Capitão Assumção
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quarta, 17 março, 2010
Ministro da Justiça adverte para impacto de piso para PMs

Fonte: Agência Câmara
17/03/2010 13:11

O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, manifestou preocupação a possibilidade de aprovação do piso salarial nacional para policiais e bombeiros. A medida está prevista no substitutivoEspécie de emenda que altera a proposta em seu conjunto, substancial ou formalmente. Recebe esse nome porque substitui o projeto. O substitutivo é apresentado pelo relator e tem preferência na votação, mas pode ser rejeitado em favor do projeto original. às PECs 300/08 e 446/09. O texto principal foi aprovado em primeiro turno pela Câmara no início do mês. Os deputados ainda precisam votar os destaquesMecanismo pelo qual os deputados podem retirar (destacar) parte da proposição a ser votada para ir a voto depois da aprovação do texto principal. A parte destacada (artigo, inciso, alínea) só volta a integrar a proposição se for aprovada nessa votação posterior. Nesse caso, os interessados em manter o trecho destacado é que devem obter o quorum necessário à sua reinclusão no texto. Podem requerê-lo 10% dos deputados (51) ou líderes que representem esse número. Nesse caso, é chamado destaque de bancada. apresentados ao texto. O ministro esteve reunido hoje com o presidente da Câmara, Michel Temer, para discutir propostas de interesse de sua pasta.

O substitutivo estabelece prazo de 180 dias para implantação do piso e cria um valor provisório ( R$ 3,5 mil para os policiais de menor graduação e R$ 7 mil para os oficiais do menor posto) até que seja editada a lei para regulamentar o valor definitivo.

O ministro explicou que a adoção do piso no prazo previsto no texto aprovado provocará um impacto imediato de cerca de R$ 17,8 bilhões. Ele argumenta que os estados não terão como arcar com essa nova despesa, e a União acabaria tendo que complementar recursos dos governos estaduais.

Ele disse a Temer que o mais adequado seria a implantação gradual do piso.


postado por Capitão Assumção as 02:16:06 # 0 comentários
Maldades do governo serão combatidas com paralisação nacional


Nessa tarde de 16 de março, terça, nós, deputado Major Fábio, Deputado Paes de Lira e Deputado Capitão Assumção nos reunimos e, achamos por bem que cada Estado disponibilizasse uma conta e seus gestores para estarem organizando a arrecadação juntos aos nossos companheiros. Dessa forma, alcançaríamos maior agilidade e o nosso objetivo seria alcançado.

Há uma dificuldade em deliberarmos uma centralização dessa arrecadação pois poderia gerar diversos tipos de sentimentos, contrariando a nossa luta em prol da PEC 300.
No dia 23 de março, poderíamos discutir sobre essa temática também.

Hoje, em reunião no colégio de líderes, levantou-se uma data provável para se votar a PEC 300: 20 de abril: um absurdo. O GOVERNO COVARDE NÃO ACREDITA QUE VAMOS PARAR O BRASIL.
Estaremos fazendo as nossas manifestações contra esse ataque violento ao piso salarial nacional pleiteado.

Fizemos contato com o Presidente da Força Sindical Nacional, Deputado Federal Paulo Pereira da Silva (Paulinho), que se comprometeu de se fazer presente na reunião de terça (23), pois a PEC das 40 horas também está parada.
Nesse dia, acatado o indicativo de paralisação nacional, estaremos engrossando o caldo dos trabalhadores que pararão o país. Como o governo não nos respeita, temos que dar o troco para ele. O Deputado Paulinho disse que pode contar com ele e com os trabalhadores das 40 horas e com a Força Sindical, inclusive para uma grande marcha unificada em Brasília, pois o próprio dia dessa marcha pode ser o dia de paralisação nacional.

Não podemos permitir que esse bando de covardes fique "empurrando com a barriga" o nosso piso salarial nacional.

Nós, através de nossa mobilização é que devemos pressionar para que a votação aconteça o mais rápido possível. Lembrem-se que a PEC 300 só foi votada porque paralisamos Brasília. Vamos repetir a dose: paramos Brasília e paramos o Brasil ao mesmo tempo. Todos os trabalhadores do Brasil Juntos em defesa de nossas PECs.

