OTIMISMO
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quinta, 13 agosto, 2009
ARTIGO CIENTÍFICO - LIXO E ECOSSISTEMA URBANO

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O artigo científico pesquisado é rico em informações, de fácil compreensão, didático e principalmente interessantíssimo, da lavra de conceituados autores.

Afinal o excesso de lixo nos rodeia, muitas campanhas são feitas e não melhoramos em nada o nosso ambiente.

Espero que o presente seja tão enriquecedor quanto foi para mim.

Abraços

Roberta

0 ARTIGO PESQUISADO:

Sociedade & Natureza, Uberlândia, 20 (1): 111-124, jun. 2008

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Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano

Carlos Alberto Mucelin, Marta Bellini

LIXO E IMPACTOS AMBIENTAIS PERCEPTÍVEIS NO ECOSSISTEMA URBANO

Garbage and perceptible environmental impacts in urban ecosystem

Carlos Alberto Mucelin

Professor Doutor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR.

Líder do Grupo de Pesquisa em Semiótica e Percepção Ambiental – GPSPA.

mucelin@utfpr.edu.br

Marta Bellini

Professora Doutora da Universidade Estadual de Maringá – UEM.

Pesquisadora e membro do GPSPA

martabellini@uol.com.br

Artigo recebido para publicação em 06/11/2007 e aceito para publicação em 25/02/2008

RESUMO: Este artigo tem como temática o lixo e considerações a respeito de determinados impactos ambientais

perceptíveis que os resíduos sólidos potencializam em fragmentos do ambiente urbano. Abordamos

impactos ambientais negativos ocasionados pelas formas de uso, costumes e hábitos culturais

perceptíveis em cidades do Brasil. Registramos que o lixo causa impactos negativos em determinados

ambientes urbanos como margens de ruas e leito de rios, pela existência de hábitos de disposição final

inadequada de resíduos. Apresentamos parte da percepção ambiental de atores sociais da cidade de

Medianeira - Oeste do Paraná, Brasil - a respeito do lixo.

Este artigo tem como temática o lixo e considerações a respeito de determinados impactos ambientais

perceptíveis que os resíduos sólidos potencializam em fragmentos do ambiente urbano. Abordamos

impactos ambientais negativos ocasionados pelas formas de uso, costumes e hábitos culturais

perceptíveis em cidades do Brasil. Registramos que o lixo causa impactos negativos em determinados

ambientes urbanos como margens de ruas e leito de rios, pela existência de hábitos de disposição final

inadequada de resíduos. Apresentamos parte da percepção ambiental de atores sociais da cidade de

Medianeira - Oeste do Paraná, Brasil - a respeito do lixo.

Palavras-chave: Ecossistema urbano. Lixo. Impacto Ambiental.

Ecossistema urbano. Lixo. Impacto Ambiental.

ABSTRACT: This article has as thematic the garbage and considerations about certain perceptible environmental

impacts that the solid residues enlarge in fragments of the urban environment. We approached negative

environmental impacts caused by the use forms, customs and perceptible cultural habits in cities of

Brazil. We register that the garbage impacts negatively certain urban environments, as street margins

and river-beds, provoked by the existence of habits of inadequate final arrangement of residues. We

show part of environmental perception of social actors in Medianeira city – West of Paraná – Brazil –

concerning garbage.

This article has as thematic the garbage and considerations about certain perceptible environmental

impacts that the solid residues enlarge in fragments of the urban environment. We approached negative

environmental impacts caused by the use forms, customs and perceptible cultural habits in cities of

Brazil. We register that the garbage impacts negatively certain urban environments, as street margins

and river-beds, provoked by the existence of habits of inadequate final arrangement of residues. We

show part of environmental perception of social actors in Medianeira city – West of Paraná – Brazil –

concerning garbage.

Keywords: Urban ecosystem. Garbage. Environmental impact.

Urban ecosystem. Garbage. Environmental impact.

1 INTRODUÇÃO

A criação das cidades e a crescente ampliação

das áreas urbanas têm contribuído para o crescimento

de impactos ambientais negativos. No ambiente

urbano, determinados aspectos culturais como o

consumo de produtos industrializados e a necessidade

da água como recurso natural vital à vida, influenciam

como se apresenta o ambiente. Os costumes e hábitos

no uso da água e a produção de resíduos pelo

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Carlos Alberto Mucelin, Marta Bellini

exacerbado consumo de bens materiais são

responsáveis por parte das alterações e impactos

ambientais.

Alterações ambientais físicas e biológicas ao

longo do tempo modificam a paisagem e

comprometem ecossistemas. Para Fernandez (2004)

as alterações ambientais ocorrem por inumeráveis

causas, muitas denominadas naturais e outras oriundas

de intervenções antropológicas, consideradas não

naturais. É fato que o desenvolvimento tecnológico

contemporâneo e as culturas das comunidades têm

contribuído para que essas alterações no e do ambiente

se intensifiquem, especialmente no ambiente urbano.

