Diário de uma FIV
Diário de uma FIV

sexta, 13 abril, 2007
Depois do parto, a dor.

OI meninas, estou indo para a sexta dose de LUPRON e hoje comecei a sentir um pouquinho de dor de cabeça...da primeira vez também sentí e acho que a monstra está chegando...rs

Hoje vou postar o primeiro capítulo do livro da Brooke Shields, que assim como nós passou por muitas antes de ter seu bbzinho e ainda teve depressão pós parto...Achei muito interessante e até passei p/ Ki antes de colocar aqui, como ela gostou achei legal dividir com vcs também. Vou comprar o livro e depois digo p/ vocês o que achei.

DEPOIS DO PARTO, A DOR

Era uma vez, uma garotinha que sonhava em ser mamãe. Ela queria, mais do que tudo, ter um filho e sabia que seu sonho um dia se realizaria. Horas a fio, ficava sentada, pensando em um nome para seu bebê.
O tempo passou e a garotinha cresceu. Embora tenha encontrado seu príncipe encantado e casado com ele, ela tinha dificuldades em engravidar. Começou a perceber que seu sonho não se tornaria realidade sem uma boa ajuda médica.
Então ela saiu numa longa jornada pelo mundo dos tratamentos de fertilidade. Quando nenhum deles funcionou, ficou frustrada e deprimida. Sentiu-se uma fracassada.
Mas um dia, finalmente, ela engravidou. Ficou incrivelmente entusiasmada. Teve uma gravidez excelente e uma filhinha perfeita. Por fim, seu sonho de ser mamãe se tornara realidade. Mas em vez de se sentir aliviada e feliz, tudo o que ela fazia era chorar.

CAPÍTULO 1
A PEQUENA LOCOMOTIVA

DEPOIS DE TODO O TEMPO que vivi exposta ao público, talvez você ache que descobrir que ia sofrer um aborto momentos antes de subir ao palco não mexeria comigo. Mas mexeu...
Dezembro de 2001. Estou de pé nos bastidores do Palace Theatre em Hollywood, Califórnia, para a MuppetFest, um tributo a Jim Henson e ao mesmo tempo uma festa de arrecadação de fundos para a Save the Children. Estou usando um vestido preto com lantejoulas sem mangas, penteada e maquiada. Há bastante agitação e energia no ar, e a platéia - a casa está cheia - encontra dificuldade em permanecer quieta. De onde estou, posso ver muitos adultos e crianças circulando pelos assentos, comendo pipoca e conversando.
A fim de não ser vista pela platéia antes da minha deixa, tenho de ir para um lugar mais afastado nos bastidores, onde rapaz vestido de boneco infantil também está esperando para entrar. Ele é uma criatura gigantesca, grande demais para me abrir espaço. Tenho de me enfiar embaixo de seu queixo e entre suas patas dianteiras. Pequenos fios de pêlo marrom voam por todo canto, inclusive dentro do meu nariz. Tenho de fazer um grande esforço para não espirrar.
Não demora, e o palco fica cheio de cores e sons e muito, muito pêlo. E lá estou, usando um boá, longas luvas roxas e um gigantesco anel de diamante falso que não pára de se enroscar no boá. E, embora ainda não seja evidente, estou grávida. Mas não se trata de algo simples. Ontem, depois de alguns exames de sangue de rotina, disseram-me que por algum motivo algo não ia bem com a gravidez e que seriam necessários exames mais completos. Garantiram-me que era apenas um cuidado de rotina. Então, naquela manhã cedo, antes de ir ao teatro, fui à clínica coletar mais sangue. E enquanto eu ensaiava, tentando não pensar nisso, os técnicos o estavam analisando.
Agora, enquanto espero minha deixa, meu celular toca. As notícias não são boas. Minha médica diz:
- Lamento, mas essa gravidez não tem futuro.
Começo a me sentir arder e um enorme nó se forma em minha garganta. Minha médica explica delicadamente que é o “jeito da natureza” de dizer que o bebê não é forte o suficiente para sobreviver, e é melhor que isso aconteça mais cedo que tarde. Depois de uma pausa, ela acrescenta cuidadosamente que eu precisaria esperar meu corpo expelir o feto ou reabsorvê-lo.
- Quê?! - eu mal posso entender o que estou ouvindo, e minha visão começa a embaralhar. Logo depois o telefone volta a tocar. É meu marido, Chris, querendo saber se eu tive alguma notícia. Quase como um autômato, transmito a informação. Quero atirar o telefone no palco e correr soluçando, mas estou rodeada de criaturas peludas e não posso ir embora.
Nesse momento, tenho de entrar no palco, vestida numa fantasia maluca, completa, com um nariz de porca, à la Miss Piggy. Por acaso mencionei que estou fingindo ser Miss Piggy e estou fazendo um dueto com Caco, o Sapo? Conforme me afasto das pernas de Snuffy e olho para cima, ele pisca os cílios enormes para mim de maneira compassiva. O assistente de palco percebe que algo está errado ao me ver enxugando as lágrimas, mas não tem outra escolha a não ser chamar a banda de rock dos Muppets para o palco e depois dar o sinal para minha entrada. Como se diz, o show tem de continuar.