O Deputado Major Fábio, Deputado Capitão Assumção e Deputado Paes de Lira já se dispuseram a, no dia combinado para a marcha e paralisação, acampar em frente ao Congresso Nacional e só sair depois de aprovada a PEC 300 na Câmara. Outros deputados como o Deputado Átila Lins disseram que acompanham os deputados policiais e, com certeza, os que estiverem rumando para Brasília estarão sendo convidados para participarem desse acampamento.

Temos a absoluta convicção de que se não tomarmos medidas mais drásticas, esse governo covarde vai nos enganar. ISSO NUNCA.

Em tempo: apenas as associações de quatro estados confirmaram as presenças em Brasília. Além da participação de todas as associações de PMs e BMs do Brasil, é importante que em seus estados os policiais civis, os agentes penitenciários e os sindicatos de trabalhadores militantes das 40 horas possam ser chamados para essa luta que é de todos.

postado por Capitão Assumção as 12:48:12 # 0 comentários
segunda, 15 março, 2010
‘O governo Paulo Hartung vê segurança pública como gasto e não como investimento’

13/3/2010
Renata Oliveira
Foto capa: Ricardo Medeiros

"Não há exemplos na História de se ter conquistado a segurança pela covardia."
(Léon Blum)


Natural de Ecoporanga (norte do Estado), Lucínio Castelo de Assumção, o Capitão Assumção, tem pouco mais de um ano de mandato na Câmara dos Deputados. Neste curto período, ele conseguiu imprimir sua marca, em Brasília, como defensor da categoria a que pertence. Casado, pai de três filhos, ele deixou as lutas cotidianas em defesa da segurança da população para legislar com este mesmo objetivo, ocupando uma cadeira na Câmara dos Deputados, onde está mostrando que não é necessário ser submisso ao governo do Estado para conseguir popularidade e credenciar-se para a reeleição.

O deputado, que até 2005 foi filiado ao PT, entrou para o PSB e disputou a eleição 2006 como o nome da PM à Câmara. Ficou na primeira suplência da chapa. Com a eleição do titular da vaga, Neucimar Fraga (PR), em 2008, para a prefeitura de Vila Velha, assumiu o mandato em janeiro de 2009.

Desde então, Assumção assumiu uma postura independente. Ao defender a categoria e a população capixaba, não poupa críticas ao que chama de governo despótico do governador Paulo Hartung. Em entrevista a Século Diário, o parlamentar fala da falta de planejamento estratégico na área de segurança no Estado, da necessidade da candidatura de Renato Casagrande (PSB) ao governo estadual e de sua estratégia para conseguir a reeleição. Confira a entrevista.

Século Diário: – Capitão Assumção, o senhor é uma voz destoante na bancada capixaba em relação ao governo Paulo Hartung. O senhor tem pouco mais de um ano de mandato e tem feito críticas, e críticas duras, ao governo do Estado quando o assunto é segurança pública. Gostaria que o senhor fizesse uma avaliação sobre este setor e sobre o governo Paulo Hartung como um todo.

Capitão Assumção: – Diferentemente de como o governo acha que está sendo bem avaliado diante dos trabalhadores de Segurança Pública, há um consenso de todos eles, de soldado a coronel, de que ele não foi e não está fazendo um bom governo para os trabalhadores Os anseios destes não foram atendidos. A gente percebe claramente isso, no que se refere à questão do subsídio, que uniu o soldo do policial, mais as gratificações que ele recebia, juntou tudo numa coisa só, chamada subsídio, baseado em um artigo da Constituição, que também não é um artigo muito claro, que afirma que os funcionários públicos têm que receber na forma de subsídio, ou seja, um único valor. Só que no somatório geral os trabalhadores saíram perdendo. Acredito que só os coronéis saíram ganhando nesta situação, mas também não é muita coisa, porque os salários do topo da carreira estão alinhados com o salário do governador. Como o governador não tem aumento, eles também não têm. Então, está todo mundo amarrado, mas a base foi mais penalizada com isso. E tem também a questão do tempo de serviço. Hoje o policial militar e o bombeiro se aposentam com 35 anos. O Espírito Santo é o único ente federativo em que acontece isso.

- E a tendência nacional é diminuir este tempo para a aposentadoria?

- Luta-se para diminuir para 25 anos e aqui está acontecendo o reverso. E isso em cima de estudos, em cima de doenças psicossomáticas e outras doenças ocupacionais, como problemas de coluna, diabetes.

