PROFESSORA LUCIANA LIMA
PROFESSORA LUCIANA LIMA
quinta, 15 julho, 2010
A IMPORTANCIA DA BRINQUEDOTECA NO AMBIENTE ESCOLAR COMO ESPAÇO MEDIADOR DE APRENDIZAGENS

INTRODUÇÃO

 Na atualidade, existem muitas discussões sobre a ludicidade com pontos de vista favoráveis ou contrários à prática do brincar no ambiente escolar. Contudo, apesar de sua prática restritiva nos espaços escolares, os educadores de uma forma em geral reconhecem a importância da brincadeira, do jogo e do brinquedo como elemento essencial na práxis educacional no cumprimento do direito à infância e com a educação de qualidade. No entanto, verifica-se então o uso das atividades lúdicas de forma diretiva e predeterminada como complementação e/ou reforço de conteúdos da prática pedagógica, e desconsideram a autonomia na escolha, história, a experiência e a cultura de cada educando no brincar.

 Pontuamos deste modo, a necessidade de ressignificar o brincar na escola com ações concretas que valorizam a atividade lúdica e o reconhecimento do aprender e o brincar como sinônimos indissociáveis e inerentes ao desenvolvimento da infância, já que a cultura lúdica é uma atividade humana, histórica e culturalmente construída através de ações significativas ao ser humano.

 No contexto da ludicidade, pode-se dizer que a Brinquedoteca além de oferecer atividades lúdicas, também influência definitivamente na formação e desenvolvimento do educando, sendo um local que representa não só um “depósito ou cantinho” de brinquedos, mas sim, espaço para estimulação e desenvolvimento integral do ser humano.

No ambiente da Brinquedoteca, o brincar supri algumas necessidades da criança, tais como: expressar, participar, transformar, desenvolver, aprender e atuar com subjetividade no cotidiano escolar, na sociedade e na sua cultura. Diante deste propósito, torna-se primordial refletir sobre a importância da Brinquedoteca no ambiente escolar como espaço mediador de aprendizagens, considerando-a no âmbito educacional, como local voltado para brincadeiras lúdicas, sob a função não diretiva e desprovida das intervenções do professor.

Para alcançar os propósitos elencados, o presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa de campo e qualitativa, que objetiva conhecer as opiniões dos professores do Ensino Fundamental I da Rede Pública Municipal de Ensino de Cornélio Procópio, quanto à importância da Brinquedoteca no ambiente escolar como instrumento mediador de aprendizagens. Para coleta dos dados será utilizado um questionário composto de quatro questões “abertas” para obter as informações relevantes ao estudo.  No entanto, para atingir o objetivo é necessário discorrer sobre as ações à concretização futura deste trabalho, tais como: destacar a origem histórica da Brinquedoteca e sua conceituação; discorrer sobre a importância da Brinquedoteca na instituição educacional como espaço mediador de aprendizagens; apresentar concepções modernas sobre a Brinquedoteca na atualidade; apresentar sobre a Brinquedoteca, sua organização, estrutura e acervo de objetos lúdicos e identificar a concepção de Brinquedoteca que os professores possuem, bem como, sua importância no meio educacional como espaço mediador de aprendizagens; elencar as informações obtidas através de questionário e confrontar estas com as teorias científicas e suas correspondências.

Num sentido mais amplo, ao estimular e desenvolver habilidades e aprendizagens na infância por meio do brincar, aperfeiçoa-se todas as dimensões e aspectos humanos, tornando-o sujeito de sua própria ação. A linguagem e a socialização proporcionadas pelo ato de brincar conduzem ao reconhecimento de sua realidade.

Consideramos a Brinquedoteca como espaço que privilegia o brincar e o uso do lúdico como recurso necessário à construção de aprendizagens, da identidade, autonomia e das diferentes linguagens na infância, ou seja, um ambiente acolhedor com estímulos diversificados para o desenvolvimento de habilidades e capacidades significativas. Acreditamos que devemos vê-la como local transformador, onde se resgata o prazer de brincar inserida no contexto histórico-social e cultural da criança.

Podemos dizer que, contrária a posição acima defendida, prover a Brinquedoteca tradicional que limitava seu atendimento, simplesmente, ao empréstimo de brinquedos ou como material utilizado para suprir atividades pedagógicas diretivas, é um ato não condizente com sua real função, pois, anula a liberdade e autonomia do aluno ao brincar.

Ressaltamos então, a importância da brinquedoteca no meio educacional como espaço que propicia diversos estímulos e desenvolve aspectos sociais, culturais, cognitivos, físicos e emocionais num momento tão decisivo como a infância, pois é nesta fase que ocorre o desenvolvimento harmonioso e consciente do educando, o que permite ampliar suas habilidades e capacidades de forma global.

Ao longo deste estudo, serão abordadas teorias sobre: 1 - Revisitando a construção histórica da Brinquedoteca, com descrições sobre sua origem e evolução; 2 - Conceituando a Brinquedoteca, denotando sobre os conceitos elaborados cientificamente e citados por diversos autores; 3 - Concepções e objetivos educacionais atuais sobre a Brinquedoteca, com descrição sobre as teorias, concepções e objetivos deste espaço escolar na atualidade; 4 – A importância da Brinquedoteca na instituição educacional como espaço mediador de aprendizagens, com citações relevantes sobre o brincar de forma espontânea no espaço escolar para melhorias na aprendizagem dos educandos; 5 – O espaço lúdico da Brinquedoteca: tipos, organização e o acervo de brinquedos é relatado sobre seu espaço lúdico, os elementos que a compõe, a maneira em dispor estes materiais preciosos à infância, para atender a necessidades de todos que visitam uma Brinquedoteca.

