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segunda, 28 abril, 2008
Entrevista (blog do jornalista Gustavo de Almeida)


Sempre atento ao que se passa nas Forças Armadas, o coronel Emir Larangeira, um dos mais polêmicos e politizados oficiais da PM do Rio me concedeu entrevista sobre as análises que vem tecendo sobre a movimentação das Forças Armadas após a repercussão das declarações do general Alberto Heleno, comandante militar da Amazônia. Larangeira lembra que em um de seus livros, "Operação Arabesco", já antevia o uso de áreas e mão-de-obra indígena para o narcotráfico ligado às FARC colombianas.

SANTA BÁRBARA E REBOUÇAS - O senhor costuma conversar muito com oficiais das FFAA. Como analisa a repercussão interna do desentendimento entre o general Alberto Heleno e o governo federal?

EMIR LARANGEIRA - O desentendimento não é nuvem passageira. É parte de um problema bem mais grave, que se resume no desprezo das esquerdas pelos militares brasileiros, dentre os quais incluo os militares estaduais e conseqüentemente me incluo. A esse contingente militar federal e estadual, que gravita em torno de um milhão de almas no serviço ativo (aproximadamente 400 mil militares federais das três armas e 500 mil militares estaduais), somam-se os inativos, sem falar nos dependentes.

A síntese é a seguinte: desde muito tempo os movimentos populares se alastram pelo país com impressionante desenvoltura e dissociados de suas legítimas reivindicações. Entre os que se movimentam, é possível notar lideranças extremamente organizadas, nem sempre pertencentes aos grupos de interesse que estão a liderar. E não é demais supor que muitos desses líderes são treinados fora do país (Cuba e similares), como antes de 1964 acontecia. Quando falo em “impressionante desenvoltura” é porque imagino esses deslocamentos como algo de difícil organização e vultosos gastos. De onde vem tanto dinheiro?...

Ora, os militares são diuturnamente silenciosos, mas não são bobos e possuem inigualável sistema de informações e contra-informações. Nada acontece ao largo dos aguçados sentidos da caserna. Portanto, quando um militar do talante do general Alberto Heleno vem a público denunciar algo, é porque esse “algo” já está analisado em todos os pontos do país e por todos os chefes militares das três armas, além de difundido o necessário conhecimento para aqueles que poderão ser acionados no momento oportuno.

Quem subestima os militares de hoje, engana-se redondamente. Antes de 1964, muitos acontecimentos surpreenderam os quartéis. De lá para cá, porém, o sistema de informações e contra-informações (nem falo de espionagem) atua com monumental precisão e instantaneidade, e nele se incluem vários subsistemas das polícias em geral e outros afins, todos em interface permanente com o comando maior do militarismo brasileiro.

Provocar o poder militar, que está na “forma cística”, mas observando tudo, mesmo enquanto recebe as mais diversas humilhações, é como eu disse em artigo no meu blog: é “cutucar a onça com vara curta”. E é bom que se saiba que os militares não lutam por vantagens pessoais, embora mereçam respeito e bons salários, o que não acontece desde muito tempo.

O objetivo maior e sagrado dos militares é a defesa da pátria contra agressões externas e internas que possam pôr em risco a soberania nacional, os direitos e garantias individuais e a liberdade. Cá pra nós, esses movimentos que se alastram no país não respeitam direitos alheios nem as liberdades individuais e coletivas. Estamos voltando aos tempos sombrios das manifestações sem legitimidade e visando à desestabilização da própria democracia, pior que com a benevolência e a permissividade gritantes daqueles que deveriam contê-las. Ora, não há como conceber, deste modo, nenhuma democracia, mas sim a maliciosa intenção de mudança do regime democrático para um socialismo que não encontrará eco entre os que pensam e verdadeiramente lideram os destinos da nação.

Esses movimentos que faíscam como perigosos focos de incêndio no território brasileiro se direcionam particularmente às massas ignaras e animadas por programas governamentais realmente úteis. Mas perdem a utilidade na medida em que o preço a ser pago pelo rebanho aquinhoado é o de se somar a movimentos nitidamente ideológicos. Creio que há e continuará havendo o desentendimento, e nem o anúncio de aumento para os militares federais refreará a indignação que permeia a tropa militar, especialmente as Forças Armadas. Se existe uma certeza absoluta nessa história é a de que o militar morre à míngua, mas não se vende. Por dinheiro nenhum o militar rasgará o Pavilhão Nacional e a “Ordem e Progresso” lá inscritos como único imperativo que eles, militares, defenderão até a morte. Portanto, o desentendimento está longe de ser delimitado entre o general Alberto Heleno e o governo federal. A questão é bem mais profunda e generalizada...

SBR - Em seu livro "Operação Arabesco" o senhor, há anos, teceu um quadro em que fronteiras amazônicas eram usadas por traficantes internacionais de drogas que, inclusive, operavam com os índios. O sr. acha que esta situação pode estar se repetindo?

