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terça, 13 novembro, 2007
Entenda A Luta Pelas COTAS JÁ!

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A luta pela implantação das COTAS nas Universidades Públicas Brasileiras representa Inclusão Social - Ninguém vai tomar o lugar de ninguém, e é uma forma de se manter permanente o debate sobre a urgência de se melhorar o ensino público no Brasil.

Durante mais de quatro séculos a chibata falou mais alto. Quando a abolição aconteceu os negros livres foram jogados na rua - sem terra e sem dinheiro - sem amparo do ex-patrão e sem apoio do Estado. Todos os deserdados recebem reparação; porque permitir uma Reparação ao Povo Negro não pode ser uma prioridade.

O texto abaixo reflete o pensamento das agremiações que formam o Movimento Negro Organizado em Uberlândia que se preparam dar continuidade à luta pelos seu direitos sociais. Pelo respeito a cidadania de uma etnia que ajudou a construir esse Brasil.

A redação do texto a seguir representa o grito de liberdade que a Comunidade Negra clama à sociedade para ouvir.

O grupo de redação do manifesto abaixo foi composto pelo jornalista Marcos Erlan do GRUCON; Professor Gilberto Neves do CENAFRO e Professor Guimes do NEAB/UFU com aprovação final em plenária aberta com os representantes dos signatários.

Sua Adesão é Importante - Manifeste-se!

TAMBORES PELAS COTAS NA UFU

Nas comemorações que cercam o Dia Nacional da Consciência Negra (20 Novembro) reafirmamos o legado de Zumbi dos Palmares, que segue vivo e mais necessário do que nunca na luta pelo fim de todas as desigualdades fundadas no racismo e na discriminação racial. Mas também temos devemos dizer que o mito da democracia racial nunca esteve tão abalado quanto nos dias atuais. Diversas conquistas assinalam o recuo dessa ideologia responsável pela inércia Estatal e descaso social no enfrentamento às injustiças perpetradas pelo racismo brasileiro.

Entre as conquistas, ressaltamos a implantação das cotas étnico-raciais em 50 faculdades e universidades brasileiras. O clamor das vozes anti-racistas foi ouvido em largas parcelas da academia, que aprovaram as cotas como instrumento de acesso dos negros e indígenas aos bancos universitários. Viva Zumbi e todos os guerreiros da justiça!

No entanto, nosso clamor ainda não demoveu as hostes decisórias da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). São quase cinco anos de omissões e protelações. Depois de tantos subterfúgios, o Conselho Universitário (CONSUN) começa a demonstrar o seu pendor. Contra a proposta de cotas para o ingresso à UFU de estudantes de escolas públicas, negros e indígenas, surgiu uma proposta que concede pontuação extra aos estudantes de escolas públicas nas provas do vestibular. Essa proposta imita pioradamente o modelo aprovado na USP e UNICAMP, contrárias às cotas étnico-raciais. Na sua próxima reunião (30/11??), o CONSUN enfim mostrará nessa decisão se a UFU perfilará ou não as dezenas de instituições que estão aplicando ações afirmativas de promoção da igualdade racial. A tendência é virar-nos as costas.

Mas o tempo histórico conforma novas possibilidades. Dois fatos pairam sobre a conduta da UFU. Um deles, a decisão do Tribunal Regional Federal (Brasília) determinando que 12 instituições universitárias de Minas Gerais implantem a política de cotas para estudantes de escolas públicas. A UFU recorreu contra a sentença. Embora a medida não inclua os negros e caso o recurso seja negado, na prática teremos cotas na UFU. O segundo fato foi a representação do movimento negro ao Ministério Público acusando a UFU pela prática de preconceito racial no vestibular/COPEV 2007. Na prova de Literatura foi usado um texto que classifica os negros e índios cotistas como estudantes de 2ª classe. O Ministério Público determinou a abertura de inquérito. Ciente do conteúdo da denúncia, o CONSUN emitiu nota atribuindo as “questões propostas aos candidatos (como) de exclusiva competência das bancas de professores”. Em vez de propor a apuração, vemos a tentativa da UFU em tirar o corpo fora.

Tudo é possível. Nada acontecer à UFU e as cotas serem rejeitadas pelo CONSUN. Entretanto, estamos cientes de que as cotas têm largo apoio social. Uberlândia é conhecida pelo seu conservadorismo. No tema racial, a UFU parece refratária à progressista idéia das ações afirmativas. Cabe aos movimentos sociais, personalidades e lideranças da luta anti-racismo unirem suas forças para pressionarmos o CONSUN a aprovar as cotas. Pois, ou a UFU as aprova por decisão própria, ou carregará a mancha de uma decisão retrógrada de curta duração, que acabará derrubada por decisão judicial.

