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Domingo, 25 Dezembro, 2005
Moçambique Personalidades
Ngungunhane (Gungunhana )
Nasceu por volta de 1850, no seio de uma tribo ngunis (vátuas ou aungunes, um dos ramos dos zulus).Os ngunis eram excelentes guerreiros e haviam penetrado em Moçambique, por volta de 1820, subjugando e escravizando os povos aí instalados (chopes, tsongas, vandaus, bitongas).
Em meados do século XIX criaram o Reino de Gaza (Sul de Moçambique). Em 1884, por morte de seu pai, Muzila, Ngungunhane sobe ao trono. Durante cerca de 10 anos, os ngunis oferecem uma feroz resistência ao colonialismo português.
Apenas em 1895, o exército português consegue vencer os ngunis destruindo Mandlakasi, capital do império de Gaza. No dia 28 de Dezembro, Mouzinho de Albuquerque aprisiona Ngungunhane em Chaimite, a aldeia sagrada dos ngunis.No ano seguinte este é desterrado com mais 16 prisioneiros para Portugal, vindo depois a ser transferido para a Ilha Terceira (Açores), onde permanece até à data da sua morte a 23 de Dezembro de 1906.
Em 1985, 15 de Junho, as ossadas de Ngungunhane são entregues à República de Moçambique. Ngungunhane tornou-se num dos símbolos da resistência dos povos moçambicanos ao domínio colonial.

Gungunhana com a coroa de cera. Uma imagem do famoso chefe nguni baseada numa fotografia da época. O conhecido resistente exibe aqui a coros de cera "nguyana", distintivo usual, no passado, entre dignatários idosos do sul de Moçambique. (Imagem editada no site http://www.kanimambo.com).

Ngungunhane " Leão de Africa"

Eduardo Mondlane / Eduardo Chivambo Mondlane
Nasceu em 1920, no distrito de Gaza, Moçambique.Após ter feito a escola primária, aprende inglês. Prossegue os seus estudos num liceu do Transval, África do Sul. Em 1949, com outros estudantes funda o Núcleo dos Estudantes Secundários Africanos de Moçambique, onde se debate a questão da Independência de Moçambique. Neste mesmo ano é preso. Vem depois para a Universidade de Lisboa, mas não tarda a partir para os EUA, onde até 1953, estuda Sociologia e Antropologia nas Universidades de Oberlin e Northwestern, Illinois.
Trabalha como investigador em Harvard, e mais tarde num departamento das Nações Unidas (U.N. Department of Trustee-ship). Durante as férias de 1961, Mondlane visita Moçambique e reata contactos com os activistas locais. Está então convencido que só pela luta armada é possível alcançar a Independência.
Entre 1961 e 1962 desenvolve uma intensa acção no sentido de unir os vários grupos nacionalistas, culminando no Congresso da Unidade, em Dar-es-Salam, que a 25 de Julho de 1962, onde é criada a Frelimo. Quando é iniciada a luta armada, a 25 de Setembro de 1964, a Frelimo contava apenas com 250 guerrilheiros. Em 1967 este número atingia já cerca de 8 mil.
No II Congresso da Frelimo, em 1968, Mondlane é reeleito presidente. Foi assassinado a 3 de Fevereiro de 1969, na sede exterior da Frelimo, em Dar-es-Salam, quando se prepara para abrir uma encomenda postal armadilhada proveniente da República Federal da Alemanha. Este assassinato tem sido atribuído à Polícia Política Portuguesa (PIDE), em colaboração com um antigo dirigente maconde Lázaro Kavandame, que se entregara às autoridades portuguesas.
Mondlane simboliza a luta pela Independência de um povo, que toma consciência de si próprio como uma entidade autónoma.