Atualmente a maior parte das pessoas habita

ambientes urbanos. Dados apresentados pelo Instituto

Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2004)

indicam que no Brasil mais de 80% das pessoas são

moradores urbanos. Odum (1988) considera que a

acelerada urbanização e crescimento das cidades,

especialmente a partir de meados do século XX

promoveram mudanças fisionômicas no Planeta, mais

do que qualquer outra atividade humana.

É possível observamos que determinados

impactos ambientais estão se acirrando, motivado

entre outras coisas pelo crescimento populacional

mundial. Ricklefs (1996) e Fernandez (2004)

registraram uma projeção de mais de 6 bilhões de

seres humanos na Terra para 2006. Estimativas

publicadas pelo IBGE (2006) em maio de 2006

indicavam que a população mundial era de 6,8 bilhões

de pessoas. Destes, segundo Fernandez (2004, p. 177)

aproximadamente 5 bilhões vivem nos países pobres,

com sua maioria em um crescente quadro de pobreza

e miséria, especialmente nos arredores das cidades.

A população do Brasil apresenta a mesma

tendência mundial de ocupação ambiental, ou seja,

opta pelo ecossistema urbano como lar. Ott (2004, p.

17) considera que a transformação do Brasil de país

rural para urbano ocorreu segundo um processo

predatório em essência, com acentuada exclusão

social de classes da população menos privilegiada que

por não terem condições de aquisição de terrenos em

áreas urbanas estruturadas ocupam “[...] em sua

maioria, terrenos que deveriam ser protegidos para

preservação das águas, encostas, fundos de vale entre

outros”.

O morador urbano, independentemente de

classe social, anseia viver em um ambiente saudável

que apresente as melhores condições para vida, ou

seja, que favoreça a qualidade de vida: ar puro,

desprovido de poluição, água pura em abundância

entre outras características tidas como essenciais.

Entretanto, observar um ambiente urbano implica em

perceber que o uso, as crenças e hábitos do morador

citadino têm promovido alterações ambientais e

impactos significativos no ecossistema urbano. Essa

situação é compreendida como crise e sugere uma

reforma ecológica.

Há mais de vinte anos Viola (1987, p. 129)

sugere que a reforma urbana ecológica aponte para

uma cidade mais democrática, mais humana e

respirável: a cidade do ser humano. Não é apenas a

cidade onde os aluguéis e transportes sejam mais

acessíveis, na qual cada família tenha direito a um

terreno, mas também um ambiente urbano mais

arborizado, mais silencioso e alegre, menos

verticalizado, menos agressivo e com menores índices

de poluição do ar.

A expressão “reforma ecológica” que Viola

(1987) usa para reivindicar um ambiente urbano

melhor, sugere, de imediato, que tal ambiente está

aquém de uma cidade ideal como propôs Tuan (1980).

No Brasil, acreditamos que tal “reforma” seja urgente,

especialmente no ambiente urbano pelos perceptíveis

impactos ambientais negativos.

O lixo urbano, muitas vezes, é responsável

pelos impactos ambientais que mencionamos. Neste

artigo, apresentamos considerações a respeito do lixo

e de fragmentos do ambiente urbano que sofrem

impactos negativos pela disposição inadequada desses

resíduos. Apresentamos também a percepção a

respeito do lixo de um grupo de atores sociais de uma

pequena cidade da região Oeste do Paraná, Brasil,

que foram investigados.

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Carlos Alberto Mucelin, Marta Bellini

2 O CONSUMO DE BENS MATERIAIS E O

LIXO

A cultura de um povo ou comunidade

caracteriza a forma de uso do ambiente, os costumes

e os hábitos de consumo de produtos industrializados

e da água. No ambiente urbano tais costumes e hábitos

implicam na produção exacerbada de lixo e a forma

com que esses resíduos são tratados ou dispostos no

ambiente, gerando intensas agressões aos fragmentos

do contexto urbano, além de afetar regiões não

urbanas.

O consumo cotidiano de produtos

industrializados é responsável pela contínua produção

de lixo. A produção de lixo nas cidades é de tal

intensidade que não é possível conceber uma cidade

sem considerar a problemática gerada pelos resíduos

sólidos, desde a etapa da geração até a disposição

final. Nas cidades brasileiras, geralmente esses

resíduos são destinados a céu aberto (IBGE, 2006).

Lixo é uma palavra latina (lix) que significa

cinza, vinculada às cinzas dos fogões. Segundo

Ferreira (1999), lixo é “aquilo que se varre da casa,

do jardim, da rua e se joga fora; entulho. Tudo o que

não presta e se joga fora. Sujidade, sujeira, imundície.

