedra-de-fogo aos pés da velha mangueira (local de visagens e assombrações, onde os moradores juram ter dinheiro enterrado. Essa crença popular da Amazônia vem do tempo da Cabanagem) e com  autoridade falou: "Parem!. Atirou pro alto: Pei, pei, pei, etc... Filhos da puta, não acordem meus filhotes em nome do príncipe da paz, que é,  Nosso Senhor Jesus Cristo e de Sua Mãe Santíssima de Nazaré".. Outra rajada de tiros. Silêncio geral... O Picareta quanto mais corria parecia voar, sentia o barulho mais próximo. Caiu como morto no terreiro da dona Jovem Brandão. Acudiram com chubé (água, açucar, limão e farinha), porém sem fala. Devido a fraqueza. Deram-lhe caribé (caldo de farinha seca peneirada, com manteiga da nata do leite batido de cabra ou vaca e pimenta-do-reino. Resssuscita defunto). Fizeram-na uma recomendação com nariz tapado: tome esta barra de sabão e use toda, leve essas ervas cheirosas e esfregue na água, mas por favor não tome banho em nossa Lagoa, gostamos e queremos ouvir sempre os vários cantos dos sapos. Ele foi parar no açude do seu Oscar Araújo. No 1º momento a ´gua ficou amarelada, tipo nara, no 2º momento a água ficou preta, estabeleceu o espetáculo parecido o encontro das águas do rio Negro com o rio Amazonas; no 3º momento a água ficou vermelha, devido a crise aguda de amorróida.O cheiro de carniça fez urubu descer do alto. Dizem que foi uma mortandade de peixe muito grande, causando terro. Pela meia-noite, caminhou pra casa muito triste, e desnorteado, transpassado nem pensou nas visagens da fonte de água doce (onde pegávamos pra beber e onde a mamãe e a Deus, lavavam nossas roupas), que nascia de um olho-dágua da rebolada de mata virgem, ali preservada no meio do capinzal. Na veredad, muito capim-barba-de-bode (brincávamos amarrando para derrubar os destraídos): bacurau voava quase de baixo dos seus pés, o pisca-pisca de vaga-lumes, passou em baixo das duas mangueiras e ouviu assobiu de morcegos e desconjurou dizendo: "Vote, matinta-pereira, amanhã deixarei aqui um pedaço de tabaco pra ti". Par não mais incomodar. Cortou atalho por dentro do cacual da tia Nega e Tomé e outra vez cortou caminho, passando por mangueiras frondosas do João Camelo, saindo da encruzilhada do travessão (entrada do ramal), seu corpo estremeceu com arrepios em baixo da escuridão da bonira castanheira que era a mais alta da região, fez o sinal da cruz e disse: "xou alma! Afasta-te de mim." Ouviu uma bela música e isto lhe deu ânimo novo. Hã - rã, é uma festa! Caminhava pensando como ia contar a esposa; a gozações de seus familiares; o que inventar para despistar os amigos da cidade, balançava a cabeça; não vou escapar e ao mesmo tempo dizia  não posso torturar-me. Falem o que quizer, ninguém sustenta a minha família. Quando estava na cucuruta do alto do Cachimbo, passou uma coruja rasga-mortalha e soltou seu canto.Ele falou, vai pra longe bicho agourento. A mulher estava a sua espera no terreiro e não o reconheceu, porque havia improvisado um chapéu tecendo guia de palha branca, com tal finalidade. Pensou em ser visagem, as pernas fraquejaram, os cabelos arrepiaram, a boca prendeu, a respiração falhou e as batidas do coração a trezentos por minutos, como se tivesse dentro de um avião pela primeira vez. Quando ele falou, aterrizou ela e com alegria, veste branca brilhosa e com a maquiagem forte e a cabeça cheia de vanselina, deu-lhe um demorado beifo, já sei tudo meu herói, não me fale nada. Vamos à festa, sacudir este peso e renovar nossa vida, estou orgulhosa de você. "Mulher, a partir de hoje serei simples e humilde", disase ele...


postado por 69655 as 08:43:55 # 0 comentários
sexta, 17 agosto, 2007
Cronologia e a trajetória do Padre ximango Waldomiro Vasconcelos - 1ª Parte.