 Eduardo Chivambo Mondlane ( Arquitécto da unidade nacional)
Samora Machel Samora Moisés Machel
Nasceu a 29 de Setembro de 1933, em Xilembe, província de Gaza, no Sul de Moçambique. O seu avó Maghivelari era um famoso guerreiro, parente de Ngungunhane.
Participou desde o inicio na luta de libertação, onde se notabilizou nas acções militares. Desde o princípio dos anos 70 torna-se na figura de referência da Frelimo.
A influência das ideias de Mao Tse Tung (dirigente revolucionário chinês), está bem patentes nos seus escritos produzidos entre 1970 e 1974, onde aborda temas como a educação, saúde, emancipação da mulher, papel do exercito, etc. A sua experiência na guerra reforça-lhe a convicção que quase tudo poderia se resolvido através das armas. O que virá a tornar-se num dos seus piores defeitos enquanto político.
A seguir à Independência (1975), dirige com mão de ferro a construção de um Estado Socialista em Moçambique, enfrenta quase sozinho os regimes racistas da África do Sul e da Rodésia(Zimbabué), combate a Renamo numa longa guerra civil.
Após dez anos de governo, tem a percepção que o país estava destruído, a economia estatizada estava paralisada e a extrema pobreza da população se tornara insustentável. Nenhum país podia subsistir naquela situação. Inicia então negociações com o governo da África do Sul, retira o apoio ao ANC, inicia a liberalização da economia, acata as determinações do FMI, Banco Mundial, etc.
Na Frelimo muitos são o que se sentem traídos. O Partido estava irremediavelmente fraccionado, "socialistas" (tradicionalistas) e "capitalistas" (modernistas) passam a enfrentarem-se sob diversas formas.
Em Outubro de 1986 morre num acidente de aviação na África do Sul. A queda do avião é atribuída a este país. Samora Machel simboliza a luta por uma causa que transcende Moçambique: a libertação do homem de todas as formas de discriminação e exploração.

Samora Moiséis Machel

Joaquim Alberto Chissano
Joaquim Alberto Chissano é o Presidente da República e Chefe do Governo, cargo que ocupa desde 1986 e para o qual foi sucessivamente reconduzido pelas primeiras e segundas eleições gerais multipartidárias de 1994 e 1999, por sufrágio universal directo, secreto e pessoal.
De nome tradicional Dambuza, nasceu a 22 de Outubro de 1939 em Malehice, distrito de Chibuto, na província meridional de Gaza. É filho de Alberto Chissano, funcionário público já falecido, e Mariana Muianga, camponesa. Frequentou o ensino primário até 1952, em Gaza, e completou o ensino secundário na capital, Maputo, em 1960. Quando era ainda aluno do ensino secundário tornou-se membro do Núcleo dos Estudantes Secundários Africanos de Moçambique (NESAM) do qual foi eleito presidente entre 1959 e 1960.
Em 1960 foi para Portugal a fim de seguir estudos universitários, tendo-se matriculado na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Mas devido ao seu compromisso com o nacionalismo, um ano depois Chissano abandonou aquele país, seguindo para a França. Aqui, além de prosseguir os estudos de Medicina, que viria a deixar para se dedicar à causa de libertação do seu povo, juntou-se a outros estudantes para formar a União Nacional dos Estudantes de Moçambique, e esteve ligado ao movimento nacionalista estudantil das cinco colónias portuguesas em África e de outros países africanos. Fazendo da política a sua carreira, em 1962, Joaquim Chissano participou na fundação da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) na Tanzania, e, em 1963, foi eleito para o seu Comité Central. De 1963 a 1965 foi secretário do Dr. Eduardo Mondlane, primeiro Presidente da FRELIMO, período no qual foi também Substituto dos Chefes de Departamento da Informação, em 1963, e da Segurança e Defesa, em 1964. Foi secretário do Departamento de Segurança, em 1965. Chissano foi professor na Escola Secundária da Frelimo, de 1964 a 67, no Centro de Formação de Quadros de Bagamoyo, em 1967, e na Escola do Partido, em Nachingweia, de 1973 a 74.
No II Congresso da FRELIMO, realizado em 1968, Joaquim Chissano foi eleito membro do Comité Central, que veio a elegê-lo no ano seguinte para o Comité Político Militar. Foi, ainda, eleito membro do Comité Executivo. Em 1974, depois dos Acordos de Lusaka, em 7 de Setembro, Joaquim Alberto Chissano foi nomeado Primeiro Ministro do Governo de Transição até à proclamação da independência, em 25 de Junho de 1975. No primeiro governo da República Popular de Moçambique, formado em Julho de 1975, Joaquim Alberto Chissano foi nomeado Ministro dos Negócios Estrangeiros, cargo que ocupou até 1986.
Em 1977, no III Congresso da FRELIMO, que transformou a Frente em Partido de Vanguarda, Joaquim Chissano foi eleito para o Comité Central e para o Comité Político Permanente, mais tarde Bureau Político do Partido. No IV Congresso, em 1983, foi confirmado nos mesmos cargos. Por ocasião das primeiras eleições gerais, em 1977, Chissano foi eleito deputado da Assembleia Popular e membro da Comissão Permanente deste órgão. Depois da morte do Presidente Samora Machel em 1986, Joaquim Chissano foi eleito Presidente do Partido Frelimo e, por força da Constituição da República então vigente, foi investido no cargo de Presidente da República a 6 de Novembro do mesmo ano. No V Congresso, em 1989, e no VI Congresso, em 1991, foi reeleito Presidente do Partido.
Durante o seu mandato começou um processo de transformação profunda no país. A introdução do Programa de Reabilitação Económica, em 1987, levou à adopção de uma economia de mercado, e a revisão da Constituição, em 1990, abriu caminho para a instalação de um regime multipartidário. Como o fim das conversações de paz com a Renamo, Joaquim Alberto Chissano assinou o Acordo Geral de Paz, juntamente com Afonso Dhlakama, em Roma, a 4 de Outubro de 1992.
Joaquim Chissano assumiu a Presidência da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), durante a Cimeira dos Chefes de Estado dessa comunidade regional realizada em Maputo, em Agosto de 1999. No mesmo ano, foi também eleito Vice-Presidente da Socialista Internacional. Tendo recebido o título de Doutor "Honoris Causa" em Economia, pela Universidade de Coimbra, em Abril de 1999, já foi, no país, condecorado em diversas ocasiões com as medalhas "Eduardo Mondlane" do 1º grau, "25 de Setembro" do 1º grau, "20º Aniversário da Frelimo" e "Veterano da Luta Armada de Libertação Nacional". Foi também galardoado na Grã-Bretanha, no Brasil, em Portugal, na Bulgária, na Nicarágua e em Cuba. Recebeu ainda um prémio de honra como jogador amador e promotor de Golfe.
É Presidente do Partido Frelimo desde 1986, e membro de honra da Organização dos Trabalhadores Moçambicanos (OTM), da Organização da Juventude Moçambicana (OJM), da Organização Nacional dos Professores (ONP).
Casado com Marcelina Rafael Chissano, igualmente veterana da luta armada, Joaquim Chissano é pai de quatro filhos.

