Vivemos a geração dos "nicks", dos endereços IP's , dos ICQ's, Msn´s, Orkut´s, etc. Uma geração que já vive o gérmen da despessoalização: "qual seu nick?" , ou, "qual seu endereço e-mail?, ou , “qual o seu MSN?". E não apenas isto, uma geração que já não se comove com qualquer coisa, pois está acostumada aos filmes trágicos, o terror, a tragédia, e mais, o pior de tudo, com os noticiários macabros, fatos reais. Nas periferias das grandes cidades, particularmente, já tornou-se comum um corpo estendido ao chão, banhado de sangue. Há pouca distancia entre a ficção e a realidade. Vivemos numa geração, cujo psiché está sendo formatado pelas mensagens subliminares das músicas sutis, que propõem a droga, o sexo descomprometido, a ruptura com a autoridade no seio da família; uma geração rebelde, sem fronteiras, e vítima de uma tal "liberdade" criada pela sua libertinagem, mas sem capacidade e coragem de enfrentar as conseqüências de suas atitudes, pois, quando “o bicho pega”, corre para debaixo das asas da mamãe, e reclama a autoridade de papai. Vivemos a geração do descompromisso, aonde não mais se namora, mas "vai-se ficando", isto é, uma nova versão da poligamia adolescente. Vivemos nesta geração a incrementação da competitividade, abolida neste contexto a ética e os valores de ser humana. Uma geração, em meio a qual, de forma mais intensa, como afirmou Martin Buber, "ama-se as coisas e usa-se as pessoas, ao invés de se usar as coisas e amar as pessoas". Esta é a geração das drogas inovadoras, do movimento Gay, das mães solteiras, das gangs de rua, do relativismo, da obsessão pelas coisas, do imediatismo, do materialismo, do hedonismo (tudo pelo prazer) , das manobras radicais, das armas, das sessões killer's, do linguajar aporcalhado, enfim, uma geração superficial, que cultiva e futilidade e a superficialidade, e despida de poesia. Uma geração que não se encanta com a gota de orvalho, o brilho da estrela, o vislumbre do lago, com o sorriso da criança, a feição do velhinho, o soprar da brisa e a quietude na noite. Uma geração sem o rapaz que eleja sua musa para poetizá-la, sem a moça que reclame o poeta; sem o cortejo e o cavalheirismo, sem o olhar inocente da sedução. Seus compositores já não compõem assim:
"Você não sabe quantas coisas eu faria para te fazer feliz. Eu chegaria aonde só chegam os pensamentos. E te diria uma palavra que não existe. P'ra te dizer nestes meus versos quase tristes: como é grande o meu amor! Você só sabe, que eu te amo tanto! Mas na verdade, meu amor, não sabe o quanto! E se soubesse, iria compreender. Razões que só quem ama assim pode entender! ( Roberto e Erasmo)
Mas, assim: "Jackie é uma menina tão bonita que enjoa. Enjôo de vertigem, viagem de avião. Hálito de virgem, dois olhos de amêndoa. Vaca, cadela, macaca e gazela. Linda toda, toda linda ela. Toda beleza se reconhece nela. Jackie Tequila coca-cola e água. Égua, língua mingua minha mágoa." ( Skank)
É evidente que já não vivemos a geração byroniana da poesia, a qual , mergulhada no sentimento de morte, vitimada pela doença incurável, ainda ousava dizer: "foi poeta, sonhou e amou na vida". Como é certo também afirmar que já não estamos na geração da resistência, na busca da sociedade democrática. Mas, estamos na geração que fez da "filosofia do Deus morto" a base para sua construção filosófica, e , neste contexto, a vida se desvanece e tudo é permitido, pois como afirmou Voltaire, aonde não há Deus não há moral. E, aonde não há moral não há prudência; aonde não há prudência não há reflexão; aonde não há reflexão não há filosofia e aonde não há filosofia não há profundidade de vida; aonde não há profundidade de vida não há poesia, não há humanidade. Mas, é bom que se diga, em meio a esta geração, é válido o adágio: "toda regra tem sua exceção."
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