EU SEMPRE quis ter filhos e, como a maioria das pessoas, simplesmente pensei que isso aconteceria no tempo certo. Meus pais se divorciaram quando eu era bem nova, e minha mãe nunca voltou a se casar. Eu era filha única, morava com minha mãe e implorava a ela que adotasse um bebê. Queria desesperadamente um irmão ou irmã com quem brincar e de quem pudesse tomar conta. Minha mãe nunca adotou uma criança, mas meu pai se casou de novo. Como minha madrasta já tinha dois filhos de um casamento anterior, ganhei irmãos instantâneos. Então, para minha sorte, meu pai e minha madrasta acrescentaram três filhas maravilhosas a minha família. Como resultado, pude manter um status privilegiado de filha única com minha mãe, ao mesmo tempo em que curtia ser parte de uma família maior com meu pai.
Os anos passam voando. Antes que me desse conta, meus quatro anos de faculdade haviam terminado. Como vinha atuando basicamente desde os 11 meses de idade, cortei de maneira significativa o número de trabalhos que aceitava enquanto estudava. Foi uma parada muito necessária. Eu me formei em literatura francesa e voltei a trabalhar em tempo integral. Depois de alguns anos vivendo sozinha em Manhattan, conheci, namorei e em seguida me casei com Andre Agassi, meu primeiro marido. Nós estávamos empenhados em nossas carreiras individuais e nossas agendas com freqüência conflitavam. Embora ambos quiséssemos ter filhos, o momento adequado parecia nunca chegar. Mesmo com a grande quantidade de amor que sentíamos um pelo outro, com o tempo nossas vidas pareceram tomar rumos distintos, e, depois de dois anos, o casamento acabou. Foi uma separação triste, porém amigável, e foi uma bênção não termos tido filhos.
Mas bênção mesmo, no entanto, foi eu ter conhecido Chris Henchy, um redator de textos humorísticos, e me apaixonado. Até hoje acredito que me apaixonei por Chris no dia em que nos conhecemos, em 1999, mas eu nunca diria isso a ele! Eu acabara de adquirir uma buldogue, Darla, e a levei para conhecer uns amigos na academia da Warner Bros. Enquanto estava lá, a cachorra se afastou, e Chris a trouxe de volta. Ele estava escrevendo um programa filmado ali e adorava cachorros. Conversamos e ele me fez rir o tempo todo. Saí sem nem sequer saber seu nome todo, mas ele me causou uma impressão tão forte que liguei para uma amiga dizendo que encontrara um cara com quem achava que ela devia sair. Ela me disse que começara a namorar outra pessoa. Como eu me divorciara recentemente, não estava nem pensando em namorar. Três semanas depois, estava apresentando um programa em Washington, D.C., do qual Chris era o redator. Começamos a conviver e nos tornamos amigos. Gostei de ver como ele era atencioso e engraçado. Como ele sabia de minha situação, não havia pressão, e fomos apenas amigos por um bom tempo. Mas com o tempo, precisei admitir que havia algo entre nós que eu não podia mais ignorar e começamos a sair. Embora ambos estivéssemos completamente comprometidos com nossos trabalhos individuais, ele com os roteiros e eu com a última temporada de Suddenly Susan, estávamos prontos para começar uma família.
Chris e eu namoramos dois anos antes de ficar noivos. Eu estava tão certa de que queria ter filhos com ele que de bom grado teria aceitado engravidar antes de nos casarmos. Embora não estivéssemos tentando ter um bebê, decidi parar de tomar a pílula. No entanto, o casamento se aproximava e eu não conseguia engravidar. Algo podia estar errado. Como queríamos que tudo estivesse em ordem antes de nos casarmos, decidimos consultar uma especialista em reprodução humana em Los Angeles, Dra. Joyce Vargyas. Ela realizou diversos testes e fez um exame e diagnosticou que provavelmente alguma mudança no meu colo do útero era provavelmente a razão pela qual eu não engravidava. Vários anos antes, eu passara por uma cirurgia cervical para remover células pré-cancerosas, o que resultou em cicatrizes que fizeram com que meu colo do útero ficasse rígido e significativamente reduzido.
Como resultado, a entrada do meu útero tinha ficado severamente obstruída, e isso me impedia de engravidar. Ao remover as células pré-cancerosas, a cirurgia também removera as glândulas cervicais que secretam o muco necessário para transportar o esperma. Sem esse fluido corporal, os “esperminhas”, como uma das enfermeiras os chamava afetuosamente, não podiam nadar corrente acima. Eu disse:
- Por isso nada funcionava… não era só a porta que estava fechada, mas os pobres rapazes estavam pulando numa piscina sem água!
