Jance
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domingo, 06 maio, 2007
Preconceito recalcado


Ultimamente tenho percebido uma preocupação constante da mídia em tratar sobre preconceito. Motivados por temasdiferentes – em alguns lugares se concentram na diferença religiosa, noutros nadiferença racial ou ainda na opção sexual –, os debates acerca do preconceito eda discriminação são polêmicos no mundo todo. Apesar do direito de igualdadegarantido pela Constituição brasileira, é consenso que a prática desses crimes,mesmo velada, existe. Negros, brancos, pobres, índios, homossexuais, mãessolteiras, desempregados. Qualquer pessoa pode ser vítima deles. E não hálugares fixos onde podemos encontrá-los.

Digo isso por experiência própria. Já presenciei e sofri preconceitos por vários motivos, mas o principal foi por conta da minha condição socioeconômica. Empresas que nem se dispunham a me ouvir depois que eu dizia ser natural da Ceilândia ou colegas do IESB que me olhavam com cara feia (e continuam olhando) quando eu defendo a cultura nordestina ou o direito dos moradores das satélites irem e virem à Brasília quando bem entenderem sem serem rotulados de "Povão"(acreditem, até isso se discute. Algo que é uma garantia constitucional).

Há algumas semanas atrás, Nice,uma de minhas melhores amigas (negra, africana, jovem, linda, inteligente), e eu fomos a um restaurante famoso na 210 Sul. Chegamos um pouco antes do horário que normalmente serviam o almoço e, enquanto esperávamos os funcionários terminarem de dispor as comidas, começamos a discutir acerca de pesquisas de opinião. Nice aproveitou, perguntou a uma garçonete se era permitido fumar naquele local e, com a devida afirmativa da funcionário, sacou seu cigarro Cammel, fumando tranqüilamente. Quando terminou de dar suas pitadas, fomos almoçar. Depois de uns 40 minutos, o garçom nos abordou em nossa mesa, afirmando que um dos clientes tinha sentido o cheiro de cigarro e pediu para que minha amiga parasse de fumar. Detalhe: o cigarro dela já estava apagado há quase uma hora. Havia mais umas quatro mesas com pessoas brancas fumando. Fiquei tão indignado na hora, chamei a atenção do garçom e pedi que ele levasse um recado um pouco feio àquele cliente. Nice, coitada, ficou encabulada. Mas me perguntou: "Será que me interceptaram porque sou negra, mulher ou jovem?".

Situações como estas mostram que o preconceito ainda existe em nossa cultura. Pessoas "de classe" não aceitavam o fato de uma negra estar no mesmo restaurante que eles. Me senti na França contemporânea, neo-nazista, onde os filhos de imigrantes africanos, franceses natos, vivem em guetos, à margem da sociedade. Se bem que nem precisamos sair de Brasília pra ver estes exemplos de exclusão.

Não consigo entender como as pessoas podem discriminar alguém por conta de raça, religião (ou falta dela), sexualidade, gênero... enfim... não somos todos iguais? Não consigo entender como a mesma igreja que ensina o amor ao próximo tem a cara-de-pau de condenar os homossexuais ao inferno. Usam o discurso: "Eu te aceito como você é, mas você tem que mudar suas práticas". Afinal de contas, Jesus não veio para dar significado à palavra amor? Eu não encontrei passagem alguma na Bíblia onde Ele tenha apontado o dedo na cara de um excluído (seja gay, escravo, prostituta) e tenha dito: "Você vai pro inferno! Você é um pecador". Mais uma vez entra em cena a prepotência humana de querer ser Deus ou um de seus representantes. Pastores e padres que julgam e condenam os diferentes ao fogo eterno. Afinal de contas, quem não é diferente? Será que somos todos uma massa? Uma coisa só?

Esse tipo de situação me deixa muito entristecido. Enquanto não ensinarmos nossos filhos, irmãos, familiares, amigos, enfim... todos que nos rodeiam que o diferente também é bonito; que o diferente também é inteligente (tem gente que acha que é perfeita só pelo fato de não ser negra ou pobre); e que o diferente também é gente e merece ser respeitado, não conseguiremos mudar esta realidade que tanto nos envergonha.

Portanto, lembre: Não se escolher ser branco, negro ou amarelo. Não se escolher hétero, homo ou bi. Não se escolhe ser rico ou pobre. Mas se escolher ter bom caráter ou não. Se escolhe respeitar ou não. Se escolhe trabalhar ou buscar um novo emprego.