Para fazer-nos ouvidos, é que faremos tonitroar os sons da África, o rugido dos tambores pelas cotas na UFU. Conclamamos todos, negros e não-negros, a estarem presentes à manifestação em frente ao prédio da Reitoria da UFU. Vamos fazer valer o legado guerreiro de Zumbi, que morreu em defesa da justiça, da igualdade e da liberdade.

Ato Público na Reitoria da UFU

30/11/2007 – 16:00 h

Av. Engenheiro Diniz/esquina com a Rua Arthur Bernardes

312 anos da Morte de Zumbi!

Convocam:

NEAB-UFU, CENAFRO, GRUCON, BLOCO ACHÉ, CONSELHO ESTADUAL DE INTEGRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE NEGRA DO ESTADO DE MINAS GERAIS, MAIPO, MONUVA.  

               FALTA VOCÊ!...



postado por JOSÉ AMARAL NETO as 07:37:46




3 comentários:
Sandra Maria C Grilo:

Em relação a questão das cotas é preciso pensar que: 1º Vestibular não quer dizer meritocracia: 2º a ação afirmativa de cotas é uma política não permanente e apenas para vencer o grande abismo que a exclusão provocou. É preciso pensar nisso.

terça, dezembro 18, 2007 08:30
Eduardo Costa:

Prezados senhores.
A universidade tem uma função social, ou seja, deve servir à população fornecendo profissionais competentes. Oferecer cotas a estudantes mal preparados só serve perpetuar a baixa qualidade da formação dos profissionais brasileiros (médicos e dentistas incompetentes, por exemplo). Gostaria de apontar também para o fato de que certas habilidades intelectuais (como música, línguas estrangeiras e prática de laboratório) devem ser aprendidas antes do fim da adolescência, ou nunca mais; assim, é inútil tentar ensinar inglês (ou chinês) a um jovem adulto; nunca vai aprender a falar sem sotaque; da mesma forma, é inútil tentar ensinar biologia ou química ou matemática; pelo menos, até hoje, em nenhum lugar do mundo, obteve-se sucesso sistemático em tais tentativas.

Do que foi dito, a conclusão é que o apoio ao segmento negro da sociedade deve ocorrer no curso médio e fundamental: cursos de reforço (com muito laboratório), cursos de línguas estrangeiras desde o pré-primário; bolsas significativas para os menos favorecidos, etc. Vários destes cursos, como ocorre nos Estados Unidos no sistema de Advanced Placement, poderiam ser oferecidos pela própria universidade.

No meu caso, coloquei meus filhos na escola pública, pensando em cotas. Um de meus filhos é negro e, portanto, teria "direito" à vaga pelos dois critérios mais aceitos. Entretanto, mudei de idéia quanto às cotas. Em outras palavras, não acho que meus filhos devam entrar sem mérito. Sendo professor universitário, sei que nunca alguém adquire base na universiade, que não está equipada para complementar formação e chega muito tarde na vida do estudante (a não ser nos Estados Unidos, onde existe o sistema de Advanced Placement). Então meus filhos estão estudando firme, para conseguir as vagas por mérito. Tenho certeza de que conseguirão, cumprindo o dever social.

Um de meus filhos é campeão brasileiro de Kendo. Da mesma forma que ele não aceitaria uma vantagem no esporte por ser negro, não deve aceitar para entrar na universidade. Caso lhe ofereçam bolsas em um bom colégio, ou acesso aos laboratórios de química de uma universidade, ótimo, isto podemos aceitar. Mas ele nunca abrirá mão de concorrer em igualdade de condições com os melhores e vencê-los. No Kendo, ou no vestibular. A propósito, os irmãos dele morreram por erro de um médico incompetente; não queremos aumentar ainda mais o número de incompetentes.

quinta, dezembro 06, 2007 08:09
Ana Maria Resende:

José Amaral Neto, editores do artigo e companheiros dos Movimentos que se subscrevem;

As cotas é uma ação afirmativa que vem se efetivando, e sei o quanto Uberlândia tem muitas iniciativas em vista da "CONSCIÊNCIA NEGRA"; estes fatores facilitarão o processo da UFU se comprometer com a parte das cotas que corresponde a esta Universidade.

RESPONSABILIDADE SOCIAL É O NOME PARA ESSE PASSO.

ELE SERÁ DADO! CONFIEM! A UFU NÃO QUERERÁ PERDER SUA REPUTAÇÃO ANTE UMA SOCIEDADE QUE VEM ASSUMINDO SUA NEGRITUDE.

FORÇA! QUE A GARRA E SABEDORIA DE ZUMBI ESTEJAM ILUMINANDO VOCÊS NO DIA 30/11/2007!

Ana.

domingo, novembro 25, 2007 09:26
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