A Dra. Vargyas me tranqüilizou, dizendo que esse era um dos problemas de fertilidade mais fáceis de resolver, embora tenha mencionado a possibilidade de o meu colo do útero se tornar incapaz durante a gravidez e se abrir prematuramente. Ao ouvir a palavra “incapaz”, eu não podia deixar de me sentir como um artigo de segunda mão. Com uma expressão muito séria, Chris disse à médica:
- Por favor, doutora, nós não usamos a palavra “incapaz” na nossa casa. A senhora poderia dizer que ela tem um colo do útero “especial” ou que ela simplesmente tem um colo do útero difícil?
Ansiosos para começar, decidimos tentar a inseminação artificial. Nesse procedimento, que é feito na época da ovulação, o médico insere um cateter na vagina, para inserir o esperma diretamente no útero. Do ponto de vista médico, não é de maneira alguma diferente de fazer sexo - ao menos do ponto de vista do esperma e do óvulo (Chris não deixou de discordar). Depois de algumas tentativas, eu ainda não conseguira engravidar. A médica continuava dizendo que eram as feridas no meu colo do útero que estavam criando a dificuldade e frustrando a inseminação. Meus óvulos, segundo os ultra-sons, tinham uma aparência bem jovem e saudável. Eu era uma mulher fértil. Mas se achava que mesmo o mais fino cateter não poderia colocar o “negócio” onde ele precisava ser posto. Tentei me consolar com o fato de que ao menos meus óvulos estavam em boa forma.
Depois, Chris e eu recebemos algumas surpreendentes notícias adicionais. Minha médica sinalizava que, por causa da minha idade, eu não podia me dar ao luxo de esperar. Ela disse, com todo o tato, que meu relógio biológico estava avançando e que não apenas era a hora de ter filhos, mas, se eu queria ter mais de um, precisávamos pensar numa abordagem mais agressiva. O próximo passo seria um procedimento de fertilização in vitro.
- In vitro? -disse eu, espantada. - Isso não é para mulheres mais velhas? Só tenho 36 anos. Você disse que eu era fértil e saudável!
Admito, foi estranho ser informada de que eu era quase velha demais para algo, sendo que eu estava em boa forma e me sentia uma adolescente. Passar pela fertilização in vitro significaria ter de agüentar uma complicada e árdua série de procedimentos. Significava remédios, injeções e cirurgia. Era bastante perturbador para nós, mas parecia que não tínhamos escolha. Chris e eu pensamos que se esse era mesmo o caminho que precisávamos tomar, então devíamos nos preparar mental e fisicamente para ele. Passamos um bom tempo nos instruindo sobre todo o processo.
Inicialmente, dei a notícia apenas a uma amiga que também passara pela fertilização in vitro e agora estava grávida. Ela era tão positiva em relação ao processo todo que ficamos animados. Depois, contamos a nossos pais que iríamos recorrer aos avanços da medicina e que com isso eles logo teriam um neto. Enquanto isso, a Dra. Vargyas estava convencida de que teríamos nosso bebê logo, logo.
Nessa época, convidaram-me para representar Sally Bowles, o papel principal de Cabaret, na Broadway. Sally e eu não podíamos ser mais opostas. Na peça, ela engravida acidentalmente e é forçada a tomar uma decisão crucial. Eu estava tentando engravidar e, se isso acontecesse, seria qualquer coisa menos um acidente. Ainda assim, o foco em bebês e nascimento me pareceu irônico. No entanto, eu não poderia sobreviver a oito shows por semana durante seis meses se realmente engravidasse (eu não ia usar o método tradicional), por isso tinha de fazer uma escolha. Chris e eu achamos que seria uma oportunidade maravilhosa e recompensadora atuar nessa peça difícil, e decidimos que eu devia aceitar o trabalho. Não havíamos começado a fertilização in vitro, e o casamento estava se aproximando. Uma vez que todas as festividades tivessem passado e minha temporada na peça acabado, eu poderia começar o tratamento de fertilidade. Achamos que esse cronograma funcionaria perfeitamente.
Aceitei o papel com entusiasmo e um medo saudável. Esse seria o papel mais desafiante que eu já desempenhara, e eu estava bem animada com a possibilidade de representá-lo. Decidi usar o tempo com sabedoria. Eu entraria na melhor forma física possível para o personagem e para me comprometer completamente com a experiência de Cabaret. O preparo físico e a resistência necessários para sustentar um cronograma da Broadway seriam hercúleos, mas com certeza me ajudariam a me preparar para os rigores da fertilização in vitro.

