OTIMISMO
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quinta, 13 agosto, 2009
ARTIGO CIENTÍFICO - Degradação de Recursos Hídricos e seus Efeitos sobre a Saúde Humana
ESPERO QUE ESTE ARTIGO CIENTÍFICO PESQUISADO NO SITE www.scielo.br seja lhe agradável. Abraços Roberta O ARTIGO CIENTÍFICO: 370 Rev Saúde Pública 2002;36(3):370-4 www.fsp.usp.br/rsp Degradação de recursos hídricos e seus efeitos sobre a saúde humana Water resources deterioration and its impact on human health Danielle Serra de Lima Moraesa e Berenice Quinzani Jordãob aDepartamento de Ciências do Ambiente, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Campus de Corumbá, MS, Brasil. bDepartamento de Biologia Geral, Centro de Ciências Biológicas, Universidade Estadual de Londrina. Londrina, PR, Brasil Correspondência para/Correspondence to: Danielle Serra de Lima Moraes Universidade Federal de Mato Grosso do Sul Campus de Corumbá Av. Rio Branco, 1270, Bairro Universitário 79304-020 Corumbá, MS, Brasil E-mail: dmoraes@ceuc.ufms.br Recebido em 22/3/2001. Reapresentado em 9/10/2001. Aprovado em 8/3/2002. Descritores Recursos hídricos, saúde pública. Conservação da água. Impacto ambiental. Proteção ambiental. Degradação ambiental, saúde humana. Keywords Waters resources, public health. Water conservation. Environmental impact. Environmental protection. Environmental degradation, human health. INTRODUÇÃO Os ambientes aquáticos são utilizados em todo o mundo com distintas finalidades, entre as quais se destacam o abastecimento de água, a geração de energia, a irrigação, a navegação, a aqüicultura e a harmonia paisagística.14 A água representa, sobretudo, o principal constituinte de todos os organismos vivos. Resumo O objetivo do trabalho é analisar dados sobre a real disponibilidade dos recursos hídricos e o reflexo de sua degradação na saúde humana. Visa a acompanhar o crescimento da degradação ambiental nos últimos anos e o fornecimento de dados recentes e confiáveis sobre o tema. Foram abordados os seguintes aspectos: (a) atividades antrópicas e degradação ambiental; (b) estatísticas da disponibilidade e demanda dos recursos hídricos; (c) despejos urbanos e industriais como fontes de contaminação dos recursos hídricos; (d) efeitos deletérios da água contaminada sobre o organismo humano. São alarmantes os valores estatísticos relacionados aos efeitos da água contaminada sobre a saúde humana e ao aumento na demanda dos recursos hídricos. É de importância fundamental a tomada de uma consciência ambientalista por parte das gerações atuais a fim de se evitar o estresse máximo do sistema hídrico, cuja efetivação está prevista para um futuro muito próximo. Abstract The objective of the study is to analyse the actual availability of water resources and its impact on human health deterioration. The following aspects were studied: (a) human activities and environmental deterioration; (b) statistics on the availability and demand of water resources; (c) urban and industry wastes as sources of water resources contamination; and (d) deleterious effect of contaminated water on human health. Statistical data on the impact of contaminated water on human health and the increasing demand of water resources are alarming. It is paramount that modern generations develop an environmental awareness to avoid overstressing water systems, as predicted to come about in the very near future. No entanto, nas últimas décadas, esse precioso recurso vem sendo ameaçado pelas ações indevidas do homem, o que acaba resultando em prejuízo para a própria humanidade. Até 1920, à exceção das secas do Nordeste, a água no Brasil não representou problemas ou limitações. A cultura da abundância atualmente prevalecente Atualização Current Comment Rev Saúde Pública 2002;36(3):370-4 371 www.fsp.usp.br/rsp Degradação ambiental e saúde humana Moraes DS de L & Jordão BQ teve origem nesse período. Ao longo da década de 70 e mais acentuadamente na de 80, a sociedade começou a despertar para as ameaças a que estaria sujeita se não mudasse de comportamento quanto ao uso de seus recursos hídricos. Foram instituídas nesses anos várias comissões interministeriais para encontrar meios de aprimorar o sistema de uso múltiplo dos recursos hídricos e minimizar os riscos de comprometimento de sua qualidade, principalmente no que se refere às futuras gerações, pois a vulnerabilidade desse recurso natural já começava a se fazer sentir.13 O Brasil ainda possui a vantagem de dispor de abundantes recursos hídricos. Porém, possui também a tendência desvantajosa de desperdiçá-los. A grande crise da água, prevista para o ano de 2020,19 tem preocupado cientistas das diversas áreas no mundo inteiro, e o caminho que poderá conduzir ao caos hídrico já é trilhado, representando, dentre outros, sério problema de saúde pública. Entende-se que as necessidades de saúde da população são muito mais amplas do que as que podem ser satisfeitas com a garantia de cobertura dos serviços de saúde. Sua dimensão pode ser estimada quando se examinam, por exemplo, a precariedade do sistema de água e de esgotos sanitários e industriais; o uso abusivo de defensivos agrícolas; a inadequação das soluções utilizadas para o destino do lixo; a ausência ou insuficiência de medidas de proteção contra enchentes, erosão e desproteção dos mananciais; e os níveis de poluição e contaminação hídrica, atmosférica, do solo, do subsolo e alimentar.8 O presente trabalho é fruto de uma inquietação gerada diante de fatos que se mostram cada vez mais evidentes. De um lado, pode-se notar o esbanjamento e o verdadeiro desperdício de água por parte daqueles que a julgam um bem privado e infinito. De outro lado, já se faz sentir a escassez desse recurso, sobretudo nas grandes cidades, onde o rodízio compulsório para sua utilização tornou-se uma realidade. O presente trabalho tem como propósito descrever e interpretar dados sobre a real disponibilidade dos recursos hídricos, bem como sobre o reflexo de sua degradação na saúde humana. ATIVIDADES ANTROPOGÊNICAS E DEGRADAÇÃO AMBIENTAL As atitudes comportamentais do homem, desde que ele se tornou parte dominante dos sistemas, têm uma tendência em sentido contrário à manutenção do equilíbrio ambiental. Ele esbanja energia e desestabiliza as condições de equilíbrio pelo aumento de sua densidade populacional, além da capacidade de tolerância da natureza, e de suas exigências individuais. Não podendo criar as fontes que satisfazem suas necessidades fora do sistema ecológico, o homem impõe uma pressão cada vez maior sobre o ambiente. Os impactos exercidos pelo homem são de dois tipos: primeiro, o consumo de recursos naturais em ritmo mais acelerado do que aquele no qual eles podem ser renovados pelo sistema ecológico; segundo, pela geração de produtos residuais em quantidades maiores do que as que podem ser integradas ao ciclo natural de nutrientes. Além desses dois impactos, o homem chega até a introduzir materiais tóxicos no sistema ecológico que tolhem e destroem as forças naturais.5 A maior parte da água que é retirada não é atualmente consumida e retorna a sua fonte sem nenhuma alteração significativa na qualidade. A água é um solvente versátil freqüentemente usado para transportar produtos residuais para longe do local de produção e descarga. Infelizmente, os produtos residuais transportados são freqüentemente tóxicos, e sua presença pode degradar seriamente o ambiente do rio, lago ou riacho receptor.18 Com isso, em todas as partes povoadas da Terra, a qualidade da água doce natural está sendo perturbada. Os problemas são rapidamente agravados em países tropicais, onde os custos do tratamento de águas poluídas têm compartilhado fundos com outras