Alfabetizando com brincadeiras
Alfabetizando com brincadeiras
quinta, 11 outubro, 2007
com alfabetizar com brincadeira

UNIrevista - Vol. 1, n° 2: (abril 2006) ISSN 1809-4651
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Alfabetizando nas escolas do MST
Alcione Navroski
CED/UFSC, SC
Resumo
O texto apresenta algumas reflexões sobre a prática de ensino nas escolas do Movimento dos Trabalhadores
Sem Terra (MST) desenvolvidas no município de Fraiburgo. O trabalho relata a contextualização de uma
população que vive uma numa certa exclusão das políticas públicas de governo dificultando a acessibilidade
a serviços de qualidade, bem como o acesso a educação, entre algumas reflexões e práticas desenvolvidas
como propostas emancipatórias aos educandos e educadores. Também busca instigar novas olhares sobre a
escola, de um ponto de vista menos favorecido da sociedade sobre as práticas de ensino ali concebidas. As
metodologias de ensino desenvolvidas em trabalhos coletivos apresentam um conjunto de possibilidades de
incrementação para as propostas de atividades que foram realizadas na escola do MST. Por esta razão
aparecem breves relatos das atividades teóricas e práticas, bem como avaliativas e reflexivas sobre o
projeto desenvolvido. Este trabalho foi articulado pela professora da disciplina, Prática de Ensino da Escola
de Ensino Fundamental em Séries Iniciais, com as alunas do Curso de Pedagogia da Universidade Federal de
Santa Catarina que visa como formação acadêmica a pesquisa e formação doscente para atuar na séries
iniciais do ensino fundamental.
Palavras-chave: ensino // educandos // educadores
Este trabalho procura enfatizar o processo de alfabetização na 1ª série do ensino fundamental nos
assentamentos do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais), organizado por meio de um Projeto de
Estágio Curricular da 6ª fase do Curso de Pedagogia da Universidade Federal de Santa Catarina. O trabalho
foi desenvolvido no município de Fraiburgo, região do planalto central de Santa Catarina. O Município conta
com 32.948 habitantes, ocupando uma extensão territorial de 435 km² (IBGE, 2000). A área da reforma
agrária é formada pelos assentamentos: União da Vitória, Vitória da Conquista, Chico Mendes, Contestado e
Rio Mansinho. É uma região rural, bastante distante da sede do município, onde praticamente todos os
educandos são filhos de pequenos agricultores, e na maioria deles, componentes deste Movimento Social. As
escolas em que as práticas de ensino foram desenvolvidas, estão vinculadas diretamente ao Movimento,
localizadas nos próprios assentamentos da reforma agrária.
A sociedade é cada vez mais dividida pelas desigualdades sociais, provocadas pela satisfação de pouco e
insatisfação de muitos. É deste descontentamento que surgem muitas organizações na forma de
movimentos a fim de lutar por uma vida mais digna, mais humana, mais justa. O MST, desde 1979 mantém
uma organização de luta pela reforma agrária no Brasil, e é um forte representantes das organizações
sociais. O movimento vê na escola uma das maiores possibilidades de engajar a sua luta, pois segundo seus
princípios, é pela escola que se pode começar a pensar uma sociedade diferente. Dentro do seu programa
de reforma agrária, o Movimento elaborou os principio da educação, sob duas perspectivas: filosófica e
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pedagógica. Os Princípios filosóficos dizem respeito a visão de mundo, as concepções mais gerais em relação
a pessoa humana, a sociedade e ao que se entende por educação. Já os princípios pedagógicos se reférem
ao jeito de fazer e pensar a educação para que seus princípios possam ser efetivados. (Caderno de Educação
nº08. Princípios da Educação no MST. 1999). Para elaborar o projeto escolhemos como temática principal a
higiene dos dentes, partindo do pressuposto, de que a falta de informação e orientação sobre esse assunto,
reflete nas crianças na formação de cáries, e conseqüentemente na “dor de dente”.
O projeto que por meio da alfabetização procurou instruir as crianças, sobre os cuidados que precisamos ter
com a nossa saúde, principalmente em como manter os nossos dentes saudáveis. Também abordou
algumas orientações sobre a higiene bucal, como uma forma de evitar o adoecimento dos dentes, uma vez
que dentes permanentes deteriorados não serão reconstituídos pela natureza humana.
O trabalho, foi inicialmente elaborado pelas discussões na sala de aula com a professora da disciplina,
(MEN5325) - Prática de ensino da escola de ensino fundamental em séries iniciais – em que se trata da
formação de professores para as séries iniciais. Também teve outros dois grandes momentos que se deram
na concretização da nossa prática de estágio: o primeiro foi o período de observação na sala de aula que
ocorreu durante uma semana, e o segundo período foi a prática de ensino nas escolas, realizadas durante
duas semanas nos assentamentos do MST.