EM 26 DE MAIO DE 2001, Chris e eu nos casamos em Palm Beach, Flórida. Meu pai, que morava lá e tinha descoberto um câncer de próstata em estágio avançado, não podia viajar, por causa da quimioterapia. Então decidimos não nos casar em Nova York, como originalmente planejado, e convidamos um grupo menor de amigos para ir à Flórida, onde nos casamos na casa de um grande amigo de papai, de frente para o mar.
O casamento foi tudo o que esperávamos. O tempo manteve-se bom, apesar da ameaça de chuva, e havia brisa suficiente para amainar o calor. A cerimônia foi marcada para o pôr-do-sol. Quando começou, Tuck & Patti (uma dupla musical poderosa que eu adorava e acompanhava havia anos) tocou “Heaven Down Here”. Nós escrevemos nossos próprios votos, e a cerimônia foi íntima e espiritual, nada pesada. Quando chegamos à recepção, todo mundo estava sorrindo diante das tentativas de nossos amigos comediantes de superar uns aos outros com suas piadas durante os brindes. Depois do jantar, tivemos nossa primeira dança como “Sr. e Sra.”. Depois dancei com meu pai. Essa foi a última vez que dancei com ele, e tenho grande carinho por uma foto que guardo de nossa última dança. No dia seguinte, continuamos a festa com um churrasco no quintal. Chris e eu partimos um dia depois para uma viagem de duas semanas às ilhas Fiji e em Bali. Uma semana depois de voltarmos da lua-de-mel, fui direto para um período de ensaio de duas semanas de Cabaret.
Duas semanas é tempo muito curto para se aprender um show inteiro; eu estava praticamente paralisada pela idéia de estrear na Broadway depois de apenas 14 dias de ensaio. Eu trabalhara na Broadway antes, numa remontagem de Grease, mas o elenco era bem maior e eu tinha apenas dois solos. Em Cabaret, eu tinha cinco solos e, como personagem principal, estava trilhando um caminho pelo qual já haviam passado grandes atrizes.
(...).