Cor, Sexualidade e Situação Socioeconômica estão fora do poder de escolha. Logo devemos apenas respeitar. Afinal, todos nós temos teto de vidro.


postado por José Jance as 11:47:37 # 1 comentários
sábado, 13 janeiro, 2007
Sonhos


Sonhos

 

Hoje tive vontade de escrever sobre sonhos. Por quê? Não sei. Talvez porque tudo (ou quase tudo) o que sonhei esteja acontecendo. Talvez porque sonhos nos trazem esperança, nos trazem fé. Eu já realizei muitos sonhos.

 

Depois de 21 anos separados, eu conheci minha mãe biológica, minha irmã, minha vó e toda a família do Paraná. Antes disso, sentia como se me faltasse uma parte, como se existisse um “Jance ao meio”. Adorei conhecê-los. Estou completo e rodeado por pessoas que amo. Meus amigos, meus familiares, meu anjo. Enfim, meus sonhos estão caminhando para um final feliz.

 

O mais recentemente realizado foi o do meu tratamento. Na última segunda-feira, saiu a sentença que obriga o Incor a me tratar da Cardiomegalia e, caso eu não responda ao tratamento novamente, ele deverá buscar um transplante cardíaco em um banco internacional. Tenho muito o que agradecer a Deus; à Promotoria de Justiça Criminal da Defesa dos Usuários de Serviços de Saúde - PRÓ-VIDA do MPDFT; e, em especial, aos meus Amigos (com “A” maiúsculo mesmo)  Daniel e Anderson pela idéia, força e preocupação.

 

Então, ainda há muitos sonhos a realizar. Eu ainda quero me formar em Comunicólogo (como o Ailim adora me chamar), ainda quero jogar futebol ou vôlei algum dia (quando meu coração deixar, é claro), pular de “bungee-jump” (será que tenho coragem?Rs.). Enfim, muitas coisas mesmo.

 

Gostaria muito de indicar um filme que fala de sonhos. MENINA DE OURO. Quem já assistiu, sabe do que estou falando. Quem não, está perdendo...

 

Enjoy it

 

Jance =D


postado por José Jance as 10:08:00 # 0 comentários
terça, 09 janeiro, 2007
Deus


Quando eu era criança, tinha muitas idéias sobre o que Deus era. Hoje entendo que não tenho consciência para saber o que esse conceito significa. Que sou um com o grande ser que me criou e me trouxe pra cá, e que criou as galáxias, o universo, etc...

Não foi difícil a religião se aproveitar disso. Muitos dos problemas que ela produziu através dos séculos, vêm da concepção que a religião tem de Deus ser algo distinto de nós, a quem devemos adorar, cultuar, agradar esperando ser premiado no fim da minha vida.

Deus não é isso, uma "bênção" para mim. Ele é uma coisa muito mais ampla, nada associado à religião. E esta assombra o mundo. Faz mal às mulheres, às pessoas oprimidas, ao World Trade Center... Ainda assim temos no mesmo ponto uma epidemia de uma grande ciência.

A ciência que mais se aproximou para explicar o ensinamento de Jesus de que uma semente era maior que o reino dos céus, foi a física quântica. Hoje temos uma incrível tecnologia. Ímãs anti-gravitacionais, campos magnéticos, energia ponto zero... Mesmo assim ainda temos um conceito retrógrado e supersticioso de Deus.

As pessoas entram na linha quando ameaçadas por essas "sentenças cósmicas", pelo "castigo eterno". Mas Deus não é assim. E quando você começa a questionar tais retratações de Deus, as pessoas te taxam de agnóstico, um subversivo da ordem social.

Deus é maior do que a maior das fraquezas do ser humano. E Deus precisa transcender a grandiosidade da habilidade humana de forma incrível para ser visto em seu absoluto esplendor.

Como um homem ou uma mulher podem pecar contra algo tão supremo? Como pode uma pequena unidade de carbono, na terra, na via láctea, trair Deus todo poderoso?

É impossível.

O tamanho da arrogância é o tamanho do controle daqueles que criam a imagem de Deus de forma errada.

Enjoy it

Jance =D


postado por José Jance as 06:26:19 # 1 comentários
 
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