Artigos e crônicas
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sábado, 01 agosto, 2009
o percurso da ciência

Após a fase do naturalismo e do renascimento, a ciência surge como confluente as variadas pesquisas naturalísticas dos últimos escolásticos que davam atenção para a natureza, bem como a sua explicação. O conceito da ordem necessária da natureza, elaborada pelo aristotelismo renascentista é, por fim, a doutrina de Telésio. Este, por sua vez, afirmava a analogia da natureza, a exigência de explicar a natureza por meio da natureza. Tais elementos reduzem a natureza à pura objetividade mensurável, ou seja, são integrados pela natureza.

No entanto, estes mesmos elementos se purificam por conexões metafísica-teológica. Ou seja, caracterizadas pelas doutrinas que outrora pertenciam. E é exatamente neste bojo que a ciência aparece como eliminadora de tais pressupostos que, até então, se vigoravam:

Assim a ciência elimina os pressupostos teológicos a que permaneciam vinculadas as investigações dos últimos Escolásticos; elimina os pressupostos metafisicos de aristotelismo e do platonismo, e, por fim, elimina o pressuposto animista em que assentavam a magia de Telésio (ABBAGNANO, 1982, p. 7)

E quem, de fato, merece o mérito de orientador da ciência da natureza é Leonardo da Vinci. Pois este considerou dois procedimentos para o conhecimento da natureza, a saber, arte e a ciência. Daí pode-se perceber que:

Arte e ciência assentam ambas em dois pilares de todo o conhecimento verdadeiro da natureza: a experiência sensível e o cálculo matemático. De facto, as artes, em primeiro lugar a pintura de, que Leonardo coloca acima de todas as artes, procuram nas coisas a proporção que as faz belas e pressupõem um estudo directo que procura descobrir nas coisas, mediante a experiência sensível, aquela mesma harmonia que a ciência exprime nas suas leis matemáticas ( ABBAGNANO, 1982, P. 8)

Neste sentido, Leonardo inaugura um novo modo de pesquisa científica, incluindo nela fundamento na experiência. Visto que a experiência, na concepção de Leonardo, nunca se engana e por isso é ela, a experiência, que caracteriza a ciência. Porém, o juízo poderá se enganar frente à experiência. Para que isso não ocorra, Leonardo ressalta que tais juízos devem ser reduzidos à matemática, pois:

Quem censura a suma certeza da matemática padece de confusão, e nunca porá termo às contradições das ciências sofisticas com as quais se aprende um eterno estridor (...) A experiência e o cálculo matemático revelam a natureza na sua objetividade, isto é, na simplicidade e na necessidade das suas operações (ABBAGNANO, 1982, P. 9)

Em suma, pertence ao cálculo matemático e a experiência o mérito de serem reveladoras da natureza, na sua objetividade. Neste sentido, pode-se perceber que a ciência já se fazia presente deis dos primórdios do naturalismo e do renascimento. Porém, a sua real aparição e devida aperfeiçoamento se deu em Leonardo da Vinci. A partir dele, surgiram outros filósofos-cientistas, tais como: Copérnico, Kepler, Galileu Galilei, Isaac Newton e dentre outros.

2- Empirismo tradicional, verificacionismo e falsificacionismo: Divergências e conceitos.

2.1 – Empirismo tradicional

O empirismo tradicional era o modelo que muitos cientistas entendiam a ciência. Neste patamar, a ciência era entendida como algo advindo da experiência, pois dela não havia incerteza sobre algo que tivesse sendo experimentado. Daí, o empirismo tradicional aparece como normativo, uma vez que este não pretende fazer uma mera descrição dos acontecimentos objetivos, mas uma análise de fatos da realidade. Eis, portanto o problema do empirismo tradicional: de não querer descrever a realidade, mas de analisá-la e fazer dela uma normalização. De fato, percebe-se ai uma defasagem nesta mesma normalização, como se pode notar:

Começa-se a notar que o discurso metodológico empirista tradicional encerra uma normalização constantemente defasada, com suas prescrições revelando-se frequentemente incapazes de apreender e justificar a riqueza das mutações históricas verificadas no âmbito dos sistemas de produção de conhecimento natural (OLIVA, 1990, p. 11)

O mesmo vale para o discurso metacientifico, por este achar que é unicamente a experiência a fonte mais segura de conhecimento científico:

O discurso metacientifico é um discurso de segunda ordem, produz teorias sobre a racionalidade presente nos modos científicos de produzir teorias. Isto faz com que em metaciência corramos o permanente risco de absolutizar o que é conjuntural, de propor regras inaplicáveis e de adaptar a racionalidade científica aos nossos rígidos esquemas filosóficos (OLIVA, 1990, p. 32)