- E a categoria não foi ouvida neste sentido?

- Houve uma negociação em que o governo era a única voz. O governo aproveitou a divisão dentro das nossas associações para que a voz dele prevalecesse. Outro ponto que a gente observa é essa ligação perniciosa entre o Paulo Hartung e o Rodney Miranda, que, apesar dos índices extremamente catastróficos, ele (o governador) não abre mão de conduzir o governo do jeito que eles querem conduzir, draconianamente, permanecendo este cidadão (Rodney) que não entende a realidade capixaba, que conduz o Espírito Santo para uma medalha de prata em relação a homicídios. E se ele não mascarasse os números, nós seriamos medalha de ouro. Foi o mascaramento de dados do secretario Rodney que fez com que o Estado ficasse com o desonroso segundo lugar.

- E de que forma este tipo de gestão é prejudicial para a sociedade?

- Como a gente vai viver em um Estado em que a realidade é de alto índice de homicídios? Hoje eu comprei um jornal em Ibiraçu e vim lendo para cá. Um amigo meu veio dirigindo e eu vim lendo. E as notícias são todas sobre mortes. Estamos nos familiarizando com esta realidade de homicídios, com excesso de homicídios. Como se isso fosse normal na nossa vida. Um tempo atrás, quando eu vim para Vila Velha, quando minha esposa estava grávida, eu ia para o trabalho e ela para os exames médicos, e nos deparávamos com corpos de vítimas de homicídios. Estas cenas são normais na nossa cabeça. Não se trata de segurança pública no Espírito Santo como uma política de Estado. Você mascara números e a realidade não é apresentada de uma forma direta.

- E esta semana o Espírito Santo ganha manchete nacional com a denúncia ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em que o Brasil vai aparecer por conta da situação caótica dos presídios capixabas. Na sua opinião, isto é um reflexo desta falta de política de segurança?

- Finalmente, estamos conseguindo ter voz.

- Mesmo que seja fora do Brasil...

- Infelizmente, na ONU. Vamos ter mais uma manchete negativa fora das condenas do Espírito Santo. Os organismos de defesa dos direitos humanos foram chamados de intrusos aqui no Estado, quando a gente poderia ter um governo voltado para esta realidade, conseguindo contribuir para a melhora da estrutura, até porque o governo federal dá um apoio aos estados que querem sair desta situação, como já fez algumas vezes, e o Estado não entrou com nenhuma contrapartida. Resumiu-se a chamar as entidades de intrusas.

- Quando o governo fala de investimento em segurança, ele fala em construção de novos presídios e agora no ingresso de novos quadros na Polícia Militar. Como o senhor vê esta situação? Há um déficit de homens na corporação?

- Há um déficit de policiais e isso é claro, e isso já foi denunciado por mim na Câmara. Como também eles têm que rever a questão da Policia Civil. Um investigador é formado para investigar, não é para tomar conta de preso. O planejamento estratégico apregoado pelo Paulo Hartung a gente vê que há falhas, há grandes gargalos, como na segurança pública. Se o planejamento estratégico fosse consistente e fosse levado às últimas conseqüências, a gente não teria esta demanda por Centros de Detenção Provisórios (CDPs). É um ponto a ser resolvido. A gente não teria falta de efetivo nas ruas.  O governo Paulo Hartung vê segurança pública como gasto e não como investimento.

- Também não há investimento na recuperação do preso, porque as prisões são depósitos de gente, que vivem em situações degradantes...

- Por isso é que eles ojerizam a presença das entidades e organismos de direitos humanos, porque eles não querem que isso seja mostrado lá fora. Aqui você tem como cercear a divulgação dessas realidades. Infelizmente este cerceamento traz consequências para os profissionais da segurança publica. Porque o trabalhador da segurança pública prende reincidente. Tudo termina em quem está lá na ponta. Como também quando acontece um inquérito gerado por homicídio, vai ser mais um inquérito gerado, mas aquele investigador que foi formado e tem a potencialidade para resolver o homicídio tá tomando conta do preso.

- E os inquéritos vão se acumulando...

- E depois cria esta Central de Inquérito que não serve para nada. Porque de que adianta você ter uma pilha de inquéritos se o seu trabalhador de segurança pública está tomando conta de preso?