Durante as reflexões na sala de aula podemos ver que a alfabetização ocupa o lugar central nas discussões
da educação escolar nas séries iniciais, seja pelo nível de letramento não satisfatório que a população em
geral apresenta, ou porque uma grande parte da população ainda é considerada analfabeta. São hipóteses
que merecem um desdobramento para serem analisadas pelos especialistas em educação. A alfabetização
aparentemente é um tema que se apresenta como polêmico às pessoas envolvidas com as funções sociais
da linguagem, comprometidas com a educação, pois ela pode ser analisada sob vários ângulos temáticos:
sociais, psicológicos, culturais, históricos...
O que são crianças alfabetizadas e letradas? E quantos de nós já nos perguntamos: Por que motivos
estamos freqüentando a escola? Se alguma vez já ouvimos ou fizemos esta pergunta, é porque alguma coisa
deve estar errada, ou será que as crianças freqüentam a escola sem ao menos saber o porquê de ter que se
deslocar até suas dependências todos os dias. Que princípios nós educadores desenvolvemos ou pensamos
desenvolver para que e educação seja uma prática de instigação, mobilizando as crianças a freqüentarem a
escola, um lugar que às vezes parece ser tão desinteressante.
A linguagem escrita surgiu bem mais tarde que a linguagem oral, pois foi a linguagem oral que deu origem a
escrita. Normalmente sentimos vontade e desejo de escrever sobre o que pensamos e falamos; o grafismo
(escrita e desenho) nada mais é do que a manifestação destes gestos humanos. A criança ao entrar na
escola já possui uma vasta experiência com a escrita, ela está familiarizada com rótulos, etiquetas, livros,
anúncios publicitários e outros. A escrita não é somente a obtenção de conhecimento dos signos gráficos e
das regras técnicas, mas é muito mais do que isso, é a apropriação de uma forma de comunicação, que tem
a vantagem de não ficar despercebida, já que o registro gráfico não permite que isso aconteça.
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É raro encontrar um professor que pensa com a própria cabeça e anda com seus pés no processo de
alfabetização. A grande maioria é empurrada por discursos e imposições lineares vindas de todas as direções.
Os desfalques destes trabalhos ocorrem por vários motivos, pode ser pela pouca qualificação na formação
destes professores, pelas pressões que eles sofrem dentro da escola por parte de outros professores e dos
próprios pais de algumas crianças, por acreditarem que o professor não está utilizando o método adequado,
além de outras situações. Também dentro da escola, nem sempre os diretores, coordenadores e educadores
falam a mesma língua, provocando conflitos e crises que atingem diretamente aos educandos pela falta de
interlocução.
Qual o real significado do fracasso escolar? Uma grande parte dos educandos ainda acredita que precisa ir à
escola para adquirir os saberes necessários e tornar-se dona do saber e da verdade, ou então, pelos simples
fato dos pais os obrigarem. Passam anos nesta instituição e mesmo assim não adquirem a prática hábil da
formação/informação, da importância da pesquisa nas mais diversas áreas do conhecimento humano. Diante
destas situações, o professor prefere ignorar ou desconsiderar sobre quem são seus educandos, procura
somente desempenhar o seu papel do mestre do saber.
A produção de saberes escolares envolve o educando, o educador e o saber que já está se construindo
formalmente, organizado e inserido num contexto sociocultural. Mesmo que a escola apresente
características próprias, ela não é uma instituição independente, pois está inserida num tecido social
comprometido com um caráter político que se reflete na sala de aula e no sujeito que nela está presente.
Mas é preciso reconhecer que o conhecimento formal não esta dado como pronto para apenas ser
consumido. Portanto, torna-se necessário voltar o olhar sobre o sujeito que está dentro da nossa sala de
aula, constituído pelas experiências sócio-históricas de seu grupo. Também não se deve ficar limitado às
ações cotidianas, mas aproveitá-las no contexto de aprendizagem, pois elas também são necessárias à
construção do conhecimento formal que a escola propõem. São propostas que vem a contribui para a
emancipação do sujeito da sala de aula, capaz de desenvolver a sua autonomia e poder utilizar as fontes do
conhecimento formal e informal para fazer a leitura da sociedade que está inserido.
