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segunda, 31 maio, 2010
Contos de fadas e alfabetização
Contos de fadas e alfabetização

Contar histórias é uma tradição de origem tão remota que nos faz admitir a impossibilidade de datá-la. No entanto, sua existência é valiosa no que se refere à memória das culturas, que assim podem ser transmitidas de geração a geração. Os contos de fadas distinguem-se por serem literatura oral e mantêm-se vivos, exclusivamente, por essa oralidade, sendo que tal literatura é mantida e movimentada pela tradição. Além disso, podem se constituir em um meio significativo para a educação de crianças, uma vez que ao ser contada, a história é gravada em suas mentes, já que apresenta relações com o cotidiano infantil.
As histórias são enriquecidas de patrimônios morais e culturais que podem e devem ser explorados criticamente no processo de ensino-aprendizagem. BETTELHEIM (1980), psicólogo que estudou a psicanálise dos contos de fadas, constatou que a criança deposita toda uma confiança nessas histórias, porque nelas é apresentada uma visão de mundo que vai ao encontro da sua. Esse instrumento de aprendizagem parte de uma situação total, ou seja, da história como um todo e não de frases, palavras ou sílabas (fragmentos de um todo maior). Além disso, pelo fato de ter enredo, desperta muito mais o interesse e a curiosidade da criança, fazendo da aprendizagem um ato de prazer, como afirma BETTELHEIM (1984):
"Ensina-se à leitura de maneira tal que não só se ofusca completamente aquilo que vem a ser a arte de ler, mas também se impede a criança de imaginar que ela possa existir. Mesmo os professores que se encontram comprometidos com o ensino da leitura acentuam o valor prático da leitura quando ensinam a seus alunos principiantes, negligenciando o valor mais ilusório porém muito mais importante que o ato de ler pode ter na vida de cada um de nós." (p.48)
A leitura de contos de fadas enriquece o vocabulário, facilitando a expressão e a articulação por meio da expansão da linguagem infantil; estimula a inteligência, por ser o conto uma forma de desenvolver a criatividade do pensamento; permite a aquisição de conhecimentos, uma vez que amplia os horizontes experienciais da criança; identifica a criança com o grupo e ambiente, levando-a a estabelecer associações, por analogia, entre o que ouve e o que conhece, garantindo sua socialização; revela ao professor as singularidades de cada aluno evidenciadas nas reações provocadas pelas narrativas; auxilia a formação de hábitos e atitudes sociais e morais, por meio das imitações de bons exemplos e situações decorrentes das histórias e, finalmente, desperta o interesse pela leitura, familiarizando a criança com os livros. Além disso, cultiva a sensibilidade, imaginação, a memória e a atenção, condições essenciais para o desenvolvimento da criança que ensinam-na a agir e preparar-se para a vida.
Sucintamente, o ato de contar histórias na educação de crianças permite que, ao mesmo tempo, se envolvam de forma lúdica e aprendam conceitos que vão ser bastante utilizados em suas vidas. Dessa forma, os professores não podem deixar de usufruir desse instrumento tão simples, porém de extrema utilidade, para educar seus alunos.



Referência bibliográfica:

BETTELHEIM, B. A Psicanálise dos Contos de Fadas. Tradução de Arlene Caetano. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.
_______________. Psicanálise da Alfabetização. Tradução de José Luiz Caon. Porto Alegre: Artes Médicas, 1984.


postado por 140465 as 07:39:41




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