Luzes na Floresta
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terça, 13 junho, 2006
Poesia mexicana - A arte da palavra, por Octavio Paz

ENTRE O QUE VEJO E O QUE DIGO...

A Roman Jakobson
                          Traduzido por Anderson Braga Horta

                                                                                                             

Entre o que vejo e o que digo,

entre o que digo e o que calo,

entre o que calo e o que sonho,

entre o que sonho e o que esqueço,

a poesia.

   Desliza

entre o sim e o não:

         diz

o que calo,

      cala

o que digo,

      sonha

o que esqueço.

Não é um dizer:

é um fazer.

      É um fazer

que é um dizer.

 A poesia

se diz e se ouve:

   é real.

E, apenas digo

 é real,

se dissipa.

     Será assim mais real?

 

2

 

Idéia palpável,

palavra

impalpável:

      a poesia

vai e vem

    entre o que é

e o que não é.

          Tece reflexos

e os destece.

        A poesia

semeia olhos na página,

semeia palavras nos olhos.

Os olhos falam,

  as palavras olham,

os olhares pensam.

        Ouvir

os pensamentos,

   ver

o que dizemos,

tocar

o corpo da idéia.

    Os olhos

se fecham,

     as palavras se abrem´.

 

Octavio Paz  
OCTAVIO PAZ (1914–1998) — Mexicano. Prêmio Nobel de Literatura em 1991. Importante ensaísta e conferencista (El Laberinto de la Soledad, El Arco y la Lira, El Mono Gramático, Los Hijos del Limo, Sor Juana Inés de la Cruz o las Trampas de la Fe). Alguns livros de poesia: Piedra de Sol, Salamandra, Blanco, Vuelta, Árbol Adentro.



postado por 9449 as 07:06:10
2 comentários:

Ana Bela:
Belíssimo o poema desse grande poeta e crítico mexicano que nos emociona, seja através das suas poesias, seja através de seus ensaios teóricos sobre literatura e arte. Octavio Paz diz que o poema é o lugar de encontro entre a poesia e o homem e que a palavra poética é ritmo, cor, significado e imagem. Parabéns Edmilson pela constante escolha sensível de temas e poesias que vem aquecendo e iluminando aqueles que acessam o seu blog e que vivem nas mais diversas florestas.
Ana Bela
16/07/2006
Luiz Mário:
Bela poesia, embora não case com o ato do MLST. Aliás, soa estranho a ausência de algo a respeito do fato, pois quando foi necessário o povo para apear políticos do poder, como foram os casos de Fernando Collor e Antônio Palocci, onde Eriberto Batista e Francenildo, motorista e caseiro, respectivamente, legítimos integrantes dos segmentos populares, produziram um clamor popular que culminou com a queda de tais políticos, tiveram reconhecidos suas importâncias, o que não ocorreu com o movimento que pretendia colocar o conjunto completo para correr, por que?
13/06/2006
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