- Sem falar na falta de equipamentos especializados...

- mSem falar nisso. E a gente nem pode reclamar disso porque o governo federal disponibiliza verbas para isso.

- Então o problema é de gestão?

- No ano passado, se não me falha a memória, o governo do Espírito Santo foi o que menos quis ser socorrido pelo Ministério da Justiça, também nesta área de infraestrutura para investigar os crimes.

- Isto não é incoerente? O governo do Estado vive jogando a culpa no governo federal e rejeita verbas?
 
- É, não tem projeto condizente ou não há vontade de buscar isso. E é bom lembrar que no início do governo Paulo Hartung, quem socorreu o governo Paulo Hartung foi o governo Lula, com a antecipação dos royalties. Tinha aquela coisa dos salários atrasados e o governo federal socorreu e essa coisa não pode cair no esquecimento. Se o governo Paulo Hartung fala desta forma, ele é um governo ingrato. Porque o governo Lula pode ser qualquer coisa, mas ele não discrimina os estados. Eu não vejo isso, tanto que os governos que mais estão sendo beneficiados são os que foram oposição ao governo federal.

- O senhor acredita que este problema de gestão seja exclusivo da segurança ou também existe em outras áreas do governo?

- Eu posso falar de pelo menos mais uma área que eu acompanho. Eu acompanho a TV Assembléia, acompanho o trabalho do deputado Euclério Sampaio (PDT), que tem colocado o dedo na ferida. E eu gosto muito de mexer com a internet e seria bom que os capixabas vissem isso, porque lá tem imagens atuais de como realmente é o quadro da saúde no Estado. A gente vê claramente que as atitudes despóticas do Paulo Hartung são atitudes de mascarar a realidade. Governo Joseph Goebbels. Eu acredito que se o Hitler tivesse que nomear um sucessor o Hartung seria seu chefe de propaganda nazista, porque ele soube mascarar tão bem lá, como está acontecendo aqui também.

- Que é a questão da mentira...

- Isso, da mentira repetida várias vezes que se torna verdade. Ai você tem uma máquina que faz propagandas bonitas e eu já fiz esse tipo de denúncia. Você está lá no voo para Brasília, abre a revista de bordo, que seja, e tem lá a reportagem do governo Paulo Hartung, que é uma reportagem muito bonita. Se eu não sou capixaba e eu vejo aquele informe publicitário, eu tenho vontade de passar férias no Espírito Santo. Mas quem vive aqui sabe da realidade.

- O senhor acha que esta popularidade estrondosa do governador vem daí, da propaganda bem feita?

- Com certeza.

- E por que esta realidade não chega à população?

- Por conta de um bom marketing. Eu não sei qual é o presidente americano que disse que investiria até o último centavo do bolso em marketing. Lá em Ecoporanga, onde eu moro, o que o governador Paulo Hartung fez até hoje? Uma estrada ligando o Centro até um assentamento rural, pelo programa Caminhos do Campo, que na verdade pode ser chamado de buracos do campo, porque tem mais buraco do que caminho. A única coisa que ele fez nestes sete anos de governo. Nós temos uma grande dificuldade que é sair do isolamento. Se o governo fosse voltado para o desenvolvimento social... nós já tivemos na década de 70 para 80 mais de 50 mil moradores em Ecoporanga, hoje nós temos 24 mil e caindo, porque o êxodo é muito grande. E seria uma coisa simples para um governo que se diz investidor econômico e social, um governo que se propõe a investir R$ 1 bilhão, que eu não sei onde está sendo investido esse dinheiro, porque se ele faz uma estrada ligando Ecoporanga a Ponto Belo, ele conseguiria tirar do isolamento duas importantes regiões do Estado, porque estaria ligando ao Noroeste do Espírito Santo a Minas Gerais, e tirando duas cidades do isolamento, porque estes lugares hoje são conhecidos como fim de linha. E se você for lá em Ecoporanga, o Paulo Hartung é um cara que todo mundo gosta dele, aparentemente.

- O candidato a deputado federal Max Filho disse em entrevista que o governador traz a modernidade de Washington Luiz, na base do governar é abrir estradas...