Coisa ou coisas inúteis, velhas, sem valor”. Jardim e

Wells (1995, p. 23) definem lixo como “[...] os restos

das atividades humanas, considerados pelos geradores

como inúteis, indesejáveis, ou descartáveis”.

Em média, o lixo doméstico no Brasil,

segundo Jardim e Wells (1995) é composto por: 65%

de matéria orgânica; 25% de papel; 4% de metal; 3%

de vidro e 3% de plástico. Apesar de atender a

legislação específica de cada município, o lixo

comercial até 50 kg ou litros e o domiciliar são de

responsabilidade das prefeituras, enquanto os demais

são de responsabilidade do próprio gerador.

É inevitável a geração de lixo nas cidades

devido à cultura do consumo. Segundo o IBGE, em

2006, o Brasil é constituído por 5.507 municípios e

na última Pesquisa Nacional de Saneamento Básico,

realizada no ano de 2000 pelo IBGE, foi registrado

que somente 33% (1.814) dos 5.475 municípios

daquele ano coletavam a totalidade dos resíduos

domiciliares gerados nas residências urbanas de seus

territórios. Os dados dessa pesquisa revelaram que

diariamente o Brasil gerava 228.413 toneladas diárias

de resíduos sólidos. Isso implica numa produção de

1,2 kg/habitante (IBGE, 2006).

A problemática ambiental gerada pelo lixo é

de difícil solução e a maior parte das cidades

brasileiras apresenta um serviço de coleta que não

prevê a segregação dos resíduos na fonte (IBGE,

2006). Nessas cidades é comum observarmos hábitos

de disposição final inadequados de lixo. Materiais

sem utilidade se amontoam indiscriminada e

desordenadamente, muitas vezes em locais indevidos

como lotes baldios, margens de estradas, fundos de

vale e margens de lagos e rios.

lix) que significa

cinza, vinculada às cinzas dos fogões. Segundo

Ferreira (1999), lixo é “aquilo que se varre da casa,

do jardim, da rua e se joga fora; entulho. Tudo o que

não presta e se joga fora. Sujidade, sujeira, imundície.

Coisa ou coisas inúteis, velhas, sem valor”. Jardim e

Wells (1995, p. 23) definem lixo como “[...] os restos

das atividades humanas, considerados pelos geradores

como inúteis, indesejáveis, ou descartáveis”.

Em média, o lixo doméstico no Brasil,

segundo Jardim e Wells (1995) é composto por: 65%

de matéria orgânica; 25% de papel; 4% de metal; 3%

de vidro e 3% de plástico. Apesar de atender a

legislação específica de cada município, o lixo

comercial até 50 kg ou litros e o domiciliar são de

responsabilidade das prefeituras, enquanto os demais

são de responsabilidade do próprio gerador.

É inevitável a geração de lixo nas cidades

devido à cultura do consumo. Segundo o IBGE, em

2006, o Brasil é constituído por 5.507 municípios e

na última Pesquisa Nacional de Saneamento Básico,

realizada no ano de 2000 pelo IBGE, foi registrado

que somente 33% (1.814) dos 5.475 municípios

daquele ano coletavam a totalidade dos resíduos

domiciliares gerados nas residências urbanas de seus

territórios. Os dados dessa pesquisa revelaram que

diariamente o Brasil gerava 228.413 toneladas diárias

de resíduos sólidos. Isso implica numa produção de

1,2 kg/habitante (IBGE, 2006).

A problemática ambiental gerada pelo lixo é

de difícil solução e a maior parte das cidades

brasileiras apresenta um serviço de coleta que não

prevê a segregação dos resíduos na fonte (IBGE,

2006). Nessas cidades é comum observarmos hábitos

de disposição final inadequados de lixo. Materiais

sem utilidade se amontoam indiscriminada e

desordenadamente, muitas vezes em locais indevidos

como lotes baldios, margens de estradas, fundos de

vale e margens de lagos e rios.

3 A DISPOSIÇÃO FINAL DO LIXO: HÁBITOS

URBANOS VISÍVEIS

Entre os impactos ambientais negativos que

podem ser originados a partir do lixo urbano

produzido estão os efeitos decorrentes da prática de

disposição inadequada de resíduos sólidos em fundos

de vale, às margens de ruas ou cursos d’água. Essas

práticas habituais podem provocar, entre outras coisas,

contaminação de corpos d’água, assoreamento,

enchentes, proliferação de vetores transmissores de

doenças, tais como cães, gatos, ratos, baratas, moscas,

vermes, entre outros. Some-se a isso a poluição visual,

mau cheiro e contaminação do ambiente.

