DESODORANTE
João Fernando Kassa A mãe mandou o garoto ao mercado perto de casa para comprar um desodorante. Como queria ela só a embalagem plástica, deu-lhe o dinheiro suficiente para adquirir um bem barato. Ele chegou no estabelecimento e olhou, olhou e olhou. Comparou os preços por algum tempo e seguiu à risca a ordem materna: pegou um frasco cujo rótulo lembrava a Branca de Neve e os sete anões. Só que, pelo cheiro, havia um anãozinho morto ali dentro. Foi para uma das caixas registradoras. Num descuido, a coisa foi parar na sacola de uma menina, a sua frente na fila. Percebido o engano - a mulher que ensacava os produtos até se desculpou -, se pôs a correr atrás da outra, pois já tinha pago. - Ei garota! ... Espera! ... Espera! A garota, que não o conhecia, devia estar pensando coisa errada e se arrancou, indo pedir proteção a um guarda num posto de gasolina próximo, que também vendia refrigerante e um "irresistível" biscoitinho de camarão (daquele tipo que dá aquela baita caganeira). - Ei você! - o policial chamou o menino - ... Esta menina está me dizendo que você está seguindo ela. ... O que você tem a dizer? - Mas é claro! - respondeu ele, com a língua ainda de fora - ... Eu comprei um desodorante no mercado e a mulher de lá colocou ele na sacola dela. ... Pode olhar. - Menina, mostre a bolsa, por favor - disse a autoridade. Realmente, o produto se encontrava na sacola. - É este aqui? - perguntou-lhe o guarda. - É esse mesmo! ... É uma porcaria, mas a minha mãe só quer o plástico. Olha seu guarda, olha como é ruim. E o garoto então aplicou o desodorante no policial. Não demorou e quem passou a ser perseguido foi ele.
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