LÁ PELO FIM da minha temporada em Cabaret, a médica disse que, se eu quisesse, poderia começar a tomar algumas das injeções necessárias em preparação para a fertilização in vitro. Isso não prejudicaria minha atuação em nada e aceleraria um pouco o processo. Decidi ir em frente e comecei a tomar um remédio chamado Lupron, que bloqueia a produção natural de hormônios do corpo. Meu sistema precisava estar totalmente limpo para poder ser manipulado como parte do tratamento de fertilização in vitro. Tudo o que eu tinha de fazer era aplicar uma agulha fininha sob a superfície da pele de minha coxa todas as noites por algumas semanas, e todo o meu sistema reprodutor logo estaria pronto para receber ordens sobre o que fazer. O Lupron era, na verdade, o mesmo remédio que meu pai tomava para retardar o crescimento e a metástase de seu câncer de próstata. Ele e eu podíamos discutir nossos tratamentos, e quando papai veio ver minha última apresentação na peça, brinquei que o encontraria no banheiro para a gente “se picar”.
Papai e eu também compartilhávamos nossas experiências dos efeitos colaterais do remédio. Ele me ligava diariamente no camarim antes da apresentação:
- Esses remédios... Tenho dores de cabeça tão ruins, e a depressão... minha nossa. Mas você sabe como é, sabe do que estou falando, certo?
Ele nunca ligava só para reclamar, mas eu percebia que ele estava com medo e precisava conversar. Era reconfortante poder responder:
- Oh, meu deus, papai, você entende, e as ondas de calor e cansaço?
De uma maneira estranha, acho que era um alívio para meu pai não estar completamente sozinho em seu tratamento. Minha condição não era grave como a dele, nem eu estava lutando para permanecer viva. E, embora fosse triste, também era uma maneira muito necessária de nos identificarmos um com o outro. Devo admitir que me agarrei a esse pensamento, especialmente quando não pude estar à sua cabeceira em seus últimos momentos. Parecia uma ironia do destino eu estar tomando o remédio num esforço de criar uma nova vida enquanto ele o tomava no final da dele.
Eu devia tomar o Lupron durante algumas semanas antes do começo da próxima série de injeções, que aconteceria quando a peça terminasse e eu estivesse de volta a Los Angeles. Como prometido, o remédio não afetou meu desempenho em nada, e, por sorte, eu mesma podia aplicá-lo com facilidade. Era, no entanto, algo digno de se ver. Logo depois dos aplausos de todas as noites, minha camareira (a pessoa que prepara o guarda-roupa inteiro e me ajuda com todas as mudanças rápidas de roupa) colocava uma seringa e uma cerveja na minha penteadeira e dizia: “Vamos lá, drogada”. Eu então sentava, nua da cintura para cima, vestida apenas com meias finas e sapatos prateados, com meu cabelo numa touca para peruca, lápis de olho borrado por todo meu rosto, maquiagem de corpo branca e veias vermelhas esclerosadas pintadas no meu corpo, o cordão de um microfone preso com velcro em volta das minhas costelas, enfiando uma agulha na coxa. Tudo combinava, por causa do ambiente da peça, mas era uma imagem chocante mesmo assim. Eu parecia um personagem de Trainspotting - Sem limites ou de Laranja Mecânica.
Essas últimas semanas passaram voando, e eu fiz uma última apresentação, extremamente emotiva. Formamos um elenco que compartilhou muita coisa juntos, e fortes amizades nasceram. Era estranho não ir ao teatro todos os dias. Depois de seis meses intensos, eu me sentia arrasada por ter de deixar o espetáculo, mas fortalecida pela idéia de que estava prestes a começar uma jornada ainda mais incrível.
Voltei para Los Angeles me sentindo inacreditavelmente forte e fisicamente preparada para fazer o que fosse necessário para engravidar. Embora eu tivesse antecipado que estaria em forma física ideal no final da peça, não esperava passar pela transformação emocional por que passei. Eu me sentia confiante e em paz como não me sentia havia muito tempo. Isso, decidi, só podia ser uma boa coisa quando se tenta ficar grávida.
Já que Chris e eu estaríamos juntos todos os dias, ele podia ajudar com a próxima série de injeções para a fertilização in vitro. Elas estimulariam meus ovários a produzir óvulos múltiplos e garantiriam que a ovulação não ocorresse até o momento indicado. Chris teve de me aplicar essas novas injeções, porque, quando eu tentava, ficava literalmente paralisada. Os remédios tinham de ser injetados no músculo, então as agulhas eram bem mais compridas do que as que eu usava para injetar o Lupron, e precisavam ser inseridas em locais mais difíceis de alcançar. Chris estava indeciso no começo, já que a visão de agulhas normalmente o deixava nervoso. Sempre que ele tinha de tomar uma injeção, ria de nervoso até o ponto da histeria e levava um tempão para se acalmar.