O fato aconteceu às 5h da manhã do sábado de 28 de junho de 1956, magnífico dia de sol dourado. Meus tios Alberto e Leonílio, foram avisar meu pai, que ficou surpreso com a notícia. A mãe que esperava pegar o meu pai, imbecil, patife e ordinário nos braços da puta escrota, safada, sem-vergonha, vagabunda, cachorra e outros palavrões bem pesados. E o plano, caiu por terra... O pai deu apenas um galope no seu belo e desejado cavalo, sumindo na mata virgem. Quando me viu, balançou a cabeça e não acreditando, tomou-os em suas mãos; ficou mudo e pela primeira vez depois de adulto chorou na vida. Era ateu de primeira categoria e disse: "Senhor Deus se existis, fazei que ele viva e dai-me: coragem e empenho para trabalhar e criá-lo este passarinho que parece um filhote de pepira". Logo, ganhei este agrado de 'Pepira". Contam em casa que o papai ficou muito emocionado e impressionado com o meu peso e tamanho: 25 cm e 500g, raquitico, só pele e de cor roxa-preta e choro. Ele nunca havia pegado um filho antes de andar; ficava horas a fio comigo em suas mãos olhando admirado. Dessa vez não foi a parteira que preparou o mijo para os oito dias de comemoração. Foi o "cabra macho" do meu pai. Soltou um foguete de dois tiros, em aviso aos vizinhos que nasceu um menino "macho da peste", coisa da "gota-serena". Ele fez explodir os fogutes da taberna e disparou todos os cartuchos de espingardas, trabucos, rifles e do seu revólver. Os vizinhos distantes, disseram: "nasceu um moleque e haverá festa dançante e torneio de futebol, pra banda do Bom Futuro". Á tarde e a noite, apareceu gente de todo lado e assim foi o sábado e o domingo, festa de alegria com o nascimento do mais "querido" do pai. Na bola, venceu o time dos Casados 7 X 5 para o time dos Solteiros, isso no sábado. O meu pai fazia parte do vencedor e os tios do perdedor. No domingo venceu os Castanheiros: 12 X 3 para os Lavradores. Seu Horácio (pessoa de prestígio e fama), mandou reunir os músicos da região do Camburão (núcleo de cearenses) e Uirapuru - beira do rio Curuá. Uma festa que até hoje ninguém esquece... Passados ste dias a vovó disse: "Escapou"!!! Tenha cuidado com o mal dos três vezes sete...Pela lógica dos costumes da tradição e da crendice popular da Amazônia, devia morrer antes de completar 7, ou 14 ou 21 anos. Pai e mãe estavam contentes e felizes. No oitavo dia todo cuidado foi pouco com o transporte do menino e sua mãe para a residência principal no Km 15 - Comunidade Nossa Senhora de Nazaré, onde existe a primeira Capela construída de alvenaria no interior do município. No sábado, na boca da noite até o raiar do dia a "festa dançante", com o conjunto do Zé Lima do Cipoal. Ele no saxfone, Ciriaco na bateria, os Mucuras no banjo e no violão, os Raposas no canto e na animação. Os casais de namorados menos sérios, pra debaixo do escuro das velhas mangueiras, outros para o bananal, outros no cacual, outros no siringal, haja festa no mato! Porém, as famílias, a juventude séria e as viúvas aproveitaram para dançar variedades, numa bela exibição, teve casal de dançarino que desmaiou de cansaço e prazer. O povo não esquece o prosa do Severino, vestido numa calça de tergal azul escuro, camisa de lamê azul claro e sapato durabel preto, dançando com a pavulagem de sua namorada Raimunda "come-vidro". Vieram pessoas conhecidas e amigas da família de várias Comunidades: Colônia Nova, Morros, Curumu, Paracary, Marajá, Bom-que-dói, Macupixy, Canacupá, Cumacaxy, Cuitêua, Macurá, Vila