1          REVISITANDO A CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DA BRINQUEDOTECA

 A discussão sobre a importância do brincar para a criança tem uma longa história descrita por muitos estudiosos e pensadores do meio educacional.  O brincar sofreu transformações no processo histórico desde o seu reconhecimento como elemento importante para a formação do ser humano.

Em 1959, a importância do brincar foi reconhecido mundialmente, conforme descrito no Princípio 7º da Declaração Universal dos Direitos da Criança, (1959 s/p.) cujo texto diz, “A criança deve ter plena oportunidade para brincar e para se dedicar a atividades recreativas, que devem ser orientadas para os mesmos objetivos da educação; a sociedade e as autoridades públicas deverão esforçar-se por promover o gozo destes direitos”.

Em decorrência da valorização do brinquedo e do brincar, bem como, a sua relevância à educação, principalmente na infância, surge a Brinquedoteca, com o propósito inicial de empréstimo de brinquedos e a criação de espaços destinados à exploração lúdica. Passou a ser conhecida e propagou-se pela Europa a partir dos anos 60. No Brasil, este espaço lúdico originou-se nos anos 80, com a adoção do brincar em muitas instituições educacionais nas atividades de docência.

A história relata que a Brinquedoteca surge com várias denominações como: Toy-Library (biblioteca de brinquedo), na Inglaterra; Ludothéque, na França; Lekoteks na Suécia; no Brasil Brinquedoteca ou Ludoteca, sob influências portuguesas que se instalaram em diversos pontos do mundo.

 Mas, a primeira intenção de Brinquedoteca surgiu em 1934, em Los Angeles, Estados Unidos da América (E.U.A.) num momento de crise econômica. Com o objetivo de solucionar problemas causados por frequêntes roubos em sua loja de brinquedos, o proprietário relatou ao diretor da instituição de ensino municipal sobre os desvios de comportamentos dos alunos daquela instituição no seu estabelecimento comercial. Foi então que o diretor da escola, partindo de um problema constatou que os acontecimentos desta natureza (roubos) eram decorrentes devido à escassez de brinquedos às crianças que lá estudavam. Desta forma, o diretor da instituição criou a primeira intenção de Brinquedoteca, dispondo aos alunos, neste espaço, brinquedos variados onde as mesmas poderiam explorá-los in loco.   

Conforme Friedmmann (1998, p. 174) “ainda existe, em Los Angeles (E.U.A) a brinquedoteca chamada de “Toy Loan” ou “Toy Libraries”, com propósito apenas de emprestar brinquedos, caracterizado como recurso comunitário”.

A expansão deste serviço ocorreu com mais intensidade na década de 1960, com disseminação para a Europa em países como: Suécia, Inglaterra, Bélgica e França, mas, com propósitos ligados à orientação e empréstimo de brinquedos aos pais de crianças com deficiências, para estimular, no âmbito domiciliar, à aprendizagem por meio do brincar, evidenciando-se assim, o surgimento de outras funções da Brinquedoteca: a educacional e a terapêutica.

 Na Suécia, em 1963 conforme Noffs (2001, p. 163) descreve, “duas professoras que tinham filhos deficientes fundaram, neste país, a primeira Lekotec (Ludoteca em sueco)”, com intenção de empréstimo e orientação ao uso de brinquedos às famílias que possuíam pessoas com deficiência.

Ainda Noffs (op. cit.), as Lekoteks tinha como legado “a criança aprende brincando, mas com brinquedos que atendessem suas necessidades reais”. O mediador do ambiente orientava os visitantes ao uso contínuo dos brinquedos em seus lares, em continuidade à estimulação iniciada na Brinquedoteca, verificando-se então, o estímulo educativo dos visitantes, mas também, o trabalho clínico, já que as consultas eram marcadas antecipadamente e de forma individual.

Na Inglaterra, se propôs a biblioteca de brinquedos - Toy libraries – com propósito de emprestar os brinquedos para levar à casa. Em outros países da Europa como Suíça, Bélgica, França e Itália denominaram o espaço lúdico de Ludotecas, com empréstimo para uso local ou domiciliar.

A expansão e o reconhecimento da importância do brincar e do brinquedo para o desenvolvimento na infância foram tão profundos, que em 1976, realizou-se em Londres o primeiro Congresso sobre o trabalho iniciado com o empréstimo de brinquedos.

Anos depois, 1981, ocorreu o II Congresso de Brinquedotecas em Estocolmo, na Suécia; em 1987 - Congresso Internacional de Toy Libraries no Canadá; em 1990, V Congresso Internacional de Brinquedotecas em Turim, Itália e por fim, 1993, Encontro Mundial sobre o brincar na Austrália.

 A consolidação do trabalho tornava-se cada dia mais intenso e expansivo, com a existência de questionamentos sobre a real função e denominação dos termos empregados na época como o nome Toy Libraries, visto que, muitos dos objetivos já haviam adquirido outras funções, tais como: apoio às famílias, orientação educacional, estímulo à socialização e resgate da cultura lúdica.

A intenção concretizou-se com a criação da Associação Internacional de Brinquedotecas - Toy Libraries de Brinquedotecas (Toy Libraries Association), que envolvem muitos países e continentes do mundo todo.

No Brasil, em 1971, realizou-se no Centro de Habilitação da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), em São Paulo, uma exposição de brinquedos pedagógicos, direcionados aos pais de crianças ditas excepcionais, aos profissionais e aos estudantes. A adesão ao projeto tomou proporções tão significativas que a APAE criou um Setor de Recursos Pedagógicos para atender o público, ou seja, instituiu uma ludoteca nesta instituição, que objetivava a circulação de brinquedos entre as crianças. Percebe-se então nesta, que a brinquedoteca surgiu com objetivos educacionais e terapêuticos, que obtinha o apoio tanto do setor público, como privado para o funcionamento e atendimento às crianças que visitavam o espaço educacional.  Após a implantação, em 1973, a APAE adotou o Sistema de Rodízio de Brinquedos e Materiais Pedagógicos, os brinquedos foram centralizados com maximização no uso de todos os recursos existentes.

