A paz que perdemos
Nem a distância reduz o impacto do final trágico para o caso da menina Clara Valesca Cordeiro Moreira de Melo Figueira, de 10 anos, que estava desaparecida desde o último sábado em Januária, município de 60 mil habitantes no extremo Norte de Minas. Segui o caso, em princípio com pouco interesse, pelo site da TV Norte (www.alternativafm.com), de quem tomei por empréstimo a foto utilizada neste post.
A polícia solucionou o caso com rapidez incomum para essas circunstâncias ao deter, no final da tarde da quinta-feira, 06/05, na saída para Montes Claros, Luiz Fernandes de Souza, também conhecido como “Luiz Teiú”, 36 anos, que teria confessado atrair a vítima para um matagal a cerca de 5 km. do centro da cidade, onde foi estuprada, assassinada e enterrada em cova rasa.
Luiz Fernandes tentava fugir da cidade quando foi preso. Além do fato lamentável da bela Clara Valesca ter sua vida interrompida por esse monstro ainda na infância, há o fato inaceitável de que assassino devia estar enjaulado. Contra ele havia um mandado de prisão preventiva expedido pelo juiz de Direito da Comarca de Januária, Alex Matoso Silva.
Autor confesso no caso da morte de Clara, Fernandes, de acordo com nota distribuída pela Polícia Militar, é suspeito de ter praticado outros crimes “de natureza semelhante”. A beleza de Clara Valesca talvez tenha acionado o radar do pedófilo e assassino. Tudo muito triste e revoltante.
A tragédia da menina Clara deixou perplexa a população de Januária. Mas eu dizia que apesar de não ter presenciado a dor da família e o estupor da opinião pública ameniza a sensação de que, daqui a pouco, o fato será esquecido e que o psicopata Luiz Teiú possa, vá saber, sair das nossas inseguras cadeias para circular por aí em busca de mais uma vítima para o seu instinto bestial.
Há um tempo tenho planejado escrever um texto falando da estranheza que me causa receber os informes da Polícia Militar de Januária com o relato diário da violência que domina a região. Ali em estão, em menor escala, toda a sorte de mazelas que não é de hoje assustam a população dos grandes centros. A violência avança rumo ao interior do país na esteira do caminho percorrido pelo tráfico de entorpecentes e do velho problema da impunidade.
A questão é saber até quando, porque por mais que as polícias se orgulhem da sua eficácia, a sensação é de que estamos cada vez mais à mercê do crime organizado e de assassinos como esse Teiú, que nossas instituições de justiça e polícia não consegue manter atrás das grades. Minha impressão, eivada de certezas, é de que algo saiu dos trilhos desde que deixei a região, há 12 anos, e que a paz que o nosso isolamento fazia crer foi para sempre embora. Nossa idealização de que o interior é lugar seguro, de vizinha prestativa e cadeiras na calçada parace ficar cada vez mais distante em algum lugar do passado.

















