
De repente, no meio do nada, viu. No centro da pista. Era tudo o que havia esperado durante toda a vida e até depois da morte. Um sonho em matéria. Anjo excomungado. Lá estava. E o seu membro intumescido, afirmativo, de imediato se manifestou, tentáculo do desejo. Ponteiro do corpo. Seu pau grosso e de veias arroxeadas tentou a doce libertação, delineando suas curvas na calça jeans apertada que sufocava sua existência. No redemoinho de corpos dançantes, perdeu de vista a sua presa. E saiu em busca. Uma rodela úmida se formava ainda na cueca amarela. Correu atrás do seu delírio. No labirinto de pessoas. A fera em sua sanha predadora. Perfurando a névoa de pedra. Unhas e dentes afiados para o alvo. A arrogância das garras. Mil tambores no coração tamborilante. O gozo melado escorrendo nas coxas por baixo do tecido. Não poderia perder de vista. Na inércia dos movimentos, ele corria. Enjaulado em desespero. Procurando entre. Parado. Em busca de. Imóvel em seu sufoco físico. Corria. Sem sair do lugar. Mas corria.
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