Continuação do Livro de Renesmee
Continuação do Livro de Renesmee

quinta, 07 janeiro, 2010
Capítulo 17

17. SOLUÇÃO

 

Assim que o jato pousou em Roma, era acho que por volta de meio dia ou mais. Havia um carro nos esperando no aeroporto. Alec entrou, ele estava arredio comigo, frio, creio que ele conseguiu esquecer-se do sentimento muito bem.

O cadilac preto, não sei bem o ano, mas com bancos de couro fino e de vidros fumês nos conduziram por Roma em direção a uma estrada estreita e pouco movimenta que levaria a Volterra. O silêncio era nosso companheiro. Eu me pus ao banco de trás, lá via os olhos de Alec rígidos na estrada, nem um minuto ele cogitou a me olhar pelo retrovisor. Isso me incomodou, era como se ontem não tivesse passado de um sonho.

Meu coração pulsava sem freio, a cada curva, até que observei uma muralha e muitos prédios de pedra. Volterra. Alec dirigia com velocidade. Entramos na cidade que estava praticamente inóspita.

Paramos em frente a um antigo prédio. Duas sombras de capuz nos esperavam na porta do prédio. Uma delas abriu a porta para mim. Desci a luz do sol me fez contrair os olhos.

 Uma mão coberta por uma luva foi estendida para mim. Peguei-a e fui conduzida na direção da porta.

-Deixe-me conduzi-la, Felix.-Alec não pediu, ordenou. O homem alto de capuz obedeceu, soltando minha mão que foi rapidamente apanhada por Alec. Entramos no prédio e Felix fechou a porta de madeira atrás de nós. O outro me pareceu Demetri, e eu estava certa.

-Prazer, senhorita Cullen, em vê-la novamente.-Demetri sussurrou, assim que desceu o capuz que cobria sua face.

-Os mestres aguardam ansiosos a chegada de vocês.-Felix  disse de modo empolgado.

Atravessamos a sala vazia, mas que tinha o interior bem trabalhado. O chão era coberto de algumas antigas tapeçarias, creio que caras. As paredes continham pinturas medievais, de anjos, santos, uma ironia a parte. Alec me conduzia friamente até um elevador que ficava no outro lado da sala.

Meu coração palpitava forte.

-Ela é interessante. Não parece ser imortal. Tem sangue correndo em sua veias, um coração pulsante, calor, tudo que um humano tem.-Felix comentou impressionado, enquanto entravamos no elevador.

-É isso que a torna interessante para Aro, inofensiva por fora, mas uma verdadeira vampira por dentro.-Demetri sorriu, pelo reflexo metálico do elevador, vi seus olhos vermelhos faiscarem de felicidade. Eu era igual a um troféu para eles.

O elevador descia com uma música de ambiente irritante. A medida que descíamos o frio ia tomando o elevador. Isso não era problema para nenhum de nós.

Quando finalmente o elevador parou e a porta se abriu, uma galeria subterrânea me foi apresentada. Era como se eu já estivesse estado aqui. Um sentimento de familiaridade me tomou. Creio que não me perderia ali. Alec ainda tinha minha mão presa a sua, caminhamos por corredores estreitos e mal iluminados. Mas eu conseguia ver com clareza as paredes de pedras, a umidade que descia delas.

Por mais alguns minutos rodamos pelas galerias até que uma porta estreita foi aberta e estávamos em um escritório, lá uma simpática mulher lixava as unhas, quando nos viu cumprimentou em italiano a todos, respondi cordialmente ao seu sorriso convidante.

Uma porta bem maior estava a nossa frente, Demetri e Felix se apressaram em abri-la, um de cada lado. Meu coração disparou assim que vi os três sentados no final da sala e uma legião de seguidores ao redor da sala.

Aro sorriu satisfeito e se levantou rapidamente, Caius e Marcus também se levantaram, ambos tinham um sorriso amigável nos lábios.

-Seja bem vinda, querida Renesmee! Não sabe o quanto esperei por esse dia.-Aro disse abrindo os braços enquanto eu me aproximava.

-Curve-se quando se aproximar.-Alec me disse e largou minha mão.

Andei sozinha, movida pelo pânico da situação. A adrenalina tomava meu coração de uma maneira constrangedora, tive medo de me transformar. Assim que fiquei a alguns passos de Aro e dos outros, fiz uma leve reverencia.