Curuá (hoje Cidade do Curuá), Vila Mamiá e um grande grupo de negros do Pacoval, onde o Cumba, ofertou o "Remédio dos Pretos". Cura picada de qualquer inseto da Amazônia. Uma espécie de soro anti-ofídico. Apresentaram o Cordão de Santa Luzia e dançaram Marambiré (fora de época só em ocasião extremamente especial). Os negros Marajoaras do Porão, apresentaram o seu Cordão de Pássaros, com a bela Dança do Tangará do Balatal. No domingo aconteceu o Clássico do futebol da  Colônia: o time dos 15 - 13 X 11 do time dos 12. Uma guerra das torcidas à beira do Campo do Km 16,... Propriedade do senhor José Rocha, com castanheiras floridas e a ramanada para as festas dançantes. Dentro das quatros linhas uma batalha épica, em homenagem ao recém-nascido. Os os times, compostos de lavradores rurais, castanheiros, balateiros, cumaruzeiros e vaqueiros de fazendas. Os 12  com reforços dos vaqueiros vindos do Arariquara, Cuipéua, Cucuí, Vira-Volta, Parna-Miry, Atumã e Arapiry. Os 15 com reforços dos jogadores da: Boca Nova, Fé em Deus, Igarapé da Raiz, mas a diferença veio dos vaqueiros de Porão e da fazenda Capintuba com os negos raçudos, alcunhado de "Marajoaras" - oriundos da ilha do Marajó. As mulheres nas torcidas de ambos os lados, faziam figas nos dedos, rezavam e promessas; as saias e vestidos não tinham lugar para dar mais um nó; a cabeça cheias de capim, folhas e galhos. A torcida dos 12 com o nome de "Coivara em Chama", já outra com o nome de "Arranca Toco". De vez em quando invadiam o gramado em sinal de prptesto e xingavam na base da avacalhação: toco mole, toco queimado, toco podre, toco gitinho ou pequeno toco. O côro da outra era: virou cinza,  água no fogo, madeira ruim. No segundo tempo, as torcidas, expulsavam os bandeirinhas, - um presságio ou aviso do que ia acontecer com o gaiato do apito. Cada jogador ganhou um apelido, tipo: Peitica, Dente de Cititu, Tromba de Anta, Nariz de Jacaré, Braço de Boi Búfalo, Cabelo de Preguiça, Cara de Mucura, Canela de Saracura, Rabo de Tatu, Boca de Sapo, Tucandeira, Caveira, Alma Perdida. Lombriga de cu de pobre, Venta de Tucano, Bicicleta Sem Freio, etc. O jogo durou 150min, o árbitro torcendo por um empate pra ficar numa boa com todos. Os últimos 15min, alguém gritou: "é hora da macaca" e começou o agarra-agarra, empurra-empurra, ; chute pra todo lado e o quebra-quebra e pra onde a bola ia, amontoavam-se todos naquela roda entrelaçada de corpos de várias cores e proporções. Uma espécie de luta do vaele tudo. O árbitro de nome Picareta, mas tinha outros apelidos: Covador, Bunda Mole, Ferrugem, Tapa Buraco, "Enxadeco", etc, com medo escalou uma cerca de arame farpado de 3 a 4 metros de altura, correu pro curral do seu Zé Rocha, assustando o gado preso,  dona Cota Rocha, que estava queimando cocô de gado, por causa da fumaça, bom pra espantar meruim, ficou com meso, colocou pra dentro de casa as crianças pequenas que estavam no terreiro brincando, juntou-as a sua mãe Leonília e a sua sogra Tereza, jurou ter visto uma alma passar no meio do gado; aventando ser uma alma depenada ou liberta de algum túmulo de 7 palmos bem medidos do barro vermelho e linguento, diante do belo oratório antigo com o Cristo Crucificado e uma linda imagem secular de Nossa Senhora, passara a rezar o terço, cantar ladainha e bendidtos. Disse as anciãs: Deus coloque essa alma em  bom lugar. Dona Cota respondeu de boca fechada: "Hum! Deus coloque onde ela merece!".

