CRONICAMENTE INVIÁVEL & OUTROS ESCRITOS
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sábado, 08 março, 2008
O SIMPLES QUE DE TUDO EMANA...


O último dos moicanos

A pós-modernidade bate à nossa porta com todas as promessas de felicidade e vida fácil. Mas, sempre tem um "mas" para ajudar a relativizar, o bom senso recomenda evitar certos exageros. É o caso, por exemplo, da idade mais propícia para que os pais presenteiem seus filhos com o falsamente imprescindível telefone celular. Sem prejuízo de uma opinião mais abalizada, acho o fim da picada assistir a crianças de seis ou oito anos desfilarem por aí com suas maquininhas coloridas presas à cintura, como prova de status ou sei lá o quê, numa demonstração desnecessária da infância precocemente perdida.

Na pré-adolescência ainda vá lá, pois esta é a fase em que a meninada inicia seu rito de passagem para a fase adulta, momento em que estão mais propensos ao instinto gregário que valoriza mais as tribos e pede certa distancia dos cuidados paternos. Nesse caso, o mimo serve para a dupla utilidade da socialização da moçada e à sempre útil vigilância de quem paga a conta.

Não custa repetir que o bom senso vale muito nessas circunstâncias. Nunca tive celular e dele não sinto a menor falta, mas sei de gente que reage quase a ponto da indignação quando informo desse fato, reduzindo este cronista à condição de pária e inimigo número um da civilização:

- Como assim??!! Você ainda não tem celular ???!!!

Imaginem se eu dissesse que nunca botei os meus pés numa loja do McDonald's e que vou indo muito bem, obrigado. Não é postura antiamericana nem militância de qualquer espécie: é que esse hábito simplesmente não faz parte da minha escassa cultura gastronômica, com a vantagem de me livrar do excesso de lipídeos e carboidratos, que são os responsáveis pela atual onda de obesidade que ronda por aí.

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São regras básicas que trouxeram o homem das cavernas pré-históricas até o presente estágio da civilização

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São os efeitos colaterais da tal modernidade, ou pós-modernidade como preferem alguns. Como é o caso do individualismo exarcerbado que prioriza o "ter" em prejuízo do "ser", tema sobre o qual se debruçam os estudiosos para apontar como sinais mais visíveis a mania contemporânea que tem nos shoppings centers o local preferencial de culto e a propaganda como catequese mais eficaz.

Ora, todos sabemos que em lugar das engenhocas de última geração como computadores, MPs-4 e celulares ou tudo que é da última moda, tem muito filho por aí precisando receber alguns dos códigos-chave elementares ao convívio do bicho humano. Coisinhas básicas como um "por favor", "muito obrigado" ou um "não precisava, mas fiquei feliz com a sua gentileza". São ninharias, regrinhas básicas que, por sinal, ajudaram a trazer a humanidade das cavernas pré-históricas até o presente estágio da civilização.

Depois tem gente que ainda se assusta quando a televisão mostra alguns garotos partindo para o argumento da força bruta para conseguir os primeiros beijos de assustadas mocinhas, como é comum assistirmos volta e meia num desses programas de final de domingo. O homem de Neanderthal seria mais sutil. Comportamentos desse tipo acabam desembocando naquelas cenas de violência empregada por alguns pit boys de academia e seus músculos em profusão nas andanças pelas boates das grandes cidades, resultado do desconhecimento de etiqueta e noções mínimas de boas maneiras.

Sem levar em conta que toda tecnologia à disposição da rapaziada por vezes resulta na esculhambação que eles fazem com o nosso idioma em e-mails, blogs e afins, reduzindo-o a barbarismos como "bjins", "naums", "kd", "vamos tc?", "msg" e outros absurdos tais, que pretendem significar "beijinhos", "não", "cadê", "vamos teclar?" e "mensagem". Não é de lascar? E depois ainda tem quem defenda essa conversa mole de que a internet colaborou para que as pessoas voltassem escrever. Melhor voltar aos sinais de fumaça.

Antes que me acusem de rabugice, é preciso dizer que passo longe de ser portador do mal atual da tecnofobia e que costumo, sim, ir aos shoppings centers vez em quando. Faço bons passeios pelos corredores e normalmente me surpreendo com a quantidade de coisas que estão ali à disposição dos meus olhos e cartão de crédito e das quais, felizmente, não preciso para ser feliz.

P.S.: O autor do texto já usa celular há algum tempo, mas faz a ressalva de que a sua vida não mudou para melhor em razão dessa adesão à tecnologia. De modo que o texto não perdeu a validade.


postado por 78623 as 08:33:52 #
4 Comentários

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