AUXÍLIO PARA TRABALHOS PEDAGOGICOS
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sexta, 14 maio, 2010
Tribo Pataxó

Colégio Municipal Paulo Freire

Aluna: Heloíse Quintanilha N° 19

Disciplina: Arte e Cultura

 

Tribo pataxó

 

Origem: Os pataxós são um povo indígena de língua da família maxakali, do tronco macro-jê. Apesar de se expressarem na língua portuguesa, alguns grupos conservam seu idioma original, ensinando-o aos mais novos.

 O Maxakalí é uma língua brasileira falada por cerca de mil e quatrocentos índios em três reservas descontínuas no Vale do Mucuri, no nordeste do estado de Minas Gerais. Os falantes se dispersam pelos municípios de Santa Helena de Minas/Bertópolis, Aldeias de Agua Boa e Pradinho; no município de Ladainha, em Aldeia Verde e no município de Teófilo Otoni, Aldeia Cachoeirinha. Etnicamente, os falantes constituem o povo Maxakalí.

O Maxakalí pertence à família linguística Maxakalí, da qual é a única representante nos dias atuais. Rodrigues (1986), classifica o idioma como integrante do tronco macro-jê.

Os índios da etnia Pataxó habitam o sul da Bahia. 

 

A hierarquia dos Pataxo: Dois  poderes  importantes na organização das tribos são o pajé e o cacique.
Pajé: são conhecidos como pessoas de destaque em uma tribo indígenas. Em muitas são considerados curandeiros, tidos por muitos como portadores de poderes ocultos ou orientadores espirituais, podem assumir o papel de médicos, sacerdotes e fazem o uso de plantas para fins medicinais ou invocação de entidades. Normalmente o conhecimento da utilização da planta correta para cada caso ou situação, é passado de geração em geração, trazendo assim uma responsabilidade para o último Pajé da tribo. Os índios acreditam que os Pajés têm ligações diretas com os Deuses, é um representante escolhido pelos Deuses para passar a profecia ao povo.
O cacique, também importante na vida tribal, faz o papel de chefe, pois organiza e orienta os índios.
é o chefe político e administrativo da aldeia. Experiente, ele deve manter o bom funcionamento e a estrutura da aldeia.

 

Homem adulto: são responsáveis pela caça de animais selvagens. Devem garantir a proteção da aldeia e, se necessário, atuarem nas guerras. São os homens que também devem fabricar as ferramentas, instrumentos de caça e pesca e a casa oca.

Mulheres adultas: cabe às mulheres cuidarem dos filhos, fornecendo-lhes alimentação e os cuidados necessários. As mulheres também atuam na agricultura da aldeia, plantando e colhendo (mandioca, milho, feijão, arroz, etc). As mulheres também devem fabricar objetos de cerâmica (vasos, potes, pratos) e preparar os alimentos para o consumo. Devem ainda coletar os frutos, fabricar a farinha e tecer redes artesanato.

Crianças: os curumins da aldeia (meninos e meninas) também possuem determinadas funções. Suas brincadeiras são destinadas ao aprendizado prático das tarefas que deverão assumir quando adultos. Um menino, por exemplo, brinca de fabricar arco e flecha e caçar pequenos animais. Já as meninas brincam de fazer comida e cuidar de crianças, usando bonecas.

 

O artesanato: O  artesanato é feito a partir de tudo aquilo que a natureza oferece tais como madeiras, sementes, palhas, cipós, argila, penas, bambu e etc. Alguns artesanatos são feitos de barro como o pote, a talha e a panela. Outros são feitos de cipó como o caçuar e o cesto. E ainda têm os que são feitos com uruba como a peneira e o leque. Toda esta produção artesanal esta ligado às necessidades do cotidiano, bem como, alguns artesanatos estão relacionados a proteção espiritual como, por exemplo, o colar de Tento.

Os povos sempre vendem objetos típicos em eventos fora da Aldeia. Uma vez por semana, um representante da aldeia vai à cidade mais próxima e tenta vendê-los.
Peneiras, bolsas, cestos, flechas, tiaras, brincos e colares são os mais procurados pelos “não índios”. “Todo dinheiro das vendas é utilizado para ajudar o povo da aldeia”, No fim de eventos, que duram até uma semana, é possível vender até R$170 em objetos, mas  esse dinheiro ainda é muito pouco para ajudar as deficiências das aldeias.