-Ah! Que amável! Vejo que Edward e Isabella ensinaram-lhe a ser uma perfeita dama.-ele também me cumprimentou com a cabeça, assim como Caius e Marcus.

-Eles tentaram.-sussurrei. As palavras saíram fracas.

-Creio que os motivos que a trouxeram aqui sejam os melhores possíveis.-ele disse, estendendo sua mão. Coloquei a minha sobre a mão pálida e seus olhos se perderam.

Aro estava lendo cada emoção, cada dia da minha curta vida. Quando terminou, sorriu fascinado.

-Perdoe-nos por ter passado essa impressão quando fomos a visitar! Teria sido um enorme desperdício se tivéssemos entrado em combate. Queríamos apenas conter os falsos indícios. Fico feliz de tudo não ter passado de um horrível mal entendido.-ele sorriu, ainda com minha mão sobre a sua.

-Espero que não tente me cabular, creio que sua proposta seja verdadeira.-instiguei e ele olhou para trás. Caius e Marcus balançaram a cabeça afirmativamente, o que me tranqüilizou. Apenas Aro parecia decepcionado com a reação dos seus colegas.

-Oh, não! Mas primeiro ouça a condição, sua função na minha magnífica guarda. Espero que não considere-a difícil de ser executada.-Aro disse com um tom de zombaria. Instiguei-o a falar com meu olhar – Heidi está tendo uma certa dificuldade em conseguir turistas para vir nos... visitar.-suas palavras saiam com uma ironia exagerada. Seu tom era extremamente divertido.

-Sim?-perguntei ansiosa, devido a sua pausa.

-Precisamos de alguém mais humano para funcionar como isca para nossa refeição, espero que esteja compreendendo. Seu avô é um sábio, mas o caro Carlisle faz o que nenhum de nos se submeteria a fazer. Nosso alimento é sangue humano, é assim que vivemos, por isso necessitamos de pessoas, de visitantes. Como Heidi está tendo dificuldade com a aproximação das pessoas e o sistema de segurança de alguns países, precisamos da sua magnífica ajuda.-ele apelou, por fim. Parecia um acordo.

-Oh, sim! Em troca de alguns “anos” por seu serviço, a mortalidade será sua.-ele suspirou, pesaroso. Parecia não estar contente com o fato de que eu me tornaria humana.

-E o que eu terei como garantia?-perguntei, tirando minha mão delicadamente da sua.

-Oh, sim! Marcus temia por sua descrença, por isso preparamos uma demonstração. Queira nos acompanhar.-Aro gesticulou com os dedos e logo boa parte da guarda se moveu em direção a outra sala do lado daquela. Estava escuro lá, mas tinha uma mesa de pedra e uma pessoa imóvel lá. Assim que entramos totalmente na sala reparei que Jane estava em um canto, Alec se dirigiu ao seu encontro. Ela não parecia muito contente, seus olhos estavam estreitos quando encontraram os meus.

-Esse é Sean Chong, um vampiro que recentemente provocou uma bagunça na Coréia do Sul.-Aro apresentou o vampiro esticado sobre a mesa de pedra na nossa frente- Demetri o pegou a tempo. A porção é uma mistura que ninguém nunca soube decifrar. Uma gota dela e um imortal ganha sopro de vida, alma, enfim, volta a ser um frágil ser humano.-ele disse, recebendo da mão de uma mulher muito magra e com uma beleza exuberante um frasco contendo uma solução vermelha dentro.

-Obrigada, Giovana.-ele agradeceu a mulher de cabelos negros e muito bonita que o passou a porção.

-Observe com atenção, Renesmee, o processo não é demorado. Apenas uma gota será sua. O preço é três décadas conosco, servindo e sendo leal, esquecendo da sua família e de toda sua vida. –Marcus falou. Eu me arrepiei quando Aro deu a porção nas mãos de Felix e ele se dirigiu alegremente até o vampiro asiático imóvel. Jane tinha o olhar cintilante nele. Devia estar imobilizando-o com seu dom.

Eu estava parada do lado da mesa de pedra onde o vampiro estava deitado, sobre ele uma luz vinda do teto que clareava pouco, apenas seu rosto e um pouco do sem abdômen pálido, fazendo-o brilhar. Seu corpo tremia, devia ser a reação a Jane, mas parecia estar ficando aliviado, foi quando notei que Alec tinha tomado o controle e estava imobilizando o vampiro.

