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sexta, 17 agosto, 2007
Cronologia e a trajetória do Padre ximango Waldomiro Vasconcelos - 1ª Parte.


O fato aconteceu às 5h da manhã do sábado de 28 de junho de 1956, magnífico dia de sol dourado. Meus tios Alberto e Leonílio, foram avisar meu pai, que ficou surpreso com a notícia. A mãe que esperava pegar o meu pai, imbecil, patife e ordinário nos braços da puta escrota, safada, sem-vergonha, vagabunda, cachorra e outros palavrões bem pesados. E o plano, caiu por terra... O pai deu apenas um galope no seu belo e desejado cavalo, sumindo na mata virgem. Quando me viu, balançou a cabeça e não acreditando, tomou-os em suas mãos; ficou mudo e pela primeira vez depois de adulto chorou na vida. Era ateu de primeira categoria e disse: "Senhor Deus se existis, fazei que ele viva e dai-me: coragem e empenho para trabalhar e criá-lo este passarinho que parece um filhote de pepira". Logo, ganhei este agrado de 'Pepira". Contam em casa que o papai ficou muito emocionado e impressionado com o meu peso e tamanho: 25 cm e 500g, raquitico, só pele e de cor roxa-preta e choro. Ele nunca havia pegado um filho antes de andar; ficava horas a fio comigo em suas mãos olhando admirado. Dessa vez não foi a parteira que preparou o mijo para os oito dias de comemoração. Foi o "cabra macho" do meu pai. Soltou um foguete de dois tiros, em aviso aos vizinhos que nasceu um menino "macho da peste", coisa da "gota-serena". Ele fez explodir os fogutes da taberna e disparou todos os cartuchos de espingardas, trabucos, rifles e do seu revólver. Os vizinhos distantes, disseram: "nasceu um moleque e haverá festa dançante e torneio de futebol, pra banda do Bom Futuro". Á tarde e a noite, apareceu gente de todo lado e assim foi o sábado e o domingo, festa de alegria com o nascimento do mais "querido" do pai. Na bola, venceu o time dos Casados 7 X 5 para o time dos Solteiros, isso no sábado. O meu pai fazia parte do vencedor e os tios do perdedor. No domingo venceu os Castanheiros: 12 X 3 para os Lavradores. Seu Horácio (pessoa de prestígio e fama), mandou reunir os músicos da região do Camburão (núcleo de cearenses) e Uirapuru - beira do rio Curuá. Uma festa que até hoje ninguém esquece... Passados ste dias a vovó disse: "Escapou"!!! Tenha cuidado com o mal dos três vezes sete...Pela lógica dos costumes da tradição e da crendice popular da Amazônia, devia morrer antes de completar 7, ou 14 ou 21 anos. Pai e mãe estavam contentes e felizes. No oitavo dia todo cuidado foi pouco com o transporte do menino e sua mãe para a residência principal no Km 15 - Comunidade Nossa Senhora de Nazaré, onde existe a primeira Capela construída de alvenaria no interior do município. No sábado, na boca da noite até o raiar do dia a "festa dançante", com o conjunto do Zé Lima do Cipoal. Ele no saxfone, Ciriaco na bateria, os Mucuras no banjo e no violão, os Raposas no canto e na animação. Os casais de namorados menos sérios, pra debaixo do escuro das velhas mangueiras, outros para o bananal, outros no cacual, outros no siringal, haja festa no mato! Porém, as famílias, a juventude séria e as viúvas aproveitaram para dançar variedades, numa bela exibição, teve casal de dançarino que desmaiou de cansaço e prazer. O povo não esquece o prosa do Severino, vestido numa calça de tergal azul escuro, camisa de lamê azul claro e sapato durabel preto, dançando com a pavulagem de sua namorada Raimunda "come-vidro". Vieram pessoas conhecidas e amigas da família de várias Comunidades: Colônia Nova, Morros, Curumu, Paracary, Marajá, Bom-que-dói, Macupixy, Canacupá, Cumacaxy, Cuitêua, Macurá, Vila Curuá (hoje Cidade do Curuá), Vila Mamiá