O mundo de Giselle
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quinta, 20 dezembro, 2007
Uma geração sem Poesia

Vivemos a geração dos "nicks", dos endereços IP's , dos ICQ's, Msn´s, Orkut´s, etc.  Uma geração que já vive o gérmen da despessoalização: "qual seu nick?" , ou, "qual seu endereço e-mail?, ou , “qual o seu MSN?".  E não apenas isto, uma geração que já não se comove com qualquer coisa, pois está acostumada aos filmes trágicos, o terror, a tragédia, e mais,  o pior de tudo, com os noticiários macabros, fatos reais. Nas periferias das grandes cidades, particularmente, já tornou-se comum um corpo estendido ao chão, banhado de sangue. Há pouca distancia entre a ficção e a realidade.

Vivemos numa geração, cujo psiché está sendo formatado pelas mensagens subliminares das músicas sutis, que propõem a droga, o sexo descomprometido, a ruptura com a autoridade no seio da família; uma geração rebelde, sem fronteiras, e vítima de uma tal  "liberdade" criada pela sua libertinagem, mas sem capacidade e coragem de enfrentar as conseqüências de suas atitudes, pois, quando “o bicho pega”, corre para debaixo das asas da mamãe, e reclama a autoridade de papai.

Vivemos a geração do descompromisso, aonde não mais se namora, mas "vai-se ficando", isto é, uma nova versão da poligamia adolescente.

Vivemos nesta geração a incrementação da competitividade, abolida neste contexto a ética e os valores de ser humana. Uma geração, em meio a qual, de forma mais intensa, como afirmou Martin Buber, "ama-se as coisas e usa-se as pessoas, ao invés de se usar as coisas e amar as pessoas".

Esta é a geração das  drogas inovadoras, do movimento Gay, das mães solteiras, das gangs de rua, do relativismo, da obsessão pelas coisas, do imediatismo, do materialismo, do hedonismo (tudo pelo prazer) , das manobras radicais, das armas, das sessões killer's, do linguajar aporcalhado, enfim, uma geração superficial, que cultiva e futilidade e a superficialidade, e despida de poesia.

Uma geração  que não se encanta  com a gota de orvalho, o brilho da estrela, o vislumbre do lago, com o sorriso da criança, a feição do velhinho, o  soprar da brisa e a quietude na noite. Uma geração sem o rapaz que eleja sua musa para poetizá-la, sem a moça que reclame o poeta; sem o cortejo e o cavalheirismo, sem o olhar inocente da sedução. Seus compositores já não compõem assim:

"Você não sabe quantas coisas eu faria para te fazer feliz.

Eu chegaria aonde só chegam os pensamentos.

E te diria uma palavra que não existe.

P'ra te dizer nestes meus versos quase tristes: como é grande o meu amor!

Você só sabe, que eu te amo tanto!

Mas na verdade, meu amor, não sabe o quanto!

E se soubesse, iria compreender.

 Razões que só quem ama assim pode entender!

( Roberto e Erasmo)

Mas, assim:

"Jackie é uma menina tão bonita que enjoa.

Enjôo de vertigem, viagem de avião.

Hálito de virgem, dois olhos de amêndoa.

Vaca, cadela, macaca e gazela.

Linda toda, toda linda ela.

Toda beleza se reconhece nela.

Jackie Tequila coca-cola e água.

Égua, língua mingua minha mágoa."

( Skank)

É evidente que já não vivemos a geração byroniana da poesia, a qual , mergulhada no sentimento de morte, vitimada pela doença incurável, ainda ousava dizer: "foi poeta, sonhou e amou na vida". Como é certo também afirmar que já não estamos na geração da resistência, na busca da sociedade democrática. Mas, estamos na geração que fez da "filosofia do Deus morto" a base para sua construção filosófica, e , neste contexto, a vida se desvanece e  tudo é permitido, pois como afirmou Voltaire, aonde não há Deus não há moral. E, aonde não há moral não há prudência; aonde não há prudência não há reflexão; aonde não há reflexão não há filosofia e aonde não há filosofia não há profundidade de vida; aonde não há profundidade de vida não há poesia, não há humanidade. Mas, é bom que se diga, em meio a esta geração, é válido o adágio: "toda regra tem sua exceção."




postado por Giselle Cabral Conturbia as 08:38:24




1 comentários:

Nemildes:

É fato, a geração de 80/90 foi condicionada de tudo pronto, desde o Toddy na caixinha à pipoca de microondas. Falta-nos paciência para degustar as coisas boas da vida como outrora. Sim, nossos avôs sabiam como viver, eles tinha o pudor, cautela, educação.
Não me recordo quem disse essa célebre frase "-Uma pátria se constrói com livros", ele está totalmente correto. Nossa geração perdeu a identidade, adotamos uma pseudo forma de no reconhecemos por meio de bites abaixo via internet. Pronto só basta um click e eu baixo um resumo de um livro, assim como essa breve juventude...
A poesia não é mais a mesma desde os séculos passados, é um gênero muito falado, mas pouco praticado, ela é tão restrita que em seu mudo de palavras “indecifráveis” que está morrendo aos poucos. Nesse instante de agonia e vida, e os poucos que por ela se aventuram, lhe dão um bocadinha e esperança, ainda há vida.
Ela morre lentamente por culpa de nos mesmos, somos um bando de torpes acomodados, acostumados com resumos. Desde que a ditadura se foi e com ela também seu gênios, não se fazem mais canções como dantes, o sarcasmo, irreverência, o pensar, ludibriar, o protestar por meio de palavras indecifráveis pelos censores.
A culpa é de quem? Meu pai disse que a bagunça começou com o governo civil, é a nossa geração vem dela.
Estamos perdidos em um poço de futilidades, entre baladas, compras, uma “linguagem imunda” sem nexos.
Espero que nessa vibe que está bombando, a juventude e a poesia, ambos tenham um morte sem dor. Descanse em paz.

Amém.


20/12/2007 11:04:38
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