Felix se aproximou, segurou a boca dele e virou lentamente o frasco, toda platéia esperava ansiosa por aquela cena, pareciam nunca tê-la visto. Demetri esfregava as mãos de tanta empolgação.

Uma gota vermelha e brilhante saiu do frasco e caiu na boca do vampiro que fechou-a e pareceu engoli-la.

-Qual é o sabor?-Aro perguntou sério. O vampiro não respondeu.

E então ele perguntou em coreano, eu creio, e a resposta veio rápida.

-Hum... gosto de sangue, sangue fresco. Interessante.-ele me olhou e voltou a observar o vampiro.

Com um pouco de medo, olhei para a reação do vampiro, ouvia-se ossos estalarem, o corpo dele se enrijeceu e em alguns segundos ele puxou o ar com força, seus pulmões pareciam impulsionar seu coração que começou a bater e sangue começou a correr rápido e quente por baixo da sua pele. Em questão de minutos espantosamente, o vampiro coreano estava totalmente transformado em humano.

-Como vê, sem truques. E para lhe garantir que não será violado o contrato, sua gota ficará com você. Não tem como você ir embora sem cumprir o tempo estipulado. E então, teremos a honra de tê-la em nossa guarda?-Aro perguntou e todos olharam simultaneamente para mim.

-Sim, será um prazer... mestre.-falei e Aro bateu palmas, incentivando a todos a bater. Os três grandes vampiros sorriam quando saíram e me deixaram lá.

- Heidi.-Aro chamou. E logo a vampira apareceu.

-Sim, mestre?-ela o reverenciou com a cabeça.

-Cuide da nossa preciosa Renesmee, ela está sob seus cuidados agora. Lembre-se, ela não é totalmente vampira. Precisa dormir e tem preferência por sangue de animais.-Aro me olhava contente.

-Certamente, mestre.-ela disse, e me olhou dos pés a cabeça.

Aro, Caius e Marcus saíram da sala, ainda a tempo ouvi Marcus falar, seu tom divertido:

-Se divirta, Demetri!

Olhei para ele que sorriu satisfeito. Alec balançou a cabeça enfadado, e logo o novo humano coreano se moveu, olhando seus braços e muito confuso.

-Venha.- Heidi me chamou e eu acompanhei-a, atrás o resto da guarda que ficou nos seguiu, só Demetri permaneceu. Ainda não muito longe pude escutar os gritos do homem que tinha ficado lá. Era a diversão que Marcus havia se referido.

-Alec...-chamei um pouco envergonhada.

-Sim?-ele me olhou indiferente, Jane também parou e me encarou.

-Você vai ficar bem?-perguntei com medo de que Aro descobrisse alguma coisa sobre seu sentimento. Mas me lembrei que quando Aro leu minha mente, nada do avião foi buscado. Aro deveria conferir isso com o próprio Alec.

-Não tenha dúvidas.-secamente ele disse e Heidi apressou o passo em direção a uma porta atrás dos três tronos vazios.

Alec tinha sido mais competente do que eu imaginava para esconder seus sentimentos. As leis dos Volturi eram muito secas. Por isso eu teria que andar na linha se quisesse permanecer ali. Heidi andava apressada, entramos em outro corredor, mais amplo e com bastante portas. As paredes eram semelhantes as da sala onde os Volturi me receberam.

-Nesse corredor estão os aposentos de cada membro da guarda. Não os utilizamos para dormir, mas para planejar ataques entre outras coisas.-ela sorriu maliciosa e eu voltei a admirar as paredes.

-Aqui está o seu quarto. Qualquer coisa me chame, estarei aqui. A propósito...-ela abriu a porta e eu entrei olhando o luxuoso e pequeno quarto –Aproveite seus dias de favorita. Durarão pouco. Amanhã Aro irá testar você, esteja preparada.-seu tom sombrio me fez respirar com dificuldade.

Assim que Heidi saiu, olhei em volta e envolvi meu corpo em meus próprios braços. Estava sendo difícil aceitar tudo aquilo, aquele quarto, aquela história toda de passar por um teste. Além disso, me preocupei em não ter o que vestir.