- Infelizmente, a gente não tem muito tempo para acompanhar como são feitas estas licitações, até porque o portal da transparência não tem nada de transparente. Aquele portal da transparência é um portal da enganação, porque eu não vejo nada de transparente ali. É melhor você procurar os números no Diário Oficial ou no Tribunal de Contas do Estado (TCES) do que lá. É mais fácil para enxergar os números. Eu acredito que a gente tem que pensar nas estradas em determinados pontos. Eu estou falando de uma realidade que eu vejo. Hoje nós temos um isolamento de Ecoporanga ligando a Nova Venécia. Bom, na verdade é uma obra do governo federal, uma obra fraudulenta e o Tribunal Contas da União (TCU) foi forte, como o TCU foi forte aqui no aeroporto e eu concordo plenamente. Se há fraude é o povo que está sendo penalizado. Teve uma audiência pública lá em Brasília, que eu fui forte com o consórcio e com a Infraero e eu parabenizei o TCU, porque estava correto.

- Porque a impressão que a gente tem é que o governo quer passar por cima da irregularidade para concluir a obra a qualquer custo...

- E existe uma pressão popular também. Então os fraudulentos apostam na pressão popular. Lá em Ecoporanga se fizer uma pesquisa assim: “vamos deixar do jeito que está. Deixa as empresas fazerem do jeito delas e agente vai terminar o asfalto”, garanto que não vai ter um voto contrario. Por isso eu concordo com a intervenção do TCU. É um órgão de extrema importância e tem que ser cada vez mais detalhista. O Brasil quer ficar livre da miséria e da pobreza em 2016, mas os gargalos continuam existindo. Os grandes consórcios estão ali para tirar o dinheiro do contribuinte, fazer obras superfaturadas e obras que não têm um valor que estes caras estão levando para eles.

- Sem falar na terceirização e quarteirização que faz o dinheiro escoar pelo ralo, como foi o caso do aeroporto. Mas agora gostaria que o senhor falasse um pouco do projeto do PSB que está levando o nome do senador Renato Casagrande, embora o senador ainda não tenha confirmado sua participação no pleito.

- Nós capixabas não podemos abrir mão da candidatura do Renato Casagrande ao governo do Estado. Eu estou falando como Partido Socialista Brasileiro. O senador tem preservado essa posição dele, ele é um estrategista, mas um estrategista ligado ao debate e não ao monólogo. Ele nunca vai ser um governador do monólogo. O PSB tenta de todas as formas democráticas viabilizar a candidatura do senador. Nós sabemos que nós temos só dois minutos, do isolamento, mas sabe-se também que a candidatura dele, em todos os 78 municípios, é viável. Em alguns ele sai na frente, outros ele está empatando e alguns está atrás. Na região sul ele está começando a crescer agora, com a caminhada dele. Com o desenvolvimento do plano estratégico do PSB, nós tivemos conferências no ano passado, essas conferências, que deram resultado, mesmo com a armadilhas impostas pelo governador Paulo Hartung.

- O senhor se refere às manobras para esvaziar os encontros do PSB?

- Sim. Parece coisa de criança. Vai ter jogo, mas eu vou levar a bola porque a bola é minha. Ele se porta como se fosse o dono da bola e não vai ter futebol. Mas mesmo assim a gente fazia uma bola de meia e o futebol acontecia assim mesmo e foi melhor ainda, porque a gente soube jogar com a adversidade para viabilizar a candidatura do Renato Casagrande.

- Mas o senador Renato Casagrande faz parte da base do governo Paulo Hartung. Como fazer uma candidatura alternativa estando dentro deste campo de alianças?

- Eu acredito que os capixabas vão se surpreender muito com o Renato. Primeiro porque Paulo Hartung é um ingrato. Paulo Hartung alugou nossa legenda. Nós fomos a laranja do Paulo Hartung. Ele tirou a laranja do pé, descascou a laranja, chupou a laranja e, quando não servia mais para nada, ele jogou o bagaço fora. Então, para o Paulo Hartung, nós somos a laranja que já foi usada. Ele não pode esquecer disso.

- O senhor diz isso porque ele foi eleito em 2002 pelo PSB e em 2006, mesmo já tendo deixado a legenda, recebeu o apoio do partido para se reeleger. É isso?