O aparelho escolar continua representando a reprodução das relações sociais de produção, a escola prepara
suas crianças para dar continuidade a reprodução social. As práticas escolares servem apenas para inculcar
a ideologia hegemônica e manter as relações de dominação, (Tragtenberg, 1982). O MST durante as
conquistas de terras, mostrou por meio de suas práticas que isto pode ser mudado, e vê a escola como a
principal aliada para dar continuidade às suas lutas, ainda que a reforma agrária pelas políticas públicas
parece estar bastante distante de ser um ato de efetivação. Mas diante do viés educativo da escola,
procuramos por meio da prática de alfabetização, estar contribuindo para a emancipação dos educandos
para a luta por uma sociedade mais humana.
Segundo as lideranças da comunidade que estiveram à frente das lutas enquanto ainda estavam acampados
e que hoje continuam se engajando para o funcionamento da comunidade, priorizam a educação como um
meio, não de ascensão social, mas de articulação e construção de conhecimentos no meio coletivo. Durante
as conversas com os mesmos pôde-se perceber que o saber construído na escola continua sendo um
privilégio de poucos, e em decorrência disto procuram priorizar o sistema educacional dentro do próprio
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assentamento. O MST busca por meio da educação resgatar a dignidade humana das pessoas, pois tem a
clareza de que só a conquista da terra não resolve os seus problemas. Faz-se necessário dentro da reforma
agrária um vínculo maior com as políticas públicas para uma melhor articulação no funcionamento dos
assentamentos, como: planejamento habitacional, saúde, educação, cultura, saneamento básico e outros
elementos fundamentais para a vida destas pessoas.
De acordo com alguns movimentos sociais, a escola pode ser um instrumento de transformação social na
medida que cria seus próprios princípios para uma formação de valorização cooperacional e de criticidade.
Antes de começar a elaborar o projeto, procuramos conhecer os princípios filosóficos e pedagógicos que
norteiam as práticas do MST, que contribuíram para o direcionamento do projeto, pois cada atividade de
ensino foi pensada a partir deles. Eles abriram a possibilidade de transgredir e ir além, já que é esta a
prática de ensino que defendemos nas escolas: construir conhecimentos a partir de pressupostas já
existentes.
Outro aspecto que não pode ser deixado de ser abordado são os aqueles que se relacionam às funções e
configurações da escrita: da forma como ela vai ser assimilada pela criança no ímpeto cognitivo e mental.
Também se deve levar em conta os conflitos sociais e políticos que podem estar marcando o meio em que
as crianças vivem, e o educador precisa ter plena consciência disto para saber o que a sua prática de ensino
vai provocar nestas crianças.
Antes de entrar na sala para fazer as observações, resgatamos o que nossos professores comentavam
conosco: “é preciso recuperar a percepção e a sensibilidade, para observar o que se passa ao nosso redor”.
Após a primeira observação ocorrida durante uma semana concluímos que a saúde dos dentes era uma
necessidade das crianças e a partir deste tema começamos a traçar estratégias de como desenvolver este
projeto envolvendo toda a comunidade escolar. Durante os dias de observação em sala de aula, foi possível
perceber vários fatores que vieram a contribuir para o planejamento do trabalho.
O estágio em sala de aula foi realizado em parceria com mais uma colega na 1ª série do ensino fundamental,
na Escola Nossa Senhora Aparecida, localizada no Assentamento Vitória da Conquista. A turma era composta
por 18 crianças, sendo 13 meninas e 5 meninos, na faixa etária de 7 a 9 anos. As crianças ficavam a grande
parte das aulas sentadas em suas carteiras, mas durante as aulas demonstravam aguardar a hora do
intervalo com grande ansiedade, pois este era um dos únicos momentos destinados ao lanche e as
brincadeiras coletivas.
Diante das observações realizadas procuramos construir situações de ensino capazes de desenvolver as
expressões orais, escritas, corporais e artísticas. Elencamos alguns sub-temas diante da temática principal,
envolvendo: a produção escrita, a leitura, a criatividade, a imaginação e as brincadeiras, também como
formas de estar propiciando a continuidade desta práxis educativa. A proposta do trabalho foi conduzida por
meio de uma temática maior que envolveu todo o trabalho de prática de estágio: a Higiene dos Dentes. Foi
um tema que aos olhos das crianças pareceu interessante, despertando muitas intervenções durante as
aulas e interesse em participar nas atividades propostas.