O quarto, bem, era dos mais requintados possíveis. Os móveis não eram sombrios, tudo era claro e clássico. Um tom pastel cobria as paredes e a cama tinha lençóis cor de lavanda bem leve com pequenos e delicados ramos de flor.

Olhei os móveis brancos de cerejeira, o cheiro não negava a origem. Tudo era bonito demais para ser do clã mais temido da terra, tudo era tão aconchegante. Uma penteadeira do lado esquerdo da cama, na parede do mesmo sentido um pequeno guarda roupa do século passado e uma porta do lado direito o que eu imaginei como sendo um banheiro.

Minha curiosidade foi em relação ao guarda roupa, eu tinha vindo de Forks sem nenhuma mala, então... Minhas pernas tremeram assim que abri as portas do guarda roupa, meu pior pesadelo estava ali, na minha frente. As temidas capas pretas estavam lá dentro, junto com alguns vestidos, saias e blusas pretas. Era estranho, muito estranho. Eu não vestiria aquelas roupas, não. Suspirei, minha garganta travou, meus olhos estavam enchendo de lágrimas só de lembrar o horror que toda a minha família tinha daquelas capas.

Se minha mãe me visse assim, acho que seria a maior decepção desde que eu existo. Fechei o guarda roupa e me sentei na cama, esperando algo, que eu ainda não sabia o que era. Talvez a salvação.

O meu arrependimento era enorme. O retirei pequeno frasco com a porção da mortalidade do meu bolso e olhei com vivacidade. Valeria a pena tantas décadas por somente aquilo? Mas não era só aquilo, era a minha felicidade, o meu amor por Jacob, tudo me influenciava, mas a saudade era muito forte, o trabalho muito ruim e as chances de que eu permanecesse eram poucas.

Olhei o anel da promessa quileute no meu dedo, senti vontade retirá-lo de lá, não era certo. Porém se eu o retirasse do meu dedo, seria uma traição a Jacob, ao seu pedido, ao nosso compromisso. Fiquei girando o anel no dedo e ouvi com minha aguçada audição passos rápidos vindo em direção ao quarto. Sufoquei, mas eu já reconhecia o cheiro familiar de Alec por nossa curta convivência. Ele abriu a porta e logo seus olhos intensos estavam nos meus, com uma dor profunda.

-E então? Como foi sua adaptação? Gostou das acomodações da casa?-ele disse, disfarçando o que seu olhar denunciava com tanta clareza.

-Não é das piores.-eu o garanti.

-Hum... você parece triste.-ele me sondou, sentando ao meu lado, na cama.

-Não tanto quanto você.-falei, encarando-o e Alec apenas desviou o olhar.

-Não sei como explicar, não consigo me desvencilhar...-ele começou, me olhando profundamente nos olhos, mas parou e encarou o chão.

-Continue, por favor...-incentivei.

-Não consigo apagar da minha memória o que sinto... por...-ele colocou novamente seus olhos vermelhos nos meus- você.-finalmente ele desabafou e continuou a me olhar.

-Mas como isso é possível?-tentei saber, minha tristeza já estava muito forte e agora se Aro descobrisse seria o nosso fim. Ou o dele.

-Simples, eu posso apagar o sentimento anterior, mas quando olho pra você, vem tudo a tona, como se meu coração pudesse sentir algo, pudesse bater por você.

Tremi com suas palavras e dessa vez quem fugiu do seu olhar fui eu. Não resistiria a ele por muito tempo. E então estaria tudo perdido entre eu e Jacob.

-E Aro?-perguntei de cabeça baixa.

-Consigo driblá-lo com facilidade, e consigo até moldar suas memórias ao meu favor.-ele falou, se referindo a logo quando cheguei que Aro já foi lendo meus pensamentos com seu toque.

-Isso é bom, e mesmo assim você sabe como me tratar...-falei, com um estranho pesar dentro de mim.

-Oh! Me perdoe. Devo ser frio e você deve se acostumar com isso.-ele disse, com um meio sorriso.

-Não será fácil ter você fingindo me odiar.-falei, lembrando de hoje mais cedo.

-E você acha que é fácil pra mim? Não conte com isso. Dói só de planejar cada palavra fria para te responder...-ele sorriu amargo.

