São Paulo é uma cidade mágica onde de tudo se encontra. Há por lá, além de teatros, museus: de arte, históricos e sacros - os melhores da América Latina. O comércio é exuberante e há também a cracolândia.
Quanto aos templos, também os há para todos os gostos e religiões. No centro velho há o mosteiro de São Bento, o preferido das cultas gentes. De arrojada arquitetura e com os famosos carrilhões no alto de torres imensas, é o mais procurado pela fina flor paulistana. No site dos beneditinos, há depoimentos emocionados de pessoas que vieram de longe à procura de paz. Alguns peregrinam de outras capitais, havendo quem tenha vindo até mesmo do exterior. E a tão procurada paz foi encontrada por todos eles no interior dessa magnífica basílica, conforme atestam seus comentários.
Também estive mais de uma vez nesse templo. Não à procura de paz como aqueles citados ali em cima, mas querendo ver arte mesmo. Sei que ali se encontra uma rica estatuária e, vez por outra, gosto de conferir sua imponência. Aproveito, é claro, para fazer minhas preces, afinal não sou incréu.
Percorrendo aqueles espaços, sempre à meia luz, pode-se encontrar uma imagem bastante incomum. Na penumbra, um Cristo Agonizante compõe um quadro aterrador. Seu corpo ensangüentado e contorcido rasga-se nos cravos parecendo despencar-se da cruz; a boca arquejante e os olhos espantosamente arregalados evocam seu último instante de vida num extremo realismo.
Mas, se você, solitário leitor, pensa que movido pela fé ou por essa paz recém adquirida já pode registrar uma imagem do interior da basílica, engana-se. Ao primeiro flash surgirá, vociferante à sua frente, uma senhora de salto, colares e tailleur dizendo-lhe que “fotografias, somente com $autorização$!” E não adianta espernear, pois de plantão há um guarda, do tamanho de sua indignação, pronto para acalmá-lo se necessário for.
Porém, sua humana indignação pode ter fim caso percorra a distância de umas duas quadras acima. A poucos metros do Teatro Municipal encontra-se uma divina preciosidade. Um verdadeiro refúgio espiritual o aguarda. Ali, não há gradil delimitando a área, não há mulheres de tailleur a importuná-lo e nem limusines a obstruir-lhe o caminho. Diferentemente daquele mosteiro, nesta capela tudo é simples. Desde a decoração, passando pelos fiéis, até os celebrantes. Sob a proteção da Senhora do Rosário, ali se encontra a Irmandade dos Homens Pretos.
(O tema merece uma crônica exclusiva)
FILIPE - Estarei ausente na próxima quinzena.