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Planejar não requer unicamente a ação do professor, precisa ter a participação de outras pessoas, para
evitar que o professor pense sozinho, apenas por si próprio. Mas possa estar enriquecendo seu trabalho com
outras idéias. A construção coletiva possibilita a aprendizagem de trabalhar em grupo, saber reconhecer e
valorizar o outro como um componente contribuinte de idéias, é fundamental para o bom desempenho do
trabalho. Tentamos desenvolver esta prática também na sala de aula com as crianças, priorizando alguns
momentos de trabalho coletivo, a fim de que as crianças pudessem expressar se como agentes ativos de
participação nas práticas coletivas e individuais.
As crianças pareciam sentir se bastante estimuladas pelo novo, ou seja, no momento que passamos atuar
em sala de aula, éramos vistos como pessoas novas, não conhecidas ainda, isto se reforçava quando
mostramos uma nova temática com outras formas de trabalhar. Cada um dos educandos demonstrou uma
reação diferente resultando em diferentes maneiras de assimilar um mesmo conteúdo. O foco principal foi a
higiene dos dentes, mas a partir deste tema procuramos dar plena ênfase a apropriação da escrita e da
leitura criando situações que propiciassem momentos de imaginação e criação. Como recursos didáticopedagógicos,
trabalhamos com teatro de fantoches, músicas, materiais concretos de representação sobre a
higiene dos dentes e o Boi-de-Mamão (um folguedo típico da cidade de Florianópolis), que por meio de seus
personagens tratou da dentição. As abordagens se deram de forma lúdica, procurando abordar a influência
dos hábitos alimentares, a escovação e o uso do fio dental na prevenção das doenças dentárias. Como
atividade final do projeto de estágio, e as crianças já estarem bastante familiarizadas com as atividades
sobre o Boi-de-Mamão, realizaram uma demonstração da brincadeira para todas as turmas desta e das
demais escolas, oportunizando às crianças que inicialmente também assistiam a entrarem na brincadeira
que representou a finalização da nossa prática de estágio.
Percebemos que cada uma das crianças tinha um rítimo próprio de aprender que envolviam vários fatores,
ou seja, algumas demonstravam grande facilidade na leitura, mas sentiam algumas dificuldades em escrever
as palavras que liam. Outras identificavam as palavras com o auxílio do alfabeto móvel (letras avulsas), o
que permitia reconhecer o nome e o som das letras, pois para muitas delas isto ainda não estava muito
claro. Eram crianças numa faixa etária de idade muito próxima, mas acentuadas pelas diferenças nas suas
especificidades. Conhecer cada criança foi fundamental para poder estar proporcionando a ela oportunidades
de se apropriarem do conhecimento para ampliar suas formas de ler e escrever sobre o mundo.
A alfabetização no meio rural não é um trabalho que visa dissipar-se da alfabetização do meio urbano, pelo
contrário, as suas concepções de ensino podem ser semelhantes, mas apenas abordadas em contextos
diferentes e estas diferenças são levadas em conta para construir a alfabetização no MST. Enquanto que
outros movimentos também têm as suas necessidades de informação e formação sobre as bases de seu
contexto, o Movimento dos trabalhadores Sem Terra abriga as suas demandas, que se fazem importantes
para darem sentido as suas lutas.
Conhecer o MST não se torna necessariamente ser uma pessoa acampada ou assentada, ou ainda, aquela
que já passou alguma fase de sua vida nesta situação. Mas estar ligado por vínculos diretos com esta
entidade, que permite ver a realidade ainda que do lado de fora, para conhecer e refletir sobre as várias
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concepções deste movimento social. Posso concluir que este trabalho serviu de móbil 1 para a minha
formação, destacando a importância da função do professor, como agente capaz de transformação social.
Referências
CHARLOT, B. 2000. O filho do homem: obrigado a aprender para ser (uma perspectiva antropológica). In: B.
CHARLOT, Da relação com o saber. Porto Alegre, ArtMed.
MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA – MST. 1993. Alfabetização. Caderno de Educação,
2.
MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA – MST. 1996. Princípios da Educação no MST.
Caderno de Educação, 8.
SERRÃO, M.I.B. 2004. O Ensino: possibilidades de formar. In: M.I.B. SERRÃO, Estudantes de Pedagogia e a
“atividade de aprendizagem” do ensino em formação. São Paulo, SP. Tese de Doutorado em Educação.
Universidade de São Paulo.
SMOLKA, A.L.B. 1988. A criança na fase inicial da escrita: a alfabetização como processo discursivo. São
Paulo, Cortez.
TRAGTENBERG, M. 1982. A escola como organização complexa. In: M. TRAGTENBERG, Sobre Educação,
Política e Sindicalismo. São Paulo, Cortez.
1 Termo utilizado por Charlot no livro Da Relação com o Saber, para definir e dar sentido a palavra mobilização.

postado por 76794 as 08:59:33 #
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