POLITICA, PODER E REPRESENTATIVIDADE

MIGALHAS E FAGULHAS por José Amaral Neto – www.cql.com.br/jancom publicado no Jornal CORREIO de Uberlândia, Minas Gerais, em 06 de novembro de 2007
Por todos os lados existem problemas. Eles tem tamanho, valor e alcance. Mesmo assim muitos ainda insistem em pensar de forma alegórica sobre o que poderia ser feito – sem assumir a sua parte. Não é possível ignorar que é chegada a hora de mudar as pessoas que estão a anos no poder, bem como aquelas que fazem do poder que recebem ninho familiar e nada devolvem em favor das pessoas. Tudo que é internacional é bom. Durante muito tempo essa cantilena foi mestra nas discussões – agora vê-se que gigantes centenárias e outras quase, como Nestlé, Paramalat e Cisco, fazem com o Brasil o que não fazem no quintal da matriz. Sonegam, extorquem e fabricam produtos que fazem mal a saúde - ao povo brasileiro dão explicações que não explicam, pois turvam os esclarecimentos. Contra os fatos não existe argumento. Durante o ano de 2007 um piloto de formula 1 viria deslumbrar os aficcionados desse esporte de velocidade com a possibilidade de quebrar vários tabus: negro, preparado pra vencer (de alta competitividade) e o mais jovem que viria a se tornar campeão na sua estréia. O que se viu nas três últimas corridas foi um jogador inábil propositalmente. Pense: com a vitória de Lewis Hamilton quem perde é o Schumacker. Quem se lembraria do heptacampeão com esse fenômeno negro. É briga de cachorro grande – entre escuderias – de muita grana e egos inflados. Durante muitos anos a cidade de Uberlândia foi a única que realizava durante a Semana Nacional da Consciência Negra um evento autêntico, desvinculado, autonômo, inteligente e que tinha tudo pra ser uma grande festa – 20 de Novembro. Em 2000 o Papa João Paulo II celebrou o primeiro milênio da cristandade, pediu perdão pela omissão da igreja quanto a escravidão e a festa do congado mudou seus festejos para o mês de outubro. Desde então, a festa perdeu legitimidade e se tornou extritamente religiosa, perdendo seu poder de resistência e credibilidade cultural. A cidade de Uberlândia é uma das poucas que possue um órgão para cuidar das questões afro-descendentes, mas este não tem conseguido assumir seu papel e seu desempenho tem sido severamente questionado – perdeu a sua independência e hoje é apêndice de uma Secretaria Municipal que possui outras prioridades. Na festa do congado de 2007 até o Padre responsável pela Igreja de Nsra do Rosário resolveu mostrar força impedindo pela enésima vez a entrada dos ternos de congado no interior da igreja, bem como a instalação de equipamentos que poderiam ter trazido conforto aos foliões e ao povo presente. Outra falha foi a eliminação da festa no espaço do Mercado Municipal no terceiro Sábado de cada mês – samba da melhor qualidade sem nenhum incidente. Só alegria e distração. Uma vez por mês/sem tumulto/Uma vez por mês/pela negritude/Uma vez por mês/pelo samba e pela vida. O mercado é ponto turístico, de visitação pública e vive de vender seus produtos. Novamente o órgão das questões afro-descendentes se omitiu e não colocou o tema em discussão. Como acontece com o bairro Patrimônio, o negro vai sendo sufucado e emparedado - ele chega antes e é obrigado a dar o lugar pra quem chega depois. A cidade perdeu uma oportunidade única. O bonde passou. Querelas pessoais tem dado o tom político na cidade de Uberlândia, na busca alucinada simplesmente pelo poder; e isso cega o adiante que é saber o que se vai fazer com o poder.
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