Conforme Ramalho (2000, p. 76), na Escola Indianápolis, em São Paulo, “foi instituída a primeira brinquedoteca brasileira, com propósitos voltados ao ato de brincar, com empréstimos de brinquedos e orientação direcionada à criança, com assistência direta”.

 Em 1984, foi fundada a entidade Associação Brasileira de Brinquedoteca (ABBri) por Nylce Helena da Silva Cunha, sem fins lucrativos, com o objetivo de assessorar as pessoas e as instituições que visavam implantar Brinquedotecas, estabelecer parcerias, incentivar e promover o desenvolvimento de estudos relacionados à área, com oferta de cursos preparatórios para formar os mediadores deste local, o Brinquedista.

Após a criação da ABBri, houve expansão de Brinquedotecas por todo Brasil, mas, foi em São Bernardo do Campo – SP, que implantou-se a primeira Brinquedoteca pública. Segundo os apontamentos feitos por Ramalho (2000, p. 76), no Brasil, existem cerca de “180 brinquedotecas inscritas, desde 2005, em diferentes regiões do país, com variados objetivos e características”.

Desde então, diante de diferentes propósitos e características, as Brinquedotecas aperfeiçoaram e cresceram, com obtenção do reconhecimento e sua relevância à educação, que a torna um agente provocador de mudança no trato educacional, com inovações no atendimento à população, mais precisamente à criança.

Percebe-se que, sua expansão foi intensa, mutável e constante, tanto nas instituições públicas como nas privadas, seja de cunho preventivo ou terapêutico. Mas, o mais importante na atualidade, é que este local exerça sua real função, como ressalta Ramalho (2000, p. 76) descrevendo sobre a Brinquedoteca como, “local de estímulos para brincar livremente, por algumas horas do dia”, e assim, com possibilidades de aprendizagens por meio do brincar na infância e concretizar-se como espaço de atividades lúdicas presente em ambientes escolares, geralmente direcionadas ao público infantil, já que a brincadeira é inerente ao ser humano.

2          CONCEITUANDO A BRINQUEDOTECA

“A brinquedoteca pode existir até sem brinquedos, desde que outros estímulos às atividades lúdicas sejam proporcionados. (CUNHA 2001)”.

As sucessivas reformas educacionais e a imposição de políticas públicas descontextualizadas da realidade escolar depreciaram importantes áreas de conhecimento de forma incisiva na formação do ser humano, havendo uma desumanização do ambiente educativo, da escola e das estruturas educacionais do nosso país. E assim, o brincar sofreu consideráveis degradações, sendo conceituado como algo inútil, carregado de preconceitos impostos pela sociedade capitalista.

Apesar dos avanços tecnológicos e a modernidade, a educação ainda não superou a mecanização do saber, com incentivo à segregação do trabalho e competição acirrada para atender a demanda econômica e capitalista do mercado, em detrimento da formação humana para o mundo do trabalho. Com isso, os indivíduos configuraram-se em servidão voluntária, mecanizada, culminando na exclusão da formação lúdica, do brincar, do divertimento, da imaginação, que são imprescindíveis para a saúde física, emocional e intelectual das pessoas.

Para confirmar este ponto de vista, Puga e Silva (2008, p. 5) discursam que houve retrocessos em função das mudanças no âmbito da tecnologia e do social e estas comprometeram os locais, o tempo e os brinquedos, e “[...] as crianças perderam o espaço e a segurança das ruas e calçadas, com isso, perderam também parte da liberdade na escolha das suas brincadeiras e companheiros”. Isto piora com os inchaços das cidades, com apartamentos pequenos que impedem as interações, e com a modernidade. As crianças são impedidas dos momentos e tempos às brincadeiras, devido às inúmeras responsabilidades caracterizadas ser mais importantes como: cursos de informática, línguas, música, etc.

Puga e Silva (op cit) acentuam que “as instituições escolares são fotografias destas mudanças de valores”, pois, valorizam uma formação que prioriza somente conteúdos sistematizados para preparação à transposição dos obstáculos competitivos e classificatórios determinantes e condicionantes do mercado de trabalho, em detrimento da formação humana para o mundo. Um bom exemplo é o vestibular.

E a resultante disto, é a desconsideração das brincadeiras como parte do processo de aprendizagem, deixando a ludicidade à margem do processo de formação do ser humano, alegando que os conteúdos sistematizados são mais produtivos. Este pensamento  compromete o bem estar da sociedade e da família, restringindo o espaço para as crianças brincarem com autonomia, sendo estas as mais prejudicadas, com esforços e tempo destinados a aprendizagens de ofícios confinados ao ambiente escolar.

Questionamos então: se a criança não tem espaço e tempo para brincar, para o lazer, nem na escola, nem em casa ou em outros espaços, onde irão exercitar a ludicidade que é tão importante ao seu desenvolvimento?

Carneiro (2008, p. 1) descreve que, “as brincadeiras voltam-se para o individualismo e a competitividade, o uso dos brinquedos eletrônicos, a televisão passaram a disputar a atenção das crianças”, acarretando problemas de sociabilização, integração e interação entre as pessoas, e principalmente entre as crianças.