Joaquim Alberto Chissano
Malangatana Valente Ngwenya
Malangatana(Valente Ngwenya) naceu em Matalana, Província de Maputo, a 6 de Junho de 1936.
Frequentou a Escola Primária em Matalana e posteriormente, em Maputo, os primeiros anos da Escola Comercial.
Foi pastor de gado, aprendiz de nyamussoro ( médico tradicional), criado de meninos, apanhador de bolas e criado no clube da elite colonial de Lourenço Marques. Tornou-se artista profissional em 1960, graças ao apoio do arquitecto português Miranda Guedes ( Pancho) que lhe cedeu a garagem para atelier.
Acusado de ligações à FRELIMO, foi preso pela polícia colonial quando duma leva de prisões que levou á cadeia, entre outros, os poetas José Craveirinha e Rui Nogar. Contrariamente aos seus companheiros, não se provou tal envolvimento pelo que acabou absolvido, após quase 2 anos de prisão.
No entanto, a pressão sobre ele exercia-se continuamente pois os seus quadros, embora não exactamente retratando a realidade, davam-na a entender muito bem. Vejam-se as obras desses anos e toda a simbologia que deles se desprende de denúnica da opressão/Após a Independência teve vários envolvimentos na área política, tendo sido deputado pelo Partido Frelimo de 1990 até 1994 e hoje é um dos membros da Frelimo na Assembleia Municipal de Maputo.
Foi um dos criadores do Movimento para a Paz e pertence à Direcção da Liga de Escuteiros de Moçambique.
Foi um dos criadores de Museu Nacional de Arte e procurou manter e dinamizar o Núcleo de Arte ( associação que agrupa os artistas plásticos).
Muito ligado à criança, tem colaborado intensamente com a UNICEF e durante alguns anos fez funcionar a escolinha dominical "Vamos Brincar", uma escolinha de bairro. Impulsionador, no passado, de um projecto cultural para a sua terra natal-Matalana, Marracuene-, retoma-o, logo que a guerra termina, criando-se assim a Associação do Centro Cultural de Matalana, de cujo grupo fundador Malangatana faz parte, sendo actualmente presidente da Direcção. Esta Associação pretende criar um projecto de desenvolvimento entegrado das populações em torno do desenvolvimento profissional, de produção de auto-emprego, juntamente com o trabalho artístico, etno- antropológico e ecologico.
Desde 1959 que participa em exposições colectivas em várias partes do mundo para além de Moçambique nomeadamente África do Sul, Angola, Brasil, Bulgária, Checoslováquia, Cuba, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Grã-Bretanha, Holanda, índia, Islândia, Nigéria, Noroega, Paquistão, Portugal, RDA, Rodésia, Suécia, URSS e Zimbabwe.
A partir de 1961 realizou inúmeras exposições individuais em Moçambique e ainda na Alemanha, Áustria, Bulgária, Chile, Cuba, Estados Unidos, Espanha, Índia, Macau, Portugal e Turquia. Tem murais pintados ou gravados em cimento em vários pontos de Maputo e na cidade da Beira; na África do Sul; no Chile; na Colômbia; nos Estados Unidos da América; na Grã-Bretanha; na Suazilândia; e na Suécia. A sua obra, para além dos murais e das duas esculturas em ferro instaladas ao ar livre é composta por Pintura, Desenho, Aguarela, Gravura, Cerâmnica, Tapeçaria, Escultura e encontra-se ( exceptuando a vastíssima colecção do próprio artista) em vários museus e galerias públicas, bem como em colecções privadas, espalhadas por inúmeras partes do Mundo.
Malangatana foi membro do Júri do Primeiro Prémio Unesco para a Promoção das artes: é membro permanente do Jurí " Heritage", do Zimbabwe; foi membro do Jurí da II Bienal de Havana; da Exposição Internacional de Arte Infantil de Moscovo; de vários eventos plásticos em Moçambique e Vice-Comissário Nacional par a área da Cultura de Moçambique para a Expo 98.

