
Quando eu era criança, ganhei um bicleta azul, simplesmente a adorava, levei alguns tombos até aprender a andar , mas eu não desisti, continuei firme e aprendi, até andava razoavelmente bem.
Um dia voltando com a minha mãe, sei lá de onde, minha memória não é tão boa assim, cismei que tinha que descer um barranco , minha mãe gritou comigo, disse para eu não fazer aquilo, que iria me machucar muito, olhei para ela e com toda a sabedoria de quem tem 9 anos, pensei " Ela não sabe de nada " e desci. Preciso mencionar que meti a cara no chão, me ralei toda e fiquei dias com vergonha de ir a escola ?
Durante minha vida, cometi outros erros como esse. A gente sabe que vai dar errado e insisti. Porque ?
Por algum motivo a gente acha que tem sempre que tentar, sempre que testar, afinal se você não fizer como vai saber o que é ruim?. E eu tenho que discordar disso, até porque eu odeio Toddynho, odeio profundamente. Nunca tomei, e não tenho vontade alguma de tomar e quisera eu me comportar assim em todos os aspectos da minha vida. Leite gelado com chocolate nunca fez falta, amor também não deveria.
Pode parecer uma comparação idiota, mas existem várias coisas na vida que nunca fizemos, talvez nunca façamos e convivemos bem com isso.
Talvez eu nunca more em Londres, talvez nunca trabalhe na Abril, talvez não passe nenhum carnaval em Porto Seguro, ou nunca venha a gostar de gelatina. Talvez nunca devesse ter me apaixonado e quem sabe quanto bem isso me faria ?
Quando meus instintos e meus amigos me disseram para não conhecê-lo, não deveria ter ido, quando ele pisou na bola a primeira vez, deveria ter fechado a porta , mas eu como burra que sou, sempre deixo a porta um pouco aberta e ele entrou denovo e depois saiu e eu fiquei aqui. Peguei a chave, comprei um cadeado e olhei para porta alguns minutos, quis trancar, depois eu quis derrubar. Quis deixar aberta, talvez fosse uma forma de me curar, mas não fiz nada disso. Então resolvi somente fechar, nada de cadeados ou promessas de nunca mais, apenas fiquei no escuro, sentei no chão com a chave apertada contra o peito e chorei. Permaneço aqui, pensando se algum dia irei abrir a porta novamente, ou se alguém irá bater, e continuar batendo, até eu abrir.