VAMOS CONVERSANDO 1X
por José Amaral Neto, (34) 9197.2150 www.cql.com.br/jancom Em uma análise e avaliação a opinião deve ser isenta de maneirismos. Por isso, o que se alinhava a seguir são idéias conjunturais. Temas recorrentes é uma boçalidade e impedem a evolução das idéias. É bem verdade que em time que está ganhando não se mexe; mas, a inércia, e ou a ausência de perspicácia, pode levar a perda da taça. Nem sempre um resultado positivo garante a liderança. Inspiração. A eleição de 2008 será daqueles que provocarem o eleitor em sua emoção. Quase todas as pessoas esperam um messias que irá resolver os seus problemas. E nenhum personagem encarna melhor essa representação do que boa parte da geração de políticos que está no poder ou gravita ao largo dele nos dias de hoje. Os arautos e o bolso de cada cidadão gritam as mazelas e opressão que causam a cobrança exagerada de impostos. Isso é uma certeza. Entretanto, deveria haver gritos de uma multidão indignada com a ausência de uma fiscalização séria sobre como e onde é aplicado regiamente o dinheiro arrecado. Continuam a se construir palacetes, paços municipais, grandes edifícios e estes, quando prontos já não servem a sua necessidade pensada. A CPMF poderia ter sido eliminada até um teto de valor, pois era um imposto que tinha poucas chances de ser sonegado. O IOF atinge gente grande. Não somente estes, é claro. É bom pensar que se for para gerar emprego e investimentos a alíquota deveria ser diferenciada. Os senadores debatem o sexo dos anjos sobre quem traiu quem e ignoram que fazem de suas emendas parlamentares um joguete de barganhas onde o que sobra é obras inacabadas e um país sem plano definido de ação em infra-estrutura, comércio e turismo. Tanto é que acham que podem cortar as verbas do cambaleante PAC. A discussão sobre a implantação do imposto sobre as grandes fortunas não avança – mas os impostos sobre os bens de sobrevivência garantem o leite derramado dos sonegadores. Muitos são impedidos de contribuírem de forma clara com doação em dinheiro para com a saúde e a educação, a legislação sobre doações em dinheiro é castradora. Não se vê nenhum deputado do Triângulo Mineiro, onde existem grandes fortunas, defenderem uma mudança que force o debate e aprovação desse ato de exercício de democracia. E essa ausência de debate leva ao caminho do “que tudo sabe e tudo vê” e também a estrada dos tijolos amarelos do “o chefe mandou”. Manda quem pode e obedece quem tem juízo. Recentemente a Prefeitura de Uberlândia, repetiu a sua “jogada cerrada”, como muitas cidades brasileiras o fizeram ou vão fazer (para fugir do xeque-mate), com mudanças em seu secretariado. Pareceu abandonar em suas resoluções o aspecto geopolítico municipal. A qualidade acadêmica de seus novos timoneiros é inquestionável, mas o alcance de suas ações, visto que são oriundos do círculo já vicioso do poder – limitado. Quando se fala em gestão estratégica a situação vislumbrada esbarra na personalidade de quem representa a marca a ser defendida e seus interesses públicos e privados, pois trata-se de uma secretaria pertencente a uma cadeia estrutural conservadora, ou seja: - secretários municipais enquadrados; - secretários municipais candidatos a cargos eletivos; - vereadores aliados; - vice-prefeito; - candidatos a vereador aliados; e os servidores municipais, alguns parceiros, Outros nem tanto. A gestão estratégica deveria desenvolver uma linguagem única da administração municipal para informar o povo, juntando todos esses interesses. Quem acredita que ela conseguirá somar essas forças difusas, uma vez que herdou uma estrutura com pensamento arraigado em diretrizes que já se mostraram ineficazes. Numa empresa privada a possibilidade da porta aberta mostrando o caminho da rua para os não alinhados, e uma carteira de benefícios com um plano de carreira sem retaliações pessoais e burocracia garantem o sucesso da união de setores com interesses díspares. No serviço público é preciso “inventar” alguma coisa. O famoso slogan de alguns servidores públicos que se apegam ao cargo é: “eu sou profissional”. Esse lero-lero vem mantendo nas hostes do serviço público pessoas que não se reinventam e travam a evolução das idéias – impedindo que outras cresçam. Quem perde com isso é a cidade e o seu povo. A perseguir esse caminho o ator passa a se ver no espelho, e a enxergar o inimigo sem percebê-lo, tornando a sua vulnerabilidade ativa. Na apresentação do “03 anos - 300 obras” a Prefeitura de Uberlândia deixou de responder: o beneficio beneficiou quem? E de que maneira? O cidadão viu, sabe, mas não entendeu. É por isso que a grana escorre pelo ralo, pois a mensagem é factual, sendo que uma possibilidade de ela se tornar acessível ao grande público seria a de torná-la pontual – porque asfaltar a estrada do pau furado interfere na vida de um cidadão do bairro Luizote de Freitas e de uma cidadã do bairro Tancredo Neves? Uma pesquisa independente feita com pessoas que nunca ou pouco usaram os serviços das UAIS identificou que esses indivíduos quando abordados sobre o tema classificam-no como “serviço ruim ou ineficiente”. Desconhecem por completo seus direitos de acessibilidade à saúde através das Unidades de Atendimento Integrado de Saúde. E aí... Somando-se a esse exército de bem-intencionados vem a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico que se prepara para receber um novo titular. O “general” que está pra chegar precisa manter o que já está sendo feito e ampliar a consolidação das ações que tem gerado projetos em execução e programas com resultados. Uberlândia é o carr0-chefe de uma região metropolitana que precisa ser criada – a independência metropolitana da região triangulina só não acontece porque fortaleceria os laços separatistas seculares. Notadamente sobre esse universo aninha-se a Secretaria de Governo que deveria ser o braço do executivo junto ao poder legislativo, com as pessoas, instituições e entidades políticas do município e os movimentos sociais. Será que a sua estrutura agüenta isso? Talvez a fragilidade das relações esteja na ausência de um individuo com habilidade de negociador político. Que auxilie quem já atua nos bastidores do poder. Ninguém ganha jogo sozinho. Uma outra questão que aflige alguns cidadãos brasileiros é o loteamento das assembléias legislativas, câmaras de vereadores e congresso nacional. Isso quer dizer o seguinte: “se você não é irmão, filho, ou agregado político de quem tem mandato, você não é confiável, mas seu voto é”. A sua família só serve pra votar. Ao contrário da família de quem está no poder, pois ela, seguindo um raciocínio meio bobo, é a escolhida – ela é melhor do que a sua. Você acredita nisso? Parece que sim, pois o resultado das urnas confirma isso. Todo cidadão ou cidadã consciente de suas responsabilidades para com o seu país, sua cidade e seu povo, é capaz e preparado para assumir uma função pública. Apagando as luzes dessas muitas conversas, alguém duvida (quem teve a oportunidade de acompanhar) que o grande vencedor da eleição para o diretório municipal do PT em Uberlândia foi o ex-vereador Gilberto Neves? Ele conseguiu acordar lideranças e militantes petistas que já haviam perdido a esperança na estrela partidária com as suas inflexões. Nem sempre quem ganha leva.
|