-É, deve doer muito mais em você. Alec, eu não quero te dar esperanças comigo aqui, mas eu quero sua amizade.-falei, sendo sincera. Eu gostava dele, não sei como um vínculo existia entre eu e ele, uma espécie de ligação.

-E eu estou satisfeito com isso.-ele disse, sem me olhar nos olhos. Quando os dois rubis me encararam já foi movido de paixão e com um sorriso desafiador nos lábios, o que cortou meu sentimento de alívio concedido por suas palavras anteriores- Pelo menos por enquanto.-ele disse, e se levantou bruscamente.

-O que... o que eu devo esperar para amanhã?-perguntei receosa do teste de Aro.

-Bem, você deverá se desapegar daquilo que aprendeu a gostar e conviver...-ele disse sombrio.

-Os humanos...-sussurrei, meus olhos se perderam nas pedras do chão do quarto.

-Isso mesmo. Amanhã Aro testará seus instintos de vampiro, o quanto você poderá ajudar nas nossas caçadas, se é que você entende como caçamos.-Alec parecia despreocupado com meu estado emocional e isso me fez ferver.

-Eu não posso matar ninguém!-falei, irritada.

-Mas você terá!-ele revidou com a mesma fúria.

-Não estou preparada para isso...-sussurrei, lágrimas brotaram dos meus fracos olhos.

-Renesmee... você terá que ser forte, Aro não tem desafios fáceis, as situações  que ele nos submete para iniciação são as piores possíveis. Não devemos ter clemência nem piedade, apenas organização ao matar.-Alec me olhava nos olhos agora, tinha meu queixo preso em sua mão fria.

-Isso é... é inadmissível...-falei chocada.

-Me prometa que não vai falhar...-ele pediu, meus olhos fugiram dos seus.

-Não posso.-falei, já chorando alto.

-Me prometa!-ele falou alto.

Respirei fundo, inalando seu doce cheiro convidativo. Olhei para o anel em meu dedo e ergui meus olhos. Eu estaria preparada, eu iria conseguir vencer isso e mais o que quer que fosse, muita gente dependia do meu esforço, Jacob dependia dele.

-Eu não falharei.-prometi, olhando dentro do rubi sangrento dos seus olhos.

-Devo ir...-ele disse, soltando meu queixo. Ao longe, muito longe, alguém se movia na direção dos dormitórios.

-Cuidado.-como uma ingênua, pedi.

-Digo o mesmo. Aqui as paredes sempre tem ouvidos, use mais seus sentidos vampiro para poder ver, ouvir e sentir as coisas. Nada aqui é seguro.-Alec disse indo a porta.

Assim que ele saiu, rápido pelo corredor, os passos chegaram no mesmo e passaram apressados. Fiz como Alec sugeriu, tentei escutar alguém por ali, nos dormitórios, mas ninguém estava lá. Em nenhum quarto. Foi como Heidi falou, eu estava sendo uma favorita ali, pelo menos hoje. Como uma ilustre convidada e a partir de amanhã eu passaria a ser um soldado da guarda, se eu passasse no teste de Aro.       

Resolvi ir tomar um banho, a água me acalmava. Minha pele não precisava de banho, mas meu espírito sim. O pequeno banheiro era apertado, mas bem aconchegante. Tinha apenas um boxe com chuveiro e uma pia de mármore preto.

Entrei debaixo da água sentindo minha consciência pesar. Quando eu saísse dali, teria que vestir uma daquelas roupas e isso não e agradava.

Busquei forças para abrir novamente o guarda roupa e escolher uma roupa ali. Eu dormiria depois de me vestir, por isso um vestido preto chamou minha atenção. Era de oxford fino, seria confortável.

Não tive forças mais para me olhar no espelho da penteadeira. Apenas deitei, esperando ser um pesadelo o dia de amanhã, que fosse invenção da minha cabeça. Não estava conseguindo fechar os olhos quem dirá dormir. Mas eu precisava descansar minha mente, embora não conseguisse informar isso as milhões de ideias que me vinham a mente.

Meu coração também não ajudava, pulsava forte demais. Então senti uma mão gelada na minha testa, lembrei de meu pai, me senti tão aliviada depois que a mão saiu, não tinha mais amanhã, eu não sabia onde estava, diante da escuridão do quarto, a única coisa que eu lembrava era de querer descansar. Adormeci.