 

Culinária:A  alimentação indígena  tem como base a pesca, coleta de frutos e raízes, bem como, a agricultura. No que se trata das raízes, a mandioca, sem dúvida, é o alimento preferido. É dela que fazemos a nossa bebida sagrada conhecida como kawi, o makaiaba (o beiju) e kuiuna (farinha). Também cultivam outras raízes como inhame, batata, amendoim, taioba, etc. outro alimento muito apreciado é o peixe preparado na folha da patioba, pois ele é um alimento saudável que rejuvenesce o corpo e purifica o espírito.

Pintura corporal: Uma das características que mais marcam a cultura indígena é a pintura corporal, que pode ser vista como tão necessária e importante esteticamente, como a roupa usada pelo “homem branco”.  Os materiais utilizados normalmente para isso são tintas como o urucum que produz o vermelho, o jenipapo da qual se adquire uma coloração azul marinho quase preto, o pó de carvão que é utilizado no corpo sobre uma camada de suco de pau-de-leite, e o calcário da qual se extrai a cor branca.
O processo de preparação da tinta consiste em ralar a fruta com semente e depois misturá-la com outros pigmentos, como o carvão, para diversificar as cores. Essa pintura corporal tem como objetivo diferir os povos, determinar a função de cada um dentro da aldeia e, em alguns casos, mostrar o estado civil.  Algumas índias utilizam esse método, por exemplo, para “dizer” que estão interessadas em encontrar um parceiro. Qualquer índio pode preparar o material e depois usá-lo. Entretanto, é importante tomar muito cuidado com os desenhos a serem pintados.  Cada etnia tem sua própria marca e se alguma outra utilizar a mesma, uma luta entre as aldeias pode ocorrer.

Rituais: Nós povos indígenas apostamos e dedicamos todas as nossas forças em nossos rituais, pois é nele que criamos coragem para lutar contra os males que nos cercam, é com fé em nosso ritual que curamos as enfermidades, é com nosso ritual que nos divertimos em noite de lua cheia onde as crianças cantam e brincam, ouvem histórias contadas pelos mais velhos, O ritual indígena é baseado na mãe natureza, nos animais e em todos os seres semelhantes ao deus Tupã, há momento de fé e oração, os cânticos também é uma forma de expressar a alegrias também as tristezas e assim vivem com a sua  fé e  sua nossa cultura perante a sociedade dominante.

 

Curiosidade:Além de trabalharem, os índios também se divertem. Nas aldeias, eles fazem festas, danças e jogos. Porém, estas formas de divertimento possuem significados religiosos e sociais. Dentre os jogos, por exemplo, destacam-se as lutas. Estas são realizadas como uma forma de treinamento para guerras e também para desenvolver a parte física dos índios.

 



postado por 138610 as 11:40:03 12 comentários
segunda, 03 maio, 2010
Resenha " A prática Educativa de Antoni Zabala"

INTRODUÇÃO

As investigações que os membros do LETPEF vêm realizando têm referenciado algumas

Obras utilizadas na elaboração de documentos oficiais para o sistema educacional brasileiro, como os PCNS3, as DCNS4 e os RCNS5. Nesse sentido, trabalhos como os de César Coll6 e Antoni Zabala foram revisados criticamente, a fim de aprofundar estudos sobre a compreensão do papel da Educação Física no contexto escolar.

A resenha que se segue reporta alguns pontos de uma dessas obras1, de acordo com

Pressupostos norteadores do LETPEF, como o ensino reflexivo, a preocupação com a cidadania, e a contextualização da Educação Física. Assim, relações foram tecidas quanto à Educação Física Escolar, balizadas pela proposta de Zabala. Quanto aos capítulos analisados, sua seqüência pode ser apreendida mais adequadamente se considerarmos que foram textos avulsos sobre temas da prática docente. Por isso, sua organização requereu certas digressões. Acerca das críticas em relação às dimensões do conteúdo, pensamos que sua principal contribuição pode ser uma tentativa de superação da exclusividade procedimental nas aulas de Educação Física.