atividades mais urgentes.4 Entre essas atividades emergenciais constantes em países tropicais, destacam-se as doenças provocadas pela água não tratada, o que gera um ciclo de causaefeito de difícil solução. As primeiras ameaças antropogênicas aos recursos aquáticos foram freqüentemente associadas a doenças humanas, especialmente doenças causadas por organismos e resíduos com demanda de oxigênio. Regiões de grande densidade populacional foram as primeiras áreas de risco, mas águas de áreas isoladas também sofrem degradação.10 A rápida urbanização concentrou populações de baixo poder aquisitivo em periferias carentes de serviços essenciais de saneamento. Isto contribuiu para gerar poluição concentrada, sérios problemas de drenagem agravados pela inadequada deposição de lixo, assoreamento dos corpos d’água e conseqüente diminuição das velocidades de escoamento das águas.8 372 Rev Saúde Pública 2002;36(3):370-4 www.fsp.usp.br/rsp Degradação ambiental e saúde humana Moraes DS de L & Jordão BQ ESCASSEZ DE RECURSOS HÍDRICOS: UMA RESPOSTA AO DESCONTROLE SOCIAL À medida que as populações e as atividades econômicas crescem, muitos países atingem rapidamente condições de escassez de água ou se defrontam com limites para o desenvolvimento econômico. A demanda de água aumenta rapidamente, com 70-80% exigidos para a irrigação, menos de 20% para a indústria, e apenas 6% para consumo doméstico. O manejo holístico da água doce como um recurso finito e vulnerável e a integração de planos e programas hídricos setoriais aos planos econômicos e sociais nacionais foram medidas de importância fundamental para a década de 1990 e o são também para o futuro.2 Há poucas regiões no mundo ainda livres dos problemas da perda de fontes potenciais de água doce, da degradação na qualidade da água e da poluição das fontes de superfície e subterrâneas. Os problemas mais graves que afetam a qualidade da água de rios e lagos decorrem, em ordem variável de importância, segundo as diferentes situações, de esgotos domésticos tratados de forma inadequada, de controles inadequados dos efluentes industriais, da perda e destruição das bacias de captação, da localização errônea de unidades industriais, do desmatamento, da agricultura migratória sem controle e de práticas agrícolas deficientes. Os ecossistemas aquáticos são perturbados, e as fontes vivas de água doce estão ameaçadas.2 Nos últimos 60 anos, a população mundial duplicou, enquanto o consumo de água multiplicou-se por sete. Considerando que, da água existente no planeta, 97% são salgadas (mares e oceanos), e que 2% formam geleiras inacessíveis, resta apenas 1% de água doce, armazenada em lençóis subterrâneos, rios e lagos, distribuídos desigualmente pela Terra. O Brasil detém 8% de toda essa reserva de água, sendo que 80% da água doce do país encontram-se na região Amazônica, ficando os restantes 20% circunscritos ao abastecimento das áreas do território brasileiro onde se concentram 95% da população.1 Estima-se que, no início deste século, mais da metade da população mundial viverá em zonas urbanas. Até o ano 2025, essa proporção chegará aos 60%, compreendendo cerca de 5 bilhões de pessoas. O crescimento rápido da população urbana e da industrialização está submetendo a graves pressões os recursos hídricos e a capacidade de proteção ambiental de muitas cidades. Uma alta proporção de grandes aglomerações urbanas está localizada em torno de estuários e em zonas costeiras. Essa situação leva à poluição pela descarga de resíduos municipais e industriais combinada com a exploração excessiva dos recursos hídricos disponíveis, ameaçando o meio ambiente marinho e o abastecimento de água doce.2 Com o aumento da população humana e de sua tecnologia, impactos, como os seguintes, diversificaram- se: a) produção de efluentes domésticos; b) erosão seguida de alteração da paisagem pela agricultura, pela urbanização e pelo reflorestamento; c) alteração de canais de rios e margens de lagos por meio de diques, canalização, drenagem e inundações de áreas alagáveis e dragagem para navegação; d) supercolheita de recursos biológicos; e e) proliferação de agentes químicos tóxicos específicos ou não.7 Dentro da idéia genérica de poluição, podem ser incluídos vários processos alterados de qualidade, como contaminações bacteriológica e química, eutrofização e assoreamento. As contaminações são originárias principalmente do lançamento de águas residuais domésticas e industriais em rios e lagos. A poluição de um ambiente aquático envolve, portanto, processos de ordem física, química e biológica.14 Todavia, no contexto geral, o conceito de poluição não está ainda definido com exatidão e nem divulgado corretamente na esfera da população. Para uns, poluição é a modificação prejudicial em um ambiente onde se encontra instalada uma forma de vida qualquer; para outros, essa forma de vida tem de ser o homem, e outros também a admitem como uma alteração ecológica nociva direta ou indiretamente ligada à higidez humana.3 O déficit de água, produto da modificação ambiental cujo processo encontra-se acelerado, atinge a higidez humana não somente pela sede, principal conseqüência da escassez de água, mas também por doenças e queda de produção de alimentos, o que gera tensões sociais e políticas que, por sua vez, podem acarretar guerras.19 EFEITOS DA DEGRADAÇÃO DE RECURSOS HÍDRICOS SOBRE A SAÚDE HUMANA Atualmente, a cada 14 segundos, morre uma criança vítima de doenças hídricas.19 Estima-se que 80% de todas as moléstias e mais de um terço dos óbitos dos países em desenvolvimento sejam causados pelo consumo de água contaminada, e, em média, até um décimo do tempo produtivo de cada pessoa se perde devido a doenças relacionadas à água. Os esgotos e excrementos humanos são causas importantes dessa deterioração da qualidade da água em países em desenvolvimento. 2 Tais efluentes contêm misturas tóxicas, como pesticidas, metais pesados, produtos inRev Saúde Pública 2002;36(3):370-4 373 www.fsp.usp.br/rsp Degradação ambiental e saúde humana Moraes DS de L & Jordão BQ dustriais e uma variedade de outras substâncias. As conseqüências dessas emissões podem ser sérias.16 Quando impropriamente manuseados e depositados, os despejos industriais atingem a saúde humana e a ambiental. Exposição humana (ocupacional ou não ocupacional) a despejos industriais tem conduzido a efeitos na saúde que compreendem desde dores de cabeça, náuseas, irritações na pele e pulmões, a sérias reduções das funções neurológicas e hepáticas. Evidências dos efeitos genotóxicos à saúde, como câncer, defeitos congênitos e anomalias reprodutivas, também têm sido mencionadas. Aumento de incidência de carcinomas gastrointestinais, de bexiga, anomalias reprodutivas e malformações congênitas tem sido encontrado em populações que vivem próximas a perigosos depósitos de despejo.6 Os despejos urbanos são, evidentemente, muito variados. Estima-se que as águas residuais urbanas contenham quantidades consideráveis de matéria em suspensão, metais pesados e, em determinadas épocas, cloro procedente da dispersão de sais nas ruas. A qualidade das águas residuais é, conseqüentemente, muito variável, tendo em certas ocasiões registros de altos índices de demanda biológica de oxigênio.9 Porém, propriedades físico-químicas, identidade e origens de genotoxinas em águas de despejo doméstico e águas de superfície permanecem desconhecidas.18 Sabe-se que os metais são naturalmente incorporados aos sistemas aquáticos por meio de processos geoquímicos. No entanto, nas últimas décadas, têm sido verificadas inúmeras alterações ambientais provenientes, sobretudo, dos processos de urbanização e industrialização.13 Certos metais pesados causam forte