2.2 – Verificacionismo

O verificacionismo, por sua vez, eleva o objeto que pode ser passado pela experiência. Ou seja, o que tem condições de ser verificável. Dizer, por exemplo, que a árvore é verde é, de fato, verificável. Basta observar e comprovar a verdadeirabilidade ou a falsificabilidade de tal premissa. Neste sentido fica claro que o verificacionismo atribui à metafísica como algo sem sentido. Sendo que esta, a metafísica, é ausente de dados que possam ser comprovados experimentalmente:

No fundo, a intenção é demonstrar que a ausência de controlabilidade experiencial não resulta propriamente de se tentar atingir estratos de realidade refratários à investigação empírica. (OLIVA, 1990, p. 40)

Embora o verificacionismo veja a metafísica como algo sem sentido, a vê como algo que não pode ser compreendido. Uma vez que ela, a metafísica, não é passível de experiência, não é possível ser chamada de ciência.

2.3 – Falsificacionismo

Já o falsificacionismo sublinha a importância de alguma teoria poder ser refutada, ou seja, de poder ser falsificada. Tendo detectado algum erro em alguma teoria científica, esta mesma deve ser eliminada e substituída por outra:

(...) é fácil obterem-se confirmações para uma teoria, bastando que as procuremos; por isso, confirmações só podem ser tidas como relevantes caso resultem de predições arriscadas e improváveis à luz de uma teoria concorrente ( OLIVA, 1990, p. 63)

Se é ciência a teoria que é passível de refutação, com base da experiência. Do contrário, é não ciência. Quem, de fato, instituiu o falsificacionismo como critério de cientificidade empírica foi Karl Popper. Este caracteriza a atitude cientifica pela busca de evidencias negativas, ou seja, de contra-exemplos.

3) Uma nova ciência, numa perspectiva de Thomas Kuhn e Paul Feyerabend.

Ambos sustentam que toda e qualquer experiência cientifica não dever ser regida, em tempos diferentes, pelos mesmos métodos que outrora se vigorava no campo cientifico. Tal método deve ser modificado devido às dimensões históricas, sociológicas, psicológicas e epistemológicas. Neste sentido, não existe um método que seja imutável no campo cientifico. Mas que para cada contexto histórico, tal método seja modificado e aperfeiçoado.

 

REFERENCIA:

ABBAGNANO, Nicola. História da filosofia – volume VI. Tradução de Antônio Ramos Rosa. Lisboa: Presença, 1982.

CHALMERS, Alan. O que é ciência, afinal? Tradução de Raul Fiker. São Paulo: Brasiliense, 1993

OLIVA, Alberto (org). Epistemologia: a cientificidade em questão. Campinas: Papirus, 1990

KOYRÉ, Alexandre. Estudos de história do pensamento científico. Tradução e revisão técnica de Márcio Ramalho. Brasília: Universidade de Brasília, 1982.



postado por Thiago Marques Lopes as 08:52:14 0 comentários




quinta, 02 julho, 2009
12º Intereclesial vai mostrar a caminhada e a força das CEBs

Entre os dias 21 e 25 de julho, a cidade de Porto Velho (Rondônia) sediará o 12° Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Neste ano, o encontro terá como tema: “CEBs: Ecologia e Missão” e o lema: “Do Ventre da Terra, o Grito que vem da Amazônia”.

Iniciado em 1975, os Intereclesiais mostram a caminhada das CEBs e cada edição apresenta um tema diferente, relacionado à realidade de vida do povo. De acordo com padre Luis Ceppi, membro da coordenação do 12° Intereclesial, o encontro tem a intenção de aprofundar e viver mais ainda os caminhos que Deus propôs, além de trabalhar a questão da ecologia.

Ceppi explica que a Amazônia é uma região de interesse de todos por causa das riquezas naturais que possui, entretanto, poucas pessoas atentam para as civilizações que vivem na região. “O Encontro visa a resgatar a dignidade dos seres que povoam a Amazônia”, comenta.

Além disso, o coordenador comenta que o Intereclesial quer mostrar que é possível viver em comunhão com o meio ambiente sem prejudicá-lo. Para o coordenador, indígenas, quilombolas e outros povos que vivem na região sem destruir são o sinal de uma nova civilização, que resiste ao mundo do consumo.

“É o sinal frente à maldita civilização do consumo, à maldita civilização do lucro”, desabafa, acrescentando que há outras maneiras de viver sem prejudicar o meio ambiente. “É possível viver sem ficarmos escravos desse mundo”, comenta.

As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) são comunidades cristãs formadas por pessoas de regiões próximas que se reúnem na fé para ouvir e refletir a Palavra de Deus, levando os ensinamentos para a vida cotidiana. As CEBs estruturam-se basicamente em quatro pontos: a fé, os sacramentos, a comunhão, e a missão.