- Nós acreditávamos que ele era um socialista. Mas ele já foi tudo que você imaginar, até comunista ele já foi. Ele não é referencia de fidelidade partidária. Agora ele é fiel partidário porque a lei determina. Mas isso ele não pode cobrar do Renato. Digamos que ele teve, sim, a ajuda do governo, mas não foi assim aquela ajuda total. Ele coloca nos meios de comunicação como se o Renato fosse um cara sem pernas e sem mãos. Renato tem talento, ele tem uma caminhada histórica no Espírito Santo. Ele não nasceu do nada. Se fosse eu, que tenho um ano de mandato, antes ele estava na viatura, tudo bem, mas Renato, não. Ele tem uma caminhada bonita. E pelo que eu me lembre, ele só teve uma legenda, começa por aí. É um cara que tem história dentro do Partido Socialista Brasileiro e o outro não. Então essa forma truculenta que o Paulo Hartung faz política eu acredito que não é uma forma que deve existir no ambiente democrático que o Brasil vive hoje.

- E o senhor acredita que o palanque do Renato Casagrande hoje independe do palanque nacional que seria com o deputado federal Ciro Gomes?

- Acho que é importante que o PSB tenha um candidato a presidente. Até porque nós socialistas acreditamos que vai dar segundo turno com a presença do Ciro Gomes na disputa. Agora, a candidatura do Renato no Estado não prescinde do palanque nacional. Pelo que nós já falamos da nossa caminhada com o Renato pelo Estado do Espírito Santo. Sem colocar a campanha na rua, você percebe que as pessoas falam muito do Renato. Este mês estamos veiculando as inserções do partido na TV e o povo tem comentado muito sobre isso. A candidatura dele é uma candidatura leve, mas que não foi tratada ainda como oficial. O partido é que leva este nome adiante. Agora, imagine quando ele disser que é candidato e está na caminhada. A coisa vai mudar muito.

- E como fugir deste isolamento em torno da candidatura dele? Porque nós temos a maioria dos partidos no palanque do PMDB. O PSDB tem palanque próprio, até pela questão nacional ficaria impedido de subir no palanque palaciano e o Renato ficou isolado nas coligações.

- Eu olho por dois ângulos. O primeiro é que o Renato está construindo isso dia após dia. Qual o objetivo do Renato? Acompanhar a transição do período Paulo Hartung. Paulo Hartung vai ser candidato ao Senado e o novo governo vai ter que fazer novas consolidações. É um novo governo que se inicia, não é um continuísmo, não. Muita gente acredita que vai ser a continuidade do governo Paulo Hartung, pode até ser nas ações desenvolvimentistas, ligadas à economia e não ao social.

- Mas vai ter outro perfil?

- Vai ter outro perfil e novas relações políticas têm que ser consolidadas.

- Então o senhor acredita que a partir de abril, com a desincompatibilização do governador, este cenário que temos hoje pode sofrer alterações?

- Com certeza. E esse ponto do Renato é um e o outro é o do nosso partido. O PSB vem trabalhando, por meio do nosso presidente, Luiz Carlos Ceciliotti, consolidando novos partidos, mesmo que sejam pequenos partidos. E eu lembro do livro do Antônio Lavareda “Emoções Ocultas e Estratégias Eleitorais”, em que ele faz estes caminhos que já foram percorridos, de exemplos iguais aos de Renato, que conseguiram consolidar suas candidaturas com pouquíssimo tempo e com pouquíssimas lideranças e até mesmo fazer a reversão e ganhar o pleito eleitoral. E nós estamos apostando muito no planejamento voltado para a questão social. É uma área que o Estado não conhece e está atrasado. A gente não pode viver mais no planejamento Power-Point. O planejamento tem que sair do papel e ir para as ruas. Colocar outdoors nos 78 municípios, escrito R$ 1 bilhão é uma coisa que realmente faz um efeito, mas esse efeito tem efeito de cinema. Acabou a sessão, você volta à realidade.

- Mesmo porque a partir de abril ele não vai poder aplicar esse dinheiro...

- Mas ele tenta batalhar a questão da imagem. Os caras que trabalham com o Paulo são muito bons nisso. Eles são artistas.

- E a chapa proporcional do PSB, como é que fica?

- Nós estamos caminhando sozinhos e estamos batalhando candidatos na margem de 15 até 30 mil votos. Eu estou na faixa dos 30 mil votos. Eu não quero ser visto de outra forma.