impacto na estabilidade de ecossistemas e provocam efeitos adversos nos seres humanos. Alguns desses metais são capazes de provocar efeitos tóxicos agudos e câncer em mamíferos devido a danos que causam no DNA.15 Até mesmo os elementos químicos essenciais à manutenção e ao equilíbrio da saúde, quando em excesso, tornam-se nocivos, podendo comprometer gravemente o bem-estar dos organismos.13 Inúmeras pesquisas têm detectado freqüência anormalmente alta de neoplasias em peixes em regiões industrializadas.17 Estudos em plantas e animais selvagens de ambientes impactados por despejos perigosos ou efluentes industriais proporcionam evidência adicional dos efeitos genotóxicos. Aumento estatisticamente significativo de mutações cromossômicas foi verificado em plantas coletadas ao longo de um rio contaminado, quando comparadas a plantas crescendo em região não contaminada. Outros estudos realizados com peixes de águas doce e salgada têm mostrado alta incidência de neoplasias em espécies coletadas em correntes poluídas por despejos industriais.6 Foram encontradas, também, elevadas freqüências de células aberrantes em sistema-teste vegetal (Allium cepa) tratado com águas de efluente municipal que desemboca às margens do rio Paraguai, no pantanal sul-matogrossense, comprovando a genotoxicidade dessas águas. O referido local de despejo encontra-se muito próximo a um aglomerado humano que, certamente, desconhece o potencial deletério dessas águas.11 Tais resultados despertam preocupação do ponto de vista ambiental e em relação ao organismo humano, pois resultados provenientes de bioensaios genéticos são relevantes à saúde humana porque o alvo toxicológico é o DNA, o qual existe em todas as formas celulares vivas. Portanto, pode ser extrapolado que compostos que se mostram reativos com DNA em uma espécie têm o potencial de produzir efeitos similares em outras espécies. Em geral, perturbações do material genético são deletérias para o organismo e podem conduzir a conseqüências severas e irreversíveis à saúde.6 A toxicidade aguda representa o primeiro nível de impacto no ecossistema aquático. Todavia, atualmente está muito bem estabelecido que diversas descargas industriais contêm muitas substâncias que podem não ter efeito agudo, mas que são capazes de reduzir, em longo prazo, a sobrevida de um organismo via danos do genoma de células somáticas e germinativas. Tais danos genéticos têm sido relacionados a desordens genéticas hereditárias e ao câncer.17 Muitos indicadores da saúde dos sistemas biológicos têm sido testados nos últimos anos. Cada um tem sensibilidade a diferentes níveis de degradação e a diferentes tipos de estresse antropogênico. Portanto, a complexidade dos sistemas biológicos e a diversidade dos fatores responsáveis pela sua degradação tornam pouco provável que alguma medida tenha sensibilidade suficiente para ser usada sob todas as circunstâncias.7 O impacto dos efluentes genotóxicos no ambiente e o significado para a saúde humana são, de fato, difíceis de predizer, porque eles são misturas complexas de substâncias químicas. A interpretação completa de seus efeitos freqüentemente requer, de forma complementar, análises químicas dos constituintes. Tais análises podem indicar os componentes dos efluentes que podem per374 Rev Saúde Pública 2002;36(3):370-4 www.fsp.usp.br/rsp Degradação ambiental e saúde humana Moraes DS de L & Jordão BQ sistir e acumular na biota exposta e, então, representar potencialmente um perigo à saúde humana.12 COMENTÁRIOS FINAIS A preocupação com a degradação e a conseqüente escassez dos recursos hídricos deixou de ser somente uma bandeira de luta de ambientalistas fervorosos, passando a representar um sério problema de saúde pública. Por certo, a água é um bem naturalmente renovável. Porém, na prática, o aumento populacional tem ocorrido em níveis superiores aos tolerados pela natureza, o que resultará, em pouco tempo, em estresse do sistema hídrico. Fonte de vida e de riqueza, a água torna-se causa de um número estatisticamente alarmante de doenças. Os dados mencionados anteriormente chegam a ser apocalípticos. Mas é exatamente isto. Os seres vivos, inclusive os humanos com toda sua tecnologia, não foram capazes de se adaptar à vida sem água. Entretanto, a irracionalidade humana do desperdício e da degradação superou o instinto de sobrevivência, colocando em risco até mesmo sua própria espécie. Embora as pesquisas que visam a diagnosticar e tratar ambientes aquáticos degradados tenham aumentado muito nas últimas décadas, inexistem soluções mágicas e/ou instantâneas que possam resolver a problemática da degradação ambiental. O desenvolvimento de uma consciência ambientalista, muito mais do que medidas punitivas, ainda é o meio mais eficaz de evitar a concretização da grande crise da água, prevista para um futuro bem próximo. As gerações atuais precisam de uma nova cultura em relação ao uso da água, pois, além da garantia de seu próprio bem-estar e sobrevivência, devem cultivar a preocupação com as próximas gerações e com a natureza, as quais, por certo, também têm direito a esse legado. REFERÊNCIAS 1. Assis JC. Água sob medida. Agroanalysis 1998;18:83-8. 2. Agenda 21. Proteção da qualidade e do abastecimento dos recursos hídricos: aplicação de critérios integrados no desenvolvimento, manejo e uso dos recursos hídricos. Água em Rev: Suplemento das Águas; 1996. p.14-33. 3. Carvalho BA. Ecologia aplicada ao saneamento ambiental. Rio de Janeiro: ABES; 1980. 4. Falkenmark M, Allard B. Water Quality and disturbances of natural freshwaters. In: Hutzinger O, editor. The handbook of environmental chemistry. Part A - Water pollution. Berlin: Ed. Springer Verlag; 1991. v. 5. p. 46-78. 5. Grupo de Trabalho. Índices de Avaliação de Projetos Hídricos.(GTZ). Coletânea de textos traduzidos: índices hidro-ambientais – análise e avaliação do seu uso na estimação dos impactos ambientais e projetos hídricos. Curitiba (PR); 1995. cap. 2 6. Houk VS. The genotoxicity of industrial wastes and effluents: a review. Mutat Res 1992;277:91-138. 7. Karr JR. Biological integrity: a long-neglected aspect of water resource management. Ecol Appl 1991;1:66-84. 8. Magalhães T. Perigo de morte (ou risco de vida). Bio 1995;7(7):4-9. 9. Mason CF. Biología de la contaminación del agua dulce. S.l.:s.n. 1980. 10. Meybek M, Helmer R. The quality of rivers: from pristine stage to global pollution. Paleogeogr Paleoclimatol Paleoecol 1989;75:283-309. 11. Moraes DSL. Avaliação dos potenciais tóxico, citotóxico e genotóxico de águas ambientais do município de Corumbá, MS, em raízes de Allium cepa [Dissertação de mestrado]. Londrina (PR): Universidade Estadual de Londrina; 2000. 12. Odeigah PGC, Nurudeen O, Amund OO. Genotoxicity of oil field wastewater in Nigeria. Hereditas 1997;126:161-7. 13. Rodriguez AF. Os caminhos das águas. Agroanalysis 1998;18:22-6. 14. Sperling EV. Considerações sobre a saúde de ambientes aquáticos. Bio 1993;2(3):53-6. 15. Steinkellner H, Mun-Sik K, Helma C, Eckher S, Ma TH, Horak O, et al. Genotoxic effects of heavy metals: comparative investigation with plant bioassays. Environ Mol Mutagen 1998;31:183-91. 16. Vega MM, Fernandez TB, Tarazona JV, Castaño A. Biological and chemical tools in the toxicological risk assessment of Jarama River, Madrid, Spain. Environ Pollut 1996;93(2):135-9. 17. White PA, Rasmussen JB, Blaise C. Comparing the presence, potency, and potencial hazard of genotoxins extracted from a broad range of industrial effluents. Environ Mol Mutag 1996;27:116-39. 18. White PA, Rasmussen JB. The genotoxic hazards of domestic wastes in surface waters. Mutat Res 1998;410:223-36. 19. Wrege M. A ética da água. InformANDES 2000;(96):12.