EL - Passei mais ou menos dois anos pesquisando uma espécie de “problema nacional” gravado como ficção no meu romance. Faz bom tempo que escrevi o romance. De lá para cá, o problema só aumentou e se aprofundou. E da mesma forma fácil com que pude pesquisar o assunto, folheando jornais, revistas e livros, e concluir por sua gravidade, é possível imaginar que hoje o manancial de dados é maior e decerto está disponibilizado em arquivos militares. Quem ler o livro, pode ampliar sem risco o que ali está insinuado. E quem possui boa memória, ou é bem informado, verá que não inventei fatos, apenas os manipulei sob o formato de ficção literária, modo que concebi para alertar as gentes leitoras. E garanto que o problema não apenas se está repetindo, mas aumentando como um câncer em metástase... O texto completo do romance “Operação Arabesco” está disponível no meu site (http://www.emirlarangeira.com.br ) para leitura e impressão. É só conferir...

SBR - O general Alberto Heleno pode estar sendo político ou está na verdade fazendo um grave alerta com base em informações?

EL: Posso concluir que ele está representando simultaneamente os dois papéis, e não está sozinho nisso. Essa de querer que militar seja autista político num momento em que o socialismo avança nos países vizinhos e insinua turbulências no horizonte brasileiro é no mínimo estupidez. O que o general fez foi traduzir em literalidade o pensamento de milhões de brasileiros que temem a instabilidade democrática. Não há mais como aceitar a frouxidão deliberada e o estímulo à baderna dos tempos de Jango; não há mais espaço para movimentos anarquistas de grupos organizados e interessados em destruir a democracia para substituí-la por um regime fechado em perfil socialista e/ou comunista. Não creio que a sociedade brasileira acolha novamente uma baderna como a anterior aos idos de 1964. Entretanto, há o risco de manipulação dos jovens, especialmente dos estudantes, que desconhecem a dura realidade anárquica que fez eclodir a reação dos militares brasileiros em 31 de março de 1964. Afinal, a mídia contribui sobremodo para a ignorância popular sobre aqueles tenebrosos tempos das filas do feijão, do açúcar e do arroz, das greves gerais, das idas e vindas em caminhões paus-de-arara substituindo os ônibus, dentre outras inexplicáveis badernas decorrentes de motivações absurdas.

SBR- O sr. acha que o general está sozinho na frente de batalha?

EL - Como já afirmei e reitero em maiúsculo: NÃO! Há, inclusive, manifesto de apoio ao general circulando na internet e se avolumando deveras em quantidade e qualidade. Não são assinaturas anônimas. Há muitos signatários capazes de liderar pessoas. Modestamente, sou um deles, mas não se trata de defender algum golpe militar, algum fechamento do regime democrático ou coisas do gênero. Trata-se de demonstrar insatisfação com a frouxidão do governo ante esses movimentos populares estranhos ao Estado Democrático de Direito. Não há democracia onde não houver respeito à lei e à ordem. E o que o general defende é a lei e a ordem e, principalmente, a soberania nacional ameaçada. Ele não é movido por interesses pessoais nem adota posições ambíguas, como o fazem esses movimentos populares caracterizados pela balbúrdia com fins inconfessáveis. O general pode até estar na frente de batalha... Mas não está sozinho, não. Atrás dele, segue uma apreciável força de confronto. Tomara que os interessados na anarquia entendam isso a tempo...

SBR - Há como traçar paralelos entre as atuações históricas dos militares no passado e o momento atual?

EL - Creio que a história tende a se repetir, só que jamais alcançará o nível de turbulência anterior. A reação do general antecipando-se ao momento seguinte é prova disso. Também o recuo do governo e o agrado salarial abrem portas a negociações mais calmas. Existe um risco inegável nas fronteiras da nação brasileira com países que passam por transformações políticas radicais ou enfrentam movimentos guerrilheiros. É claro que a segurança nacional está com os olhos voltados para fora do país, mas não se pode cegar ante esses movimentos internos tendentes à desordem nacional. Afinal, tudo é contexto, não existe nada isolado no mundo contemporâneo. As conexões entre os países vão da economia à política, passando por interesses sociais comuns e dependentes daqueles outros que lhes são interligados. É uma configuração sociopolítica complexa e que demanda atenção e reação ainda no campo principalmente político. Daí a certeza que tenho de que a fala do general, além de política, foi institucional e precedida, inclusive, de um forte recado emitido pelo Comando Militar do Leste (CML) ao inaugurar a placa, no saguão de entrada do QG do antigo I Exército, alusiva a 31 de março de 1964, data tão abominada pelas esquerdas brasileiras. Entendi o gesto como um aviso de que “a onça” não está morta, apenas dorme. E, embora seja a onça o símbolo do CIGS, a “toca da onça” não está na Amazônia, mas na sede do CML. E não é bom “cutucar a onça com vara curta”...

 


postado por 13181 as 10:09:34 #
20 Comentários
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