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segunda, 19 novembro, 2007
O instante do nada


Escrevendo qualquer coisa que seja nada, para que ao ler não achem motivos para pensar no nada.
O nada que não existe, o nada profundo, o nada de nada.
Escrever sobre o que não há, tarefa fácil, é só dizer nada em linhas que em branco teriam mais significados.
Olhar o vazio e ver que falta o preenchimento, buscar o preenchimento que não existe.
Sentar na sala, ouvir o barulho do nada, da noite que traz o nada. Saber interpretar o não interpretável, ver o invisível e sentir o gosto insosso do nada.
Cadê Tudo? Cadê o resto? Mas tudo o que? O Resto de que? O resto do nada, o tudo de nada.
Eis que surgiu algo no meio do nada. Uma dúvida sobre o que é esse nada. Surgiu também a certeza na resposta, este nada é nada.

Fabrício Espíndola


postado por 70826 as 09:10:14 # 23 comentários
terça, 18 setembro, 2007
O mundo encantando de um "andarilho"


    Uma biblioteca é, sem dúvida nenhuma, um ambiente excepcional. Nesta segunda-feira (17), ao acompanhar a minha irmã, Ana Paula (16 anos) que foi entregar seus livros e alugar mais dois, um para ela outro para meu irmão, João Pedro (7), me deparei com uma cena que me deixou feliz e encasquetado. Vi um senhor, com um paletó meio maltrapilho, uma bermuda batida e sandálias havaianas. Visual que muita gente, inclusive eu, não imaginaria que poderia freqüentar uma biblioteca semanalmente, ou diariamente. O comentário da minha irmã para mim fez minha curiosidade sobre esse senhor aumentar: “Que legal ver um senhor desse vindo aqui pegar livros. Toda semana encontro ele aqui e sempre deixando dois e pegando dois”.

        Minha faculdade e meu instinto de jornalista fizeram com que eu fosse falar com ele na saída da biblioteca. Corri, pois ele havia saído um pouco antes que eu, e o abordei na rua: “Senhor! Tenho um blog na Internet, o vi na biblioteca pegando dois livros, me chamou a atenção, podes conversar uns minutos comigo para que eu possa fazer uma matéria?” Prontamente ele me respondeu: “Sim posso. Mas sou um andarilho”. Aos 65 anos, o senhor Walter Paulo Soares se diz andarilho, mas não por estar nas ruas, rodovias e cidades das mais diversas do nosso país. Ele é um andarilho do mundo, mas do mundo da leitura. “Acabo de chegar de Kabul”, comentou ele, fazendo referência ao livro que havia entregado que fala sobre o Afeganistão.

        Walter disse que chega a ler seis livros por semana. “Eu moro ao relento, apenas em baixo de um telhado de uma mecânica que fico de vigia, vivo de favores, varro o pátio de um restaurante ajudo a catar o lixo e eles me dão comida. É assim que vivo, estou esperando vir meu benefício do governo porque está na constituição, por eu ter 65 anos já tenho direito”, disse ele sem repetir palavras, usando um vocabulário rico e sem erros. O tempo que tem livre, quase todo o dia, dedica aos livros. Quando ainda estava escolhendo os volumes falou para a bibliotecária: “Assim não perco tempo vendo novela”.

        Natural de Santos, São Paulo, Walter disse que já foi conhecido por lá, teve poemas publicados, músicas que compôs, gravadas por cantores da época e ressaltou: “morei em Santos nos tempos áureos de Pelé. Era uma cidade que todo o mundo estava de olho diariamente.” Apesar de ter sido reconhecido no passado, Walter diz não se arrepender de ter largado tudo e hoje não ser reconhecido. “Se eu pudesse ser invisível, ou que simplesmente as pessoas não me notassem já seria bom. Durante toda minha vida me desfiz dos bens materiais, de tudo o que já tive para viver assim, no meu mundo, viajando pela leitura”, comentou o homem, simples e sozinho.

Quando eu disse a ele, pedindo desculpas, que o que me chamou atenção foi ele não parecer uma pessoa culta, que cultiva o hábito da leitura e sair da biblioteca com dois livros, me dando um “tapa na cara” ele disse: “Nunca é tarde garoto. A leitura me faz viajar muito, entro nas histórias, me transformo nos personagens de cada livro, comece a fazer isso, tu vai ter prazer em ler não vai parar mais”. Por fim, encantado com este senhor simples e culto, o agradeci pela pequena entrevista que me concedeu na rua, em uma noite de segunda-feira. E Walter, educado como foi na biblioteca que, faltando 20 minutos para acabar o expediente desejou a atendente “um bom fim de trabalho”, me agradeceu também: “Obrigado você por ter atentado ao meu hábito”. E fez um pedido que me deixou um pouco indignado: “Não publica o nome da biblioteca, porque a coordenadora aqui não me deixa pegar os livros. Por isso sempre venho entregar e pegar outros depois das 18:00h”. Essa senhora, responsável pela biblioteca, se diz uma incentivadora da leitura e da cultura, e se mostra preconceituosa. O motivo para trancar os livros para o seu Walter é o comprovante de residência que ele não tem. “Como vou ter comprovante se nem residência tenho?” finalizou.


postado por 70826 as 11:17:35 # 2 comentários
quinta, 13 setembro, 2007
Vamos Cassar a hipocrisia!


Por Lucas Borges   

   Quero começar essa reflexão dizendo que eu torcia pela cassação do Senador Renan Calheiros(PMDB-AL). Mais que isso, eu torcia para que ele ficasse inelegível até 2017, como previa o projeto que o Senado Federal rejeitou ontem, por 40 votos a 35.

            Ao acompanhar os telejornais com a repercussão da absolvição, senti alguma coisa estranha, semelhante à sensação de náusea. Ver alguns políticos, conhecidos nacionalmente, pregando a moral e a ética foi um pouco constrangedor.

            Todos nós acompanhamos, em 2001, o caso baixo e sorrateiro que ocorreu no Senado com a violação do painel que registra os votos dos políticos daquela casa. O principal acusado, Senador Antônio Carlos Magalhães (PFL, hoje Democratas), teve acesso ilegalmente aos votos de cada senador na sessão (e votação) "secreta" que cassou Luiz Estevão (PMDB-DF). Magalhães foi acusado de quebra de decoro parlamentar e renunciou ao cargo para não perder os direitos políticos, diferente do que fez Calheiros.

            Lembro-me, como se fosse hoje, de ver alguns políticos que hoje pregam a decência, a moral e a ética no senado tentando "manobrar" o processo para tentar salvar o amigo ACM.

            O caso Renan Calheiros, em comparação ao caso Antônio Carlos Magalhães, nos confirma uma realidade muito óbvia, porém faço questão de citá-la por achar que alguém pode não ter essa clareza: O poder legislativo perdeu de vista as funções que deveria exercer, como fiscalizar, criar ou melhorar leis, etc. Menos ainda está preocupado ou comprometido com a moral e com a ética. Esse poder virou apenas uma arena, onde governos somados às suas bases aliadas "brincam" num jogo diário de queda de braço contra oposicionistas.

            Nesse contexto, não sinto qualquer sentimento de alegria ou indignação com a decisão do Senado Federal em absolver o Senador Renan Calheiros. E proponho aos brasileiros que nas próximas eleições cassem os políticos que desconhecem as funções do cargo que exercem, os corruptos, e, principalmente, os hipócritas.


postado por 70826 as 09:59:44 # 0 comentários
 
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