A PRÁTICA EDUCATIVA: UNIDADES DE ANÁLISE

 

Buscar a competência em seu ofício é característica de qualquer bom profissional. Zabala

Elabora um modelo que seria capaz de trazer subsídios para a análise da prática profissional. Como opção, utiliza-se do modelo de interpretação, que se contrapõe àquele em que o professor é um aplicador de fórmulas herdadas da tradição, fundamentando-se no pensamento prático e na capacidade reflexiva do docente. Recomenda-se, assim, uma constante avaliação do trabalho por parte do profissional. Como encaminhamento para o modelo, utiliza-se de uma perspectiva processual, onde as fases de planejamento, aplicação e avaliação, devem assegurar um sentido integral às variáveis metodológicas que caracterizam as unidades de intervenção pedagógica. Também as condicionantes do contexto educativo, como as pressões sociais, a trajetória profissional dos professores, entre outras, assumem uma posição de relevância. Na Educação Física Escolar, este modelo pode ser entendido como um conjunto de ações que efetivamente revigore e potencialize a prática educativa.

 

A FUNÇÃO SOCIAL DO ENSINO E A CONCEPÇÃO SOBRE OS PROCESSOS DE

APRENDIZAGEM: INSTRUMENTOS DE ANÁLISE

 

A finalidade da escola é promover a formação integral dos alunos, segundo Zabala, que

Critica as ênfases atribuídas ao aspecto cognitivo. Para ele, é na instituição escolar, através das

Relações construídas a partir das experiências vividas, que se estabelecem os vínculos e as condições que definem as concepções pessoais sobre si e os demais. A partir dessa posição ideológica acerca da finalidade da educação escolarizada, é conclamada a necessidade de uma reflexão profunda e permanente da condição de cidadania dos alunos, e da sociedade em que vivem. Sobre os conteúdos da aprendizagem, seus significados são ampliados para além da questão do que ensinar, encontrando sentido na indagação sobre por que ensinar. Deste modo, acabam por envolver os objetivos educacionais, definindo suas ações no âmbito concreto do ambiente de aula. Esses conteúdos assumem o papel de envolver todas as dimensões da pessoa, caracterizando as seguintes tipologias de aprendizagem: factual e conceitual (o que se deve aprender?); procedimental

(o que se deve fazer?); e atitudinal (como se deve ser?). Para a Educação Física Escolar, essa

Caracterização dos conteúdos parece apontar avanços, na medida em que chama atenção para adimensão conceitual, bem como, operacionaliza o antigo conceito denominado afetivo (atitudinal), tradicionalmente desenvolvido em nossa área de maneira espontaneísta.

Sobre a concepção de aprendizagem, o autor afirma que não é possível ensinarmos sem nos

determos nas referências de como os alunos aprendem, chamando a atenção para as particularidades

dos processos de aprendizagem de cada aluno (diversidade). O construtivismo é eleito como

concepção metodológica em virtude da validação empírica de uma série de princípios

psicopedagógicos: os esquemas de conhecimento; o nível de desenvolvimento e dos conhecimentos prévios, e a aprendizagem significativa. Baseada nessa concepção, a aprendizagem dos conteúdos apresenta características específicas para cada tipologia.

 

AS SEQÜÊNCIAS DIDÁTICAS E AS SEQÜÊNCIAS DE CONTEÚDO

 

Zabala explicita que a ordenação articulada das atividades seria o elemento diferenciador das

Metodologias, e que o primeiro aspecto característico de um método seria o tipo de ordem em que se propõem as atividades. Ressalta que o parcelamento da prática educativa tem certo grau de artificialidade, explicável pela dificuldade em encontrar um sistema interpretativo adequado, que deveria permitir o estudo conjunto de todas as variáveis incidentes nos processos educativos. A seqüência considera a importância das intenções educacionais na definição dos conteúdos de aprendizagem e o papel das atividades que são propostas. Alguns critérios para análise das seqüências reportam que os conteúdos de aprendizagem agem explicitando as intenções educativas, podendo abranger as dimensões: conceituais; procedimentais; conceituais e procedimentais; ou conceituais procedimentais e atitudinais.