- E o senhor acredita que o PSB consiga chegar a duas vagas na Câmara?

- O nosso objetivo é esse. Mas isso não descarta fazer uma proporcional com outros partidos, desde que estes partidos aceitem caminhar com o Renato na majoritária. Não dá para desvincular a proporcional da majoritária.

- Eu sei que é cedo para se falar em segundo turno, mas o senhor acredita em uma aproximação com o PSDB, se o PSB chegar até lá? O Luiz Paulo, na entrevista que concedeu a SD, na semana passada demonstrou um interesse de aproximação já no primeiro turno.
 
- Em todos os encontros do PSB e do Renato Casagrande, o Luiz Paulo é o único que tem acompanhado essa agenda. Não é que existe um namoro, mas existe uma afinidade política. E em cada encontro você observa quem está acompanhando e quem não está.

- A sua candidatura em especial... o senhor é um candidato da Polícia Militar. Tem defendido sua categoria, entrando em confronto até com o governo quando preciso. Então como está sendo articulada internamente a questão eleitoral? Em 2006 houve uma pré-seleção e definiu seu nome para federal e os nomes de três candidatos a estadual.

- Existe um projeto político e a gente que é oriundo destes quadros tem que obedecer esta orientação. Embora hoje eu tenha um partido político. Antes eu tinha não oficialmente, contrariando o regulamento castrense, eu era filiado de carteirinha ao PT, aí houve uma pequena ameaça dentro da corporação, aí eu fui lá em Vila Velha, conversei com o Magno Pires, disse que estava difícil e sai do partido, em 2005. E depois o Renato me convidou para participar das reuniões do PSB porque poderia ser uma chapa mais leve para levar a nossa candidatura. Com esse nosso perfil de não ter recurso para levar uma candidatura. O que eu acho um absurdo, a pessoa pagar milhões para garantir uma eleição de federal.

- É porque se você somar o salário de um deputado federal, não faz sentido você gastar milhões em uma campanha.

- É um comprometimento muito grande com o poder.

- Com o poder e com as corporações?

- Com as corporações que costumam mudar de nome (risos). Mas voltando ao projeto político, eles têm viabilizado a nossa candidatura, mas a gente está aberto a fazer o trabalho de retorno à base. Porque se eles disserem: “vamos colocar tantos nomes”. Aí você vai ter que correr todas as bases, todos os quartéis. É importante esse debate.

- E como é este processo?

- Primeiro tem uma eleição interna. A gente coloca tantos nomes para federal e tantos para estadual. Da ultima vez saiu um pelo norte, um pelo centro e outro pelo sul, para estadual; e meu nome para federal. Não sei se desta vez será feito desta forma. Da outra vez quem quisesse concorrer para federal tinha que ir nos quartéis e apresentar a plataforma. Eu acho que a gente não pode abrir mão disso.

- E o senhor acredita que o trabalho que desenvolveu em tão pouco tempo de mandato, sobretudo, em relação à PEC 300, lhe dá condições de concorrer novamente como o nome da PM à Câmara?

- Acho que não só as ações de elevar o piso salarial nacional para todos os trabalhadores de segurança pública. A gente conseguiu mostrar para eles que sem acreditar eles conseguiram colocar 30 mil votos na urna. Hoje eles têm a percepção da magnitude que é ter um representante autêntico lá em Brasília. Então eu acredito que a gente tem condições de divulgar isso na campanha interna. Até porque temos outras ações que não foram colocadas ainda.

- E como foi esta agregação de 30 mil votos?

- Nossa campanha foi feita com dois informativos. O primeiro mostrava toda a trajetória do Assumção, desde soldado, a família, para demonstrar a ligação com a categoria e que a gente não iria “roer a corda”. A gente tinha que mostrar que era importante apostar todas as fichas neste cara que iria lá para Brasília para representar os interesses da categoria. E, além disso, você tem os projetos, porque você é deputado do Brasil inteiro: participações nas comissões de Segurança Pública, Desenvolvimento Econômico e Relações Exteriores. E o segundo informativo nosso foi falando exclusivamente da militância, da importância que tínhamos no processo eleitoral de 2006. Criamos um slogan 1 + 12: eu como trabalhador de segurança publica, acreditando que seria importante ter um representante em Brasília e trazer além do meu voto mais 12.

- E o senhor pretende levar a mesma proposta?

