A Polícia Militar e a Guarda Municipal cumprem ordem judicial e varrem o centro velho de São Paulo. Aqueles dejetos humanos e seus detritos não poderiam mesmo continuar ali. Eles estavam muito próximos à Sala "São Paulo" onde a OSESP, a melhor orquestra sinfônica do país, dá seus concertos. Esse fétido grupamento humano constrangia a elite paulistana com sua incômoda presença. Em vão foram os protestos do Padre Júlio Lancelotti que classificara como “tortura” a ação policial. Piorando as coisas, Dom Odilo Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo, dizia-se feliz com a operação afirmando ser esse “um presente à cidade” em seu aniversário. Não se sabe que destino terá esse entulho humano. Como não existe usina de compostagem nem centro de reciclagem para tão nefando produto, a solução deverá ser a de sempre: espalhá-lo pela periferia deixando que apodreça à margem da civilização.
Essa mesma polícia, aí de cima, invade um bairro miserável em São José dos Campos, no interior paulista e, de forma extremamente violenta, desaloja milhares de pessoas. Como na cracolândia, cumpriu-se determinação judicial. Há um porém nessa história. A Justiça Federal suspendeu a operação, mas a Justiça Estadual, ignorando essa determinação, executou-a. A área pertence ao famoso especulador Naji Nahas que a adquiriu de forma obscura e, devido ao não pagamento de impostos, deveria tornar-se propriedade do Estado.
O operador dessa truculência é o “honorável” senhor Geraldo Alckmin, governador do estado de São Paulo. Seu grupo político está no poder há mais de 40 anos e esses problemas surgiram a menos de dez. Portanto, a gestão Alckmin/Serra/Alckmin nada fez para impedi-los ou para deixar que se agravassem. Após o intenso barulho provocado pela pancadaria contra aqueles “desocupados e desordeiros” o governador torna-se bonzinho. Faz oferta de auxílio-aluguel no valor de 500 reais, além da promessa de construção de casas populares para todas aquelas famílias.
Pergunta-se: Por que não se fez tal proposta antes da operação? Não seria mais justo e mais econômico? Será essa uma tentativa de se redimir perante o eleitorado visando às futuras eleições? Será que aquele povo não percebe que está sendo usado eleitoralmente pelo PSDB, que governa seu município e o estado?
Esses facínoras rasgaram o couro daqueles indigentes e agora se põem a lamber-lhes o sangue. Perante os holofotes da mídia, é claro. Que nojo!!!
FILIPE













