
A colônia alenquerense chora a morte de Antônio Aldo Arrais, poeta, jornalista, historiador, escritor, advogado e político que deixou o solo xiamango para, em São Paulo e Brasília, curar-se de uma terrível doença que o levou a demonstrar mais ainda a sua força interior de homem que amava a vida e por ela lutava com a pujança de um destemido. Aldo Arrais amava a sua terra natal ximanga como a própria vida. Alenquer perdeu um filho ilustre, de ímpar coragem e infulgar inteligência. Cedo, ainda garoto, deixou Alenquer para seguir estudos ginasiais em Belém e, no Colégio Nossa Senhora do Carmo, demonstrou, imediantamente, que aquele ximango possuía uma energia inconfundível, destacando-se de maneira fugaz entre os melhores alunos. A cuíra que lhe consumia a mente para voltar ao torrão natal não permitiu que continuasse os estudos. E aí se reconhece de um modo puro e pleno que Aldo Arrais, repetimos, o poeta, jornalista, historiador, escritor, advogado e político, era todo Alenquer. O amor que dedicou à terra ximanga com nada, nada mesmo, confunde-se e compara. Supomos, supomos não, temos certeza e convicção de que Aldo Arrais, no seu leito de dor, jamais, em um minuto sequer, divagou sem ter Alenquer presente em seu pensamento. Dificil é descrever o sentimento e as ações de uma pessoa como Aldo Arrais para com sua terra natal. No entanto, podemos refletir e avaliar o que fez durante décadas. Ele teve a primazia de elevar Alenquer na poesia, nas canções, nos artigos jornalísticos - ele era colaborador de O Ximango, - nos folguedos, no folclore, nos contos, nas crônicas, enfim, nas suas tão comoventes orações. É dificil também retroagir no tempo para lembrar tudo o que Aldo Arrais fez por Alenquer. A sua mania era Alenquer. O seu cotidiano era Alenquer. A sua alegria era Alenquer. A sua tristeza também era Alenquer. Tudo para o Aldo Arrais era Alenquer. Portanto, Aldo Arrais, tu não morreste para Alenquer. Tu continuas e continuarás vivo no solo alenquerense e no coração ximango. Não chegaste a ser imortal da Academia Paraense de Letras. Merecias. Mas serás lembrado como imortal das terras ximangas, pois as letras do teu nome ANTONIO ALDO ARRAIS representam ALENQUER, ALENQUER, ALENQUER. E assim serás sempre lembrado como um paladino das terras ximangas.
Fonte: Livro: "Transamazônicos - Topgrafia lírica de Alenquer - poemas Aldo Arrais".
Editorial de O Ximango, publicado em julho de 1997, mês da morte do poeta.