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ARTIGO CIENTÍFICO - LIXO E ECOSSISTEMA URBANO

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Espero que o presente seja tão enriquecedor quanto foi para mim.

Abraços

Roberta

0 ARTIGO PESQUISADO:

Sociedade & Natureza, Uberlândia, 20 (1): 111-124, jun. 2008

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Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano

Carlos Alberto Mucelin, Marta Bellini

LIXO E IMPACTOS AMBIENTAIS PERCEPTÍVEIS NO ECOSSISTEMA URBANO

Garbage and perceptible environmental impacts in urban ecosystem

Carlos Alberto Mucelin

Professor Doutor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR.

Líder do Grupo de Pesquisa em Semiótica e Percepção Ambiental – GPSPA.

mucelin@utfpr.edu.br

Marta Bellini

Professora Doutora da Universidade Estadual de Maringá – UEM.

Pesquisadora e membro do GPSPA

martabellini@uol.com.br

Artigo recebido para publicação em 06/11/2007 e aceito para publicação em 25/02/2008

RESUMO: Este artigo tem como temática o lixo e considerações a respeito de determinados impactos ambientais

perceptíveis que os resíduos sólidos potencializam em fragmentos do ambiente urbano. Abordamos

impactos ambientais negativos ocasionados pelas formas de uso, costumes e hábitos culturais

perceptíveis em cidades do Brasil. Registramos que o lixo causa impactos negativos em determinados

ambientes urbanos como margens de ruas e leito de rios, pela existência de hábitos de disposição final

inadequada de resíduos. Apresentamos parte da percepção ambiental de atores sociais da cidade de

Medianeira - Oeste do Paraná, Brasil - a respeito do lixo.

Este artigo tem como temática o lixo e considerações a respeito de determinados impactos ambientais

perceptíveis que os resíduos sólidos potencializam em fragmentos do ambiente urbano. Abordamos

impactos ambientais negativos ocasionados pelas formas de uso, costumes e hábitos culturais

perceptíveis em cidades do Brasil. Registramos que o lixo causa impactos negativos em determinados

ambientes urbanos como margens de ruas e leito de rios, pela existência de hábitos de disposição final

inadequada de resíduos. Apresentamos parte da percepção ambiental de atores sociais da cidade de

Medianeira - Oeste do Paraná, Brasil - a respeito do lixo.

Palavras-chave: Ecossistema urbano. Lixo. Impacto Ambiental.

Ecossistema urbano. Lixo. Impacto Ambiental.

ABSTRACT: This article has as thematic the garbage and considerations about certain perceptible environmental

impacts that the solid residues enlarge in fragments of the urban environment. We approached negative

environmental impacts caused by the use forms, customs and perceptible cultural habits in cities of

Brazil. We register that the garbage impacts negatively certain urban environments, as street margins

and river-beds, provoked by the existence of habits of inadequate final arrangement of residues. We

show part of environmental perception of social actors in Medianeira city – West of Paraná – Brazil –

concerning garbage.

This article has as thematic the garbage and considerations about certain perceptible environmental

impacts that the solid residues enlarge in fragments of the urban environment. We approached negative

environmental impacts caused by the use forms, customs and perceptible cultural habits in cities of

Brazil. We register that the garbage impacts negatively certain urban environments, as street margins

and river-beds, provoked by the existence of habits of inadequate final arrangement of residues. We

show part of environmental perception of social actors in Medianeira city – West of Paraná – Brazil –

concerning garbage.

Keywords: Urban ecosystem. Garbage. Environmental impact.

Urban ecosystem. Garbage. Environmental impact.

1 INTRODUÇÃO

A criação das cidades e a crescente ampliação

das áreas urbanas têm contribuído para o crescimento

de impactos ambientais negativos. No ambiente

urbano, determinados aspectos culturais como o

consumo de produtos industrializados e a necessidade

da água como recurso natural vital à vida, influenciam

como se apresenta o ambiente. Os costumes e hábitos

no uso da água e a produção de resíduos pelo

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Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano

Carlos Alberto Mucelin, Marta Bellini

exacerbado consumo de bens materiais são

responsáveis por parte das alterações e impactos

ambientais.

Alterações ambientais físicas e biológicas ao

longo do tempo modificam a paisagem e

comprometem ecossistemas. Para Fernandez (2004)

as alterações ambientais ocorrem por inumeráveis

causas, muitas denominadas naturais e outras oriundas

de intervenções antropológicas, consideradas não

naturais. É fato que o desenvolvimento tecnológico

contemporâneo e as culturas das comunidades têm

contribuído para que essas alterações no e do ambiente

se intensifiquem, especialmente no ambiente urbano.

Atualmente a maior parte das pessoas habita

ambientes urbanos. Dados apresentados pelo Instituto

Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2004)

indicam que no Brasil mais de 80% das pessoas são

moradores urbanos. Odum (1988) considera que a

acelerada urbanização e crescimento das cidades,

especialmente a partir de meados do século XX

promoveram mudanças fisionômicas no Planeta, mais

do que qualquer outra atividade humana.

É possível observamos que determinados

impactos ambientais estão se acirrando, motivado

entre outras coisas pelo crescimento populacional

mundial. Ricklefs (1996) e Fernandez (2004)

registraram uma projeção de mais de 6 bilhões de

seres humanos na Terra para 2006. Estimativas

publicadas pelo IBGE (2006) em maio de 2006

indicavam que a população mundial era de 6,8 bilhões

de pessoas. Destes, segundo Fernandez (2004, p. 177)

aproximadamente 5 bilhões vivem nos países pobres,

com sua maioria em um crescente quadro de pobreza

e miséria, especialmente nos arredores das cidades.

A população do Brasil apresenta a mesma

tendência mundial de ocupação ambiental, ou seja,

opta pelo ecossistema urbano como lar. Ott (2004, p.

17) considera que a transformação do Brasil de país

rural para urbano ocorreu segundo um processo

predatório em essência, com acentuada exclusão

social de classes da população menos privilegiada que

por não terem condições de aquisição de terrenos em

áreas urbanas estruturadas ocupam “[...] em sua

maioria, terrenos que deveriam ser protegidos para

preservação das águas, encostas, fundos de vale entre

outros”.

O morador urbano, independentemente de

classe social, anseia viver em um ambiente saudável

que apresente as melhores condições para vida, ou

seja, que favoreça a qualidade de vida: ar puro,

desprovido de poluição, água pura em abundância

entre outras características tidas como essenciais.

Entretanto, observar um ambiente urbano implica em

perceber que o uso, as crenças e hábitos do morador

citadino têm promovido alterações ambientais e

impactos significativos no ecossistema urbano. Essa

situação é compreendida como crise e sugere uma

reforma ecológica.

Há mais de vinte anos Viola (1987, p. 129)

sugere que a reforma urbana ecológica aponte para

uma cidade mais democrática, mais humana e

respirável: a cidade do ser humano. Não é apenas a

cidade onde os aluguéis e transportes sejam mais

acessíveis, na qual cada família tenha direito a um

terreno, mas também um ambiente urbano mais

arborizado, mais silencioso e alegre, menos

verticalizado, menos agressivo e com menores índices

de poluição do ar.

A expressão “reforma ecológica” que Viola

(1987) usa para reivindicar um ambiente urbano

melhor, sugere, de imediato, que tal ambiente está

aquém de uma cidade ideal como propôs Tuan (1980).

No Brasil, acreditamos que tal “reforma” seja urgente,

especialmente no ambiente urbano pelos perceptíveis

impactos ambientais negativos.

O lixo urbano, muitas vezes, é responsável

pelos impactos ambientais que mencionamos. Neste

artigo, apresentamos considerações a respeito do lixo

e de fragmentos do ambiente urbano que sofrem

impactos negativos pela disposição inadequada desses

resíduos. Apresentamos também a percepção a

respeito do lixo de um grupo de atores sociais de uma

pequena cidade da região Oeste do Paraná, Brasil,

que foram investigados.

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2 O CONSUMO DE BENS MATERIAIS E O

LIXO

A cultura de um povo ou comunidade

caracteriza a forma de uso do ambiente, os costumes

e os hábitos de consumo de produtos industrializados

e da água. No ambiente urbano tais costumes e hábitos

implicam na produção exacerbada de lixo e a forma

com que esses resíduos são tratados ou dispostos no

ambiente, gerando intensas agressões aos fragmentos

do contexto urbano, além de afetar regiões não

urbanas.