Destaca-se então, a importância em resgatar a real função social da escola enquanto espaço ressignificador do lúdico para humanização da criança, permitindo na infância, o contato com as brincadeiras e brinquedos, de maneira prazerosa, em recompensa a si mesma pelo prazer na prática da ludicidade.

Em consonância a este raciocínio, Resende e Fonseca (2009); Puga e Silva (2008) defendem que  a materialização da Brinquedoteca numa idéia de espaço para o brincar, numa realidade concreta e organizada, local este que respeita e considera a infância sem favorecer a competitividade e cobranças excessivas. Obtêm-se neste, contato com diversos objetos, o direito de escolhas de como e o que fazer, estimulando o criar e o recriar as situações. E ainda as autoras denotam a necessidade do “resgate coletivo dos valores deixados para trás, dos brinquedos tradicionais, autênticos, simples, mas infinitas possibilidades de brincar e sonhar, com bolas de gude, pipas de papel seda, carrinhos de madeira, cavalinho de pau, etc.”

Corroborando com estas ideias, a Deputada Luiza Erundina, que discursou no Seminário Nacional sobre Brinquedoteca: A Importância do Brinquedo na Saúde e na Educação (2005, p. 13), destacou que,

[...] toda criança merece brincar e tem a necessidade de fazê-lo. Mas, este direito está comprometido, porque as crianças estão absorvendo compromissos que não condiz com suas idades, pois precisam trabalhar e estudar, conseguir notas altas, ou ainda, são vistas como adultos em miniaturas, enfim, a infância foi anulada.

Consequentemente, as crianças têm sua infância roubada pelas intenções dos adultos, sem espaço e tempo para as brincadeiras pertinentes a sua fase, ao seu verdadeiro papel: o de ser criança.

Pode-se dizer que a Brinquedoteca é um espaço que permite na contemporaneidade, o resgate em vivenciar o lúdico esquecido pelas pessoas, e negado às crianças. Mas, acima de tudo como destaca Cunha (2001, p. 16), ela tem a função de “fazer as crianças felizes, este é o objetivo mais importante”.

A Brinquedoteca favorece o cultivo da brincadeira, de forma livre, para as pessoas em qualquer fase da vida, como destaca Almeida e Casarin (2002, p. 2), a Brinquedoteca na escola, “é um espaço que permite o brincar livremente, com todo o estímulo à manifestação de suas potencialidades e necessidades lúdicas, com muitos jogos variados e diversos materiais que permitem a expressão da criatividade”.

Desse modo, este espaço de aprendizagem permite à construção da identidade, autonomia e das diferentes linguagens do educando. Para concretizar o pensamento, Cunha (2001, p. 17) descreve que a Brinquedoteca é “responsável por mediar à construção do saber, em situações de prazer, com gosto de aventura, na busca pelo conhecimento espontâneo e prazeroso”, e ainda, incentiva extravasar sentimentos, conhecimentos e emoções.

Sua presença no ambiente educacional não deveria ser uma alternativa, ou apenas uma opção a ser utilizada, mas sim, um espaço obrigatório nas escolas, em qualquer nível de ensino, pois deste modo favoreceria todos os envolvidos no processo de aprendizagem, já que brincar é direito do ser humano. Deste modo, deveria ser defendida e implantada pelas políticas públicas deste país.

No Seminário Nacional sobre Brinquedotecas denominado: “A Importância do Brinquedo na Saúde e na Educação, realizado em 10 de agosto de 2005, sob a coordenação da Comissão Legislativa Participativa da Câmara dos Deputados, foram discutidas questões relativas à infância e a “necessidade da presença da brinquedoteca em locais públicos. Este Seminário concluiu que esta meta deve ser o objetivo prioritário a ser defendido pelos governantes da esfera pública (municipais, estaduais e federais)”. Os participantes salientam ainda, a importância de rever o ato natural e espontâneo no brincar, pois o processo industrial, o estímulo ao consumo em massa de brinquedos ocasionou uma distorção da ludicidade, o que resultou na extinção de sua prática, inibindo assim, as possibilidades e potencialidades no desenvolvimento do ser, criança, sua naturalidade e sua fase de libertação. (Câmara dos Deputados, BRASIL, 2005).

Tendo em vista a importância da Brinquedoteca como espaço lúdico, ao tratar o brincar de forma séria, e não supérflua, os Deputados da Câmara – Parlamento Brasileiro e os estudiosos palestrantes (2005, p. 10) ressaltam que,

[...] o brincar é um direito da criança, na brincadeira ela constrói, se elabora e se forma. Os valores pedagógicos, psicológicos e terapêuticos adquiridos pelas crianças mediante a vivência com o lúdico são incontestáveis, principalmente quando se sabe que o envolvimento com os brinquedos criativos é um bom investimento da sociedade em termos de política educacional e de saúde pública.

  Noffs (2001, p. 160) conceitua a Brinquedoteca como,

[...] espaço onde a criança, utilizando o lúdico, constrói suas próprias aprendizagens, desenvolvendo-se num ambiente acolhedor, natural e que funciona como fonte de estímulos, para o desenvolvimento de suas capacidades estéticas e criativas, favorecendo ainda sua curiosidade.

Não sendo diferente, Cunha (1992, p. 38) define a Brinquedoteca como “esforço de salvaguardar a infância, nutrindo-a com elementos indispensáveis ao crescimento saudável da alma e da inteligência da criança”, com respeito ao ser humano, seguindo uma filosofia educacional que potencialize sua existência.

Além de todos os objetivos delineados, Caneiro (2006, p. 2) reforça dizendo que, a “brinquedoteca prepara o espaço do “faz-de-conta” para que seu ambiente seja impregnado de criatividade, de manifestações de afeto e de apreciação pela infância, a tal ponto que a criança se sinta esperada e bem-vinda”.

