Socialista, Ateu e Palmeirense
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segunda, 25 dezembro, 2006
O que é ideologia?

  Para os filósofos gregos, movimento era qualquer alteração da realidade, seja ela qual for. Sistematizando esse pensamento, o filosofo Aristóteles elaborou oque ficou conhecido pelos filósofos medievais como teoria das quatro causas. Ela era uma tentativa para dar explicação ao problema do movimento, uma concepção metafísica para explicar os fenômenos naturais e humanos. Mais oque teria a ver a concepção da casualidade com a divisão social (lembrando que as sociedades grega e medieval distinguiam seus homens em livres e superiores)? Muita coisa, pois o trabalho era colocado por Aristóteles como um elemento casual secundário e inferior.

  Assim começa o caminho escolhido pela filosofa e escritora Marilena Chauí para tentar nos explicar o que é e como funciona a ideologia. No livro “Oque é Ideologia?” (Brasiliense) ela procura dar um ênfase mais profundo ao assunto, expondo de forma clara e objetiva a concepção que grandes pensadores tinham do tema.

  Um dos traços da ideologia é tomar as idéias como independentes da realidade teórica e histórica, de tal modo a fazer com que tais idéias expliquem aquela realidade, quando na verdade é a realidade que explica essas idéias. O ideólogo seria então aquele que inverte as relações entre as idéias e o real. Assim, a realidade se torna um processo temporal, e esse processo depende do modo como homens se relacionam entre si e com a natureza. Estas relações constituem as relações sociais como algo produzido pelo próprio homem. Com isso a autora nos propõem  encararmos as relações sociais como sendo um processo histórico.

  O processo histórico não é uma sucessão de fatos temporais, não é um progresso das idéias, mais sim o modo como homens reais criaram os meios e formas reais para a sua existência social. A historia é o movimento pelo qual os homens instauram um modo de sociabilidade e procuram fixa-lo em instituições determinadas, produzindo idéias pelas quais procuram explicar e compreender a vida. No entanto essas idéias tendem a esconder dos homens o modo real de como suas relações sociais foram produzidas. Esse ocultamento da realidade chama-se ideologia. Por seu intermédio homens legitimam as condições sociais de exploração e dominação, fazendo com que pareçam verdadeiras e justas.

  Assim, o termo ideologia (que no seu inicio designava uma ciência natural de aquisição pelo homem das idéias caucadas pelo próprio real) desiguina um sistema de idéias condenadas  a desconhecer sua relação com o real.

  Nesse livro podemos fazer uma breve concepção de ideologia, partindo da visão de Augusto Comte, o pai do positivismo. Para Comte, ideologia é sinônimo de teoria, sendo ela uma organização sistemática de todo conhecimento cientifico. Essas teorias (ideologia) são produzidas pelos sábios que recolhiam as opiniões, as organizavam, sintetizavam e as corrigia, eliminando qualquer elemento metafísico ou religioso que por ventura nelas existia. Assim a teoria (ideologia) passa a ter controle sobre a pratica dos homens (ação), que devem se submeter aos mandamentos dos teóricos antes de agir. Mais quem seriam esses teóricos? Encontramos-nos agora em uma sociedade sem escravidão, onde surge um homem que se valoriza pelo seu poder econômico, político e social. Estamos agora diante do burguês, o novo teórico dessa sociedade, e quando  as ações humanas contradisserem as idéias desses teórico, serão tidas como desordem, um perigo para sociedade, pois o lema positivista é “ordem e progresso”. Para Comte, só há “progresso” onde a pratica estiver subordinada a “ordem”, e só há “ordem” onde a pratica estiver subordinada a teoria. Assim ele alega que quem possui o saber possui o poder. Se nos lembrarmos que não são as idéias que explicam a realidade, mais a realidade que explica a idéias, perceberemos que a própria concepção que Comte tem de ideologia é ideológica.

  No entanto, a nova sociedade não é constituída apenas pelos burgueses, mais ainda por outro homem, o trabalhador livre. Trabalhadores livres num duplo sentido, pois se já não aparecem como escravos, tampouco possuem seus próprios meios de produção e se já não são escravos, são despojado dos meios de trabalho e precisa do burguês para trabalhar.

  Partindo dessa contradição, a autora dedica mais da metade do livro para abordar o que Karl Marx entendia por ideologia. Já de inicio percebemos a influencia que a dialética hegeliana exerceu sobre Marx. Nessa dialética, o filosofo Hegel definia a historia como um processo temporal movido pela contradição e cujo sujeito é o espírito como reflexão. Essa dialética era idealista porque seu sujeito e seu objeto era o espírito. Só que Marx era materialista e por isso suas opiniões se chocavam com as de Hegel, mais mesmo com tantas diferenças, Marx sofreu algumas influencias hegeliana, como a dialética. Porem Marx demonstra que a contradição não é a do espírito (idéias), mais sim contradição entre homens reais em condições históricas e sociais reais e se chama luta de classe.

  Partindo dessa concepção, Marx afirma que no caso da sociedade civil capitalista, o fato dos proprietários dependerem da exploração dos não proprietários significa simplesmente o seguinte: o capital é trabalho não pago (mais-valia). Temos uma contradição na medida em que a realidade do capital é a negação do trabalho.

  A idéia da sociedade civil concebida como um individuo coletivo é uma das grandes idéias da ideologia para ocultar que a realidade da sociedade civil é a luta de classes. A ideologia é o ocultamento dessa realidade.

 Através da sociologia de Emile Durkheim, a burguesia transforma em idéia cientifica as classes sociais, estudando elas como um fato e não como resultado da ação dos homens. A burguesia, através de seus intelectuais, ira produzir idéias que confirmem essa alienação fazendo, por exemplo, que homens creiam que são desiguais por natureza ou por talento, ou que são desiguais por desejo próprio, ou seja, os que honestamente trabalham enriquecem e os preguiçosos empobrecem. Faz com que creiam que são desiguais por natureza mais que a vida social, permitindo a todos a chance de trabalhar, lhe da chances de melhorar, ocultando assim que os que trabalham não são senhores do seu trabalho e que, portanto, suas chances de melhorar não dependem dele, mais de quem possui os meios e condições de trabalho; ou ainda faz com que creiam que são desiguais socialmente, mais que são iguais perante a lei e perante ao estado, escondendo que as leis e o estado foram feitos pelos dominantes para defender os enterneces dos dominantes..

  A ideologia é um instrumento da dominação de classe e uma das formas de luta de classe, ela é um dos meios utilizados pelos dominantes para exercer a dominação fazendo com que esta não seja percebida pelos dominados, fazendo com que homens creiam que suas vidas são oque são em decorrência de ação de certas entidades desconhecidas. Seu papel  é fazer com que no lugar dos dominantes apareçam idéias “verdadeiras”, de fazer com que homens creiam que tais idéias representam efetivamente a realidade, que creiam que elas são autônomas (não dependem de ninguém) e que representem realidade autônoma (não foram feitas por ninguém)

  Por fim, “Oque é Ideologia?” é um livro claro e direto, onde possibilita aos desconhecedores do assunto aprenderem sem maiores problemas o significado do termo ideologia, suas interpretações, oque a torna possível e como ela funciona. Um ótimo livro que se não aborda o tema na sua mais devida profundidade, serve ao menos como um “primeiro passo” para se entender o tema e questão. Mais uma bom livro de Marilena Chauí.



postado por Claudio Henrique Ramos Sales as 12:53:51
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