A vivência cotidiana muitas vezes mascara

circunstâncias visíveis, mas não perceptíveis. Mesmo

contemplando casos de agressões ao ambiente, os

hábitos cotidianos concorrem para que o morador

urbano não reflita sobre as conseqüências de tais

hábitos, mesmo quando possui informações a esse

respeito.

Considerando o pressuposto de que os seres

humanos são essencialmente ambientais e, como tais,

tendem a subjetivamente perceber o ambiente por

meio de signos que engendram a imagem ambiental,

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Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano

Carlos Alberto Mucelin, Marta Bellini

como se processa a percepção ambiental? Para Ferrara

(1999, p. 153) percepção ambiental é “[...] informação

na mesma medida em que informação gera

informação: usos e hábitos são signos do lugar

informado que só se revela na medida em que é

submetido a uma operação que expõe a lógica da sua

linguagem. A essa operação dá-se o nome de

percepção ambiental”.

Mucelin e Bellini (2006) enfatizam que no

contexto urbano as condições apresentadas pelo

ambiente “[...] são influenciadas, entre outros fatores,

pela percepção de seus moradores, que estimulam e

engendram a imagem ambiental determinando a

formação das crenças e hábitos que conformam o

uso”.

As atividades cotidianas condicionam o

morador urbano a observar determinados fragmentos

do ambiente e não perceber situações com graves

impactos ambientais condenáveis. Casos de agressões

ambientais como poluição visual e disposição

inadequada de lixo refletem hábitos cotidianos em

que o observador é compelido a conceber tais

situações como “normais”.

Andar pela cidade e contemplar os fragmentos

habituais – regiões do ambiente urbano que compõem

esse ecossistema – permite observar paisagem que

retrata hábitos edificados temporal e culturalmente.

Muitos são visíveis e se apresentam no mosaico de

possibilidades da cena urbana. No entanto, nem

sempre tais circunstâncias são percebidas e o morador

local, pela vivência cotidiana habitual, não reflete

sobre o contexto onde vive.

A disponibilidade de água facilita ou contribui

para o desenvolvimento urbano, que leva em conta

os recursos hídricos para a edificação das cidades.

No ambiente urbano é fundamental o abastecimento

de água e o tratamento de esgotos e águas pluviais.

Por isso, as cidades, geralmente, são fundadas

próximas ou sobre o leito de rios por razões óbvias:

facilidade na obtenção de água. Nas cidades do Brasil

é perceptível um padrão de construção de edifícios

junto a leitos de rios (Figura 1). Suas margens,

entretanto, deveriam ser preservadas com a

manutenção da mata ciliar ou de galeria. Também é

possível observar que na maioria dos casos, o rio é

usado como local de disposição final de lixo, um

hábito cultural existente e condenável.

Figura 1). Suas margens,

entretanto, deveriam ser preservadas com a

manutenção da mata ciliar ou de galeria. Também é

possível observar que na maioria dos casos, o rio é

usado como local de disposição final de lixo, um

hábito cultural existente e condenável.

Figura 1. O rio no perímetro urbano, edificações e hábitos visíveis e condenáveis. Fotografia (a): cidade de Palmas –

PR (2006). Fotografia (b): cidade de Medianeira – PR (2006). Autor: Carlos Alberto Mucelin

Fotografia (a) Fotografia (b)

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Carlos Alberto Mucelin, Marta Bellini

À medida que a cidade se expande,

freqüentemente, ocorrem impactos com o aumento

da produção de sedimentos pelas alterações

ambientais das superfícies e produção de resíduos

sólidos; deterioração da qualidade da água pelo uso

nas atividades cotidianas, e lançamento de lixo, esgoto

e águas pluviais nos corpos receptores.

Pela relação habitual humana com o ambiente,

com hábitos comumente observáveis no cenário

urbano e, tais como os apresentados na Figura 1, é

que Odum (1988) e Rickefs (1996) consideram a

cidade uma das maiores fontes de agressão ambiental,

embora a poluição dos mananciais na área urbana

ocorra de várias outras maneiras. Constituem fontes

poluidoras os esgotos domésticos, comerciais e

industriais e a destinação inadequada de resíduos

sólidos em fundos de vale, margens de rios e

monturos.

O manancial hídrico é importante na definição

do ambiente para a construção da cidade.

Inevitavelmente, o desenvolvimento urbano tende a

contaminar o ambiente com despejo de esgotos

cloacais e pluviais. Os rios são utilizados como corpos

receptores de efluentes e ainda, o lixo, que

inadequadamente também é depositado nas margens

e leito.

A disponibilidade de água facilita ou contribui

para o desenvolvimento urbano, que leva em conta

os recursos hídricos para a edificação das cidades.

No ambiente urbano é fundamental o abastecimento

de água e o tratamento de esgotos e águas pluviais.

O uso da água na cidade, tipicamente, tem

um ciclo característico de impacto ambiental negativo.