No dia da minha primeira injeção no bumbum, como confessou mais tarde, ele quase desmaiou. Ele viu o tamanho da agulha e até onde ela entrava no meu corpo, mas, em vez de rir, passou a suar e a sala começou a rodar. Mas em pouco tempo ele virou um profissional. Toda manhã e toda noite, eu me curvava ou descobria a barriga para receber uma injeção diferente. Chris sempre tentava deixar o clima mais leve. De vez em quando, ele picava o local desejado e demorava mais do que o necessário para começar a injetar o remédio. Ele apertava meu bumbum várias vezes, dizendo que tinha de “amaciar” a área adequadamente. (Eu dizia que ele podia amaciar, contanto que não mordesse.) Eu estava à mercê dele, mas as risadas tornavam tudo menos doloroso. Tive de tomar essas injeções por semanas. Além disso, houve inumeráveis consultas com a médica para exames de sangue, de urina, ultra-sonografias, sem mencionar adesivos de estrogênio que tive de usar e que, ao serem removidos, me faziam sentir como se eu tivesse feito um enxerto de pele.
Todo o processo foi uma verdadeira provação. Ficamos escravos do horário e dos vidrinhos. Quantas vezes não estávamos jantando com amigos e tínhamos de escapar para o banheiro, onde amontoávamos seringas tiradas de uma sacola térmica cheia de vidrinhos de remédios. O cheiro de álcool pairava no ar e as pessoas que passavam por perto cochichavam. Imaginávamos as manchetes: BROOKE DROGADA, VISTA SE PICANDO NUM RESTAURANTE DE LUXO! Meu marido e eu, é desnecessário dizer, estávamos sob uma grande pressão, e as emoções começaram a correr soltas. Um dia, no meio do meu bombardeamento de hormônios, estávamos no supermercado, e eu, sem mais nem menos, desatei a chorar. Não conseguia dizer por que estava chorando, mas começava a ver como os remédios estavam mexendo comigo.
Logo as injeções tinham terminado e havia muitos óvulos para colher. Agora era a hora da fase dois: cirurgia! No hospital, passei por um procedimento pré-operatório, fui colocada na maca e carregada. Durante a cirurgia, os médicos retiraram todos os meus óvulos e depois, por meio de uma laparoscopia, colocaram dois deles mais o esperma de Chris em minhas trompas de falópio. Se tudo corresse bem, a fertilização e o desenvolvimento do embrião ocorreriam em seguida, no meio das trompas, onde naturalmente acontecem. Esse procedimento é chamado de TIG, ou Transferência Intratubária de Gametas; é uma variação do procedimento in vitro padrão. O resto dos óvulos extraídos foi misturado com o esperma de Chris numa placa de incubação, chamada de placa de Petri. Aqueles que fossem fertilizados seriam congelados para uso posterior.
Depois da cirurgia, acordei tremendo da anestesia, mas me recuperei rapidamente. Havia um boletim médico preso à minha cama que dizia que a transferência fora completada com sucesso e que minhas trompas estavam “prístinas”. Tudo me soava como boa notícia, mesmo em meu estado grogue. Fui para o quarto, onde dormi um pouco mais antes de receber alta. Eu precisava ir ao banheiro e estava certa de que conseguiria fazê-lo sozinha. Alguém tinha de ir comigo para evitar de eu cair, mas fiz questão de sair da maca sem ajuda. Na frente de um assistente, do enfermeiro e de alguns serventes, homens todos eles, deslizei da maca e fui até o banheiro de cabeça erguida. Mas eu não percebera que minha túnica de hospital era completamente aberta nas costas. Meu bumbum estava rebolando ao ar livre, evidentemente com marcas de lençol por todo lugar. Eu não fazia idéia disso e não me lembro de ninguém me ter acompanhado até o banheiro para garantir que eu não caísse no vaso sanitário. Disseram que Chris comentou:
- Essa é a minha mulher.
Então fomos para casa esperar os resultados. Levaria duas semanas para que soubéssemos se um óvulo se fertilizara e se um embrião fora implantado. Eu precisava manter a calma. Tentei. Parei com os exercícios. Eu me sentia muito otimista e queria fazer tudo direitinho. Ainda tinha de manter os horríveis adesivos de estrogênio e eles estavam começando a coçar e a deixar marcas inflamadas onde eram aplicados. Nada disso importava, diante da possibilidade de eu estar grávida.
Duas semanas mais tarde, chegou a hora do exame de sangue. Chris e eu fomos à clínica. Lá disponibilizei ao técnico a melhor veia, a mais fácil de achar que eu tinha (você aprende essas coisas quando exames de sangue viram rotina). Chris precisava voltar para o trabalho, e eu tive de achar um modo de me ocupar até que os resultados estivessem prontos. Eu me sentia como uma criança na manhã de Natal. Algumas horas depois, recebi a ligação. Numa voz alegre, a enfermeira disse:
- Você vai ser mamãe!
Eu não podia acreditar no que estava ouvindo. Tudo funcionara de maneira perfeita. Eu entrei em êxtase diante do fato de estar realmente grávida. Comecei a andar de maneira diferente e a tocar minha barriga a toda hora. Imediatamente me convenci de que estava com desejos. Havia pessoas para ligar, nomes a escolher e cursos para freqüentar. Quando Chris chegou, eu tinha coberto o chão com pequenos bebês de plástico, todos levando a um enorme bebê inflável. Ele seguiu a trilha de bebês, e nós choramos, nos abraçamos e começamos a ligar para nossa família. Nossas mães logo disseram que não queriam ser chamadas de “Vovó”. Minha sogra queria ser chamada de “Cha Cha”; minha mãe, de “Tootsie”. (Nem pergunte!)
Nas semanas seguintes, tive de ir à clínica todos os dias para exames de sangue. Eu não me importava com as picadas de agulha, porque adorava receber os resultados e observar os números aumentarem constantemente - até o dia da minha apresentação com Caco, o Sapo, quando recebi aquela ligação horrível da clínica.