-Levante-se.-alguém me ordenou, pelo visto já era de manhã. Heidi estava na minha frente, elegantemente vestida, não estava de preto como todos dali.

-Será agora?-perguntei, assustada.

-Sim, meus mestres a esperam ansiosos.-ela sorriu e eu rapidamente me levantei.

Calcei minha sapatilha prata, a qual eu estava usando quando vim para a Itália, e como de costume, fui ao espelho, sem lembrar muito bem com que roupa eu estava. O choque foi eminente.

Quando minha imagem revelou meus trajes, meu corpo inteiro tremeu, eu não via mais a meio humana Renesmee, mas sim a vampira Renesmee ali refletida. Um impulso me tomou, eu queria chorar, mas aquele motivo não era o maior e nem a ocasião a melhor para fazê-lo.

-E então? Podemos ir?-Heidi me apressou.

-Sim...-vagamente falei, me voltando para a porta que estava aberta, Heidi ia na frente. Saí e acompanhei a esbelta mulher que ia caminhando silenciosamente pelo corredor com suas paredes claras. Antes da porta que dava para o salão principal, entramos em outra que iria dar em outro corredor, dessa vez úmido e mais frio, pois era de pedra. Segui Heidi sem pronunciar uma palavra.

Uma porta apareceu do lado esquerdo do corredor e ela a abriu. Me assustei quando vi uma pequena arena ali. Era bizarro aquilo tudo, como um mini coliseu subterrâneo. Pequeno, mas com capacidade suficiente para comportar a guarda toda, ou boa parte dela. Na minha frente, ou na frente da entrada, os três grandes mandantes estavam sentados, com sorrisos desafiadores.

Tremi. O chão não era mais de pedra, e sim de areia, e havia uma grade abaixo da arquibancada, o que eu imaginei ser o local de onde viria meu desafio.

-Bem vinda, querida Renesmee!-Aro cordialmente me saudou e eu apenas o reverenciei.

-Hoje você terá que nos provar que não se importa mais com a raça humana, a quem foi ensinada a amar e conviver por tantos anos. Não terá segunda chance nem tão pouco ajuda de ninguém.-Marcus me advertiu, seu tom tinha uma certa emoção.

-Você pode se tornar vampira, certo?-Caius perguntou, me olhando convidante.

-Sim.-afirmei. Respirei fundo para tentar me transformar, porém não consegui.

-Fique a vontade para usar seus dons.-Aro sugeriu, vendo que eu permaneci meio humana.

-Sua platéia aguarda ansiosa.-Marcus disse, ironicamente. Notei Jane do lado esquerdo dos três e Alec do direito. Atrás lembrei de Renata, sempre a proteger Aro. Os demais estavam distribuídos ao longo da arquibancada, me olhando com curiosidade. Acho que fiquei vermelha ao notar tantos olhos em mim.

Mas aquilo não era nem de perto meu maior problema. Quando Heidi abriu a grade e chamou, pelo nome, uma mulher, eu respirei fundo. Mas assim que a mulher entrou acompanhada de uma menininha loira, minhas forças se quebraram. Me lembrei de Andie, do seu irmão.

A ideia de desisti veio forte como a imagem de Carlisle, de Esme. Os olhos bondosos deles, eu na iria conseguir. Recuei um passo e olhei para Aro.

-Eis seu desafio, preciosa Renesmee. Quero vê-la tirar a vida dessas duas rapidamente e de maneira silenciosa. Como se fosse matar uma ovelha. Não quero gritos de dor, quero agilidade.-Aro ditou as regras  e eu olhei para a cara de medo das duas. Ambas me olharam com os olhos cheios de lágrimas.

Heidi fechou o portão e as duas ficaram só, a mãe abraçou a filha e olhou para Aro.

-Por favor! Não faça isso! Por favor! Minha filha... minha filha não! Poupe a minha filha!-a mulher implorou e minhas lágrimas vieram à tona. Não havia como esconder.

Uma onda de fúria e revolta me tomou. Não! Eu não podia fazer aquilo! Era contra tudo que meus pais e parentes me ensinaram. Meu avô Charlie, Renée, Andie...

Meu coração acelerou e então, sem mais delongas, resolvi desistir daquela loucura. Jacob, me perdoe...