A água é coletada de uma fonte local (rio, lago ou

lençol freático), é tratada, utilizada e retorna para um

corpo coletor. Nesse retorno só excepcionalmente ela

conserva as mesmas características de quando foi

captada. Ocorrem alterações nas composições de sais,

matéria orgânica, temperatura e outros resíduos

poluidores.

Além destes impactos, em relação aos

recursos hídricos, ainda existem aqueles causados

pela deficiente infra-estrutura urbana: obstrução de

escoamentos por construções irregulares, obstrução

de rios por resíduos, projetos e obras de drenagem

inadequadas.

A poluição dos mananciais na área urbana

ocorre de várias maneiras. No contexto urbano, outro

fragmento do ambiente utilizado para a disposição

final inadequada de lixo são os lotes baldios e as

margens de ruas e estradas.

Figura 1, é

que Odum (1988) e Rickefs (1996) consideram a

cidade uma das maiores fontes de agressão ambiental,

embora a poluição dos mananciais na área urbana

ocorra de várias outras maneiras. Constituem fontes

poluidoras os esgotos domésticos, comerciais e

industriais e a destinação inadequada de resíduos

sólidos em fundos de vale, margens de rios e

monturos.

O manancial hídrico é importante na definição

do ambiente para a construção da cidade.

Inevitavelmente, o desenvolvimento urbano tende a

contaminar o ambiente com despejo de esgotos

cloacais e pluviais. Os rios são utilizados como corpos

receptores de efluentes e ainda, o lixo, que

inadequadamente também é depositado nas margens

e leito.

A disponibilidade de água facilita ou contribui

para o desenvolvimento urbano, que leva em conta

os recursos hídricos para a edificação das cidades.

No ambiente urbano é fundamental o abastecimento

de água e o tratamento de esgotos e águas pluviais.

O uso da água na cidade, tipicamente, tem

um ciclo característico de impacto ambiental negativo.

A água é coletada de uma fonte local (rio, lago ou

lençol freático), é tratada, utilizada e retorna para um

corpo coletor. Nesse retorno só excepcionalmente ela

conserva as mesmas características de quando foi

captada. Ocorrem alterações nas composições de sais,

matéria orgânica, temperatura e outros resíduos

poluidores.

Além destes impactos, em relação aos

recursos hídricos, ainda existem aqueles causados

pela deficiente infra-estrutura urbana: obstrução de

escoamentos por construções irregulares, obstrução

de rios por resíduos, projetos e obras de drenagem

inadequadas.

A poluição dos mananciais na área urbana

ocorre de várias maneiras. No contexto urbano, outro

fragmento do ambiente utilizado para a disposição

final inadequada de lixo são os lotes baldios e as

margens de ruas e estradas.

Figura 2. Margens de ruas utilizadas para a disposição inadequada de lixo. Fotografia (a) cidade de Medianeira – PR

(2006). Fotografia (b): cidade de Londrina – PR (2007). Autor: Carlos Alberto Mucelin

Fotografia (a) Fotografia (b)

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Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano

Carlos Alberto Mucelin, Marta Bellini

A vivência cotidiana nos estimula

pragmaticamente à elaboração mental de idéias das

coisas que percebemos. Objetos e fatos observados e

percebidos forçam a construção por associações de

idéias que estimulam a mediação, orientando as ações

e determinando as condutas, modo de ação. É nesse

processo dinâmico, dialógico e interativo que

desenvolvemos as crenças responsáveis pelos hábitos,

que edificam o nosso modo de viver. Muitas vezes

estes hábitos são condenáveis, como por exemplo, a

disposição inadequada do lixo, em ambientes como

os apresentados nas Figuras 1 e 2.

Nos monturos e mesmo nas ruas da cidade é

comum a presença de grupos de catadores de resíduos

sólidos recicláveis que, geralmente munidos de um

carrinho, encontram na separação e comercialização

desses resíduos, um meio de sua sobrevivência. Essa

atividade, com raras exceções, ocorre em condições

subumanas, pelos riscos que o lixo representa para a

saúde e pelas condições de materiais e de

equipamentos disponíveis nessa atividade.

Muitas agressões ambientais no espaço

urbano são perceptíveis, enquanto outras não são tão

evidentes, mesmo que intensas. Tuan (1980, p. 1)

entende que o valor da percepção é fundamental

quando se busca solução de determinadas agressões

ambientais: “[...] percepção, atitudes e valores –

preparam-nos primeiramente, a compreender nós

mesmos. Sem a auto-compreensão não podemos

esperar por soluções duradouras para os problemas

ambientais que, fundamentalmente, são problemas

humanos”.

Figuras 1 e 2.