DEPOIS DA MUPPETFEST, fui do teatro para casa e arranquei o adesivo de estrogênio com tanta força que até sangrei. Fui para a cama sem discutir nenhum dos meus sentimentos com meu marido, não porque ele não quisesse falar, mas simplesmente porque eu não podia. No dia seguinte, minha médica explicou que uma dilatação e uma curetagem eram o procedimento usual num caso como esse, mas não era uma opção para mim. Uma vez mais, por causa do estado do meu colo do útero, eles não podiam chegar lá e se livrar da “gravidez inviável”. Abrir cirurgicamente um útero como o meu poderia gerar o problema ainda maior de um colo do útero incapaz, e isso não teria solução. Se isso acontecesse, eu me tornaria incapaz de manter uma gravidez por mais de quatro meses. Então, naquela situação, eu tinha de esperar que a gravidez se inviabilizasse por completo e que meu corpo a expelisse ou reabsorvesse.
Nesse momento minha autocomiseração alcançou um nível recorde. Chris estava muito desapontado, mas disse que abortos são muito mais comuns do que pensamos e que algum já devia ter acontecido conosco antes e nós simplesmente não percebêramos. Era mais difícil para nós agora, porque estávamos olhando para ultra-sonografias e ouvindo falar a respeito do resultado de exames de sangue diários. Era uma expectativa construída. E disse que devíamos seguir em frente. Eu queria gritar que ele não tinha idéia de como eu realmente me sentia, porque não tinha um útero para guardara um bebê crescendo nele! Mas me abstive de ser tão cruel porque sabia que era uma perda para ele também. Chorei e fiz ligações dolorosas para minha mãe, dizendo:
- Não estou mais grávida. Perdi o bebê! Acho melhor esquecer essa história.
Geralmente é minha mãe quem recebe todas as minhas pancadas de mau humor e ia ter de agüentar uma boa dose de meus desabafos por um tempo. Eu teria tentado tornar o aborto culpa dela se pudesse achar uma forma legítima de responsabilizá-la. Felizmente, mesmo no meu pior estado, não baixei tanto o nível.
Manifestei meu desespero a muitas pessoas íntimas minhas e confidenciei a minha amiga Stephanie que eu realmente temia que aquilo fosse algum tipo de piada cruel. Depois de ter recebido tanto da vida, será que eu tinha atingido o limite? Talvez eu não merecesse uma criança. Ela disse que eu estava deixando meu sentimento de culpa católico me dominar. Não apenas minha vida não fora tão fácil, como também eu merecia ter um filho. Isso me acalmou. Tentei acreditar que ela estava certa.
Chris estava triste, mais pelos meus sentimentos do que pela perda. Ele manteve a calma e disse que eu não estava sendo punida por nada. Aquele bebê não era para acontecer por motivos que provavelmente nunca saberíamos, mas em vez de desperdiçar mais tempo sentindo pena de mim mesma, eu devia voltar a montar o cavalo da fertilidade e recomeçar.
Depois de mais alguns dias de luto, dei a volta por cima e passei a me concentrar em quando poderia fazer outra tentativa. Num período tão curto de tempo, as coisas mudaram drasticamente. Até alguns dias antes, eu estava esperando para descobrir o sexo do meu bebê; agora estava esperando ter um aborto. A médica ligou e disse que sentia muito, mas era bom sinal o fato de eu ter engravidado. Isso significava que meu corpo podia conceber; para ela isso significava meia batalha ganha. Disse mais algumas palavras de conforto e passou a discutir o que provavelmente aconteceria no decorrer da semana seguinte.
Explicou que meu corpo precisava se livrar da gravidez, e que se isso não acontecesse naturalmente depois de uma semana, eles me dariam um remédio chamado Metotrexato, que ataca as células de crescimento rápido para acelerar o processo horroroso. Se nada acontecesse depois da primeira injeção, outra injeção seria administrada. Mais uma vez pensei em meu pai. Papai tinha tomado o mesmo tipo de remédio para matar seu câncer, que, como um feto, também consiste em células de crescimento rápido.
Depois de uma semana, nada tinha acontecido. Fui tomar a injeção. Foi rápido e indolor, e não tive reação alguma.
Outra semana se passou, o Natal chegou e se foi com pouca celebração. Meu corpo, ainda se achando grávido, continuava a se agarrar à gravidez. Consegui fazer uma piada sem graça sobre como era típico em mim ser obstinada. O que uma vez eu considerara um atributo positivo se tornara uma desvantagem. Eu seria forçada a tomar outra dose. Um dia antes da segunda injeção, saí para fazer compraterapia. Numa loja moderna, eu me surpreendia com o alto preço das tangas quando comecei a me sentir desorientada e com frio. A vendedora pegou um copo de água para mim e não parava de dizer:
- Oh, talvez você esteja grávida.
Resmunguei que provavelmente era só o alto preço das tangas. Saí rapidinho da loja, cheguei em meu carro fraca e liguei para Chris a caminho de casa. Disse a ele que não deixasse o trabalho, mas ele insistiu.
Quando cheguei em casa, comecei a me contorcer de dor. Era uma sensação lenta e penetrante, vindo em ondas que imagino fossem contrações. Liguei para a médica entre os surtos de dor, e ela disse que a cada duas horas eu poderia tomar o analgésico Vicodin, obedecendo ao limite de quatro doses. Depois de horas de inferno e de três doses, eu ainda não estava sentindo alívio. A Dra. Vargyas disse que, se ficasse insuportável, eu poderia ir ao hospital, onde me dariam morfina. Eu não queria sair de casa. Chris implorava para me levar ao hospital, mas eu não achava que ia ser diferente de como estava sendo em casa e não queria dar matéria para os olhares intrometidos dos tablóides. O que estava acontecendo era obviamente o jeito de o meu corpo lidar com a situação, e eu precisava acatá-lo. O tecido de cicatrização não tinha nenhuma elasticidade, então meu aborto foi mais doloroso do que a maioria. Eu não estava tentando ser uma heroína e precisava acreditar que o Vicodin, em algum momento, ajudaria. A dor e toda a situação pareciam quase primais, mas eu sabia que não havia escolha, a não ser agüentá-la.
Chris permaneceu ao alcance da voz, e nossa cachorra ao pé da cama, com o focinho apoiado nos meus pés. A certo ponto, ela veio me lamber, porque sentia minha tristeza e entendia instintivamente a extensão da minha dor. Chris também teria lambido meu rosto se achasse que ajudaria. Eu estava no processo de perder um filho, e o máximo que podia fazer era esperar terminar. Foi muito desanimador passar por um parto sem a esperança de um resultado positivo. A dor com certeza seria mais facilmente suportável na perspectiva de um filho esperando por mim. Permaneci na minha cama, sozinha, sabendo que não havia nada que eu pudesse fazer para melhorar.