O consumo cotidiano de produtos

industrializados é responsável pela contínua produção

de lixo. A produção de lixo nas cidades é de tal

intensidade que não é possível conceber uma cidade

sem considerar a problemática gerada pelos resíduos

sólidos, desde a etapa da geração até a disposição

final. Nas cidades brasileiras, geralmente esses

resíduos são destinados a céu aberto (IBGE, 2006).

Lixo é uma palavra latina (lix) que significa

cinza, vinculada às cinzas dos fogões. Segundo

Ferreira (1999), lixo é “aquilo que se varre da casa,

do jardim, da rua e se joga fora; entulho. Tudo o que

não presta e se joga fora. Sujidade, sujeira, imundície.

Coisa ou coisas inúteis, velhas, sem valor”. Jardim e

Wells (1995, p. 23) definem lixo como “[...] os restos

das atividades humanas, considerados pelos geradores

como inúteis, indesejáveis, ou descartáveis”.

Em média, o lixo doméstico no Brasil,

segundo Jardim e Wells (1995) é composto por: 65%

de matéria orgânica; 25% de papel; 4% de metal; 3%

de vidro e 3% de plástico. Apesar de atender a

legislação específica de cada município, o lixo

comercial até 50 kg ou litros e o domiciliar são de

responsabilidade das prefeituras, enquanto os demais

são de responsabilidade do próprio gerador.

É inevitável a geração de lixo nas cidades

devido à cultura do consumo. Segundo o IBGE, em

2006, o Brasil é constituído por 5.507 municípios e

na última Pesquisa Nacional de Saneamento Básico,

realizada no ano de 2000 pelo IBGE, foi registrado

que somente 33% (1.814) dos 5.475 municípios

daquele ano coletavam a totalidade dos resíduos

domiciliares gerados nas residências urbanas de seus

territórios. Os dados dessa pesquisa revelaram que

diariamente o Brasil gerava 228.413 toneladas diárias

de resíduos sólidos. Isso implica numa produção de

1,2 kg/habitante (IBGE, 2006).

A problemática ambiental gerada pelo lixo é

de difícil solução e a maior parte das cidades

brasileiras apresenta um serviço de coleta que não

prevê a segregação dos resíduos na fonte (IBGE,

2006). Nessas cidades é comum observarmos hábitos

de disposição final inadequados de lixo. Materiais

sem utilidade se amontoam indiscriminada e

desordenadamente, muitas vezes em locais indevidos

como lotes baldios, margens de estradas, fundos de

vale e margens de lagos e rios.

lix) que significa

cinza, vinculada às cinzas dos fogões. Segundo

Ferreira (1999), lixo é “aquilo que se varre da casa,

do jardim, da rua e se joga fora; entulho. Tudo o que

não presta e se joga fora. Sujidade, sujeira, imundície.

Coisa ou coisas inúteis, velhas, sem valor”. Jardim e

Wells (1995, p. 23) definem lixo como “[...] os restos

das atividades humanas, considerados pelos geradores

como inúteis, indesejáveis, ou descartáveis”.

Em média, o lixo doméstico no Brasil,

segundo Jardim e Wells (1995) é composto por: 65%

de matéria orgânica; 25% de papel; 4% de metal; 3%

de vidro e 3% de plástico. Apesar de atender a

legislação específica de cada município, o lixo

comercial até 50 kg ou litros e o domiciliar são de

responsabilidade das prefeituras, enquanto os demais

são de responsabilidade do próprio gerador.

É inevitável a geração de lixo nas cidades

devido à cultura do consumo. Segundo o IBGE, em

2006, o Brasil é constituído por 5.507 municípios e

na última Pesquisa Nacional de Saneamento Básico,

realizada no ano de 2000 pelo IBGE, foi registrado

que somente 33% (1.814) dos 5.475 municípios

daquele ano coletavam a totalidade dos resíduos

domiciliares gerados nas residências urbanas de seus

territórios. Os dados dessa pesquisa revelaram que

diariamente o Brasil gerava 228.413 toneladas diárias

de resíduos sólidos. Isso implica numa produção de

1,2 kg/habitante (IBGE, 2006).

A problemática ambiental gerada pelo lixo é

de difícil solução e a maior parte das cidades

brasileiras apresenta um serviço de coleta que não

prevê a segregação dos resíduos na fonte (IBGE,

2006). Nessas cidades é comum observarmos hábitos

de disposição final inadequados de lixo. Materiais

sem utilidade se amontoam indiscriminada e

desordenadamente, muitas vezes em locais indevidos

como lotes baldios, margens de estradas, fundos de

vale e margens de lagos e rios.

3 A DISPOSIÇÃO FINAL DO LIXO: HÁBITOS

URBANOS VISÍVEIS

Entre os impactos ambientais negativos que

podem ser originados a partir do lixo urbano

produzido estão os efeitos decorrentes da prática de

disposição inadequada de resíduos sólidos em fundos

de vale, às margens de ruas ou cursos d’água. Essas

práticas habituais podem provocar, entre outras coisas,

contaminação de corpos d’água, assoreamento,

enchentes, proliferação de vetores transmissores de

doenças, tais como cães, gatos, ratos, baratas, moscas,

vermes, entre outros. Some-se a isso a poluição visual,

mau cheiro e contaminação do ambiente.

A vivência cotidiana muitas vezes mascara

circunstâncias visíveis, mas não perceptíveis. Mesmo

contemplando casos de agressões ao ambiente, os

hábitos cotidianos concorrem para que o morador

urbano não reflita sobre as conseqüências de tais

hábitos, mesmo quando possui informações a esse

respeito.

Considerando o pressuposto de que os seres

humanos são essencialmente ambientais e, como tais,

tendem a subjetivamente perceber o ambiente por

meio de signos que engendram a imagem ambiental,

Sociedade & Natureza, Uberlândia, 20 (1): 111-124, jun. 2008

20 (1): 111-124, jun. 2008

114

Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano

Carlos Alberto Mucelin, Marta Bellini

como se processa a percepção ambiental? Para Ferrara

(1999, p. 153) percepção ambiental é “[...] informação

na mesma medida em que informação gera

informação: usos e hábitos são signos do lugar

informado que só se revela na medida em que é

submetido a uma operação que expõe a lógica da sua

linguagem. A essa operação dá-se o nome de

percepção ambiental”.

Mucelin e Bellini (2006) enfatizam que no

contexto urbano as condições apresentadas pelo

ambiente “[...] são influenciadas, entre outros fatores,

pela percepção de seus moradores, que estimulam e

engendram a imagem ambiental determinando a

formação das crenças e hábitos que conformam o

uso”.

As atividades cotidianas condicionam o

morador urbano a observar determinados fragmentos

do ambiente e não perceber situações com graves

impactos ambientais condenáveis. Casos de agressões

ambientais como poluição visual e disposição

inadequada de lixo refletem hábitos cotidianos em

que o observador é compelido a conceber tais

situações como “normais”.

Andar pela cidade e contemplar os fragmentos

habituais – regiões do ambiente urbano que compõem

esse ecossistema – permite observar paisagem que

retrata hábitos edificados temporal e culturalmente.

Muitos são visíveis e se apresentam no mosaico de

possibilidades da cena urbana. No entanto, nem

sempre tais circunstâncias são percebidas e o morador

local, pela vivência cotidiana habitual, não reflete

sobre o contexto onde vive.

A disponibilidade de água facilita ou contribui

para o desenvolvimento urbano, que leva em conta

os recursos hídricos para a edificação das cidades.

No ambiente urbano é fundamental o abastecimento

de água e o tratamento de esgotos e águas pluviais.

Por isso, as cidades, geralmente, são fundadas

próximas ou sobre o leito de rios por razões óbvias:

facilidade na obtenção de água. Nas cidades do Brasil

é perceptível um padrão de construção de edifícios

junto a leitos de rios (Figura 1). Suas margens,

entretanto, deveriam ser preservadas com a

manutenção da mata ciliar ou de galeria. Também é

possível observar que na maioria dos casos, o rio é

usado como local de disposição final de lixo, um

hábito cultural existente e condenável.