Nos monturos e mesmo nas ruas da cidade é

comum a presença de grupos de catadores de resíduos

sólidos recicláveis que, geralmente munidos de um

carrinho, encontram na separação e comercialização

desses resíduos, um meio de sua sobrevivência. Essa

atividade, com raras exceções, ocorre em condições

subumanas, pelos riscos que o lixo representa para a

saúde e pelas condições de materiais e de

equipamentos disponíveis nessa atividade.

Muitas agressões ambientais no espaço

urbano são perceptíveis, enquanto outras não são tão

evidentes, mesmo que intensas. Tuan (1980, p. 1)

entende que o valor da percepção é fundamental

quando se busca solução de determinadas agressões

ambientais: “[...] percepção, atitudes e valores –

preparam-nos primeiramente, a compreender nós

mesmos. Sem a auto-compreensão não podemos

esperar por soluções duradouras para os problemas

ambientais que, fundamentalmente, são problemas

humanos”.

4 ACERCA DA PERCEPÇÃO AMBIENTAL

Percepção é uma palavra de origem latina -

perceptione - que pode ser entendida como tomada

de consciência de forma nítida a respeito de qualquer

objeto ou circunstância. A circunstância em questão

diz respeito a fenômenos vivenciados. Para Ferreira

(1999) a percepção é a elaboração mental e consciente

a respeito de determinado objeto ou fato, quer

clarificando, distinguindo ou privilegiado alguns de

seus aspectos, quer ao associá-la a outros objetos ou

contexto.

A respeito da percepção, Locke (2001, p. 79)

considerou-a como “[...] a primeira faculdade da

mente usada por nossas idéias, consiste assim, na

primeira e na mais simples idéia que temos da

reflexão, por alguns denominada pensamento [...]

apenas a reflexão pode nos dar idéias do que é a

percepção”

Del Rio (1999, p. 3) define a percepção como:

que pode ser entendida como tomada

de consciência de forma nítida a respeito de qualquer

objeto ou circunstância. A circunstância em questão

diz respeito a fenômenos vivenciados. Para Ferreira

(1999) a percepção é a elaboração mental e consciente

a respeito de determinado objeto ou fato, quer

clarificando, distinguindo ou privilegiado alguns de

seus aspectos, quer ao associá-la a outros objetos ou

contexto.

A respeito da percepção, Locke (2001, p. 79)

considerou-a como “[...] a primeira faculdade da

mente usada por nossas idéias, consiste assim, na

primeira e na mais simples idéia que temos da

reflexão, por alguns denominada pensamento [...]

apenas a reflexão pode nos dar idéias do que é a

percepção”

Del Rio (1999, p. 3) define a percepção como:

[...] um processo mental de interação do indivíduo

com o meio ambiente que se dá através de

mecanismos perceptivos propriamente ditos e

principalmente, cognitivos. Os primeiros são

dirigidos pelos estímulos externos, captados

através dos cinco sentidos [...]. Os segundos são

aqueles que compreendem a contribuição da

inteligência, admitindo-se que a mente não

funciona apenas a partir dos sentidos e nem recebe

essas sensações passivamente.

Tuan (1980) afirma que o mundo é percebido

pelos humanos pelo uso de todos os seus sentidos.

Assim, a percepção é uma espécie de leitura de

mundo, na qual os sentidos perceptivos regem a

produção cognitiva de cada um. Sobre essa leitura de

mundo, via imagens, Kanashiro (2003, p. 160) propõe

que elas “[...] seriam tipos de estruturas ou de

esquemas imaginativos que incorporariam certos tipos

‘ideais’ e um determinado conhecimento de como o

mundo ‘real’ funciona” [grifos do autor].

A leitura perceptiva do ambiente urbano, tanto

individual quanto coletiva, é produzida nas interrelações

fenomenológicas habituais entre o morador

e o ambiente. O julgamento perceptivo do ambiente

ocorre pela semiose dos signos locais experienciados,

estabelecidos a partir dos constituintes do ambiente

e está intrinsecamente vinculado às crenças e hábitos

vigentes.

A abrangência e o caráter inefável dos estudos

de percepção ambiental é tal que concordamos com

que incorporariam certos tipos

‘ideais’ e um determinado conhecimento de como o

mundo ‘real’ funciona” [grifos do autor].

A leitura perceptiva do ambiente urbano, tanto

individual quanto coletiva, é produzida nas interrelações

fenomenológicas habituais entre o morador

e o ambiente. O julgamento perceptivo do ambiente

ocorre pela semiose dos signos locais experienciados,

estabelecidos a partir dos constituintes do ambiente

e está intrinsecamente vinculado às crenças e hábitos

vigentes.