Não diferente, Kishimoto (1999 apud Souza 2008, s/p) definiu a Brinquedoteca em inauguração do Museu do Brinquedo da Universidade Federal de Santa Catarina como, “espaço de animação sociocultural que é encarregado da transmissão da cultura infantil como também pelo desenvolvimento da socialização, integração social e construções das representações infantis”.

Vale lembrar, por mais que a Brinquedoteca seja um local ideal para trabalhar o lúdico de forma saudável e prazerosa, esta não cumprirá sua real função se não houver a “alma de poeta e educador” e presença de um intermediário, o “brinquedista”, que atua mediando às situações e ações lúdicas com a criança, como defende Noffs (2001, p. 173),

[...] a brinquedoteca é um espaço onde o conhecimento a ser adquirido tem possibilidade de ser trabalhado em suas significações e o conhecimento já adquirido tem a possibilidade de ser ressignificado, permitindo dessa forma o desenvolvimento integral, harmonioso e a aprendizagem infinita da criança, sob a mediação do profissional deste espaço, o educador-brinquedista.

Em suma, compreendemos a Brinquedoteca como espaço à estimulação de pessoas das mais diversas faixas etárias. Local que oferta diversos brinquedos num ambiente propício à ludicidade, com liberdade, sentido, ou seja, um mundo de fantasia, que estimula o imaginário dos usuários, que leva-os a viver de forma prazerosa e saudável. Por conseguinte, consideramos que também se aprende.

3          CONCEPÇÕES E OBJETIVOS EDUCACIONAIS ATUAIS SOBRE A BRINQUEDOTECA

“Brinquedoteca, espaço criado para favorecer a brincadeira.

(CUNHA, 2001)”.

 Nos últimos anos, a tecnologia e a ciência obtiveram avanços significativos sob todos os âmbitos, refletidos na sociedade atual. Mas, no que tange à infância e o desenvolvimento da criança, houve progressos e regressos.

O brincar, por exemplo, faz parte e interfere no desenvolvimento das crianças, e progressivamente, estudiosos da área da Psicologia, da Pedagogia e outras ciências, reconheceram a relevância do brincar para o desenvolvimento global das crianças. Todavia, ocorreram regressos quanto ao espaço, tempo, objetos, condições de segurança, de liberdade e o convívio social que comprometeram as brincadeiras na fase infantil devido ao surgimento da modernidade e avanços tecnológicos.

A sobrecarga de funções na infância consolida precocemente a maturação dos “pequeninos”, devido ao acúmulo de responsabilidades geradas pelos pais e sociedade, elegendo prioridades consideradas por eles mais importantes que o brincar, como: informática, aulas de línguas, cursos de músicas, entre outros. Não desmerecendo os benefícios destas atividades citadas, mas, não permitir um momento de sua vida cotidiana para brincadeiras lúdicas na infância impede a liberação de energias acumuladas e tensões, que levam as crianças a apresentar problemas de saúde relacionados ao estresse por sobrecarga de tarefas.

Em vista disso, Puga e Silva (2008, p. 5) explicam que, aceleradamente, “nas últimas décadas o avanço tecnológico e científico decorreram transformações importantes na sociedade”. Isto acentua se considerarmos as pesquisas realizadas que conscientizaram os educadores da importância do brincar ao desenvolvimento integral das crianças e a qualidade e segurança dos brinquedos.

No entanto, as escolas também acabaram seguindo as transformações e imposições da sociedade e permitem que as brincadeiras fiquem no esquecimento ou sejam vistas como “perda de tempo”, substituindo-as por atividades diretivas, consideradas mais produtivas.

Mas, as ideologias educacionais atuais, de acordo com Puga e Silva (2008, p. 1) mostram que,

[...] iniciativas buscam resgatar os brinquedos e o brincar no seu sentido mais amplo, que são as brinquedotecas, estrutura física e social que tem como principal objetivo a promoção do desenvolvimento de atividades lúdicas e o empréstimo de brinquedos e materiais de jogo..

Conforme a visão moderna de Brinquedoteca apresentada por Balthazar e Fischer (2006, p. 123), é necessário a presença deste espaço na escola e, “ater-se também na atualização do acervo de brinquedos, incluindo os tecnológicos, pois a criança não deve ser privada da cultura lúdica do mundo em que vive”.

Contudo, conceber a Brinquedoteca no meio educacional como território destinado unicamente para suprir a falta de material didático-pedagógico, composto de objetos vazios de significação social, tornando o brincar diretivo com objetivos previstos, deturpa totalmente a concepção do brincar neste espaço.

Fantin (2000, p. 84) destaca que,

[...] é preciso romper com o mito do brinquedo educativo porque [...] ele não cumpre os critérios mínimos para ser considerado como uma brincadeira propriamente dita; é material didático ou pedagógico, pois, na maioria das vezes, ele não possui aquele elemento de imprecisão típico da brincadeira onde não se tem domínio e garantia do que vai acontecer e por isso fascina tanto as crianças.

Na atualidade, a concepção de Brinquedoteca nas escolas deve atender a todos os envolvidos no meio educacional, pois as atividades lúdicas são concebidas em qualquer idade, mesmo que nesta haja apenas brinquedos ditos infantis. Como ressalta Santos (2000, p. 58), “o lúdico precisa ser concebido na sociedade atual com uma conotação que extrapola a infância, pois os jogos e brincadeiras não são privilégios somente das crianças”. A autora reforça, que o ambiente lúdico deve favorecer a todas as fases de desenvolvimento do ser humano em todos os âmbitos do trabalho, da educação e da vida.

