ARQUITETURAS: apontamentos de aulas
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sexta, 25 agosto, 2006

Aula 8 – ARQUITETURAS DAS ANTIGAS CIDADES ROMANAS

8.1 – Roma entre os limites: a unificação do território mediterrâneo

“Todos os caminhos levam a Roma!”.

A unificação do território mediterrâneo remonta ao próprio acontecimento que é o desenvolvimento do domínio etrusco (séculos VII e VI a.c.) pela Planície do Pó até a Campânia (atual Itália) e ao surgimento de uma cidade como Roma nos limites de fronteira entre este território etrusco e o grego.

Esta localização da cidade de Roma será fundamental para sua afirmação – desenvolve-se, transforma-se em cidade (urbe), capital do Império e daí, atinge sua expansão física e política ao longo de extensa margem mediterrânea e área continental européia, como se sabe.

Assim, mesmo antes da afirmação de novos cultos religiosos que arrebanhavam e formavam-se por refugiados, emigrantes, colonos, (cultos que teriam de esperar, segregados territorialmente – através de rituais subterrâneos de sobrevivência) “[...] Roma conquista os conquistadores helenísticos (gregos) e vence as cidades livres (as antigas cidades-estados) ou semilivres sobreviventes do mar Mediterrâneo e Mar Egeu”. MUNFORD - A Cidade na História; op.cit.; pp.225.

Assim, “[...] o Império Romano, produto de um único centro urbano de poder em expansão, foi em si mesmo uma vasta empresa construtora de cidades: deixou a marca de Roma em todas as partes da Europa, da África do Norte e da Ásia Menor, alterando o modo de vida em cidades antigas e estabelecendo seu tipo especial de ordem, a partir do chão, em centenas de novos alicerces, cidades “coloniais”, cidades “livres”, cidades sob a lei municipal romana, cidades “tributárias”: cada qual com uma condição diferente, senão uma forma diferente”. MUNFORD - A Cidade na História; op.cit.; pp.227.

A unificação mediterrânea realizada pelo Império Romana deve-se, em muito, aos métodos de colonização adotados. Especificamente se tratando das modificações territoriais romanas estas vão muito além do saque e da coleta dos impostos: 1] criavam redes infra-estruturais e de serviços: composta de pontes, aquedutos, estradas, melhorias urbanas, linhas fortificadas, serviços públicos, áreas portuárias; 2] impunham a divisão dos lotes em áreas agrícolas cultiváveis; 3] realizavam a fundação de novas cidades e, 4] pelo menos ao final do Império, descentralização as decisões políticas.

Todavia, o estabelecimento desta “nova ordem” criada pelos romanos e muito comentada por diversos autores, incluindo posteriormente o próprio arquiteto modernista Le Corbusier, deve ser vista com olhos desconfiados – poderíamos dizer talvez uma outra ordem em muito composta pela herança estrangeira dos próprios povos conquistados. Pois, “acima de tudo, os romanos tinham um respeito empírico por qualquer ordem estabelecida, mesmo quando esta contradizia a sua própria”. MUNFORD - A Cidade na História; op.cit.; pp.227. É aí com esta mescla entre a organização territorial e a aceitação (ou adaptação, releitura, se preferirem) da cultura dos povos conquistados que talvez o significado da Roma Caput Mundi tenha se firmado: o espaço da cidade que coincide com o espaço do mundo. Não um espaço central, mas um mundo com um cérebro para ser gerido, aceitado, conquistado, adaptado, substituído...




postado por 28002 as 15:11
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