Está na Folha de São Paulo de hoje: a polícia paulista matou, entre a noite de segunda-feira e a manhã de ontem, 33 pessoas suspeitas de participação na onda de atentados. Ao todo, desde o início da crise na noite da sexta, 13, já são 71 pessoas mortas pelas forças policiais em supostos confrontos. Muitos dos mortos receberam tiros na cabeça, o que induz à hipótese de fuzilamento sumário. Há muitas razões para supor que estejam ocorrendo execuções extrajudiciais em retaliação à morte de PMs e de policiais civis. O fato de até ontem não ter sido divulgada a relação dos nomes dos suspeitos mortos reforça a suspeita de que tenha sido dada uma “autorização velada para matar”, numa espécie de “vingança de sangue”, porém executada por agentes do Estado que têm o dever constitucional de agir dentro da lei. Hoje, mais que nunca, é preciso levantar a bandeira da vida e da justiça social. Só muita vontade de defender o indefensável, pode tangenciar o fato de que toda essa violência é manifestação de uma profunda e cada vez mais incontrolável crise social que se avoluma há décadas. Sem atacar as causas da miséria, do desemprego e da desesperança de parcelas crescentes de nossa juventude não se alcançará as mínimas condições para deter a violência sem fronteiras que ameaça engolfar a tudo e a todos.
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