Fonte: Paróquia Nossa Senhora das Graças de Vila Antonieta - São Paulo-SP

Pesquisado por Roberto Mesquita - Em conta com Pe. Waldomiro, ele nos autorizou a publicação do seu texto acima prescrito.


postado por 69655 as 03:12:19 # 0 comentários
"Minha linda Alenquer".


Letra e música de José do Valle.                                                                                             

Rio Surubiú / Tu que banhas esta cidade / De encantos mil / Se perguntarem onde ficas / Eu respondo que estás / No coração do Brasil / Minha linda Alenquer / De ximango hospitaleiro / Que não te esquecerá / Os teus filhos quando nascem / Trazem como escudo / O rio Itacarará.

Sinto vontade de tudo / Até mesmo voltar a mocidade / Quando lembro do banho gostoso / E o luar da praia da Saudade.

Fonte: Revista da Paróquia Nossa Senhora das Graças de Vila Antonieta - São Paulo-SP.

Pelo Pe. Waldomiro Vasconcelos (alenqurense) - Que gentilmente autorizou a colocarmos seus textos em nosso Blog.


postado por 69655 as 11:49:31 # 0 comentários
Os judeus em Alenquer - Última parte.


A viagem de Henrique Veltman até em Alenquer - Num Fiat 147 disfarçado de taxi, resolvemos enfrentar uma viagem de duas horas até Alenquer, outra cidade da Amazônia onde, segundo nossos informantes de Belém "não há mais judeus". É uma viagem, no mínimo, empolgante. A mais de 120 km horários, o Fiat voa por um caminho de terra . Macacos, saguis, araras, periquitos, cobras, aitius, espiam assustados durante todo tempo. Num certo momento, o carro precisa ser transportado de balsa, pelo rio Curuá.  Por onde garimpar os judeus?. Descemos uma rua, chegamos ao cais e o impulso nos conduz a uma casa baixa, muitas janelas, uma placa à porta: "Esta é a residência de Abrão Fima e família: Alenquer, 1967". A porta está aberta e uma pessoa lê, vestido apenas de short. Batemos palmas, pedimos licença. Somos colorosamente recebidos. O que procuramos, hebráicos? Pois já encontraram. Abrão Fima é falecido e a viúva está em Manaus. Mas, os filhos, caboclos, sabem de tudo. Abrão era filho de Rachel e Jacob Fima, ambos de Tanger. Nasceu em 1909, chegou ao Brasil em 1930, faleceu em 1972. A esposa não era judia, "não há hebráicos em Alenquer", explica o filho Max Diniz Fima, que por sua cor escura, é conhecido na cidade como o "judeu preto". Abrão era judeu praticante e culto. Nas diversas reuniões dos clubes de serviço da cidade, tipo Rotary, era ele quem, em nome da comunidade hebráica, apresentava e defendia os pontos de vista dos israelitas. Foi um homem importante e conhecido, que sabia como era vã a glória do mundo. Tanto que não teve dúvidas, ele próprio mandou fazer e colocar a placa na porta de sua casa. Porque não há ruas ou escolas em Alenquer que lembrem o seu nome. Teve seis filhos, José, Max, Jacob, Jackson, Carlos Alberto e Raquel. Três desses filhos retornaram ao judaísmo, mudando-se para Manaus e integrando-se ao Ishuv (comunidade) local. Max Fima, em Alenquer, herdou o patrimônio do pai e toca os negócios da família. Seu "feeling" judáico é extraordinário. Sente-se judeu, arranha alguma coisa em hakitia e guarda com grande zelo os sidurim e os livros do pai. É o próprio Max quem conduz a outros hebráicos em Alenquer, especialmente Ruth Athias, ex-professora e alta funcionária do Banco do Brasil. Enquanto aguardamos a Ruth, Max nos conta que até a morte do seu pai, os judeus de Alenquer reuniam-se na casa do "seu" Shalo. Em Belém, ele e Jacob frequentavam as duas sinagogas e o Grêmio Azul e Branco. Jacob jejua no Kipur e coloca, quando pode, os tefilin. Seu pai Abraão passou 30 anos sem sair de Alenquer.