Figura 1). Suas margens,

entretanto, deveriam ser preservadas com a

manutenção da mata ciliar ou de galeria. Também é

possível observar que na maioria dos casos, o rio é

usado como local de disposição final de lixo, um

hábito cultural existente e condenável.

Figura 1. O rio no perímetro urbano, edificações e hábitos visíveis e condenáveis. Fotografia (a): cidade de Palmas –

PR (2006). Fotografia (b): cidade de Medianeira – PR (2006). Autor: Carlos Alberto Mucelin

Fotografia (a) Fotografia (b)

Sociedade & Natureza, Uberlândia, 20 (1): 111-124, jun. 2008

20 (1): 111-124, jun. 2008

115

Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano

Carlos Alberto Mucelin, Marta Bellini

À medida que a cidade se expande,

freqüentemente, ocorrem impactos com o aumento

da produção de sedimentos pelas alterações

ambientais das superfícies e produção de resíduos

sólidos; deterioração da qualidade da água pelo uso

nas atividades cotidianas, e lançamento de lixo, esgoto

e águas pluviais nos corpos receptores.

Pela relação habitual humana com o ambiente,

com hábitos comumente observáveis no cenário

urbano e, tais como os apresentados na Figura 1, é

que Odum (1988) e Rickefs (1996) consideram a

cidade uma das maiores fontes de agressão ambiental,

embora a poluição dos mananciais na área urbana

ocorra de várias outras maneiras. Constituem fontes

poluidoras os esgotos domésticos, comerciais e

industriais e a destinação inadequada de resíduos

sólidos em fundos de vale, margens de rios e

monturos.

O manancial hídrico é importante na definição

do ambiente para a construção da cidade.

Inevitavelmente, o desenvolvimento urbano tende a

contaminar o ambiente com despejo de esgotos

cloacais e pluviais. Os rios são utilizados como corpos

receptores de efluentes e ainda, o lixo, que

inadequadamente também é depositado nas margens

e leito.

A disponibilidade de água facilita ou contribui

para o desenvolvimento urbano, que leva em conta

os recursos hídricos para a edificação das cidades.

No ambiente urbano é fundamental o abastecimento

de água e o tratamento de esgotos e águas pluviais.

O uso da água na cidade, tipicamente, tem

um ciclo característico de impacto ambiental negativo.

A água é coletada de uma fonte local (rio, lago ou

lençol freático), é tratada, utilizada e retorna para um

corpo coletor. Nesse retorno só excepcionalmente ela

conserva as mesmas características de quando foi

captada. Ocorrem alterações nas composições de sais,

matéria orgânica, temperatura e outros resíduos

poluidores.

Além destes impactos, em relação aos

recursos hídricos, ainda existem aqueles causados

pela deficiente infra-estrutura urbana: obstrução de

escoamentos por construções irregulares, obstrução

de rios por resíduos, projetos e obras de drenagem

inadequadas.

A poluição dos mananciais na área urbana

ocorre de várias maneiras. No contexto urbano, outro

fragmento do ambiente utilizado para a disposição

final inadequada de lixo são os lotes baldios e as

margens de ruas e estradas.

Figura 1, é

que Odum (1988) e Rickefs (1996) consideram a

cidade uma das maiores fontes de agressão ambiental,

embora a poluição dos mananciais na área urbana

ocorra de várias outras maneiras. Constituem fontes

poluidoras os esgotos domésticos, comerciais e

industriais e a destinação inadequada de resíduos

sólidos em fundos de vale, margens de rios e

monturos.

O manancial hídrico é importante na definição

do ambiente para a construção da cidade.

Inevitavelmente, o desenvolvimento urbano tende a

contaminar o ambiente com despejo de esgotos

cloacais e pluviais. Os rios são utilizados como corpos

receptores de efluentes e ainda, o lixo, que

inadequadamente também é depositado nas margens

e leito.

A disponibilidade de água facilita ou contribui

para o desenvolvimento urbano, que leva em conta

os recursos hídricos para a edificação das cidades.

No ambiente urbano é fundamental o abastecimento

de água e o tratamento de esgotos e águas pluviais.

O uso da água na cidade, tipicamente, tem

um ciclo característico de impacto ambiental negativo.

A água é coletada de uma fonte local (rio, lago ou

lençol freático), é tratada, utilizada e retorna para um

corpo coletor. Nesse retorno só excepcionalmente ela

conserva as mesmas características de quando foi

captada. Ocorrem alterações nas composições de sais,

matéria orgânica, temperatura e outros resíduos

poluidores.

Além destes impactos, em relação aos

recursos hídricos, ainda existem aqueles causados

pela deficiente infra-estrutura urbana: obstrução de

escoamentos por construções irregulares, obstrução

de rios por resíduos, projetos e obras de drenagem

inadequadas.

A poluição dos mananciais na área urbana

ocorre de várias maneiras. No contexto urbano, outro

fragmento do ambiente utilizado para a disposição

final inadequada de lixo são os lotes baldios e as

margens de ruas e estradas.

Figura 2. Margens de ruas utilizadas para a disposição inadequada de lixo. Fotografia (a) cidade de Medianeira – PR

(2006). Fotografia (b): cidade de Londrina – PR (2007). Autor: Carlos Alberto Mucelin

Fotografia (a) Fotografia (b)

Sociedade & Natureza, Uberlândia, 20 (1): 111-124, jun. 2008

20 (1): 111-124, jun. 2008

116

Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano

Carlos Alberto Mucelin, Marta Bellini

A vivência cotidiana nos estimula

pragmaticamente à elaboração mental de idéias das

coisas que percebemos. Objetos e fatos observados e

percebidos forçam a construção por associações de

idéias que estimulam a mediação, orientando as ações

e determinando as condutas, modo de ação. É nesse

processo dinâmico, dialógico e interativo que

desenvolvemos as crenças responsáveis pelos hábitos,

que edificam o nosso modo de viver. Muitas vezes

estes hábitos são condenáveis, como por exemplo, a

disposição inadequada do lixo, em ambientes como

os apresentados nas Figuras 1 e 2.

Nos monturos e mesmo nas ruas da cidade é

comum a presença de grupos de catadores de resíduos

sólidos recicláveis que, geralmente munidos de um

carrinho, encontram na separação e comercialização

desses resíduos, um meio de sua sobrevivência. Essa

atividade, com raras exceções, ocorre em condições

subumanas, pelos riscos que o lixo representa para a

saúde e pelas condições de materiais e de

equipamentos disponíveis nessa atividade.

Muitas agressões ambientais no espaço

urbano são perceptíveis, enquanto outras não são tão

evidentes, mesmo que intensas. Tuan (1980, p. 1)

entende que o valor da percepção é fundamental

quando se busca solução de determinadas agressões

ambientais: “[...] percepção, atitudes e valores –

preparam-nos primeiramente, a compreender nós

mesmos. Sem a auto-compreensão não podemos

esperar por soluções duradouras para os problemas

ambientais que, fundamentalmente, são problemas

humanos”.

Figuras 1 e 2.

Nos monturos e mesmo nas ruas da cidade é

comum a presença de grupos de catadores de resíduos

sólidos recicláveis que, geralmente munidos de um

carrinho, encontram na separação e comercialização

desses resíduos, um meio de sua sobrevivência. Essa

atividade, com raras exceções, ocorre em condições

subumanas, pelos riscos que o lixo representa para a

saúde e pelas condições de materiais e de

equipamentos disponíveis nessa atividade.

Muitas agressões ambientais no espaço

urbano são perceptíveis, enquanto outras não são tão

evidentes, mesmo que intensas. Tuan (1980, p. 1)

entende que o valor da percepção é fundamental

quando se busca solução de determinadas agressões

ambientais: “[...] percepção, atitudes e valores –

preparam-nos primeiramente, a compreender nós

mesmos. Sem a auto-compreensão não podemos

esperar por soluções duradouras para os problemas

ambientais que, fundamentalmente, são problemas

humanos”.