Certos questionamentos pareceram-nos relevantes: na seqüência há atividades que nos

Permitam determinar os conhecimentos prévios?; Atividades cujos conteúdos sejam propostos de forma significativa e funcional?; Atividades em que possamos inferir sua adequação ao nível de desenvolvimento de cada aluno?; Atividades que representem um desafio alcançável?; Provo que um conflito cognitivo e promovam a atividade mental?; Sejam motivadoras em relação à aprendizagem dos novos conteúdos?; Estimulem a auto-estima e o auto-conceito?; Ajudem o aluno a adquirir habilidades relacionadas com o aprender a aprender, sendo cada vez mais autônomo em suas aprendizagens?

Em relação às questões, convém expor sua relevância para a Educação Física Escolar no

nosso entendimento, salientando que o conflito mental proposto pode ser também de ordem motora– de modo integrado, ao contrário de uma conotação dual que a pergunta do autor permite supor. Consideramos também uma outra unidade de análise, as seqüências de conteúdo, que requer uma interação entre as três dimensões, com ênfase na conceitual, bem como um aumento da complexidade e aprofundamento ao longo das unidades.

AS RELAÇÕES INTERATIVAS EM SALA DE AULA8: O PAPEL DOS PROFESSORES E DOS

ALUNOS 8 Preferimos empregar, entretanto, o termo “ambiente de aula” para designar mais amplamente o espaço em que ocorrem tais relações interativas que caracterizam o processo ensino e aprendizagem, especialmente nas aulas de Educação Física, que quase invariavelmente são ministradas fora das salas.3 O autor expõe o valor das relações que se estabelecem entre os professores, os alunos e os conteúdos no processo ensino e aprendizagem. Comenta que essas se sobrepõem às seqüências didáticas, visto que o professor e os alunos possuem certo grau de participação nesse processo,diferente do ensino tradicional, caracterizado pela transmissão/recepção e reprodução de conhecimentos. Examina, dentro da concepção construtivista, a natureza dos diferentes conteúdos, o papel dos professores e dos alunos, bem como a relação entre eles no processo, colocando que o

professor necessita diversificar as estratégias, propor desafios, comparar, dirigir e estar atento à diversidade dos alunos, o que significa estabelecer uma interação direta com eles.

O professor possui uma série de funções nessas relações interativas: o planejamento e a

plasticidade na aplicação desse plano, o que permite uma adaptação às necessidades dos alunos; levar em conta as contribuições dos alunos no início e durante as atividades; auxiliá-los a encontrar sentido no que fazem, comunicando objetivos, levando-os a enxergar os processos e o que se espera deles; estabelecer metas alcançáveis; oferecer ajuda adequada no processo de construção do aluno; promover o estabelecimento de relações com o novo conteúdo apresentado, e exigir dos alunos análise, síntese e avaliação do trabalho; estabelecer um ambiente e relações que facilitem a autoestima e o auto-conceito; promover canais de comunicação entre professor/aluno, aluno/aluno; potencializar a autonomia, possibilitando a metacognição; avaliar o aluno conforme sua capacidade e esforço.

Em seguida, aborda a influência dos tipos dos conteúdos procedimentais e atitudinais na

estruturação das interações educativas na aula. Nos procedimentais, o professor necessita perceber e criar condições adequadas às necessidades específicas de cada aluno; nos atitudinais, é preciso articular ações formativas, não bastando propor debates e reflexões sobre comportamento cooperativo, tolerância, justiça, respeito mútuo etc.; é preciso viver o clima de solidariedade, tolerância.... E trabalhar conteúdos atitudinais é muito difícil, envolvendo em primeiro lugar a contradição entre o que é trabalhado na escola e o sistema social, ou o que é veiculado pela mídia. Parece que na Educação Física Escolar, por conta da sua especificidade, ainda faltam reflexões e discussões por parte dos professores e estudiosos da área9. Contudo, em relação ao modelo militar vigente anteriormente já houve certos avanços consideráveis no processo das relações interativas. A ORGANIZAÇÃO SOCIAL DA CLASSE Antoni  Zabala procurou analisar as diferentes formas de organização social dos alunos

vivenciadas na escola e sua relação com o processo de aprendizagem. Observou duas características pelas quais esses grupos são tradicionalmente organizados: a heterogeneidade e a homogeneidade, procurando discutir as vantagens e as desvantagens de cada opção e os tipos de conteúdos que elas desenvolvem prioritariamente.