Ruth Athias nasceu em Alenquer em 1950. Era filha de Jacob Amiram Athias e da Aduzinda Coelho Athias. Tem dois irmãos, Rubens e Noemi. Sabe que o pai veio de Marrocos fracês e viveu a partir dos 12 anos, numa olaria em Oriximiná. Foi casado duas vezes: do primeiro casamento teve dois filhos, um dos quais vive no Rio de Janeiro. O outro, Jonathas Athias, falecido hà alguns anos, foi Secretário da Educação do Estado do Pará. Ruth sempre procurou fazer o jejum do kipur, "sem muito sucesso". Ma, fala com carinho de Pessach (Páscoa), do matzá (pão ázimo) e do vinho casher (ritualmente puro). Ela se corresponde regularmente com o primo Yehuda Athias, que vive em Hifa, e mostra com orgulho o bronze comemorativo da Querra dos seis dias. Ela demonstra claramente que se envaidece da origem judáica e não precisaria de muito esforço para retornar ao judaísmo praticante.

Na mesma  Alenquer, uma figura extraordinária: Ambrósio Benzaquen. Seu avô "foi vizir na corte do sultão de Marrocos". Seu pai, David Benzaquen, um chacham que enriqueceu no Brasil. A mãe, uma cabocla chamada Maria Nepomucena Rodrigues. Ela nasceu em Barreirinha, no Amazonas em 1913. "Viveram ajuntados 18 anos", conta Ambrósio. Tiveram cinco filhos (Fortunato, Rachel, Amélia, Rafael e Ambrósio), separaram-se em 1922. E por que? "Papai conheceu, em 1922 uma moça judia. Casou-se com ela. Não quis nos desamparar, mas mamãe ficou furiosa e não quis aceitar o "arranjo" que ele propôs. Ambrósio teve dez filhos, 56 netos, 4 bisnetos. Vive numa maloca de Alenquer, onde fabrica vassouras. Antigamente, trabalhava para Isaac Hamoy, de Óbidos, na comercialização de castanhas. "Meu pai era um homem rico, tinha 17 "negócios". E muitas canos de regatão. Tinha um empregado, Clodoaldo, cuja única função era nos levar a passear pelo rio". Benzaquen lembra com detalhes a figura do primo David Zara Benzaquen, a quem chamava de tio, e que era responsável pelas festas. Faziam Sucot (festas das cabanas), Passach (Páscoa), jejuavam no Ion Kipur. Ambrósio sabe que teria direito a uma parte da herança do pai, casado em Parintins com uma judia da família Mendes. Mas não é homem de brigar por essas coisas, "especialmente nesta fase da minha vida", resmunga.

Fonte: "Os hebráicos da Amazônia" - Autor:  Henrique Veltman.

Pesquisado por Roberto Mesquita - "O sr. Veltman gentilmente me autorizou a publicar estes textos acima supra citados".


postado por 69655 as 08:05:28 # 2 comentários
quinta, 16 agosto, 2007
Os judeus em Alenquer - Parte 01.


Um dos patriarcas dos hebráicos da Amazônia, Moisés Benguigui chegou a Belém no dia 09 de junho de 1909, vindo de Manaus. Hospedou-se na sinagoga da rua das Indústria e, dias depois, a chamado do seu tio, embarcou para Marapani, um lugarejo situado às margens do rio Solimões, na região conhecida como Coarí. Lá, Moisés abriu uma bodega: servia cachaça, fumo e farinha aos caboclos, e deles recebia o sernambí (borracha), algumas castanhas, óleo de copaíba. Dez anos ficou Benguigui em Coarí. Em 1919, a convite de David Azulay, mudou-se para Oriximiná, próximo a Óbidos, no rio Amazonas, e meteu-se na charqueação de gado. - A borracha já estava em crise, explicou Moisés. Era preciso buscar outros meios de ganhar a vida.

Em 1931, ele foi até Alenquer, na mesma região, para casar com dona Ester Alves, filha de Alenquer, cujos pais vinham de Rabat e de Lisboa. Com Ester Alves (na origem, El Baz), teve oito filhos , cinco homens e três mulheres. As três vivem hoje em Israel. Em 1983, já tinha mais de trinta (ou seriam quarenta?) netos, indagava ele mesmo, incrédulo. Na sinagoga Sharr Hashamayim, na rua Arcipreste, em Belém, já centenário, Moisés Benguigui, lúcido, acompanhava todo o serviço. E a cada tropeço do rabino Hamu, não hesitava em corrigi-lo, publicamente.

