
“ENTRE O QUE VEJO E O QUE DIGO...
A Roman Jakobson Traduzido por Anderson Braga Horta Entre o que vejo e o que digo, entre o que digo e o que calo, entre o que calo e o que sonho, entre o que sonho e o que esqueço, a poesia. Desliza entre o sim e o não: diz o que calo, cala o que digo, sonha o que esqueço. Não é um dizer: é um fazer. É um fazer que é um dizer. A poesia se diz e se ouve: é real. E, apenas digo é real, se dissipa. Será assim mais real? 2 Idéia palpável, palavra impalpável: a poesia vai e vem entre o que é e o que não é. Tece reflexos e os destece. A poesia semeia olhos na página, semeia palavras nos olhos. Os olhos falam, as palavras olham, os olhares pensam. Ouvir os pensamentos, ver o que dizemos, tocar o corpo da idéia. Os olhos se fecham, as palavras se abrem´. Octavio Paz OCTAVIO PAZ (1914–1998) — Mexicano. Prêmio Nobel de Literatura em 1991. Importante ensaísta e conferencista (El Laberinto de la Soledad, El Arco y la Lira, El Mono Gramático, Los Hijos del Limo, Sor Juana Inés de la Cruz o las Trampas de la Fe). Alguns livros de poesia: Piedra de Sol, Salamandra, Blanco, Vuelta, Árbol Adentro.
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