A abrangência e o caráter inefável dos estudos

de percepção ambiental é tal que concordamos com

Sociedade & Natureza, Uberlândia, 20 (1): 111-124, jun. 2008

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Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano

Carlos Alberto Mucelin, Marta Bellini

Tuan (1980, p. 2) quando menciona o fato de que o

cientista e o teórico tendem a descuidar da

subjetividade e diversidade humana, dada sua

complexidade. Por isso: “[...] numa visão mais ampla,

sabemos que as atitudes e crenças não podem ser

excluídas nem mesmo da abordagem prática, pois é

prático reconhecer as paixões humanas em qualquer

cálculo ambiental” (Ibid., p. 2).

A vivência cotidiana molda padrões

comportamentais habituais. Neste sentido, o morador

urbano tem, na maioria das vezes, situações diárias

vivenciadas de forma repetitiva, o que produz uma

espécie de máscara destas situações no contexto. Isso

forma uma imagem perceptiva em dois vieses: de um

lado o ambiente urbano legível e perceptível

vivenciado; de outro, situações e locais

imperceptíveis, ocultos ao julgamento perceptivo.

Apresentamos a seguir parte da percepção a

respeito do lixo, que foi obtida por meio de estudo

com 88 profissionais, moradores urbanos investigados

em 2006, da cidade de Medianeira, Oeste do Paraná,

Brasil. Nossa investigação perceptiva do ambiente

urbano de Medianeira foi desenvolvida com

profissionais de 11 atividades distintas e atuantes na

cidade. Investigamos quatro homens e quatro

mulheres que atuavam como: funcionários do

comércio, comerciantes do centro, dentistas, médicos,

comerciantes de bairros, professores universitários,

professores de ensino médio, universitários, políticos,

donos de casa do centro e donos de casa de bairro.

A exceção ocorreu na atividade de donos de

casa, tanto do centro como de bairros, pois

conseguimos entrevistar apenas dois homens. Isso é

um indicativo de que a mulher ainda, muitas vezes,

assume o trabalho doméstico na cidade, geralmente,

com dupla jornada, ou seja, trabalha fora e em casa.

As informações perceptivas foram obtidas por

meio de entrevistas semi-estruturadas e as

informações sistematizadas pelo método de análise

de conteúdo.

Ibid., p. 2).

A vivência cotidiana molda padrões

comportamentais habituais. Neste sentido, o morador

urbano tem, na maioria das vezes, situações diárias

vivenciadas de forma repetitiva, o que produz uma

espécie de máscara destas situações no contexto. Isso

forma uma imagem perceptiva em dois vieses: de um

lado o ambiente urbano legível e perceptível

vivenciado; de outro, situações e locais

imperceptíveis, ocultos ao julgamento perceptivo.

Apresentamos a seguir parte da percepção a

respeito do lixo, que foi obtida por meio de estudo

com 88 profissionais, moradores urbanos investigados

em 2006, da cidade de Medianeira, Oeste do Paraná,

Brasil. Nossa investigação perceptiva do ambiente

urbano de Medianeira foi desenvolvida com

profissionais de 11 atividades distintas e atuantes na

cidade. Investigamos quatro homens e quatro

mulheres que atuavam como: funcionários do

comércio, comerciantes do centro, dentistas, médicos,

comerciantes de bairros, professores universitários,

professores de ensino médio, universitários, políticos,

donos de casa do centro e donos de casa de bairro.

A exceção ocorreu na atividade de donos de

casa, tanto do centro como de bairros, pois

conseguimos entrevistar apenas dois homens. Isso é

um indicativo de que a mulher ainda, muitas vezes,

assume o trabalho doméstico na cidade, geralmente,

com dupla jornada, ou seja, trabalha fora e em casa.

As informações perceptivas foram obtidas por

meio de entrevistas semi-estruturadas e as

informações sistematizadas pelo método de análise

de conteúdo.

5 A PERCEPÇÃO DO LIXO SEGUNDO

ATORES SOCIAIS DE MEDIANEIRA

O lixo, quando não tratado adequadamente,

pode ser responsável por impactos ambientais graves

ao ambiente. Em nossa pesquisa questionamos o que

a palavra lixo significava para os atores pesquisados.

Obviamente não buscávamos uma definição formal,

mas sim como os atores participantes percebiam ou

entendiam o lixo. Registramos dois núcleos sígnicos

perceptivos. De um lado, alguns atores listavam

objetos que constituíam o lixo e, de outro, a maior

parte procurava formular uma definição.

O lixo era percebido pela maioria como algo

que não tinha mais utilidade, uma sobra de material

descartável, aquilo que as pessoas desejavam jogar

fora, geralmente, vinculado à sujeira, imundície,

sujidade e ao mau cheiro. Não obstante, o lixo também

foi percebido e considerado como um conjunto de

materiais com valor econômico agregado.