- A mesma proposta. Agora nós estamos numa situação melhor porque na época tínhamos que obedecer aos horários dos quartéis. Eu morava em Ecoporanga, então como é que eu estaria no expediente em Ecoporanga e ao mesmo tempo divulgando a minha plataforma em Cachoeiro? Hoje estou livre para correr todos os quartéis, eu tenho este trânsito, eu não tenho rejeição.

- Era sobre isso que eu ia perguntar... com esta caminhada da PEC 300, já deu para ter um termômetro? Como o senhor está vendo a receptividade da categoria?

- Proporcionalmente, nas marchas que estão indo para Brasília, a maior é a do Espírito Santo, por proporção. Minas Gerais levou 11 ônibus, e Espírito Santo levou sete ônibus. Na segunda, houve uma mobilização e nós aumentamos o número de ônibus. Então eu acreditou que a receptividade é boa.

- Faça uma avaliação deste pouco mais de um ano de mandato.

- Foi um ano e três meses de mandato. Eu tenho convicção absoluta, porque eu sou um servo do senhor, que Ele está regendo tudo. Porque eu me lembro da primeira vez que eu subi na tribuna da Casa, eu tremia igual vara verde, porque alguns dias antes eu estava na viatura, trabalhando no interior do Espírito Santo e eu pensava: “caramba! O que eu estou fazendo aqui?”. Hoje eu já entendo o que eles falam, entendo as jogadas que estão acontecendo no plenário, Deus me deu esta compreensão. E a primeira vez eu li 25 minutos e pedi mais tempo para concluir. Eu li. Na segunda-feira passada, que foi na véspera de nossa grande marcha, que nós paramos Brasília por 10 horas... e isso é fruto da nossa caminhadas lá no PT que eu aprendi tudo isso lá no PT, não foi como polícia não, e eu acho fantástico como o PT tratava estas questões antigamente. Já tomei jato de água de bombeiro em manifestação de estudante. Mas, nessa segunda-feira passada, me foram concedidos mais 25 minutos para falar, do Grande Expediente. Porque nós somos 513 e conseguir um espaço para falar é um desespero. Eu estava fechando os detalhes da marcha e o rapaz me ligou, la da Mesa, dizendo que eu ia ter 25 minutos naquele dia. Adivinha quantas laudas eu li? Nenhuma. Eu falei 25 minutos do que já estava tudo no cerne. Os deputados estão entendendo este pleito. Pela primeira vez estamos tomando para nós a responsabilidade que seria do Executivo, de tratar do piso salarial dos trabalhadores da segurança, como política de Estado. E eu sonhava até o final que o governo trata-se como medida provisória, mas não aconteceu.

E o senhor acredita que quando chegar na mão do Lula ele vai sancionar?

- Na quarta feira de do governo. E a gente também trabalha com cenários, e a gente como categoria trabalha com cenários manhã eu recebi um telefonema do secretario nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, me perguntando se eu tinha números primários do impacto que seria. Então eles têm essa preocupação, mas querem ver até onde o jogo democrático permite que a gente ande. A gente não pode ser romântico. Sabemos que há uma pressão por parte dos trabalhadores e existe uma pressão por parte positivo e negativo. O Brasil está caminhando para ser uma grande potência. A gente acredita no que o governo diz, que até 2016 vai acabar com a pobreza, como está caindo, nós avançamos muito nesta área.

- E como é o seu relacionamento com a bancada?

- Muito bom. Tenho aprendido muito, com todos eles. Com o nosso coordenador de bancada, Camilo Cola (PMDB), que cobra a presença na bancada, e eu sempre tenho diálogo com ele, às vezes não posso participar e ele entende. Todos os nove companheiros, na hora da reunião da bancada nós esquecemos as nossas diferenças e eu recebo bons conselhos de todos eles.

Fonte: SeculoDiario


postado por Capitão Assumção as 10:37:32 # 0 comentários
 
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A causa como bandeira
Militares capixabas preparam novas acões em favor da PEC dos policiais
Destaques do governo podem inviabilizar a PEC 300
Definição de piso de policiais pode parar na Justiça, diz deputado
PEC 300 É APROVADA EM PRIMEIRO TURNO NA CÂMARA DOS DEPUTADOS
Piso salarial nacional: aprovação em primeiro turno

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