“Me prometa que não vai falhar...” a voz de Alec invadiu minha mente. Eu não voltaria para casa, pelo seu tom preocupado, o Volturi não me deixariam ir. Talvez Alec já soubesse o que aconteceria comigo se eu falhasse e eu acordei do pesadelo. O plano de Aro veio a minha mente. Se eu falhasse Alec seria forçado a me fazer esquecer de tudo e continuar com eles contra a minha vontade, contra a minha consciência. Por isso Alec me suplicou para que eu não falhasse.

Mordi meus lábios, eu não falharia, por Jacob, por toda minha família, eu não falharia.

Meu coração disparou, minha mandíbula travou e senti meu sangue congelar. A adrenalina veio com força e na minha frente já ao estavam dois seres humanos e sim a comida.

-Vai começar a diversão...-ouvi claramente Jane sussurrar para Marcus, que estava do seu lado. Todos tinham sorrisos confiantes. Não havia mais lágrimas para derramar, um sorriso mascarado brotou no meu rosto. A vampira em mim tomou o controle e eu não resisti. Deixei-a trabalhar.

As duas pessoas me olhavam amedrontadas, me aproximei com cautela, como uma conhecida. A mulher me encarou nervosa.

-Não vou machucar vocês... não vão sentir nada.-minha voz confiável e sedutora pareceu ser de outra pessoa.

-Por favor...-a mulher estreitou os olhos e abraçou mais forte a filha.

-Mamãe!-a menina disse, entre soluços. Aquilo estava sendo divertido para o monstro que estava no controle do meu corpo.

-Me dê a mão...-pedi, já com o plano assassino em mente.

-Para onde vai nos levar?-a mulher recuou.

-Vou te levar para fora daqui. Você vai ser livre.-sorri e ela ingenuamente confiou em mim. Me deu sua mão.

Mostrei-lhe então o corredor, nós três andando por ele e vi a mulher sorrir tranquila. Enquanto a mente da pobre mulher sonhava com a liberdade, minha boca foi em seu pescoço e com uma mordida certeira na sua veia vascular, a mulher sucumbiu, apenas sussurrando um fraco “Oh!”.

A menina largou o corpo inerte da mãe e me olhou com medo, começou a chorar fraquinho. A mãe estava em meus braços. Seu sangue enchia minha boca. Sua vida foi esvaindo, esvaindo, até que seu coração não teve mais força. Isso em questão de minutos.

-Mamãe?-a garotinha chamou, quando larguei o corpo inerte da sua mãe no chão.

-Agora sua vez de dar um passeio comigo, garotinha!-salivando e engolindo o resto de sangue que inundou minha boca, olhei para a pequena menina de olhos azuis.

-Não vou a lugar nenhum com você!-ela disse, sentada ao lado do corpo da mãe.

-Você vai sim! Você não quer encontrar sua mãe?-perguntei e vi sua expressão triste ficar desconfiada. Sua mão limpou as lágrimas e ela me olhou com raiva.

-Você matou minha mãe!-ela gritou e aquilo enfureceu a caçadora em mim.

-Diga adeus a sua mamãe.- as palavras saíram com ódio, e em um movimento rápido, segurei a mão da menina, lhe mostrei sua mãe em uma praça e vi ela sorrir.

-Mamãe!-ela sussurrou.

Foi a última coisa que ela disse. Com habilidade, segurei seu rosto e usando de pouca força, destronquei com facilidade seu frágil pescoço.

Ao fim, os dois corpos ficaram lá caídos. Olhei para minha platéia.

Apenas três minutos haviam se passado, no que para mim foi um século. Aro foi o primeiro a aplaudir. Logo todos o imitaram e me curvei com um enorme sorriso no rosto.

Minha mente não sentia remorso, não, eu ainda tinha mais vontade de matar, sede. Aquilo tinha sido tão satisfatório para a vampira. Mas minha sanidade ainda estava ali, e ela estava repudiando cada ato.

-Parabéns! Bem vinda definitivamente à guarda de Volterra! És uma ótima caçadora! E tens um dom excelente! Muito nos servirá!-Aro dizia eufórico e o ego da vampira estava satisfeito.

-Será um imenso prazer em servi-los.-a vampira se atreveu a falar. E para ela realmente seria uma satisfação. Minha solução estava saindo muito cara e difícil demais, mais do que eu imaginara.