Fica evidente no relato de Santos (op cit) que a principal função da Brinquedoteca nos dias atuais não deve ser,

[...] apenas laboratório criado para a criança, onde é ela livre para brincar e o profissional, para pensar, discutir, analisar e pesquisar o valor do brinquedo no seu desenvolvimento. Da mesma forma, é um equívoco pensar que a finalidade da brinquedoteca é atender somente o público pré-escolar. A função da brinquedoteca, na atualidade, quando as crianças têm cada vez menos tempo e espaço para brincar e, os adultos não exercerem a sua ludicidade é de, sobretudo, proporcionar espaços lúdicos.

Em suma, a Brinquedoteca, deve ser entendida como um local que propicia a construção e reelaboração de aprendizagens, no qual brincar e aprender são considerados por conta da estrutura criativa e lúdica, sinônimos e inerentes ao ser humano. Sendo assim, exercer a ludicidade neste meio educacional é de suma importância para o educando, pois o mesmo consegue transferir para suas interações e vivências os significados relacionados à sua cultura, aos seus valores morais e conceitos num espaço contextualizado.

4    A IMPORTÂNCIA DA BRINQUEDOTECA NA INSTITUIÇÃO EDUCACIONAL COMO ESPAÇO MEDIADOR DE APRENDIZAGENS

“A brinquedoteca tem magia, encanto, beleza, alegria,

 [...] (CUNHA, 2001)”.

Após intensas modificações quanto às intenções e funções do brincar e sua relação com o aprender, o brincar atualmente, configura sua relevância à aprendizagem na infância, devido às influências de muitos estudiosos e pesquisadores, que realizaram pesquisas científicas a fim de comprovar se o lúdico realmente beneficia o processo ensino-aprendizagem, o que resultou no reconhecimento deste como elemento primordial e decisivo na infância que influencia na formação do ser humano no meio educacional, apesar das barreiras existentes, como: a falta de espaços, objetos e disponibilidade de tempo pela sobrecarga de conteúdos, que limitam esta ação na escola..

No entanto, a escola é agente de transformação que sofre intensas mudanças culturais e sociais, com a função de propiciar a construção do ser humano e, inserir espaços que proporcionam ações concretas e significativas na formação do educando. Mas, a discussão torna-se mais ampla quando objetiva-se nesta, valorizar a atividade lúdica no contexto escolar, reconhecendo a importância em articular o aprender e brincar para mediar conhecimentos e habilidades, requisitos básicos para construção do ser humano autônomo e autosuficiente para sua sobrevivência no mundo.

 Neste sentido, a Brinquedoteca na escola deve objetivar o ir além da infância, envolvendo toda a comunidade escolar, pois, além de ser um espaço de educação, é também de apreciação de brincadeiras, de compreensão e identificação de comportamentos adotados pelos participantes, para melhor conhecê-los.

Segundo Puga e Silva (2008, p. 1), a Brinquedoteca contempla os seguintes objetivos educacionais:

[...] resgatar para o âmbito da escola o caráter lúdico das atividades pedagógicas; oferecer para a criança no seu espaço escolar uma variedade de brinquedos; estimular a interação entre pais e filhos por meio dos jogos; valorizar o ato de brincar, respeitando a liberdade, a criatividade e a autonomia, possibilitando assim a formação do autoconceito positivo da criança; resgatar a brincadeira na vida do educando para a salvaguarda infantil; permitir a liberdade conscientizar pais e professores sobre a importância do brinquedo para a criança e o significado que ele tem para o seu desenvolvimento afetivo, social, cognitivo e físico.

A escola deve principalmente, ver a Brinquedoteca como agente mediador de aprendizagens, para estimular e aperfeiçoar os aspectos cognitivos, afetivos, motores e sociais do aluno, ou seja, como ressalta Hypolitto (2001, p. 177) que “todas devem estabelecer forte elo entre o conhecimento e sua construção, partindo das situações lúdicas, [...] e realmente concretizar-se, com significação”.

O ambiente educacional deve implantar o espaço lúdico oportunizando o direito de brincar e o resgate da ludicidade à criança, estabelecido no Estatuto da Criança e do Adolescente de julho de 1990, artigo 16 e inciso IV, “o direito à liberdade de brincar, praticar esportes e divertir-se”.

Considera-se então, a Brinquedoteca um espaço mediador de aprendizagens fundamental para compor o âmbito escolar, fazendo parte de suas estruturas com práticas educativas que estabelece relacionamento entre professor e aluno, maximizando as possibilidades o aprender, de forma livre, espontânea, prazerosa, com interação entre o objeto de conhecimento e com o outro, com tomada de decisão, com criticidade, enfim, situações que fazem parte das atividades lúdicas, do patrimônio histórico-cultural e a identidade da comunidade onde está inserida.

5       O ESPAÇO LÚDICO DA BRINQUEDOTECA: TIPOS, ORGANIZAÇÃO E O ACERVO DE BRINQUEDOS

“Um bom brinquedo é aquele que convida a criança a brincar. (CUNHA 2001)”.

A Brinquedoteca é muito mais que um espaço para depositar brinquedos. Tem como objetivo principal estimular o brincar e oferecer variedades de brinquedos e brincadeiras num local organizado que atenda da melhor maneira possível a todos.

As Brinquedotecas devem demonstrar o perfil de sua comunidade ou contexto sociocultural onde encontra-se instalada, para cultivar e ofertar aprendizagens a todos com formação mais humanizada e integral, como discorre Vaz (2009, 1), que “os brinquedos, atividades, estruturação, objetivos e serviços oferecidos à comunidade alvo tem variações”, pois atende as características deste, que determina a configuração do espaço, do acervo e do pessoal que irá mediar às atividades realizadas.

