Entenda A Luta Pelas COTAS JÁ!
Release preparado por - JANCOM Agência da Informação - (34) 9197.2150 A luta pela implantação das COTAS nas Universidades Públicas Brasileiras representa Inclusão Social - Ninguém vai tomar o lugar de ninguém, e é uma forma de se manter permanente o debate sobre a urgência de se melhorar o ensino público no Brasil. Durante mais de quatro séculos a chibata falou mais alto. Quando a abolição aconteceu os negros livres foram jogados na rua - sem terra e sem dinheiro - sem amparo do ex-patrão e sem apoio do Estado. Todos os deserdados recebem reparação; porque permitir uma Reparação ao Povo Negro não pode ser uma prioridade. O texto abaixo reflete o pensamento das agremiações que formam o Movimento Negro Organizado em Uberlândia que se preparam dar continuidade à luta pelos seu direitos sociais. Pelo respeito a cidadania de uma etnia que ajudou a construir esse Brasil. A redação do texto a seguir representa o grito de liberdade que a Comunidade Negra clama à sociedade para ouvir. O grupo de redação do manifesto abaixo foi composto pelo jornalista Marcos Erlan do GRUCON; Professor Gilberto Neves do CENAFRO e Professor Guimes do NEAB/UFU com aprovação final em plenária aberta com os representantes dos signatários. Sua Adesão é Importante - Manifeste-se! TAMBORES PELAS COTAS NA UFU Nas comemorações que cercam o Dia Nacional da Consciência Negra (20 Novembro) reafirmamos o legado de Zumbi dos Palmares, que segue vivo e mais necessário do que nunca na luta pelo fim de todas as desigualdades fundadas no racismo e na discriminação racial. Mas também temos devemos dizer que o mito da democracia racial nunca esteve tão abalado quanto nos dias atuais. Diversas conquistas assinalam o recuo dessa ideologia responsável pela inércia Estatal e descaso social no enfrentamento às injustiças perpetradas pelo racismo brasileiro. Entre as conquistas, ressaltamos a implantação das cotas étnico-raciais em 50 faculdades e universidades brasileiras. O clamor das vozes anti-racistas foi ouvido em largas parcelas da academia, que aprovaram as cotas como instrumento de acesso dos negros e indígenas aos bancos universitários. Viva Zumbi e todos os guerreiros da justiça! No entanto, nosso clamor ainda não demoveu as hostes decisórias da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). São quase cinco anos de omissões e protelações. Depois de tantos subterfúgios, o Conselho Universitário (CONSUN) começa a demonstrar o seu pendor. Contra a proposta de cotas para o ingresso à UFU de estudantes de escolas públicas, negros e indígenas, surgiu uma proposta que concede pontuação extra aos estudantes de escolas públicas nas provas do vestibular. Essa proposta imita pioradamente o modelo aprovado na USP e UNICAMP, contrárias às cotas étnico-raciais. Na sua próxima reunião (30/11??), o CONSUN enfim mostrará nessa decisão se a UFU perfilará ou não as dezenas de instituições que estão aplicando ações afirmativas de promoção da igualdade racial. A tendência é virar-nos as costas. Mas o tempo histórico conforma novas possibilidades. Dois fatos pairam sobre a conduta da UFU. Um deles, a decisão do Tribunal Regional Federal (Brasília) determinando que 12 instituições universitárias de Minas Gerais implantem a política de cotas para estudantes de escolas públicas. A UFU recorreu contra a sentença. Embora a medida não inclua os negros e caso o recurso seja negado, na prática teremos cotas na UFU. O segundo fato foi a representação do movimento negro ao Ministério Público acusando a UFU pela prática de preconceito racial no vestibular/COPEV 2007. Na prova de Literatura foi usado um texto que classifica os negros e índios cotistas como estudantes de 2ª classe. O Ministério Público determinou a abertura de inquérito. Ciente do conteúdo da denúncia, o CONSUN emitiu nota atribuindo as “questões propostas aos candidatos (como) de exclusiva competência das bancas de professores”. Em vez de propor a apuração, vemos a tentativa da UFU em tirar o corpo fora. Tudo é possível. Nada acontecer à UFU e as cotas serem rejeitadas pelo CONSUN. Entretanto, estamos cientes de que as cotas têm largo apoio social. Uberlândia é conhecida pelo seu conservadorismo. No tema racial, a UFU parece refratária à progressista idéia das ações afirmativas. Cabe aos movimentos sociais, personalidades e lideranças da luta anti-racismo unirem suas forças para pressionarmos o CONSUN a aprovar as cotas. Pois, ou a UFU as aprova por decisão própria, ou carregará a mancha de uma decisão retrógrada de curta duração, que acabará derrubada por decisão judicial. Para fazer-nos ouvidos, é que faremos tonitroar os sons da África, o rugido dos tambores pelas cotas na UFU. Conclamamos todos, negros e não-negros, a estarem presentes à manifestação em frente ao prédio da Reitoria da UFU. Vamos fazer valer o legado guerreiro de Zumbi, que morreu em defesa da justiça, da igualdade e da liberdade. Ato Público na Reitoria da UFU 30/11/2007 – 16:00 h Av. Engenheiro Diniz/esquina com a Rua Arthur Bernardes 312 anos da Morte de Zumbi!
Convocam:
NEAB-UFU, CENAFRO, GRUCON, BLOCO ACHÉ, CONSELHO ESTADUAL DE INTEGRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE NEGRA DO ESTADO DE MINAS GERAIS, MAIPO, MONUVA. FALTA VOCÊ!...
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