Observamos que, ao pronunciar a palavra lixo,

a maior parte dos atores deixava transparecer, pela

expressão do rosto, sentimento de repúdio, reprovação

e, geralmente, vinculava-o a coisas ruins. Portanto, o

lixo era percebido como um signo ruim. Uma dona

de casa de bairro mencionou: “Lixo é um desrespeito

à natureza!”.

Indagamos aos atores sobre se produziam lixo.

Todos disseram produzir. Entre os 88 entrevistados,

apenas um proprietário do comércio do centro e uma

dentista afirmaram que a quantidade produzida em

suas residências é pequena.

Questionamos acerca da quantidade diária de

lixo produzida em suas residências. As respostas eram

dadas com hesitação, evidenciando que eles não

tinham certeza. Convém mencionar que as médias

apresentadas são valores da produção diária de lixo,

por residências, que os atores afirmaram produzir.

Pareceu-nos que registrar ou controlar a

quantidade de lixo produzida era uma novidade. O

estranhamento e dúvidas que esta questão gerou nos

Sociedade & Natureza, Uberlândia, 20 (1): 111-124, jun. 2008

20 (1): 111-124, jun. 2008

118

Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano

Carlos Alberto Mucelin, Marta Bellini

atores sociais de Medianeira indicam que não há

hábitos de mensuração. Apenas seis entrevistados

(7%) não sabiam ou não opinaram a respeito dessa

quantidade. Entre os 82 atores que indicaram a

quantidade produzida, a menor foi mencionada por

um professor universitário - 0,25kg, ator que morava

sozinho. A maior foi indicada como 20 kg diários por

residência. No Quadro 1, a média em quilos de lixo

produzido nas residências dos entrevistados.

Quadro 1.Percepção da quantidade de lixo diário produzido nas residências dos atores

ENTREVISTADOS MÉDIA PERCEBIDA DA PRODUÇÃO

DE LIXO POR RESIDÊNCIAS (kg/dia)

Proprietário do comércio do centro 3,19

Proprietário do comércio de bairro 7,19

Professor universitário 3,09

Professor ensino médio 3,71

Aluno universitário 3,42

Trabalhador do comércio 4,75

Políticos 3,57

Médicos 2,19

Dentistas 4,94

Dono de casa do centro 7,07

Dono de casa de bairro 4,44

MEDIA GERAL 4,32

Apesar da ampla variabilidade de situações,

como o número de membros em cada família e os

valores da produção de lixo ser percebidos e não

mensurados, a média geral da produção foi de 4,32

kg por família. A média dos membros das famílias

investigadas foi de 3,36 pessoas. Portanto, temos uma

média de produção diária per capita de lixo percebido

de 1,28kg. Essa média se aproxima da média nacional

brasileira atual que, segundo o (IBGE 2005), oscila

em torno de 1,2kg de lixo por habitante/dia.

Nos diálogos ficou evidente que os atores não

sabiam exatamente quantos quilos de lixo as famílias

produziam. Suas respostas eram aproximadas e

baseadas no manuseio feito em suas residências pelo

volume que formavam. Ficou evidente que os atores

não tinham convicção ou mecanismo de controle para

informar com maior precisão. Acreditamos que não

existia a preocupação com a quantidade produzida,

porque o lixo era coletado e afastado das residências

e, portanto, não afetava os membros das famílias, de

forma direta, obviamente.

O tipo de lixo produzido em maior quantidade

nas residências dos entrevistados também suscitou

incertezas nas respostas. Registramos que o tipo de

lixo produzido nas residências era percebido segundo

dois grupos mais significativos: o lixo seco,

geralmente formado por embalagens de papel, metais,

plástico ou vidro, e o lixo orgânico. Foi indicado ainda

o lixo considerado rejeito - geralmente, lixo de

banheiros e fraldas descartáveis.

A maior parte do atores, 51 (58%), mencionou

o lixo seco como o que mais produziam em suas

residências. Os demais (37 atores) disseram que era

o lixo orgânico.

Agrupamos as respostas dos atores segundo

os tipos de lixo: seco e orgânico.

per capita de lixo percebido

de 1,28kg. Essa média se aproxima da média nacional

brasileira atual que, segundo o (IBGE 2005), oscila

em torno de 1,2kg de lixo por habitante/dia.

Nos diálogos ficou evidente que os atores não

sabiam exatamente quantos quilos de lixo as famílias

produziam. Suas respostas eram aproximadas e

baseadas no manuseio feito em suas residências pelo

volume que formavam. Ficou evidente que os atores

não tinham convicção ou mecanismo de controle para

informar com maior precisão. Acreditamos que não

existia a preocupação com a quantidade produzida,

porque o lixo era coletado e afastado das residências

e, portanto, não afetava os membros das famílias, de

forma direta, obviamente.

O tipo de lixo produzido em maior quantidade

nas residê


postado por Roberta as 04:30:06
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