Lá pelas onze e meia daquela noite, eu tomei a quarta dose de remédio e disse a Chris que a dor estava ficando insuportável e que, se eu não adormecesse nos próximos 30 minutos, ele podia me levar para o pronto-socorro. Eu gemia e apertava os lençóis numa dor debilitante e tinha perdido boa quantidade de sangue. Chris não podia fazer nada, a não ser escutar da outra sala ou vir de minuto em minuto acariciar minha cabeça. Ele se sentia impotente, e eu vi o alívio em seus olhos com a possibilidade de conseguir ajuda profissional. As contrações eram esmagadoras, e eu já havia agüentado seis horas de tortura. Milagrosamente, comecei a ter sono. Você pode achar que depois de consumir Vicodin suficiente para abater um elefante eu capotaria de vez, mas a dor agia como injeções de cafeína.
No final, eu estava tão esgotada física e emocionalmente que caí no sono. Acordei seis horas depois, exaurida, sem dor. A tempestade acabara. Eu a encarara e não sentia nenhuma autocomiseração. Era como se tivesse experimentado um terrível rito de passagem. Nunca tinha passado por uma experiência tão solitária e dolorosa; ela me envelheceu e amadureceu. Concluí ter perdido uma inocência vista apenas em pessoas que ainda não tinham sido desapontadas profundamente pela vida. Conforme eu lamentava a perda de meu bebê, também dizia de forma silenciosa adeus a uma certa ingenuidade que uma vez tivera, de que as coisas sempre acabam bem.
Chris me levou ao consultório de minha médica, e dei à Dra. Vargyas detalhes do meu pesadelo. Ela fez uma ultra-sonografia e lá estava: o que fora uma câmara cheia de vida era agora uma caverna escura. Eu tinha me acostumado tanto a ver “o cajuzinho”, como eu me referia ao feto. Agora meu útero parecia um cofre devassado. Eu estava chorando, mas ainda queria discutir nossas opções para seguir em frente tão logo quanto possível.
Embora tentássemos nos concentrar em qual seria nosso próximo movimento, ainda tínhamos de comunicar o aborto ao resto de nossas famílias e aos amigos próximos. Saber que logo recomeçaríamos o tratamento não tornava isso nem um pouco mais fácil. Mas tinha de ser feito. Aprendemos uma lição valiosa, no entanto, e decidimos que da próxima vez não iríamos contar aos outros até a gravidez estar mais avançada. A imprensa, graças a Deus, não ficou sabendo dessa gravidez até bem depois do ocorrido, não tive de lidar com ela também. Todas as pessoas que conhecíamos reagiram de maneira diferente, mas meu pai parecia o mais perturbado. Podia ser que ele tivesse uma noção de quanto tempo lhe restava e sentisse a urgência a cada mês que passava. Eu o tranqüilizei dizendo que assim como engravidara antes, podia fazer isso de novo, e devíamos considerar isso como um sinal positivo. Ele conheceria seu neto.
Um aspecto positivo do aborto foi que ele fez com que meu colo do útero se abrisse, aumentando o número de opções de fertilidade disponíveis para nós. Pelos sete meses seguintes, a vida se tornou uma série interminável de tratamentos de fertilidade: inseminações artificiais, um ciclo de Clomid, in vitro com óvulos novos e fertilizados. Depois que cada um desses procedimentos falhou, minha médica nos lembrou que eu engravidara antes e não devia perder a esperança. A única alternativa era continuar.
Embora tentando me consolar, ela não podia oferecer uma explicação para o fato de nenhum desses procedimentos ter funcionado. Chris e eu começamos a nos desesperar. Era como se algo estivesse muito errado. Os médicos nunca tinham visto alguém como eu não engravidar. Pensando bem, durante todo o processo, não parávamos de ouvir a mesma coisa. Eles nunca tinham visto nada do tipo; meu colo do útero era único; contorná-lo deveria ter funcionado, mas não funcionou; meu aborto fora incrível etc. Nada que eu sentia era considerado comum. Por que eu não podia ser comum? Todas as mulheres à minha volta estavam ficando grávidas. Eu estava começando a me sentir ressentida. Talvez realmente não tivesse sido feita para ter filhos. A culpa católica começou a se insinuar de novo, bem como a amargura. Eu não queria saber de ser única. Não queria mais ficar feliz pelos filhos das outras pessoas. Sabia que a boa sorte delas não tinha nada ver comigo, mas isso era como um tapa na cara. Ainda não estava aberta para a adoção. Eu queria engravidar… Será que era demais pedir isso?! Eu não queria sentir culpa de querer um filho meu mesmo. Por que não engravidava? O que havia de errado comigo? Chris tendia a acreditar que isso aconteceria com o tempo, mas eu estava perdendo a fé, sem falar da disposição. Eu me tornei desgostosa e perdi meu bom humor. A primeira vez que engravidei fora obviamente um acaso feliz, uma provocação, um truque cruel que a mãe natureza me aplicou.
Lentamente as pessoas foram deixando de perguntar notícias do meu tratamento de fertilidade. Eu nunca tinha notícias positivas, então elas deixavam de tocar no assunto. Alguns que eu não conhecia bem ou que não me tinham visto nos últimos tempos perguntavam como o bebê estava, pensando que eu tivesse dado à luz o meu primeiro. Minhas amigas não me convidavam para chás de bebê porque achavam que isso seria doloroso demais. Evitavam me contar as boas notícias. Eu estava começando a me sentir como uma aberração. Encontrava conforto com outras pessoas que tinham problemas de fertilidade, mas o ponto principal era que todas nós nos sentíamos muito sós. O que não faltava era uma quantidade absurda de conselhos não solicitados. Se uma pessoa mais me dissesse para relaxar ou me lembrasse de quantos pobres bebês precisam ser adotados, eu gritaria. Busquei altruísmo no meu coração, mas não consegui encontrar nenhum. Ao lado disso tudo, eu deixara de trabalhar havia quase um ano por ter me concentrado unicamente em engravidar. Eu me sentia como se tivesse perdendo oportunidades sem nenhuma compensação. Não tinha trabalho e não tinha bebê.


Depois do Parto, a Dor - Minha experiência com a depressão pós-parto - Brooke Shields - Prestígio Editorial.

Espero que vocês tenham gostado! Fiquem com Deus e bjinhos no coração!



postado por Alice as 08:44:40




18 comentários:

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Amiga hoje é dia do beijo,então beijinhos p/ vc.adorei vou comprar o livro deve ser interesante a história. aproveite hoje e beije muito tá? felicidades e se Deus quiser dessa vez vai dar certo ou seja já deu!! bjs fique c/ Deus.

sexta, abril 13, 2007 10:14
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