ARQUITETURAS: apontamentos de aulas
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terça, 29 agosto, 2006

8.2 – As outras faces de Roma

Existe uma expressão, sobre Roma, do poeta Rutílio Namaciano, que diz: “uma cidade fizeste deste enorme planeta”. Todavia esta imagem do Império Romano não pode se confundir com a imagem de Roma cidade (urbis). Uma coisa é ter uma idéia de uma Roma de conquistas e, com seus signos visíveis de poder, seus aquedutos, suas ruas pavimentadas e transitadas, que cortavam a sinuosidade das colinas e dos prados continentais. O império que fora uma vasta empresa construtora de cidades, fora reunido e frouxamente administrado pela incompetência desajeitada em relação à contabilidade (aos gastos), porém aberto o suficiente para empiricamente aceitar e adotar qualquer tipo de ordem, de organização, que viesse a trazer uma direção razoável ao seu futuro.

“[...] Roma jamais teve imaginação para aplicar os princípios da limitação, da contenção, da disposição ordeira e do equilíbrio à sua própria existência urbana e imperial; e deixou, tristemente, de lançar os fundamentos para a economia estável e o sistema político eqüitativo, com cada grupo efetivamente representado, que teria tornado possível uma vida melhor para a agrande cidade. Seus melhores esforços no sentido de estabelecer uma comunidade universal apenas conseguiram alcançar um equilíbrio de privilégios e corrupções”. MUNFORD - A Cidade na História; op.cit.; pp.233.

Essa mesma imagem de uma Roma Imperial, mostrada e (re)representada constantemente em filmes, histórias, etc, se assemelha ao mesmo plano de poder estatal inventado pela mesma... as grandes dimensões das estruturas públicas (cloacas, termas, aquedutos, vias, etc) são também criadas para o controle das massas. Assim, onde encontramos o que de melhor há no apogeu físico romano (cuja escala e imagem é fruto das forças militares e da engenharia), também encontramos o que há de pior no tratamento humano.

Munford, em um momento, chega a afirmar que as cloacas romanas e, sobretudo, a Cloaca Máxima, devido às suas gigantescas proporções para sanar os dejetos de milhares de cidadãos das novas cidades do império, mostram que, para os romanos, “[...] a principal atividade e finalidade última da vida é o processo fisiológico da evacuação”. MUNFORD - A Cidade na História; op.cit.

Os aquedutos, posteriores, são conseqüência da estratégia de construção das cloacas.



postado por 28002 as 08:27
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