Percebeu que todo tipo de organização grupal dos alunos, assim como todas as atividades a

serem programadas/desenvolvidas pela escola e a própria forma de gestão que esta emprega, devem levar em consideração os tipos de aprendizagens que estão proporcionando a seus alunos e os objetivos expressos pela própria escola. Desse modo, alertou para o fato de que inconscientemente a instituição escolar, ao não refletir sobre esses aspectos, pode acabar por desenvolver uma aprendizagem inversa àquilo que apregoa.

Tais considerações apresentam-se bastante úteis aos profissionais da educação, para que

reflitam sobre a importância de se organizar o grupo de alunos, levando em consideração o tipo de aprendizagem e conteúdo que esperam desenvolver nestes, percebendo que a organização social da classe tem relação direta com a aprendizagem. O mesmo se aplica à Educação Física que parece não

ter atentado, ainda, para a importância de se organizar o grupo de alunos de diferentes maneiras durante as aulas, para que eles consigam aprender os diversos conteúdos.

9 Os PCNs contêm um adendo referindo-se ao uso da mídia nas aulas do componente curricular.4

A ORGANIZAÇÃO DOS CONTEÚDOS

 

São analisadas as relações e a forma de vincular os diferentes conteúdos de aprendizagem.

Ao longo da história, os conhecimentos foram alocados em disciplinas, em uma lógica da

organização curricular. Contudo, nos últimos anos é cada vez mais comum encontrarmos propostas que rompem com a organização por unidades centradas exclusivamente em disciplinas; o autor denominou tais métodos de globalizadores10.

Ele defende a organização dos conteúdos nesses métodos, pois os conteúdos de

aprendizagem só podem ser considerados relevantes na medida em que desenvolvam nos alunos a capacidade para compreender uma realidade que se manifesta globalmente. No tocante aos métodos globalizadores, o autor descreve as possibilidades dos centros de interesse de Decroly, os métodos de projetos de Kilpatrick, o estudo do meio, e os projetos de trabalhos globais. No nosso entendimento, a temática de organização dos conteúdos de aprendizagem não poderia ser mais atual e significativa para a educação brasileira de maneira geral, e particularmente para a Educação Física. Os PCNs, nos seus documentos do Ensino Fundamental11, dão um papel de destaque para os temas transversais. Daí a importância da compreensão do significado da transversalidade. Por outro lado, as DCNs do Ensino Médio referenciam como princípio básico para este nível a interdisciplinaridade. Portanto, o conhecimento sobre as novas formas de organização é necessário para a compreensão e reflexão destes documentos, e para o encaminhamento de novas ropostas de ensino.

 

OS MATERIAIS CURRICULARES E OUTROS RECURSOS DIDÁTICOS

 

Materiais curriculares são os instrumentos que proporcionam referências e critérios para

tomar decisões: no planejamento, na intervenção direta no processo de ensino/aprendizagem e em sua avaliação. São meios que ajudam os professores a responder aos problemas concretos que as diferentes fases dos processos de planejamento, execução e avaliação lhes apresentam. Na relação entre os materiais curriculares e a dimensão dos conteúdos, temos: para os conteúdos conceituais, quadro negro, audiovisuais e livros didáticos; para os conteúdos procedimentais, textos, dados estatísticos, revistas, jornais; para os conteúdos atitudinais, vídeos e textos que estimulem o debate. Todos os materiais curriculares utilizados por professores e alunos são veiculadores de mensagens e atuam como transmissores de determinadas visões da sociedade, da história e da cultura, devendo ser analisados a sua dependência ideológica e o modelo de aula a que induzem.

No ensino da Educação Física, constata-se o predomínio das dimensões atitudinais e

procedimentais dos conteúdos, não enfatizando a dimensão conceitual e os respectivos materiais curriculares (quadro negro, audiovisuais, livros didático e paradidático).

