Antigo anseio da população da região extremo Norte de Minas, obra ganha padrinho de peso em Brasília
O asfalto da BR-135 no trecho após Itacarambi, no extremo Norte de Minas, já teve muito candidato a pai ao longo das últimas quatro décadas. Acaba de ganhar um avô e um padrinho de alta patente. O deputado federal Humberto Souto (PPS-MG) pediu e o vice-presidente da República, José Alencar Gomes da Silva (PR), prometeu interceder nos escaninhos do governo federal em favor do asfaltamento da BR-135 entre as cidades de Itacarambi e Manga.
A conversa, a assessoria de Souto informa em nota da última quinta-feira, aconteceu durante encontro da bancada federal de Minas Gerais com o vice Alencar no Palácio do Planalto, na manhã da quarta-feira, 29 de abril. Humberto Souto entregou carta em que os prefeitos do Alto Médio São Francisco reivindicam a obra. Ficou acertado que o vice-presidente vai agendar audiência com os prefeitos e deputados votados naquela região para discutir o assunto.
Mas por que o deputado Humberto Souto se bate apenas pela pavimentação de parte da rodovia quando a reivindicação das lideranças da região é de que o asfalto chegue até a divisa com o Estado da Bahia? A referência ao subtrecho Itacarambi-Manga é exatamente pelo fato de que ainda não existe solução para pedaço da BR-135.
O asfaltamento da estrada entre Manga e Montalvânia já estaria garantido no plano de trabalho do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) por e graça de outros pretensos pais da estrada, os deputados petistas Paulo Guedes (estadual) e Virgílio Guimarães (federal). Uma das dificuldades para que o traçado da rodovia saia do ponto onde parou logo após a cidade de Itacarambi é que falta o licenciamento ambiental, sem o qual nenhuma obra sai do papel. É esse entrave que o Souto quer que o padrinho José Alencar tire do caminho.
O asfaltamento da BR-135 é aspiração antiga da população do extremo Norte de Minas. Tanto é assim, que o próprio Humberto Souto já esteve na condição de aspirante a pai da obra durante bom período entre as décadas de 70 e 90 do século passado, período em que foi representante da região no Congresso Nacional. Souto passou uma temporada no Tribunal de Contas da União e voltou à política após sua aposentadoria.
A BR-135 entre Itacarambi e Montalvânia continuava lá, intacta com seu velho dilema de ter ou não ter asfalto, a esperar quem lhe compre a causa. Ou, quem sabe, continuar inabalável ante o passar do tempo a servir como moeda de troca a cada temporada eleitoral, até que outros pais de plantão também ganhem seus cabelos brancos. Já escrevi aqui no Blog em ocasiões anteriores: entra ano e sai ano, nada muda. E o sertão continua ao deus-dará. Quem sabe agora.

















