Cultura Caipira
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sábado, 13 setembro, 2008
A MARCA DO CAIPIRA

A MARCA DO CAIPIRA

Orlando Batista dos Santos

Cornélio Pires foi quem melhor definiu o jeito caipira de ser. Levando em conta as origens, como o indígena brasileiro, a contribuição do negro trazido da África, a combinação com a cultura européia, especialmente a portuguesa e depois a italiana, tudo isso acabou por formar a amálgama cultural específica do povo brasileiro: na culinária, na arte, na dança, na música e claro, no vocabulário rico e despojado à margem da língua oficial, a portuguesa.

A origem do termo remete-nos a pensar o caipira como o homem do mato, do campo, arredio e avesso ao progresso. Mas os tempos mudam, e lá está o caipira disputando espaços nas cidades; nas fábricas, no comércio e nas universidades, revelando sua competência. Quando precisam cumprir as convenções sociais, abraçam as etiquetas com fino rigor, tão fino que às vezes é impossível não imprimir certa dose de exagero, o que acaba por denunciar suas origens. 

Sossego e fartura, eis o que o caipira mais almeja. Mas se for necessário entrar na correria por uma causa justa, ele está pronto. Pode ser, mas, melhor não. Após cumprir suas obrigações para com a sociedade, volta ao acalento de suas raízes. 

 Para o caipira, a vida precisa ser saboreada em seus mínimos detalhes: na prosa boa e demorada com seus interlocutores, no apreciar dos elementos da natureza que lhes passam às vistas, no degustar da velha e boa comida feita com a mesma e tradicional receita, no apego às velhas fórmulas para resolver velhos e novos problemas e, claro, festas, porque ninguém é de ferro.

O caipira não troca o certo pelo duvidoso e desconfia muito das novas tecnologias, até que estas se revelem definitivamente indispensáveis. Sem pretensão de santidade, mostra-se extremamente apegado aos aspectos de sua religiosidade. Sem ser revolucionário, tem sempre um deboche na ponta da língua quando o assunto é política.

O zelo pelas tradições é outra característica do caipira. Não que viva apenas das glórias do passado ou tenha medo do futuro apegando-se nostalgicamente ao que não volta mais.  Esta característica é uma sábia e providencial resposta de sua alma, sem a qual, as ameaças de massificações culturais estéreis, ou tão somente mercantilistas destruiriam o GENE DA CULTURA BRASILEIRA. Graças ao caipira, isto não vai acontecer!

Mas, a verdadeira marca do caipira é sua capacidade para simplificar. São os “ataios”, soluções indispensáveis para a manutenção de seu bem-estar, especialmente quanto à linguagem. Para quê gastar tanto esforço na pronúncia “eucalipto”, se basta dizer “calipe, acalipe, calipar”? O falar caipira revela, a despeito dos justos argumentos dos defensores da língua pura, apenas e tão somente o jeito mais fácil de se comunicar. Comunicação, por sinal, direta, objetiva e pessoal, porque certamente não existem meios mais eficazes para se transmitir uma mensagem, e isto o caipira sabe muito bem fazer.

Caipira é sinônimo de Brasil. Viva o caipira !


postado por 74574 as 07:05:42 #
1 Comentários

Orlando Batista dos Santos:
Prezados amigos: nosso blog permaneceu por muito tempo inoperante por falha no sistema.
Finalmente restabelecido, esperamos contar com a mesma simpatia de sempre.
Saudações caipiras.
06/05/2013 22:52:53  

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