
Um dos patriarcas dos hebráicos da Amazônia, Moisés Benguigui chegou a Belém no dia 09 de junho de 1909, vindo de Manaus. Hospedou-se na sinagoga da rua das Indústria e, dias depois, a chamado do seu tio, embarcou para Marapani, um lugarejo situado às margens do rio Solimões, na região conhecida como Coarí. Lá, Moisés abriu uma bodega: servia cachaça, fumo e farinha aos caboclos, e deles recebia o sernambí (borracha), algumas castanhas, óleo de copaíba. Dez anos ficou Benguigui em Coarí. Em 1919, a convite de David Azulay, mudou-se para Oriximiná, próximo a Óbidos, no rio Amazonas, e meteu-se na charqueação de gado. - A borracha já estava em crise, explicou Moisés. Era preciso buscar outros meios de ganhar a vida.
Em 1931, ele foi até Alenquer, na mesma região, para casar com dona Ester Alves, filha de Alenquer, cujos pais vinham de Rabat e de Lisboa. Com Ester Alves (na origem, El Baz), teve oito filhos , cinco homens e três mulheres. As três vivem hoje em Israel. Em 1983, já tinha mais de trinta (ou seriam quarenta?) netos, indagava ele mesmo, incrédulo. Na sinagoga Sharr Hashamayim, na rua Arcipreste, em Belém, já centenário, Moisés Benguigui, lúcido, acompanhava todo o serviço. E a cada tropeço do rabino Hamu, não hesitava em corrigi-lo, publicamente.
Fonte: Os hebráicos da Amazônia - Por Henrique Veltman.
Pesquisado por Roberto Mesquita.