O local de instalação da Brinquedoteca deve ser composto por diferentes ambientes, simples ou sofisticados, com materiais recicláveis (construídos manualmente) ou industrializados (prontos). Mas, é essencial que a estrutura e os objetos decorativos (mobília, decoração) ofereçam às crianças liberdade, segurança e motivação para brincar, expressar e criar, seja individual ou coletivamente, mas exercer suas práticas sociais.

Para implantá-la, é necessário ter definido os objetivos e o público alvo a ser atendido. Em seguida, as atividades ofertadas, a localização e instalação da mesma, as regras e normas para atendimento, a composição dos objetos (acervo) a ser oportunizado, e mais que decisivo, o profissional que fará a mediação das atividades no local, ter conhecimentos básicos de seu funcionamento.

Vaz (2009, p.1) acredita ser interessante fazer uma pesquisa sociocultural e ambiental sobre comunidade local à implantação (vida e hábitos de brincar das crianças) antes de definir as atividades ofertadas na Brinquedoteca. É evidente a presença de salas de brinquedos sob diferentes enfoques como: hotéis, hospitais, clubes, shoppings etc. A diferença entre Brinquedotecas e estas salas encontra-se não no local ou tipo, mas nos objetivos estabelecidos para cada uma delas.

Com base nos apontamentos de Hypolitto (2001, p. 34), descreveremos abaixo os tipos existentes de Brinquedoteca:

Brinquedotecas escolar; Brinquedoteca comunitária; Brinquedotecas em Instituição de Atendimento Especial; Brinquedoteca em Instituições de Saúde; Brinquedotecas em Universidades e Faculdades: Brinquedotecas Circulantes; Brinquedotecas em espaços de entretenimento: em shopping centers, casas de diversões com parques e playground, centros culturais, entre outros; Brinquedotecas junto ás bibliotecas.

Quanto à organização, as Brinquedotecas são estruturadas com diferentes espaços ou “cantos”, que vem sofrendo variadas transformações desde o seu surgimento, sob intensa metamorfose evolutiva, adequada de acordo com o ambiente inserido.

De acordo com Vaz (2009, p. 2) existem duas formas de organizar o espaço para permitir o acesso das crianças aos brinquedos: através de empréstimos, para brincar em casa, ou então, a oferta de instalações para brincadeiras in loco.

Segue agora, descrições dos possíveis “cantos” que compõe a Brinquedoteca, com base nas idéias de Vaz (2009 p. 2) e Ramalho (2000, p. 84):

Canto do “Faz de Conta”; Canto da “Leitura; Canto das “Invenções ou Criação ou Sucatoteca”; Canto do Teatro ou do Fantoche; Canto da Oficina; Canto do Mural de Recados; Canto do Playground; Cantos dos tapetes e colchões; Canto da Pintura e Desenhos.

Algumas Brinquedotecas ainda contêm espaços geminados, ambiente externo com gramado, bacias de água, piscininhas para brincar com barcos de papel ou de plástico, mangueiras, plantas, caixa de areia, e objetos específicos para ser manuseados no local;

Para registro dos visitantes ou de empréstimos, adota-se o Livro Tombo ressalta Ramalho (2000, p. 84), com registro dos usuários, das informações sobre o brinquedo, sua numeração de identificação.

Os brinquedos são classificados conforme sua produção (artesanal ou industrializado), ao gênero humano (meninos e meninas); ao espaço para utilização (recintos fechados ou abertos), seguindo ordem alfabética, entre outros. Cada qual é atribuído valores de ordem funcional (qualidades intrínsecas e segurança), valor experimental (aprendizagem fornecida às crianças), valor da estruturação (estímulo a formação da personalidade, a imaginação, com projeção, transferência ou limitação) e valor de relação (as relações sociais, com presença de regras), sendo que o brinquedo obtém um fator dominante que servirá de indicação para sua classificação.

É importante notar que os brinquedos precisam motivar, despertar e atender as necessidades, criatividade e interesses da criança e, ser compatível a sua faixa etária e estágio de desenvolvimento; ser multifuncional, versátil, com devida atenção à composição, segurança, funcionamento, formato, características de cores, espessuras, tamanhos e durabilidade dos mesmos. Deve-se evitar brinquedos que instigam a violência e a situações eróticas.

Portanto, o acervo de brinquedos da Brinquedoteca deve permitir o desenvolvimento de capacidades e estimular potencialidades, criando a compreensão das mais diversas formas de arte, de comunicação e comportamento social equilibrado da criança, sob a orientação de um brinquedista ou responsável que entenda sobre o assunto.

6       PROCEDIMENTOS METODOLÓGICO

6.1       O Método

O estudo em questão caracteriza-se como uma pesquisa de campo e qualitativa, com o objetivo de conhecer a importância da Brinquedoteca no ambiente escolar como espaço mediador de aprendizagens, sob o ponto de vista dos professores de uma Escola Municipal da cidade Cornélio Procópio/PR. O âmbito em questão volta-se para o campo educacional da Brinquedoteca, como espaço para brincadeiras espontâneas, com função lúdica e não diretiva, e ainda, sem intervenção do professor, com destituição das intencionalidades da educação formal, e assim, possibilitar inúmeras vivências e experiências para desenvolver as potencialidades do ser humano.

A presente pesquisa foi realizada na cidade de Cornélio Procópio/PR, em uma escola da Rede Municipal de Ensino que atualmente atende alunos da Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental.

Participaram dessa pesquisa onze professoras, regentes de sala, do Ensino Fundamental I. Estas professoras atuam com crianças de quatro a doze anos de idade, aproximadamente. Elas são do sexo feminino, tendo formação em Curso Superior em Pedagogia, Magistério ou áreas afins.

