Não sou uma pessoa movida pela fé. E há de ser muito corajosa para confessar tal crime religioso. Mas eu tenho fé, muitas vezes inconsciente, que move a roda da minha vida de forma que eu nem sempre consigo controlar. Da fé que falo agora é de uma que eu não quis ter para não sofrer, para não ficar presa a algo que não era para mim. Sim, há coisas na vida que não são para determinada pessoa. E o que eu venho desprezando sempre se mostrou impossível para mim. Passei cinco anos da minha vida não querendo pensar (mas buscava momentos inesquecíveis), não querendo ver (mas buscando na sacada dos prédios nomes ou vultos), não querendo saber (mas surrupiando celulares para descobrir números). Passei cinco anos da minha vida rejeitando uma voz que me dizia que a roda da vida está girando. É uma pessoa que passou pela minha vida. Alguém que eu queria que passasse mais vezes, mas que tinha outro caminho que não se cruzava com o meu. É uma pessoa que nunca mais passou pela minha vida. Alguém que eu acreditei ter sido afastado por Deus. É uma pessoa que não podia estar na minha vida. Alguém que já tinha uma vida. Alguém que eu nunca apaguei. Por ele passei do tesão ao amor, ao sonho, ao conformismo da distância e, por último, à frustração da diferença e da indiferença. Sobraram as lembranças. Mas em todas as etapas, até nos momentos em que a fé era estranguladora e eu não a queria mais, eu ouvia aquela voz dizendo que era ele, era com ele, era por ele, era para ele. Esta voz era a fé, a maior fé da minha vida, exatamente a fé que eu não queria. Esta fé que não me deixava apagar de vez a chama. Pelos menos me deixava remoer as lembranças. Assim foi até esta semana... A roda da vida girou e nossos caminhos podem se cruzar de novo. Eu tenho fé que sim. Querendo ou não. Hoje passo pela esperança. Da roda girar mais um pouquinho e cruzar seu caminho com o meu. Hasta la vista!!!
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