Fonte: Os hebráicos da Amazônia - Por Henrique Veltman.

           Pesquisado por Roberto Mesquita.


postado por 69655 as 03:17:48 # 0 comentários
Curiosidades sobre Alenquer - Por Teodoro Braga (1916)


Alenquer, cidade sede do município do seu nome, situado na confluência do Igarapé do Itacarará com o Rio Surubiú, dista da capital 1.086,25 Kilms. Comunica-se com a capital por vapores da The Amazon River, e das Casas Luiz de Mendonça e B. Levy, gastando 75 horas; a preço da viagem é 69$000. O Estado mantém aí o Grupo Escolar Fulgêncio Simões. A cidade é sede da Comarca de Alenquer, com um só distrito e duas circunscrições judiciárias. Seus principais produtos de exportação são: cação, castanha e borracha. População  de 17.500 habitantes. A municipalidade consta de um Intendente e oito vogais. Tem agência do Correios e Estação de Telégrafo sub-fluvial da Amazon Telegraph Company Ld.

Fonte: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros - Pg.265 - Alenquer-Pa.


postado por 69655 as 01:20:47 # 0 comentários
ALENQUER


Alenquer - Cidade querida por todos. Teu povo faz com que isso aconteça. O alenquerense, por mais distante que esteja, sempre se lembra do seu torrão natal e quando não pode visita-lo quer saber o que se passa por lá. É a terra abençoada pelo padroeiro Santo Antonio que tem como coadjuvantes São Benedito na Luanda e São Sebastião no Aningal. Todos, sem exceção, as pessoas que por Alenquer passam ou moram, ficam encantada com a dedicação, a amizade, o aconchego do alenquerense ximango. É impressionante, não é bairrísmo, mas todo alenquerense sente um orgulho indescritível quando expressa: Eu sou alenquerense! Eu nasci em Alenquer.

As reuniões de alenquerenses são todas animadas! Não há tristeza ao encontrar-se com outro alenquerense, principalmente na recordação da infância, no Largo da Igreja de Santo Antonio, na rua da frente, nos banhos do rio surubiú, do itacarará, do curunum, do seringal, da praia da saudade, do trapiche, dos jogos de pelada nas ruas ou nos campos de futebol, enfim, recorda-se todos os grandes e inesquecíveis momentos da peraltice. Não esquecemos as piracaias com o incontestável e mais gostoso de todos os peixes, o acarí. Agora, trazidos para Belém, a fim de satisfazer o gosto do alenquerense. É uma felicidade só, o encontro de alenquerenses. Como já disse o poeta: "Alenquer, é a a terra que jamais se esquece"

Colaboração do amigo e conterrâneo Emídio Rebelo.


postado por 69655 as 08:10:45 # 0 comentários
quarta, 15 agosto, 2007
Luar e sol no caminho de Alenquer - Por Gabriel Hermes Filho.


