BLENORRAGIA
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domingo, 06 agosto, 2006
Matadouro


Insone. Ergo ego. Acometido de entrepausa expendo. E o Dia se enluta e enlata e a rotina rotula – como é cediço. Com uma hora de Vida, traja-se de Morte até que a Onipotência cisque com o sobrolho um sol de vagaluminúsculos (um rol).

Insone. Presto-me. A Mão Áspera arranha a contagem de carneiros desacatando cercarias. Um cochicho bifurcado diz coisas sem nicho. Reitero a mudez – transpiro retórica –, (salva alva calva de palmas, mas más).

Insone. De súbito apalpo imbuído de taciturnidade quilométrica. Sento-me na escadaria franzina. Acareio o seio do binômio Dia/Noite. Centro, motorizado com o tabaco sem grife nem grifo. Acareio a epiderme, abatida, abocanhada pelo prendedor por sobre a calvície do bambu bêbado. O telhado de cama de casal, encharcado cumpre, adinâmico, a sangria, em síncrono. Retorce, rosna, resiste debalde: a rês – e domada e postergada e ali – há de ser ferida no dúplice dorso, à brasa, há. Depois de demasiado rito catártico: para um qualquer, diletante, gozar cuspe em sua face passada.

Insone.

(Escrito em 29/10/2005 e tungado de uma gaveta antiga).


postado por Ricardo Wagner Alves Borges as 11:12:32 # 4 comentários
 
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