Tendo como finalidade averiguar a concepção de cada professora acerca da Brinquedoteca no espaço escolar, realizamos a coleta de dados por meio de um questionário com quatro questões abertas direcionado às professoras que responderam em próprio punho. Tal coleta foi realizada no mês de agosto de 2009, mediante a permissão das dirigentes da instituição.

Houve a orientação as professoras participantes deste estudo, que respondessem às questões sem pesquisas ou repostas elaboradas com base em materiais diversos. A convocação do público alvo para a participação do estudo ocorreu através de comunicação verbal, após a expedição de documentos de autorização de nossa presença na instituição para as abordagens.

Convém comentar que as pessoas tiveram liberdade para participar ou não, mas, foram conscientizados da importância de tal estudo. A distribuição e recolhimento do questionário ficou a cargo das acadêmicas responsáveis pela pesquisa desenvolvida.

Portanto, este estudo procurou delinear, demonstrar e analisar os dados obtidos a fim de conhecer as opiniões de professores da rede municipal de ensino (Fundamental – séries iniciais) sobre importancia da Brinquedoteca no ambiente escolar como espaço mediador de aprendizagens.

6.2              ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Tratar-se-á, a seguir os professores entrevistados pelos seguintes códigos P1 até P11 conforme a apresentação de suas respostas, e considerando o posicionamento teórico e as informações obtidas através do instrumento para coleta de dados (questionário). Em seguida, apresentaremos os resultados do estudo e discussões com base nos referenciais científicos, destacando os pontos relevantes à pesquisa.

Ao questionar as professoras quanto à definição da Brinquedoteca (O que é a brinquedoteca em sua opinião?), demonstraram por meio das respostas que concebem o espaço como sendo:

 [...] reservado para que a criança desenvolva habilidade, através das brincadeiras, que facilitem o processo ensino aprendizagem, além de facilitar a socialização e desenvolvimento de valores. (P1).

 [...] lugar apropriado com brinquedos pedagógicos onde o aluno “brinca” sem a interferência, ou seja, a mediação do professor.(P2).

 Seria um espaço reservado para os alunos com objetivos lúdicos e pedagógicos. Imagino uma grande variedade de brinquedos educativos e de fácil manuseio dos alunos. (P4). cil manuseio dos alunos, atendendo principalmente a faixa etino aprendizagem, al

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Percebeu-se mediante as falas anteriores que os professores elegem a Brinquedoteca como um com espaço reservado, apropriado e equipado, com uma variedade de brinquedos lúdicos e pedagógicos, os quais estão à disposição das crianças para brincar e divertir-se, desenvolvendo assim, habilidades e aprendizagens neste local.

Contudo, quatro professoras participantes desta pesquisa (P5, P6, P7 e P8) apresentaram outras considerações distintas quanto à concepção da Brinquedoteca, ao destacarem que a mesma é um espaço composto de brinquedos diversos e utensílios, onde a criança poderá manuseá-los. Além disso, acrescentam que a Brinquedoteca facilita a socialização e desenvolvimento de valores, local propício para o professor observar os alunos, e seus comportamentos em diversas situações. Destacaram ainda, que ela seja um espaço que propicia a observação da criança sem a interferência do docente nas atividades, assim, tornando o processo de aquisição de conhecimento atrativo e divertido, com brinquedos coloridos, educativos e de fácil manuseio, que atende a faixa etária.

 

 [...] Espaço composto de brinquedos diversos e utensílios que não são mais utilizados, onde as crianças podem estar manuseando, fazendo o faz-de-conta, teatro e outras atividades livremente. (P5).

 [...] o professor poder observar como essa criança age em certas situações, sem a interferência, ou seja, a mediação do professor. (P6).

 [...] Neste local o processo de aquisição do conhecimento fica mais atrativo e divertido. (P7).

São brinquedos pedagógicos direcionados aprendizagem. Os brinquedos são coloridos. (P8)

 

 

 

 

 

 

 


 Compartilhando da opinião acima, Cunha (2001, p. 15 e 16) afirma que,

 

[...] a brinquedoteca é um espaço criado para favorecer a brincadeira, [...] aonde a criança (e os adultos) vão para brincar livremente, com todo o estímulo à manifestação de potencialidades e necessidades lúdicas". E ainda, “muitos brinquedos, jogos variados e diversos materiais que permitem expressão da criatividade”. Desta forma, a autora disserta que a brinquedoteca propicia a construção do saber, sendo uma “deliciosa aventura, na qual a busca pelo saber é espontânea e prazerosa.


postado por 125380 as 03:25:52 # 0 comentários
A IMPORTANCIA DA BRINQUEDOTECA NO AMBIENTE ESCOLAR COMO ESPAÇO MEDIADOR DE APRENDIZAGENS

RESUMO

O estudo caracteriza-se como pesquisa de campo, qualitativa, no propósito de verificar a importância da Brinquedoteca no ambiente escolar como espaço mediador de aprendizagens, sob o ponto de vista dos professores da Rede Municipal de Ensino de Cornélio Procópio. Para a coleta dos dados, utilizou-se de questionários, do qual, participaram 11 professoras da rede municipal de ensino. Quanto aos resultados, as docentes reconhecem a importância da Brinquedoteca para mediar aprendizagens no meio educacional, porém, apresentaram um pensamento diferenciado das teorias adotadas nesta pesquisa. Concluímos ser necessário à divulgação desta intenção de Brinquedoteca que apresentamos; cursos de atualização, visitas em locais que possuam Brinquedoteca escolar e, a adoção de estratégias para reforçar a sua função à estimulação da autonomia no brincar, destituído de ações impositivas dos mediadores na Brinquedoteca.


postado por 125380 as 03:14:42 # 1 comentários
 
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