A impressão do viajante atento a todas as coisas do caminho do Baixo Amazonas é de quem contempla, um pintor da imensa tela, o Criador de todas as coisas, oferece aos olhos do observador beleza e repouso. Viajamos dias e noites dentro dessa moldura onde se destaca o sol radiante das madrugadas, a sua suave noites de luar, nuanças  várias de verdes, avançando em busca de um painel longínquo que se alonga até o infinito. A visão não cansa, ao contrário, atrai os viajante a seguir pelos caminhos cheios de curvas traçadas das águas que percorre. No município e na cidade de Alenquer o progresso se operou lentamente e com esforço de seu povo. A partir do ano de 1900, informa o relatório do governador Paes de Carvalho, as colônias da Estrada Lauro Sodré tiveram a assistência da administração estadual porque estavam "situados em terreno "Ubérrimo" e sumariamente futuroso pela fertilidade das terras em que achavam". Esta, com todas as demais colônia da região, entretanto, não prosperavam, dada a prática primária dos processos de trabalho dos agricultores. A população do município, segundo o recenciamento de 1950, era de  16.477 habitantes. O que dá vida a economia do município é a indústria extrativista, a produção da castanha do Pará e a balata. Apresenta-se também, como fonte de renda a colheita de conchas do "Itá", retiradas do fundo do igarapé do Lago, trabalho penoso a que se dedicam os caboclos nos meses de outubro a dezembro, época das águas baixas. A juta está entre as principais culturas da região. Nas várgeas, sem assistência alguma dos governos, se dessenvolve, com intencidade, a pecuária. Alenque cresce. Sua população operosa sofre, no entanto, desde o passado, as  consequências de "ódios políticos" e de lutas regionais, que entravam o progresso da comuna. Já no ano da Intendência do Brasil, relata Moreira Pinto, no seu "Dicionário Histórico e Geográfico do Brasil", que as rivalidades levaram Alenquer a perder o predicamento de Vila. A semente da discórdia ainda percorre a promissora região, dificultando o seu progresso. Os alenquerenses ou os nativos, denominados de "ximangos", são bravos e trabalhadores, e tudo indica que o município está fadado a situar-se entre os mais próspero do Estado. Para isso contribuirão seu povo laborioso, suas terras e uma natureza pujante.

Fonte: O livro "Baixo Amazonas" - Editora Leitura S.A.

           Biblioteca Pública do Pará - Páginas 45 e 46.

           Pesquisado por Roberto Mesquita.

         


postado por 69655 as 06:45:33 # 0 comentários
Carta de amor desesperado.


Sabes, Alenquer, que abandonei o Rio de Janeiro em plena mocidade, com um livro de poemas lançado e elogiado, quando ela era a Cidade Maravilhosa ainda capital do Brasil. Troquei o Rio por Alenquer, interrompi a minha carreira literária e os meus estudos de Direito, só para te ver de novo. Voltei para casa dos meus pais como um filho pródigo. E me perdi nos teus campos, nos teus rios e nas tuas ruas. Me embrenhei pelas tuas matas e fiz do teu povo cúmplice das minhas serestas. Dos meus sonhos, dos meus amores, das minhas esperanças e de minhas loucuras. Fui teu vereador, teu promotor e teu juiz. Depois fui teu representante na Assembléia Legislativa do Estado. Fui teu representante no governo. E eu e o teu povo reconstruímos o teu trapiche, fizemos o teu campo de pouso. Conservamos as linhas arquitetônicas da Prefeitura e reconstrímos o Grupo Escolar Fulgêncio Simões. E cada bairro tinha seu clube: União Esportiva, no centro; Aningal, no Aningal; e, na Luanda, o Internacional. Construímos teu estádio e os clubes disputavam o melhor futebol. Era um tempo feliz para o teu povo, que produzia castanha, balata, juta, semente de juta até para exportar. Tinha as tuas grandes e pequenas fazendas de gado e um povo trabalhador agasalhado nas colônias, produzindo alimentos até para abastecer Belém e Manaus. Chegaste a ter usinas de beneficiamento de arroz e beneficiamento de pirarucu melhor que o bacalhau. Te davas o luxo de exportar os teus peixes de pele e quardar os teus peixes de escama para a tua gastronomia. E tua frente da cidade era limpa e desembaraçada, para o teu olhar acompanhar a correnteza do nosso pequeno e tortuoso rio. Não tinha as favelas que hoje enfeiam a tua fachada.Chegaste a ser, em importância, a terceira cidade do Pará. Não tinhas um trapiche caindo, uma prefeitura destelhada, um campo de pouso interditado, um estádio em ruínas e três clube sociais definitivamente fechados. Tinhas famílias, Alenquer. Tinhas grandes fazendeiross, milhares de agricultores, pequenos criadores e uma produção que te sustentava. Tinhas sociedade. Tinha liberdade. Tinhas identidade. O teu povo tinha cidadania da qual muito se orgulhava. Hoje, és município falido. Pior do que isso, és um município de um povo falido, que depende de Óbidos, de Monte Alegre e de Santarém para sobreviver. Comercialmente, és um subúrbio desssas cidades. És um município que vive somente do dinheiro da Prefeitura, isto é, do dinheiro arrecadado pelo Estado e pela União. E, lamentavelmente, parece que do dinheiro do trânsito do narcotráfico. Eu, que te amo tanto, tenho que estar desesperado. Desesperado por ver teus rios, nas tuas estradas e nas tuas ruas uma população de crianças e jovens completamente abandonada. Sem perspectiva de qualquer trabalho. Jovens, homens e mulheres que não tem um destino, porque a cidade, o município, não oferece qualquer perspectiva profissional para essa juventude maravilhosa. E não é só o ensino que não capacita nas escolas. É o município mesmo, a cidade mesma que não oferece oportunidade. Não tem mais agricultura, não tem mais comércio independente, não tem qualquer indústria, não tem serviços nem mesmo artesanato, que possam empregar a mão-de-obra ociosa, quanto mais os milhares de jovens que saem da adolescência e das escolas. Esvaziaram-se a tua ricas várgeas, dizimaram-se os castanhais, os cumaruzais e os balatais que a natureza nos confiou tão pródigos. E os nossos rios e os nossos lagos tão piscosos, hoje servem apenas de reservas para outras cidades. A terra roxa, a terra fértil, que foi atravessada pela nossa única estrada, além de perder a sua floresta, foi transformada em capoeiras e pastos. A outrora florescente pecuária está estagnada. Os laranjais do Cuipéua estão acabando e nehuma plantação de espécies permanentes existe nas nossas terras. As instalações em ruínas da Cibrazem, com seus armazéns e frigoríficos desativados e o próprio prédio da Cooperativa, são os exemplos maiores dessa defasagem. Mesmo assim, Alenquer, eu te amo tanto que tenho que estar desesperado. Não é só por tua causa. É por causa de mim mesmo, que fui arrancado do teu seio há 30 anos, desde 1964. Deves te lembrar de mim passando pelos teus rios e pelas tuas ruas quase nu, descalço, amarrado e algemado. Só porque dedicava toda a minha vida ao teu povo. E aí, eu fui acusado também de comunista e subversivo. E por 20 anos completamente marginalizado da vida pública. Nada do que eu fui depois, Procurador Geral do Estado, Deputado Federal e Constituinte, dependeu do teu voto. Belém, Marabá, Ananindeua me elegeram cidadão de novo. E eu estou vivo, como escritor e pensador, não para chorar por ti, mas para te amar desesperadamente.

