João Lima retira apoio ao Carnaval de Januária
, mas a festa pode acontecer
JANUÁRIA - Reviravolta no Carnaval de Januária. A Prefeitura de Januária resolveu não investir no Carnaval 2007 no momento em que o município enfrenta sérias dificuldades com a inundação do início do mês. O prefeito João Lima de cancelar o apoio financeiro para o evento - segundo revelou um fonte a este blog. Uma fonte ouvida pelo blog contou que o responsável pela organização do evento, o promoter Aurélio Vilares, procurou o Ministério Público na manhã desta segunda-feira e ouviu do promotor Felipe Gomes de Araújo que seria impensável priorizar a festa popular em detrimento dos quase cinco mil desabrigados da enchente que assolou a cidade no início do mês.
Uma reunião com a presença de representantes das polícias Civil e Militar, da Secretaria de Turismo, do Sesc/Laces, imprensa, carnavalescos e representantes dos setores de hotelaria e bares que terminou agora há pouco decidiu pela realização do Carnaval. Aurélio Vilares propôs cobrar R$ 3 pelo ingresso mais um quilo de alimento não perecível. A proposta inclui ainda o aluguel do espaço a ser ocupado pelas barracas.
O prefeito João Ferreira Lima (PSDB) reuniu seu secretariado na sexta-feira e optou por não patrocinar a edição 2007 da folia. Foi o recuo do recuo, pois o prefeito havia cogitado cobrar ingressos para o folião ter acesso ao Circuito do Axé e depois decidiu que o bilhete seria trocado por um quilo de alimento não perecível. Outro ponto que teria pesado na decisão do prefeito foi o receio de críticas à administração no momento especialmente delicado do pós-enchente. A cidade ainda enfrenta o impacto da inundação ocorrida no último dia 4 e todo o Norte de Minas está mobilizado no socorro às vítimas.
Não havia clima para festa, avaliou o prefeito durante a reunião emergencial - um encontro tenso, segundo revelo nossa fonte, porque houve discordâncias abertas em relação à decisão.
Essa não é a primeira vez que o Ministério Público local bate de frente com o prefeito João Lima. Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) celebrado com a prefeitura no mês de dezembro e que ainda está em vigor, obrigou o prefeito João Lima a estabelecer cronograma para o pagamentos dos salários atrasados dos servidores municipais até o mês de abril. O acordo encerrou greve de três meses que paralisava o município.
A informação da desistência do patrocínio está na edição desta semana do jornal Tribuna do Vale, veículo ligado à administração. De acordo com o jornal, o prefeito João resolveu priorizar o socorro às vítimas da inundação e economizar os escassos recursos do município. "O executivo retirou-se da participação do carnaval, concentrando os recursos financeiros para o socorro às famílias flageladas", informa a Tribuna. A notícia caiu como uma bomba na cidade, porque o prefeito havia garantido o apoio financeiro ao evento em entrevista à TV Norte, afiliada da Rede Minas, e única emissora da cidade.
O Carnaval não será cancelado, mas passa a ser de responsabilidade das empresas Dark Eventos e da Star Promoções, terceirizadas do município para a realização do Carnaval nos últimos quatro anos. A prefeitura mantém o apoio que já havia assumido. E o caso dos gastos com a confecção dos abadás a ser distribuidos ao foliões vinculados aos blocos cadastrados para participar da folia.
O promotor de eventos Aurélio Vilares está reunido neste momento com o Ministério Público. A TV Norte exibiu entrevista com Aurélio Vilares sobre o assunto no telejornal do meio-dia. Desde o meio da tarde desta segunda-feira, o site da Rádio Alternativa (do mesmo grupo da TV Norte) exibe editorial em que condena a realização do Carnaval com verba pública (clique aqui para ler).
O burburinho nesse início de noite na cidade (além da curiosidade de saber se o Rio São Francisco sobe ainda mais) é de que a festa será mesmo cancelada. A avaliação dos organizadores é de que a cobrança de ingresso, além de não ser tradição para esse tipo de evento na região, seria insuficiente para arcar com as despesas. Numa palavra: sem dinheiro público não tem conversa. Uma reunião que acontece ainda esta noite - informa nossa fonte - vai decidir sobre o assunto.