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terça, 20 março, 2007
Crise não tem data para acabar, diz Infraero

DA REPORTAGEM LOCAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Os atrasos em vôos de todo o país provocados pela chuva e por uma pane no controle aéreo em Brasília só devem acabar no final da tarde de hoje. Mas a crise aérea que se arrasta desde o ano passado e que constantemente tem parado os aeroportos brasileiros não tem data para acabar, segundo o próprio brigadeiro José Carlos Pereira, presidente da Infraero.
Ontem, quando 30,5% dos vôos do país registraram atraso de mais de uma hora, o presidente da Infraero, a empresa responsável pela infra-estrutura dos aeroportos, disse que nem se "atreve a dar um prazo" para o fim do problema.
"Não posso dizer para você nem garantir aos passageiros que daqui a 15 dias isso não vai acontecer. Eu estaria mentindo... a qualquer momento pode surgir [uma falha no] sistema como o de ontem [domingo]."
Ele visitou o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, um dos mais prejudicados com a nova crise: foram 99 vôos com atraso (33,8%) dos 293 programados (até as 21h). Ele mesmo enfrentou atraso de duas horas em seu vôo, que saiu de Brasília. "Um atrasinho de duas horas", afirmou Pereira.
Sobre a pane de anteontem, disse que a única responsável por ela é a Aeronáutica, que controla o Cindacta-1 (Centro Integrado de Defesa e Controle do Tráfego Aéreo). "Para nós da Infraero o que termina acontecendo é absorver a questão."
"O problema durou, pelas minhas contas, exatos 40 minutos. Isso foi suficiente para infernizar durante 20 horas seguidas todo o país."
No domingo, a Infraero previa que a situação estaria normalizada ontem à tarde. O "efeito cascata" da crise, porém perdurou durante todo o dia e, segundo a Infraero, só se resolverá na noite de hoje.

Apuração rigorosa
Por conta do novo apagão aéreo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a cobrar uma "apuração rigorosa" sobre o mais recente episódio de caos nos aeroportos.
O governo voltou a suspeitar de sabotagem dos controladores de vôo, que realizam uma operação-padrão desde outubro. Da última vez que essa acusação foi lançada, no caos de 5 de dezembro, a Aeronáutica reconheceu que o equipamento estava defasado.
Controladores ouvidos pela Folha consideram a suspeita "absurda". Além disso, técnicos da FAB avaliam que dificilmente pode ter ocorrido interferência proposital nesse tipo de falha. Mesmo assim, os controladores se queixam da falta de definição sobre a reivindicação de desmilitarização do setor -o governo elaborou uma proposta em dezembro, mas ainda não há aval do Planalto.
A pane do domingo começou com uma queda no sistema de gerenciamento de planos de vôo no Cindacta-1 (responsável pelo controle no Centro-Oeste e Sudeste) às 10h06. Os controladores ficaram sem informações de identificação e altitude planejada dos vôos nos monitores. Quando os dados voltavam à tela, não eram confiáveis. A situação durou pelo menos quatro horas, o que causou um acumulo de atrasos em todo o país.
Lula ficou irritado e convocou ontem pela manhã uma reunião de emergência com o ministro da Defesa, Waldir Pires, e o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito.
Oficialmente, a Casa Civil nega que a possibilidade de sabotagem tenha sido discutida. Em nota oficial, a Defesa afirma que o presidente "determinou a apuração imediata e rigorosa das causas do ocorrido".
Além disso, Lula voltou a pedir que os passageiros recebam informações rápidas e corretas nos aeroportos -ordem já dada duas vezes em dezembro. Sem citar diretamente a Aeronáutica, mandou "que sejam implementados equipamentos reserva eficientes e eficazes".
No domingo, as informações foram desencontradas. A Aeronáutica informou que havia ocorrido uma falha de sete minutos. Na realidade, o problema demorou para ser resolvido. O servidor principal, onde surgiu a falha, tinha um arquivo corrompido que impedia o acionamento do servidor de reserva.
Quando o equipamento falha, o controle aéreo implementa planos de contingência. Este caso não foi tão grave quanto o de 5 de dezembro, quando o espaço aéreo foi "congelado" porque não havia comunicações com o Cindacta-1.
Desta vez, as decolagens de toda a região foram restringidas com espaçamento de 30 minutos e chegaram a ser suspensas em alguns aeroportos. Isso foi feito para reduzir o número de aviões monitorados, já os dados eram acompanhados com fichas de papel.

Folha de São Paulo - 20.03.2007



postado por 27223 as 05:35:48
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