e um grande grupo de negros do Pacoval, onde o Cumba, ofertou o "Remédio dos Pretos". Cura picada de qualquer inseto da Amazônia. Uma espécie de soro anti-ofídico. Apresentaram o Cordão de Santa Luzia e dançaram Marambiré (fora de época só em ocasião extremamente especial). Os negros Marajoaras do Porão, apresentaram o seu Cordão de Pássaros, com a bela Dança do Tangará do Balatal. No domingo aconteceu o Clássico do futebol da  Colônia: o time dos 15 - 13 X 11 do time dos 12. Uma guerra das torcidas à beira do Campo do Km 16,... Propriedade do senhor José Rocha, com castanheiras floridas e a ramanada para as festas dançantes. Dentro das quatros linhas uma batalha épica, em homenagem ao recém-nascido. Os os times, compostos de lavradores rurais, castanheiros, balateiros, cumaruzeiros e vaqueiros de fazendas. Os 12  com reforços dos vaqueiros vindos do Arariquara, Cuipéua, Cucuí, Vira-Volta, Parna-Miry, Atumã e Arapiry. Os 15 com reforços dos jogadores da: Boca Nova, Fé em Deus, Igarapé da Raiz, mas a diferença veio dos vaqueiros de Porão e da fazenda Capintuba com os negos raçudos, alcunhado de "Marajoaras" - oriundos da ilha do Marajó. As mulheres nas torcidas de ambos os lados, faziam figas nos dedos, rezavam e promessas; as saias e vestidos não tinham lugar para dar mais um nó; a cabeça cheias de capim, folhas e galhos. A torcida dos 12 com o nome de "Coivara em Chama", já outra com o nome de "Arranca Toco". De vez em quando invadiam o gramado em sinal de prptesto e xingavam na base da avacalhação: toco mole, toco queimado, toco podre, toco gitinho ou pequeno toco. O côro da outra era: virou cinza,  água no fogo, madeira ruim. No segundo tempo, as torcidas, expulsavam os bandeirinhas, - um presságio ou aviso do que ia acontecer com o gaiato do apito. Cada jogador ganhou um apelido, tipo: Peitica, Dente de Cititu, Tromba de Anta, Nariz de Jacaré, Braço de Boi Búfalo, Cabelo de Preguiça, Cara de Mucura, Canela de Saracura, Rabo de Tatu, Boca de Sapo, Tucandeira, Caveira, Alma Perdida. Lombriga de cu de pobre, Venta de Tucano, Bicicleta Sem Freio, etc. O jogo durou 150min, o árbitro torcendo por um empate pra ficar numa boa com todos. Os últimos 15min, alguém gritou: "é hora da macaca" e começou o agarra-agarra, empurra-empurra, ; chute pra todo lado e o quebra-quebra e pra onde a bola ia, amontoavam-se todos naquela roda entrelaçada de corpos de várias cores e proporções. Uma espécie de luta do vaele tudo. O árbitro de nome Picareta, mas tinha outros apelidos: Covador, Bunda Mole, Ferrugem, Tapa Buraco, "Enxadeco", etc, com medo escalou uma cerca de arame farpado de 3 a 4 metros de altura, correu pro curral do seu Zé Rocha, assustando o gado preso,  dona Cota Rocha, que estava queimando cocô de gado, por causa da fumaça, bom pra espantar meruim, ficou com meso, colocou pra dentro de casa as crianças pequenas que estavam no terreiro brincando, juntou-as a sua mãe Leonília e a sua sogra Tereza, jurou ter visto uma alma passar no meio do gado; aventando ser uma alma depenada ou liberta de algum túmulo de 7 palmos bem medidos do barro vermelho e linguento, diante do belo oratório antigo com o Cristo Crucificado e uma linda imagem secular de Nossa Senhora, passara a rezar o terço, cantar ladainha e bendidtos. Disse as anciãs: Deus coloque essa alma em  bom lugar. Dona Cota respondeu de boca fechada: "Hum! Deus coloque onde ela merece!".

Fonte: Paróquia Nossa Senhora das Graças de Vila Antonieta - São Paulo-SP

Pesquisado por Roberto Mesquita - Em conta com Pe. Waldomiro, ele nos autorizou a publicação do seu texto acima prescrito.


postado por arcozellos as 03:12:19 #
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