Para padre Ceppi, as CEBs são uma resposta ao chamado de Jesus, tentando acompanhá-lo. Ele explica que a Palavra de Deus e a oração servem para a pessoa escutar e sentir o amor de Deus, além de mostrar que é possível viver em comunhão com o Criador.

Os outros dois pontos das CEBs, a comunhão e a missão, também são importantes, pois mostram que a união entre as pessoas e o serviço à sociedade estimulam as pessoas a serem como Jesus Cristo.

“A CEB é estímulo para viver e trabalhar para a comunidade”, comenta Ceppi. Ele explica que a missão tem uma dimensão de abertura e conscientização política, social e econômica. “O serviço não é mero assistencialismo”, ressalta.

FONTE:http://www.cebs12.org.br/index.phpoption=com_content&view=article&id=58&Itemid=27



postado por Thiago Marques Lopes as 08:33:37 0 comentários




terça, 16 junho, 2009
Thoma Kuhn e a ciência

Thomas Kuhn representa um marco importante na perspectiva de progresso científico. Ele tenta desenvolver suas teorias epistemológicas num intenso contato com a história das ciências. O aspecto relevante de sua teoria é a ênfase que ele mesmo dá ao caráter revolucionário do progresso científico. Este, segundo Kuhn, dá-se mediante saltos. Desta maneira o progresso científico implica a abordagem de alguns conceitos fundamentais: paradigma, ciência normal, anomalia e revolução.

A definição de paradigma é de difícil conceituação, posto que Kuhn não utiliza este termo de forma consistente[1]. Porém, este mesmo representa o conjunto de conceitos fundamentais que, num dado momento, irá determinar o caráter do trabalho cientifico. Havendo, assim, a partilha de um dado trabalho científico entre cientistas que utilizam o mesmo paradigma, ou seja, compartilham, entre si, suposições teóricas gerais, leis e técnicas para a aplicação dessas leis. Neste sentido, é o paradigma que irá coordenar e dirigir a atividade de grupos de cientistas. É o paradigma, ainda, que inclui igualmente os instrumentos necessários para que as leis do paradigma suportem o mundo real. Por exemplo; a aplicação do paradigma newtoniano à astronomia implicou a utilização de todo um conjunto de telescópios, juntamente com técnicas que permitiram corrigir os dados recolhidos com a ajuda daqueles.

A ciência normal é o período em que se desenvolve uma atividade cientifica baseada num paradigma, adotada por uma comunidade cientifica. Segundo Kuhn, este período é como uma atividade de resolução de problemas, governado pelas regras de um paradigma [2]. Ressalta ainda que tais problemas sejam de natureza teórica e experimental. Neste período, entendem-se problemas bem definidos que contém, implicitamente, as suas soluções. A ciência normal significa, ainda, uma investigação que se baseia em problemas que uma comunidade cientifica reconhece, em particular, durante um determinado período de tempo, como fundamento para a sua prática posterior [3]. Quando, por ventura, ocorrer alguma falha na resolução de algum problema investigado pelos cientistas, é dita como uma falha do cientista, do que como uma inadequação do paradigma, tal como num jogo de xadrez: quando o jogador perde, a culpa é atribuída a ele e não ao jogo de xadrez.

É neste contexto que se explicam as anomalias, fatos que o cientista não consegue resolver dentro do paradigma. Um exemplo de uma anomalia é a observação dos satélites de Júpiter por Galileu. Encontradas, assim, as falhas que se podem tornar sérias, surge então uma crise para o paradigma que poderá levar a rejeição deste a substituição por um outro. Entretanto, Kuhn ressalta que mesmo havendo mudança de paradigma, esta mesma sempre estará sujeita as anomalias, quer dizer, estará em constante suspeita de inadequadação com os problemas de um dado período.

Na medida em que vão surgindo mais e mais anomalias, instala-se a crise. E como reagem os cientistas à crise? Eles perdem a confiança no paradigma anteriormente perfilhado e expressam, abertamente, seu descontentamento inquietante com o paradigma reinante[4]. Enfraquecido e minado um paradigma, abre-se a porta à revolução: a substituição de um paradigma por outro, o qual será diferente do antigo e incompatível com ele. Em suma, pode-se chamar de revolução cientifica o abandono de um paradigma e a adoção de um outro, não por um cientista individualmente, mas por toda uma comunidade cientifica.

A cada revolução o ciclo inicia de novo e o paradigma que foi instaurado dá origem a um novo processo de ciência normal.

 

 

 



[1]Cf. MAIA, 1991, p. 103

[2]Cf. CHALMERS, 1993. p. 126

[3] Cf. Ibidem, p. 127

[4] Cf. Ibidem, p. 130



postado por Thiago Marques Lopes as 08:43:26 0 comentários




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