4 ACERCA DA PERCEPÇÃO AMBIENTAL

Percepção é uma palavra de origem latina -

perceptione - que pode ser entendida como tomada

de consciência de forma nítida a respeito de qualquer

objeto ou circunstância. A circunstância em questão

diz respeito a fenômenos vivenciados. Para Ferreira

(1999) a percepção é a elaboração mental e consciente

a respeito de determinado objeto ou fato, quer

clarificando, distinguindo ou privilegiado alguns de

seus aspectos, quer ao associá-la a outros objetos ou

contexto.

A respeito da percepção, Locke (2001, p. 79)

considerou-a como “[...] a primeira faculdade da

mente usada por nossas idéias, consiste assim, na

primeira e na mais simples idéia que temos da

reflexão, por alguns denominada pensamento [...]

apenas a reflexão pode nos dar idéias do que é a

percepção”

Del Rio (1999, p. 3) define a percepção como:

que pode ser entendida como tomada

de consciência de forma nítida a respeito de qualquer

objeto ou circunstância. A circunstância em questão

diz respeito a fenômenos vivenciados. Para Ferreira

(1999) a percepção é a elaboração mental e consciente

a respeito de determinado objeto ou fato, quer

clarificando, distinguindo ou privilegiado alguns de

seus aspectos, quer ao associá-la a outros objetos ou

contexto.

A respeito da percepção, Locke (2001, p. 79)

considerou-a como “[...] a primeira faculdade da

mente usada por nossas idéias, consiste assim, na

primeira e na mais simples idéia que temos da

reflexão, por alguns denominada pensamento [...]

apenas a reflexão pode nos dar idéias do que é a

percepção”

Del Rio (1999, p. 3) define a percepção como:

[...] um processo mental de interação do indivíduo

com o meio ambiente que se dá através de

mecanismos perceptivos propriamente ditos e

principalmente, cognitivos. Os primeiros são

dirigidos pelos estímulos externos, captados

através dos cinco sentidos [...]. Os segundos são

aqueles que compreendem a contribuição da

inteligência, admitindo-se que a mente não

funciona apenas a partir dos sentidos e nem recebe

essas sensações passivamente.

Tuan (1980) afirma que o mundo é percebido

pelos humanos pelo uso de todos os seus sentidos.

Assim, a percepção é uma espécie de leitura de

mundo, na qual os sentidos perceptivos regem a

produção cognitiva de cada um. Sobre essa leitura de

mundo, via imagens, Kanashiro (2003, p. 160) propõe

que elas “[...] seriam tipos de estruturas ou de

esquemas imaginativos que incorporariam certos tipos

‘ideais’ e um determinado conhecimento de como o

mundo ‘real’ funciona” [grifos do autor].

A leitura perceptiva do ambiente urbano, tanto

individual quanto coletiva, é produzida nas interrelações

fenomenológicas habituais entre o morador

e o ambiente. O julgamento perceptivo do ambiente

ocorre pela semiose dos signos locais experienciados,

estabelecidos a partir dos constituintes do ambiente

e está intrinsecamente vinculado às crenças e hábitos

vigentes.

A abrangência e o caráter inefável dos estudos

de percepção ambiental é tal que concordamos com

que incorporariam certos tipos

‘ideais’ e um determinado conhecimento de como o

mundo ‘real’ funciona” [grifos do autor].

A leitura perceptiva do ambiente urbano, tanto

individual quanto coletiva, é produzida nas interrelações

fenomenológicas habituais entre o morador

e o ambiente. O julgamento perceptivo do ambiente

ocorre pela semiose dos signos locais experienciados,

estabelecidos a partir dos constituintes do ambiente

e está intrinsecamente vinculado às crenças e hábitos

vigentes.

A abrangência e o caráter inefável dos estudos

de percepção ambiental é tal que concordamos com

Sociedade & Natureza, Uberlândia, 20 (1): 111-124, jun. 2008

20 (1): 111-124, jun. 2008

117

Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano

Carlos Alberto Mucelin, Marta Bellini

Tuan (1980, p. 2) quando menciona o fato de que o

cientista e o teórico tendem a descuidar da

subjetividade e diversidade humana, dada sua

complexidade. Por isso: “[...] numa visão mais ampla,

sabemos que as atitudes e crenças não podem ser

excluídas nem mesmo da abordagem prática, pois é

prático reconhecer as paixões humanas em qualquer

cálculo ambiental” (Ibid., p. 2).

A vivência cotidiana molda padrões

comportamentais habituais. Neste sentido, o morador

urbano tem, na maioria das vezes, situações diárias

vivenciadas de forma repetitiva, o que produz uma

espécie de máscara destas situações no contexto. Isso

forma uma imagem perceptiva em dois vieses: de um

lado o ambiente urbano legível e perceptível

vivenciado; de outro, situações e locais

imperceptíveis, ocultos ao julgamento perceptivo.

Apresentamos a seguir parte da percepção a

respeito do lixo, que foi obtida por meio de estudo

com 88 profissionais, moradores urbanos investigados

em 2006, da cidade de Medianeira, Oeste do Paraná,

Brasil. Nossa investigação perceptiva do ambiente

urbano de Medianeira foi desenvolvida com

profissionais de 11 atividades distintas e atuantes na

cidade. Investigamos quatro homens e quatro

mulheres que atuavam como: funcionários do

comércio, comerciantes do centro, dentistas, médicos,

comerciantes de bairros, professores universitários,

professores de ensino médio, universitários, políticos,

donos de casa do centro e donos de casa de bairro.

A exceção ocorreu na atividade de donos de

casa, tanto do centro como de bairros, pois

conseguimos entrevistar apenas dois homens. Isso é

um indicativo de que a mulher ainda, muitas vezes,

assume o trabalho doméstico na cidade, geralmente,

com dupla jornada, ou seja, trabalha fora e em casa.

As informações perceptivas foram obtidas por

meio de entrevistas semi-estruturadas e as

informações sistematizadas pelo método de análise

de conteúdo.

Ibid., p. 2).

A vivência cotidiana molda padrões

comportamentais habituais. Neste sentido, o morador

urbano tem, na maioria das vezes, situações diárias

vivenciadas de forma repetitiva, o que produz uma

espécie de máscara destas situações no contexto. Isso

forma uma imagem perceptiva em dois vieses: de um

lado o ambiente urbano legível e perceptível

vivenciado; de outro, situações e locais

imperceptíveis, ocultos ao julgamento perceptivo.

Apresentamos a seguir parte da percepção a

respeito do lixo, que foi obtida por meio de estudo

com 88 profissionais, moradores urbanos investigados

em 2006, da cidade de Medianeira, Oeste do Paraná,

Brasil. Nossa investigação perceptiva do ambiente

urbano de Medianeira foi desenvolvida com

profissionais de 11 atividades distintas e atuantes na

cidade. Investigamos quatro homens e quatro

mulheres que atuavam como: funcionários do

comércio, comerciantes do centro, dentistas, médicos,

comerciantes de bairros, professores universitários,

professores de ensino médio, universitários, políticos,

donos de casa do centro e donos de casa de bairro.

A exceção ocorreu na atividade de donos de

casa, tanto do centro como de bairros, pois

conseguimos entrevistar apenas dois homens. Isso é

um indicativo de que a mulher ainda, muitas vezes,

assume o trabalho doméstico na cidade, geralmente,

com dupla jornada, ou seja, trabalha fora e em casa.

As informações perceptivas foram obtidas por

meio de entrevistas semi-estruturadas e as

informações sistematizadas pelo método de análise

de conteúdo.

5 A PERCEPÇÃO DO LIXO SEGUNDO

ATORES SOCIAIS DE MEDIANEIRA

O lixo, quando não tratado adequadamente,

pode ser responsável por impactos ambientais graves

ao ambiente. Em nossa pesquisa questionamos o que

a palavra lixo significava para os atores pesquisados.