A AVALIAÇÃO

 

Realiza-se uma severa crítica à forma como habitualmente é compreendida a avaliação. A

pergunta inicial “por que temos que avaliar”, necessária para que se entenda qual deve ser o objeto e o sujeito da avaliação, demora um pouco a ser respondida. A proposta elimina a idéia da avaliação apenas do aluno como sujeito que aprende e propõe também uma avaliação de como o professor ensina. Elabora a idéia de que devemos realizar uma avaliação que seja inicial, reguladora (prefere esse termo ao invés de formativa, por entender que explica melhor as características de adaptação e adequação, ou seja, é capaz de acompanhar o progresso do ensino), final e integradora. Esta divisão é empregada como necessária para se continuar fazendo o que se faz, ou o que se deve fazer de novo, o que é mais uma justificativa para a avaliação, o por quê avaliar. Em o que avaliar propõe a avaliação de fatos, conceitos, procedimentos e atitudes, chegando a justificar a prova escrita para fatos e conceitos, seja-a do tipo mais rápido ou exaustivo. Uma nota 10 Antoni Zabala trata mais detalhadamente deste tópico em outro livro, intitulado “enfoque globalizador e pensamento complexo; uma proposta para o currículo escolar”, publicado pela ARTMED Editora em 2002. 11 Brasil, Ministério da Educação e Deporto. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC, 1998.5

importante diz respeito à observação de que os conceitos podem ser mais bem avaliados quando a expressão verbal é possível, e não apenas a escrita, da mesma forma que vê nas pessoas a necessidade de uma expressão de gestos, citando o exemplo do uso das mãos que os indivíduos fazem para explicar melhor esses conceitos.

Esclarece que os procedimentos só podem ser avaliados enquanto um saber fazer, propondo

uma avaliação sistemática em situações naturais ou artificialmente criadas. Afirma que os

conteúdos atitudinais implicam na observação das atitudes em diferentes situações e levanta a

possibilidade das pessoas não darem o devido valor às atitudes enquanto um conteúdo, pelo fato das mesmas não poderem ser quantificadas. Utiliza a metáfora do médico que não possui instrumentos para medir dor, enjôo ou estresse e, nem por isso deixa de diagnosticar e medicar. Neste ponto,pode-se fazer uma transposição dos objetivos referentes à avaliação de conceitos, procedimentos e atitudes para a Educação Física. Também para esta área é mais fácil a utilização de avaliações sobre conceitos e procedimentos do que sobre as atitudes, mas a observação continua a ser a forma preferida de avaliação para atitudes e procedimentos. Acredita que esta deva ser compartilhada e não tratada como uma filosofia do engano ou do caçador e da caça. Para isto ela precisa ser vistacomo pertencente a um clima de cooperação e cumplicidade entre professores e alunos. Por último, deixa dúvidas sobre se as notas ou classificações deveriam ser totalmente públicas, da forma como é atualmente, pois entende que isto esbarra em uma dimensão ética, ou seja, além da dimensão pública existe uma privada e íntima que precisa ser respeitada. Duvida o autor dos efeitos estimulantes desta divulgação da forma como é feita.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

A prática educativa parece ter inúmeras facetas, algumas contempladas por essa obra de

Antoni Zabala. Contudo, generalizações do trabalho docente podem incorrer em engodos, pela

superficialidade referente ao contexto de atuação de cada professor. Quanto às especificidades contextuais, as considerações do autor pareceram superar essa limitação, pois a obra tratou de princípios. Não obstante, ponderamos a prática educativa em Educação Física, mesmo que o autor tenha se reportado à prática docente genérica. Essa ampliação do universo de análise ocasionou extrapolações que vão ao encontro de expectativas apontadas na área de Educação Física Escolar. Tais inferências abrangeram: problematizarão das vivências, inclusão dos alunos, organização das condições de ensino e aprofundamento significativo e integral dos conteúdos nas três dimensões. Essa indissociação  dos conteúdos parece ser o ponto central para o trabalho dos professores, relacionado com a obra resenhada. Em Educação Física, a superação do tratamento isolado da dimensão procedimental constitui um desafio para a intervenção docente. Por isso, a prática reflexiva e demais componentes da função docente podem ser o direcionamento12 necessário à escola, integrando os componentes curriculares. 12 Porque na escola a intencionalidade deve ser evidente, para não constituir uma meta pretensamente neutra e, portanto, a serviço de quaisquer ideologias que se façam predominantes num dado período histórico; e. g., a escola nova, as tendências críticas com maior ou menor atenção aos conteúdos, a pedagogia mais “educativa” (ou informal) e menos “escolar” (ou formalizada), de caráter humanista ou redentor, ou, ainda, as tendências tecnicistas contemporâneas.

"Colega internauta"



postado por 138610 as 04:23:24 0 comentários
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