
A impressão do viajante atento a todas as coisas do caminho do Baixo Amazonas é de quem contempla, um pintor da imensa tela, o Criador de todas as coisas, oferece aos olhos do observador beleza e repouso. Viajamos dias e noites dentro dessa moldura onde se destaca o sol radiante das madrugadas, a sua suave noites de luar, nuanças várias de verdes, avançando em busca de um painel longínquo que se alonga até o infinito. A visão não cansa, ao contrário, atrai os viajante a seguir pelos caminhos cheios de curvas traçadas das águas que percorre. No município e na cidade de Alenquer o progresso se operou lentamente e com esforço de seu povo. A partir do ano de 1900, informa o relatório do governador Paes de Carvalho, as colônias da Estrada Lauro Sodré tiveram a assistência da administração estadual porque estavam "situados em terreno "Ubérrimo" e sumariamente futuroso pela fertilidade das terras em que achavam". Esta, com todas as demais colônia da região, entretanto, não prosperavam, dada a prática primária dos processos de trabalho dos agricultores. A população do município, segundo o recenciamento de 1950, era de 16.477 habitantes. O que dá vida a economia do município é a indústria extrativista, a produção da castanha do Pará e a balata. Apresenta-se também, como fonte de renda a colheita de conchas do "Itá", retiradas do fundo do igarapé do Lago, trabalho penoso a que se dedicam os caboclos nos meses de outubro a dezembro, época das águas baixas. A juta está entre as principais culturas da região. Nas várgeas, sem assistência alguma dos governos, se dessenvolve, com intencidade, a pecuária. Alenque cresce. Sua população operosa sofre, no entanto, desde o passado, as consequências de "ódios políticos" e de lutas regionais, que entravam o progresso da comuna. Já no ano da Intendência do Brasil, relata Moreira Pinto, no seu "Dicionário Histórico e Geográfico do Brasil", que as rivalidades levaram Alenquer a perder o predicamento de Vila. A semente da discórdia ainda percorre a promissora região, dificultando o seu progresso. Os alenquerenses ou os nativos, denominados de "ximangos", são bravos e trabalhadores, e tudo indica que o município está fadado a situar-se entre os mais próspero do Estado. Para isso contribuirão seu povo laborioso, suas terras e uma natureza pujante.
Fonte: O livro "Baixo Amazonas" - Editora Leitura S.A.
Biblioteca Pública do Pará - Páginas 45 e 46.
Pesquisado por Roberto Mesquita.