                                                                                                    Benedicto Monteiro.


postado por 69655 as 10:56:39 # 2 comentários
Apanhados históricos de Alenquer - Parte 02.


1° Conselho Municipal de Alenquer - 1890:

A Comarca Municipal de Alenquer foi dissolvida por decreto nº107, de 15/03/1890 e criado um Conselho de Intendencia  pelo decreto nº108 da mesma data, composta por sete membros, sendo um presidente e seis vogais (hoje vereadores), todos nomeados pelo governador do Estado. Para este Conselho foram nomeados os seguintes cidadões: Dr. Fulgêncio Firmino Simões, presidente (era presidente da Câmara dissolvida), e os vogais: Capitão Thiago Serrão de Castro, alferes Manuel Felipe de Vilhena, Luiz Rabello Duarte, João Antonio Barroso, João Possidônio Martins e José Francisco da Silva Duarte, os quais tomaram posse, em sessão solene no dia 07/04/1890 (Fonte: Gazeta de Alenquer, ano VII, nº195, de 09/04/1890).

O governador Lauro Sodré baixou o decreto nº385, de 08/08/1890 para a eleição do 1º Conselho Municipal, a qual realizou-se em 10/10/1890, foi eleito para Alenquer o primeiro Intendente, sr. Eugênio Nunes da Costa Marques, o capitão João Possidônio Martins, major Joaquim Bentes Rabello, major Ivo Antonio Picanço de Azevedo, tenente Luiz Rabello Duarte, Jonathas Juvenal Maya e José da Costa Homem, vogais.

Fonte: Livro - Município de Alenquer, autor Fulgêncio Firmino Simões.

          Pesquisado por Roberto Mesquita.


postado por 69655 as 05:47:33 # 1 comentários
 
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