
Não há mais dúvida: o governo tucano-pefelista de São Paulo, acuado pela incrível onda de violência deflagrada pelo crime organizado, selou um pacto com as principais lideranças do grupo criminoso conhecido como Primeiro Comando da Capital (PCC). Foi este acordo, realizado secretamente ainda durante o último domingo, que foi responsável pelo fim das dezenas de rebeliões na maioria das casas penais paulistas, e pela quase imediata suspensão de atentados contra policiais, ônibus e bancos, que durante 48 horas aterrorizaram o Estado mais rico da federação. Por trás da retórica ultraconservadora, os homens de Alckmin e seus cúmplices do PFL não conseguem esconder o mais completo fracasso de sua política de suposto endurecimento e de “tolerância zero” com a criminalidade. Foi justamente nestes longos anos de tucanato, que floresceu, no ventre do caótico e cada vez mais ingovernável sistema prisional paulista, uma facção com a força e o poder de fogo do PCC. Sabe-se que na base desse fortalecimento do crime está a corrupção de policiais e de agentes do governo, sem cuja cumplicidade não seria possível a manutenção da rede de crimes, que vai do tráfico de drogas a seqüestros, passando por sorte de delitos. Diante do terror e do caos instalados, ressurge com força o discurso antidireitos humanos e a favor de um brutal endurecimento das normas carcerárias, sob o falacioso argumento de que isso seria suficiente para deter a onda de violência. Na verdade, com mais violência e brutalidade apenas estará se alimentando uma espiral sem-fim de barbárie que, cedo ou tarde, cobrará elevado preço em vidas humanas, como ficou patenteado nestes últimos episódios.
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