Rodovia de acesso já está em obras
A primeira etapa das obras no sistema viário da rodovia Transmangueirão realiza intervenção no trecho entre a rodovia Augusto Montenegro até o Centro de Perícias Científicas Renato Chaves. As obras fazem parte do projeto Ação Metrópole, que visa a melhoria da infraestrutura de tráfego e transporte na Região Metropolitana de Belém (RMB). A intervenção inicial na Transmangueirão é preparatória para o prosseguimento das obras, explicou Cândido Araújo Filho, diretor de Transporte Terrestre da Secretaria de Estado de Transportes (Setran) e técnico responsável pelo projeto. Essa primeira etapa inclui obras de drenagens profunda e superficial, construção das espinhas (que ligam os eixos das drenagens), recobrimento e recapeamento.
O valor total do investimento do Ação Metrópole é R$ 189 milhões, sendo que só para o sistema viário da Transmangueirão, com extensão de 11,72 quilômetros, serão liberados R$ 24,48 milhões. O valor será empregado em obras de pavimentação, drenagem, construção de novas calçadas e ciclovias. Até o final de 2009, as obras desta área devem estar concluídas e, até 2010, todas as outras que constam do projeto. Fonte: O Liberal - Caderno Esportes edição de domingo 24/05/2009.
Gostaria de dividir com você prezado leitor, algumas idéias a respeito deste tema que levanta muitas dúvidas e preocupações. Inicialmente devo antes informar que participei da concepção e elaboração do Plano Diretor de Transportes Urbano - PDTU, de 1999 - não sou tão velho assim! fazia estagio, na Coordenação de Apoio ao Transporte-CAT a época coordenado pelo Sr. Dário, Secretaria de Planejamento do Estado do Pará - SEPLAN, no governo Jader Barbalho. Então, pelas contas devemos completar vinte anos desde sua concepção até sua execução. Este plano fora criado diante da necessidade de viabilizar financiamento nos BID/BIRD e o Banco do Japão, aqui como entre outras cidades e estados, quando um governo termina suas idéias também são redirecionadas para atender às idéias do "novo". Pois bem, depois de duas décadas, seria natural que o projeto fosse atualizado. Seria? Penso que sim, porém devemos lamentar que esta não foi preocupação dos técnicos que se debruçaram no projeto. Lembro-me de uma severa atitude do Prefeito Edmilson, quanto a ampliação da Av. João Paulo II, para impor o que estava escrito no PDTU o nome era estrondoso... "Troncalização" do Transporte público, ele estava certo! Talvez tenha exagerado na ação, mas ali defendeu o PDTU como nenhum outro político tivera feito. Mas por ser de oposição aos governos estadual e federal, o prefeito talvez por esse motivo não pode colocar em prática o que hoje se chama de "Ação Metrópole".
Essa breve recordação é para exercitarmos a memória, mesmo que faltem algumas filigranas históricas. O certo mesmo é que passado todo esse tempo este projeto não foi reformulado, adequado, e muito menos reavaliado de forma estratégica para as necessidades reais da Belém de hoje. Ele foi apenas "rebatizado" e "repaginado", para viabilizar mais um financiamento, agora do Banco do Brasil. Se sequer houver uma interferência em traçado, distribuição de terminais, até a Rod. Arthur Bernardes ainda se encontra em sentido único Icoaraci-Belém, o que atendia a realidade da época.
Pois bem, hoje assistimos a cidade em pé de guerra, por conta da Tavares Bastos e Conj. Resid. do BASA - que se minha memória não falha creio que o Secretário de Urbanismo de Belém, está enganado quando diz que aquela ampliação está prevista no PDTU. E pior ainda o traçado que a Av. Independência, fará atravessando um Parque Ecológico, sem consulta popular. Não sei se o Senador Fernando Collor, tem adeptos de sua teoria no governo do estado, ou se é ele quem se adequou aos petistas, ainda nesta madrugada em entrevista na TV BAND, ele defendeu que os parques ambientais não devem atravancar o desenvolvimento, advogando em favor da PEC que tramita no Congresso, onde tenha uma obra planejada, um parque ou área de proteção ambiental não deve ser obstáculo para obras estruturantes. Pois é meu querido leitor ou leitora, o tempo é o que é!
De certo o que eu entendo é que na verdade a Governadora Ana Júlia na precipitação de todo político neófito, embarcou numa viagem que pode lhe custar muito nas próximas eleições, ao aliar-se com o Prefeito Duciomar, para esta e outras obras na capital e a correria para avançar com as mesmas atropelando procedimentos legais exigidos e ainda executar do jeito que está para depois adequar, é muito arriscado. Não sou contra as obras, tenho maior interesse em ver àquilo que participei como acadêmico se concretizar, mas devemos ter responsabilidade e coerência na execução destas obras.
Enfim, peço para que pensem comigo... Se a Avenida Independente, ao atravessar a Rodovia Augusto Montenegro, através de passagem de nível. Como vai ficar o cruzamento da Av. Independência com a Rodovia Transmangueirão? Haverá semáforo para orientar os condutores? Então os semáforos da Av. Júlio Cézar serão transferidos para este cruzamento? Ambas seguirão para o mesmo destino Av. Júlio Cézar? Na ânsia de apresentar algo concreto em 2010 a população o governo estadual não estaria apenas “chocando o ovo do inimigo”? Sim, pois executar um projeto que a sua equipe apenas modificou o nome, não é realizar uma obra do seu governo e sim no seu governo, entenderam?
Finalizo agradecendo a quem teve a paciência em ler este texto e me coloco à disposição para maiores informações e críticas. Até mais...