Obviamente não buscávamos uma definição formal,

mas sim como os atores participantes percebiam ou

entendiam o lixo. Registramos dois núcleos sígnicos

perceptivos. De um lado, alguns atores listavam

objetos que constituíam o lixo e, de outro, a maior

parte procurava formular uma definição.

O lixo era percebido pela maioria como algo

que não tinha mais utilidade, uma sobra de material

descartável, aquilo que as pessoas desejavam jogar

fora, geralmente, vinculado à sujeira, imundície,

sujidade e ao mau cheiro. Não obstante, o lixo também

foi percebido e considerado como um conjunto de

materiais com valor econômico agregado.

Observamos que, ao pronunciar a palavra lixo,

a maior parte dos atores deixava transparecer, pela

expressão do rosto, sentimento de repúdio, reprovação

e, geralmente, vinculava-o a coisas ruins. Portanto, o

lixo era percebido como um signo ruim. Uma dona

de casa de bairro mencionou: “Lixo é um desrespeito

à natureza!”.

Indagamos aos atores sobre se produziam lixo.

Todos disseram produzir. Entre os 88 entrevistados,

apenas um proprietário do comércio do centro e uma

dentista afirmaram que a quantidade produzida em

suas residências é pequena.

Questionamos acerca da quantidade diária de

lixo produzida em suas residências. As respostas eram

dadas com hesitação, evidenciando que eles não

tinham certeza. Convém mencionar que as médias

apresentadas são valores da produção diária de lixo,

por residências, que os atores afirmaram produzir.

Pareceu-nos que registrar ou controlar a

quantidade de lixo produzida era uma novidade. O

estranhamento e dúvidas que esta questão gerou nos

Sociedade & Natureza, Uberlândia, 20 (1): 111-124, jun. 2008

20 (1): 111-124, jun. 2008

118

Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano

Carlos Alberto Mucelin, Marta Bellini

atores sociais de Medianeira indicam que não há

hábitos de mensuração. Apenas seis entrevistados

(7%) não sabiam ou não opinaram a respeito dessa

quantidade. Entre os 82 atores que indicaram a

quantidade produzida, a menor foi mencionada por

um professor universitário - 0,25kg, ator que morava

sozinho. A maior foi indicada como 20 kg diários por

residência. No Quadro 1, a média em quilos de lixo

produzido nas residências dos entrevistados.

Quadro 1.Percepção da quantidade de lixo diário produzido nas residências dos atores

ENTREVISTADOS MÉDIA PERCEBIDA DA PRODUÇÃO

DE LIXO POR RESIDÊNCIAS (kg/dia)

Proprietário do comércio do centro 3,19

Proprietário do comércio de bairro 7,19

Professor universitário 3,09

Professor ensino médio 3,71

Aluno universitário 3,42

Trabalhador do comércio 4,75

Políticos 3,57

Médicos 2,19

Dentistas 4,94

Dono de casa do centro 7,07

Dono de casa de bairro 4,44

MEDIA GERAL 4,32

Apesar da ampla variabilidade de situações,

como o número de membros em cada família e os

valores da produção de lixo ser percebidos e não

mensurados, a média geral da produção foi de 4,32

kg por família. A média dos membros das famílias

investigadas foi de 3,36 pessoas. Portanto, temos uma

média de produção diária per capita de lixo percebido

de 1,28kg. Essa média se aproxima da média nacional

brasileira atual que, segundo o (IBGE 2005), oscila

em torno de 1,2kg de lixo por habitante/dia.

Nos diálogos ficou evidente que os atores não

sabiam exatamente quantos quilos de lixo as famílias

produziam. Suas respostas eram aproximadas e

baseadas no manuseio feito em suas residências pelo

volume que formavam. Ficou evidente que os atores

não tinham convicção ou mecanismo de controle para

informar com maior precisão. Acreditamos que não

existia a preocupação com a quantidade produzida,

porque o lixo era coletado e afastado das residências

e, portanto, não afetava os membros das famílias, de

forma direta, obviamente.

O tipo de lixo produzido em maior quantidade

nas residências dos entrevistados também suscitou

incertezas nas respostas. Registramos que o tipo de

lixo produzido nas residências era percebido segundo

dois grupos mais significativos: o lixo seco,

geralmente formado por embalagens de papel, metais,

plástico ou vidro, e o lixo orgânico. Foi indicado ainda

o lixo considerado rejeito - geralmente, lixo de

banheiros e fraldas descartáveis.

A maior parte do atores, 51 (58%), mencionou

o lixo seco como o que mais produziam em suas

residências. Os demais (37 atores) disseram que era

o lixo orgânico.

Agrupamos as respostas dos atores segundo

os tipos de lixo: seco e orgânico.

per capita de lixo percebido

de 1,28kg. Essa média se aproxima da média nacional

brasileira atual que, segundo o (IBGE 2005), oscila

em torno de 1,2kg de lixo por habitante/dia.

Nos diálogos ficou evidente que os atores não

sabiam exatamente quantos quilos de lixo as famílias

produziam. Suas respostas eram aproximadas e

baseadas no manuseio feito em suas residências pelo

volume que formavam. Ficou evidente que os atores

não tinham convicção ou mecanismo de controle para

informar com maior precisão. Acreditamos que não

existia a preocupação com a quantidade produzida,

porque o lixo era coletado e afastado das residências

e, portanto, não afetava os membros das famílias, de

forma direta, obviamente.

O tipo de lixo produzido em maior quantidade

nas residê


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segunda, 10 agosto, 2009
projeto pedagógico e solidariedade

 

 

 

A FOTO


Foto: Cachorro e macaco-prego num tapume, à beira do Rio Negro, AM


UM PROJETO PEDAGÓGICO IMPLICA NO ESFORÇO DE INTEGRAÇÃO DA ESCOLA NUM PROPÓSITO EDUCATIVO COMUM, A PARTIR DA IDENTIFICAÇÃO DAS PRÁTICAS VIGENTES NA SITUAÇÃO INSTITUCIONAL. NA CONVIVÊNCIA ESCOLAR E COMUNITÁRIA (José Mário Pires Azanha)

ELE APOIA-SE NO DESENVOLVIMENTO DA CONSCIÊNCIA CRÍTICA, NO ENVOLVIMENTO DAS PESSOAS (COMUNIDADE INTERNA E EXTERNA À ESCOLA); AUTONOMIA, RESPONSABILIDADE E CRIATIVIDADE, GERANDO O PRODUTO DO PROJETO. (Moacir Gadotti)

O PROJETO PEDAGÓGICO OBJETIVA DEIXAR CLARAS SUAS EXPECTATIVAS E AS METAS QUE QUER ALCANÇAR COMO RESULTADO SOCIAL DE SEU TRABALHO, DEFININDO PROPOSTAS DE AÇÕES, ATITUDES, REGREAS E ROTINAS PARA QUE ESSES RESULTADOS SEJAM ALCANÇADOS.

Nossa foto engloba todos esses conceitos: solidariedade, aceitação mútua, romper barreiras, diversidade social e racial, equilíbrio ambiental, harmonia entre os diferentes, convivência, ousadia, coragem, cautela, permissão, autonomia, liberdade, comprometimento, integração, mudança de paradigmas, participação, ambiente favorável, credibilidade, mudança comportamental, motivação, psicologia, percepção e acima de tudo RESPEITO.

Os dois foram ousados, deixaram o preconceito de lado, interagiram, mutuamente se ajudaram com o objetivo de equilibrar o ambiente natural, onde ambos cederam e foram beneficiados.

O CÃO,  aceitando a ajuda do macaco, já que é incapaz de exterminar os insistentes hospedeiros.

O MACACO, aceitando a ajuda do cão, já que tem compulsão em achar carrapatos e comê-los. 

AMOR, OUSADIA e RESPEITO sempre dão excelentes resultados.



postado por 124147 as 09:00:06 0 comentários
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