O rapaz é inteligente, divertido, dono de um humor picante, quase cáustico. Apaixonado por futebol, gosta também de um carteado. Quando joga, é para ganhar mesmo. Não importa se o adversário é experiente ou um neófito – uma criança, por exemplo. Ai de quem o enfrenta no baralho. Ou leva uma surra, ou terá que se submeter às suas reclamações e seu repentino mau humor.
Esse homem - a quem chamo de rapaz, mas já está nos quarenta – parece ter nascido com muita sorte. Mostra-se habilidoso em qualquer modalidade, seja esportiva ou intelectual. Na infância, por ser troncudo, aterrorizava a molecada com seus poderosos punhos. Quando provocado perguntava: “Quer um murro?” – Claro que ninguém queria, e isso era suficiente para dissuadir os mais intrépidos. Sorte de seus irmãos menores que, tendo-o por perto, tinha um serviço de pronto-atendimento contra os moleques malfeitores que gostam de surrar os pequenos.
Particularmente, gosto de prosear com a figura aí de cima. Gosto de provocar sua fúria intelectual que costuma ser avassaladora. Muito bem informado, acompanha os bastidores da política e dos esportes. Se alguém quiser debater tais assuntos com ele, prepare-se, pois o homem é um furacão. Além de despejar as informações sobre o “adversário”, parece calcá-las com os pés para ter certeza de que sua vítima já não respira.
Embora extremamente generoso, principalmente com os familiares, é também exigente e muito bravo. Quando começa a falar para corrigir aquilo que considera errado, fala sem parar e tudo o que lhe vem na cachola. É impossível deter esse menino!
Dentre os irmãos, esse parece ser o mais parecido com a mãe. Talvez pela espontaneidade, pela franqueza, pela coragem, ou por outros atributos. Às vezes, fica a impressão de que defende idéias contrárias às suas próprias convicções, por pura provocação. E ele as defende ferrenho, voraz, demolidor. É realmente um gladiador, este fabuloso personagem!
FILIPE