-Deves treinar para ser mais rápida. Demetri, Alec.-Marcus chamou.

-Sim.-os dois atenderam.

-Ficarão aqui com nossa mais nova guarda para treiná-la. Amanhã Heidi e ela sairão a caça. Estamos famintos por seus serviços!-Marcus sorriu.

Rapidamente, a arquibancada de pedra foi esvaziada e Demetri e Alec desceram ao meu encontro. Alec não demonstrou emoção alguma com tudo aquilo e uma ponta de irritação me tomou. Ele deveria estar orgulhoso de mim.

-Fui péssima...-falei, minha voz como sempre, mais melódica do que de costume.

-Realmente o seu desempenho não foi dos melhores. Suas vítimas já sabiam que iriam morrer, então você não deveria ter dito mais nada, apenas as aniquilado.-Demetri disse, esfregando as mãos.

 -Essas duas não são os exemplos corretos com o que vai lidar. As pessoas que você vai atrair não fazem ideia de para onde vem, para elas tudo isso são ruínas antigas e nós somos atores. Por isso, seu objetivo é enganá-las e trazer-las sem suspeitas para cá.-Alec me informou, sua voz trivial.

-Vamos ao treino!-Demetri disse empolgado e meu corpo estava também. A vampira em mim estava adorando mais do que tudo no mundo aquilo tudo. Ela tinha sede por luta, por sangue, por morte e tudo aquilo lhe seria proporcionado por minha extrema burrice de achar que meu pior erro seria a melhor solução para a vida de todos.



postado por 121594 as 01:51:27
11 comentários:

Diwlay:
Olha só, de acordo com o que eu estou vendo dos comentários... Vcs aí que comentaram são muito idiotas, me desculpem, mas são! Vcs sempre esperam finaizinhos felizes e bonitinhos pra tudo? Qual é! É isso aí Guerman! Coloque sua imaginação para fluir dessa maneira! Finais felizes existem aos montes! Faça a diferença!
quinta, novembro 03, 2011 12:58
♥bells♥:
Guerman cara vc ñ tem noção ?
vc acabou com a nessie po vc fez ela matar 2 pessoas
anessie q eu adimiro nunca faria
outra coisa mesmo com sua parte vampira ela ainda tem controle
terça, setembro 13, 2011 05:43
gabrielle miranda:
eu posso dizer que de todas as ideias idiotas essa e sem duvida a mais idiotas que eu ja li. a stephanie meyer definitivamente estragou toda a magia do romance de jacob e nessie, e ainda alec se apaixonou por ela,hah,espero que essa historia nao acabe mal.
terça, março 29, 2011 10:05
Isabella:
sinceramente Guerman eu detestei esse capitulo, foi o pior. a nessie que a stephanie meyer criou jamais faria isso, onde ja se viu, no lugar disso vc deveria ter escrito q nessie deu um jeito de salvar as duas! vc acabou com a nessie.
quarta, fevereiro 16, 2011 02:00
fernanda:
gente ela se meteu em encrenca
terça, janeiro 25, 2011 01:29
Biia *-*:
Nooooooooooooossa !
Isso éer muito medoonho . eeu fico nervosa ; a Renesmee éer muito burra ! I D I O T A ;
quinta, julho 15, 2010 04:39
Gaby Oliveira:
nossa renesmee e muito egoista fiquei muito decepicionada
quinta, julho 15, 2010 01:41
yuuki:
poxa!coitadinha da renesme......ela teve que matar a mulher e a menina....e caso não matasse ela já deduziu o que ia acontecer
segunda, junho 21, 2010 09:02
Mary:
Acho que o Jacob não vai gostar nada nada disso :x
sábado, junho 19, 2010 05:36
Paulinha:
noooossa, como a nessie é egoista pra conseguir seus proprositos ela mata as pessoas , aquela mulher e aquela menina tinha vidas e sonhos poderiam ser felizes, e ela estragou tudo só para SUA felicidade com JACOB, ela é MUITO EGOISTA não gosto dela, ela não merece ficar com jacob só pensa no que é melhor pra ela ,vampiros não matam pessoas por prazer e sim por necessidade...
sexta, junho 18, 2010 05:22
Izadora :
Nossaa, que medoo! Eu ainda não to acreditando que a nessie fez isso!
quinta, junho 17, 2010 11:01
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