Mia Couto
Escritor e jornalista moçambicano, Mia Couto nasceu na Beira em 1955, filho de uma família de emigrantes portugueses chegados a Moçambique no princípio da década de 50. Fez a escola primária na Beira. Em 1971, iniciou os seus estudos de Medicina na Universidade de Lourenço Marques (actualmente, Maputo), onde se vivia um ambiente racista muito vincado. Por esta altura, o regime exercia grande pressão sobre os estudantes universitários. O conjunto destas circunstâncias leva-o a colaborar com a FRELIMO. A partir do 25 de Abril e da independência de Moçambique, interrompeu os estudos para trabalhar, em primeiro lugar, em A Tribuna, juntamente com Rui Knopfli. Participou na revista Tempo até 1981, ficando, depois, no Notícias até 1985. O seu primeiro livro, Raiz de Orvalho (poemas) foi publicado em 1983. Segundo o próprio autor, consiste numa espécie de contestação contra o domínio absoluto da poesia militante e panfletária. Seguiram-se Vozes Anoitecidas (livro de contos com que se estreou na ficção), Cada Homem é uma Raça, Cronicando, Terra Sonâmbula, Estórias Abensonhadas, A Varanda do Frangipani e Contos do Nascer da Terra.

Mia Couto

José Craveirinha
José Craveirinha nasceu a 28 de Maio de 1922, em Lourenço Marques (actual Maputo). Filho de pai algarvio cuja família partira para Moçambique em 1908 em busca de fortuna, estudou na escola "Primeiro de Janeiro", pertencente à Maçonaria.
Ainda adolescente, começou a frequentar a Associação Africana. Colaborou n'O Brado Africano, que tratava de assuntos de carácter local e que dissessem principalmente respeito à faixa da população mais desprotegida.
Fez campanha contra o racismo no Notícias, onde trabalhava, tendo sido o primeiro jornalista oficialmente sindicalizado. Em 1958, começou a trabalhar também na Imprensa Nacional. Continuou no Notícias até à fundação do jornal A Tribuna, em 1962. Entre 1964 e 1968 esteve preso, em virtude da sua ligação à FRELIMO.
Começou a escrever cedo, mas a sua poesia demorou a ser publicada. Em Lisboa, a primeira obra a surgir foi Xigubo, em 1962, através da Casa dos Estudantes do Império. A partir de determinada altura, a consciência política do autor passou a reflectir-se em obras como O Grito e O Tambor.
José Craveirinha é um poeta que sofreu a influência dos surrealistas e que tem uma veia muito popular. A sua poesia possui um carácter social que radica nas camadas mais profundas do povo moçambicano. Recebeu o Prémio Camões em 1991.
Fonte:www.stop.co.mz


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