RESPEITO, AUTO-ESTIMA E INSTINTO

NÉSCIO?
por José Amaral Neto – www.cql.com.br/jancom
Talvez. Como pode uma pessoa aprender a pescar se ninguém lhe mostra o caminho pra chegar ao rio? Pois é, é assim que poder público e privado confabulam para expropriar quem defende causa social, cultural e afins. Exige-se das pessoas a elaboração de projetos, mas jamais dão condições para que estes projetos cheguem ao papel. É fácil aniquilar a auto-estima de quem vive e faz a vez de ser povo. Se você quer – que pegue a vara e vá pescar. Qualquer um precisa entender que os mecanismos para se chegar ao dinheiro passa pela boa vontade de quem administra ele. Acreditar que isso possa chegar em suas mãos porque você desenhou algumas letras em um papel chamando-o de projeto é tolice. Todo projeto é para muitos e para muitas coisas. Reclamar sem colocar a mão na massa é fácil. O importante e necessário é que cada um exija que tenha aporte administrativo na elaboração da idéia, na confecção adequada e na clareza do encaminhamento do documento. Muitas das vezes em que uma pessoa tem uma idéia ela quase sempre não possui recursos para desenvolvê-la. Observe que todos os projetos servem a algum interesse. O segredo é fazer essa gestação de interesses convergir. Políticos e Políticas são passageiros. As idéias não. No ano de 1957, no mês de setembro, portanto faz 50 anos, na cidade de Little Rock, no estado americano de Arkansas, aconteceu um dos primeiros grandes atos de luta contra a segregação racial. A Suprema Corte dos Estados Unidos, havia acabado de declarar que escolas separadas para brancos e negros era ilegal. Nove jovens de posse desse decreto da Alta Corte de Justiça decidiram entrar numa escola para brancos e foram impedidos pela polícia enviada pelo governador do estado. O presidente da época General Eisenhower mandou tropas federais para Little Rock, para assegurar a entrada dos alunos. Em represália o governador fechou todas as escolas da cidade. No dia 25 de setembro de 2007, Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos, que foi governador desse estado décadas depois, estará lá para festejar essa data que representa um marco na luta contra o racismo. A lembrança desse episódio vem para salientar que é preciso arregaçar as mangas, buscar união de vontades, acreditar no próximo. Pense bem, até agora as coisas estão do jeito que sempre foram – é chegada a hora de transformar. As regras são as mesmas, mas a forma de encará-las e faze-las executadas pode ser melhor e diferente. Olhe em volta e veja que os que gritam, os que falam como se donos da verdade fossem, os que reclamam sem parar, não fazem nada. Locupletam-se do espaço que se acham donos – não desocupam e nem permitem que outros tenham acesso. Todo mundo é capaz desde que tenha atitude. Faça alguma coisa. Deixa de falar e comece a trabalhar. Uma sala, um telefone, uma pessoa competente para digitar e ordenar as idéias rascunhadas e um outro individuo que vai assessorar entidades e associações para a sua regularização fiscal, contábil e administrativa, sem custo - Isso é muito pouco e pode salvar vidas.
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